Pilares de Areia

10 You'll be alright, no one can hurt you now


Notas iniciais
Título: "Você ficará bem, ninguém pode feri-lo agora" Taylor Swift feat. The Civil Wars - Safe & Sound. . Recebi recados no Facebook, no Twitter, no WhatsApp, no WattPad, no Gmail, nas MP's, até na borra de café eu lia "Continua", "Cadê você?", "Não abandona por favor!", "Você sumiu", "Posta mais", etc. Foram mais de 3 meses ausente. Ausência que poderá virar rotina... Leiam as notas finais. . O Capítulo está enooorme! Minha beta viu tudo com muito amor e carinho, mas caso encontrem erros, podem puxar nossas orelhas. . Boa leitura.

Quando você presencia coisas ruins, dor, morte e desespero; quando você chega ao fim do mundo e sobrevive, você não imagina que haverá algo que o deixe tão desesperado, que o faça sentir medo com todo o significado da palavra.

Quando eu vi meu filho roxo sem poder respirar, tive o infortúnio de experimentar algo pior do que todo o desespero que senti naquele fatídico dia em que a lua se tornou sangrenta. Eu senti uma dor palpável ao pegá-lo no colo e não conseguir fazer nada.

Eu amava Ichiou com todas as minhas forças, aprendi a amá-lo como toda mãe deve amar um filho, contudo só notei a magnitude daquele sentimento quando estive prestes a perdê-lo.

Algumas horas antes

Havia sido uma jornada entediante. Poucos pacientes para aulas práticas, exatamente em um dia em que a turma estava empolgada para ficar em área. Estendi o horário de almoço para todos poderem passear, tirar um cochilo ou fazer o que quisessem. Sachiko e Nobu saíram, Emi e Hana preferiram ficar no hospital para adiantar os relatórios, e Ren se ofereceu para me acompanhar ao centro, mesmo eu negando e insistindo para que ficasse. Ele quis me acompanhar.

O que me preocupou foi o olhar da Emi para o Ren e para mim, um olhar que eu não soube decifrar. Eu tinha percebido a inclinação que Ren tinha por mim, porém acreditava que era algo tão sutil que só eu mesma notaria, contudo parecia que Emi estava percebendo também e, pelo seu olhar, ela reprovava.

Era dia de feira na vila, as principais ruas estavam congestionadas por tendas de hortifrúti e dezenas de pessoas com suas sacolas transbordando comida fresca. Pedi a Ren que me acompanhasse até lá, e depois pegaríamos um atalho para o local onde vendia os melhores dangos da vila. Precisava pegar tomates para o Sasuke e peras para o Ichiou, essas duas frutas não poderiam faltar em casa.

Ren fitava algumas frutas com uma atenção demasiada, de vez em quando perguntando os nomes. Eu respondia tudo espantada. Embora eu soubesse que no solo de Suna nem tudo se cultivava, eu imaginava que alguns legumes e frutas, tão comuns em Konoha, fossem facilmente encontrados lá também, entretanto, Ren não conhecia quase nada daquela variedade colorida.

— Experimente isto — estendi uma maçã verde para ele provar, e peguei outra para mim, mordi e ouvi o “creck”, logo me deliciei com a fruta suculenta. Era uma das minhas favoritas. Ren pareceu gostar também, tanto que comprou uma dúzia — Eu imaginava que Suna tivesse mais opções de hortifrúti, mesmo que escassa e por um preço mais alto — comentei.

— Nosso solo não é tão fértil quanto o daqui.

— Sim, contudo eu visitei a vila há alguns anos e conheci uma estufa muito bem projetada que continha uma gama de árvores, gramas, ervas, flores...

— Aquela estufa foi construída para atender nós, médicos, que uma hora ou outra precisamos recorrer a antídotos, misturas e compressas dessas plantas. Não há espaço, verba ou até mesmo interesse político para plantar uma macieira ali somente para os aldeões provarem essa fruta — fitou a maçã mordida e em seguida me olhou — Sobrevivi vinte e dois anos sem esse sabor, eles também irão sobreviver — sorriu de canto.

— Se eu fosse kazekage, meu primeiro projeto seria a construção de uma grande estufa exclusiva para alimentos que são encontrados somente em outras terras — ponderei alegre, balançando as sacolas — As famílias teriam refeições mais coloridas e saudáveis, isso provavelmente resolveria o problema de anemia que é maçante em Suna.

— Sobrevivi a anemia também — alfinetou com bom-humor.

— Pare de ser egoísta — exclamei lhe dando uma cotovelada de leve — Pense nas próximas gerações, ou até mesmo nas atuais, eles merecem uma vida melhor do que a que você e as gerações anteriores tiveram.

— Com certeza, Sakura-chan — chamou-me intimamente — Eu quero o melhor para a minha vila e o meu povo. Contudo os problemas de Suna são muito mais graves do que anemia ou desnutrição, são problemas cuja solução não é uma estufa para macieiras — Me olhou intensamente sorrindo — Você sonha como uma criança — comentou sem desviar o olhar, e aquilo mexeu comigo.

Me senti intimidada, invadida, incapaz de desviar, retrucar ou me igualar. Abaixei a cabeça, envergonhada, e segui ao lado dele atrás dos dangos.

Quem me visse tão rubra e iluminada, diria que eu estava mais parecida com uma adolescente despertada. Ren estava resgatando meu eu de alguns anos atrás, aquela parte de mim que eu preservei para o Sasuke até ter o coração quebrado, consertado, estilhaçado e rejuntado novamente.

É claro que naquele momento, na feira, eu só me senti um tanto tola pelo comentário que eu não sabia interpretar como elogio ou crítica construtiva. “Você sonha como uma criança”. Seria uma dica para eu buscar mais maturidade? Colocar minha razão acima das emoções? Ren era um mistério. Eu não sabia o interpretar, e isso foi me instigando ao longo do tempo a aceitar sua companhia sem relutância, às vezes até pedir, porque eu me sentia bem ao seu lado, gostava do seu riso, do seu olhar distante, da atenção ao me ouvir. Quando percebi tudo isso, meses depois, me senti perdida, porém sem culpa.

.o0o.

Ao fim do expediente no hospital, desci o mais rápido o possível. Tinha que lavar algumas peças de roupa do Ichiou antes de dormir. Me despedi de todos com um “boa noite” coletivo e saí do prédio. Normalmente, Sasuke já estaria me esperando do lado de fora, encostado no muro no hospital. Entretanto, esta noite, ele parecia ter se atrasado, o que dificilmente acontecia.

Encostei na parede e comecei a corrigir os relatórios dos alunos mentalmente. Revisei os dos cinco alunos, e Sasuke ainda não tinha chegado. Olhei para o relógio de pulso, era onze da noite, ele nunca tinha se atrasado tanto. Àquela altura, comecei a ficar preocupada e igualmente nervosa, afinal, especialmente naquele dia eu queria chegar cedo em casa e o Sasuke não aparecia.

Depois de alguns minutos, Ren saiu do hospital, já ia passar reto sem me notar, de repente parou e olhou para trás.

— O que está fazendo aqui ainda? — indagou caminhando até mim com o cenho franzido.

— Esperando o Sasuke — respondi com um sorriso encolhendo o queixo, suspirando ao pensar que já estava há uma hora ali.

— Senti seu perfume, achei que estivesse ficando louco — riu balançando a cabeça para os lados.

— Por isso parou e olhou para trás? — ele fez que “sim” com a cabeça — Não pensei que meu perfume fosse tão marcante — fiz charme rindo.

— Você o torna marcante — parei de rir — Em outra mulher seria só mais um perfume — acrescentou me olhando.

Paralisei. Não conseguia parar de olhá-lo e me sentir... Grata por aquelas palavras. E foi isso o que respondi, ainda presa no rosto de Ren:

— Grata pela gentileza, Ren.

Ele deu um meio sorriso torto e propôs:

— Posso levá-la para casa, se deixar.

— Não! — exclamei — Vá para sua casa descansar. Se Sasuke não aparecer em meia hora, eu vou caminhando.

— É perigoso voltar sozinha para casa nesse horário — Só me restou rir.

Ren ficou me observando, confuso e constrangido enquanto eu media as palavras certas para usar.

— Temos aqui uma inversão de papéis — comentei ainda rindo, torcendo para que não precisasse de mais nenhuma pista, mas sua expressão deixou claro que ele não havia entendido — Sou uma kunoichi, Ren. E das mais bravas — sorrimos numa troca de olhares.

— Desculpe-me pelo meu machismo — fez uma breve reverência, e ainda curvado, pegou uma das minhas mãos livres — Você parece-me tão frágil que, às vezes, eu esqueço que é capaz de colocar prédios abaixo com essas mãos — Ergueu o olhar de forma ambígua.

Me desvencilhei do toque da forma mais sutil que pude. Era uma situação muito constrangedora. Ren não disfarçava qualquer interesse por mim, e parecia ficar mais íntimo a cada encontro. Aquele formigamento na palma das minhas mãos também se tornara algo frequente quando ele fazia algo do tipo.

— Eu tenho que ir, Ren — anunciei timidamente.

— Não vou deixá-la sozinha, independente de quão forte e inteligente seja, Sakura-chan.

— Já que não tenho escolha... — suspirei derrotada — Fico preocupada com você, chegará muito tarde na hospedaria.

— Não tem ninguém me esperando — respondeu prontamente.

— Não sei muitas coisas sobre você — ele sorriu de canto — Você é o que menos fala durante as aulas, e sempre foge de assuntos pessoais.

— Não tem muita coisa interessante para saber de mim.

— Como não?

— Ora, apenas não tem — torci o bico — Cresci num povoado arcaico, não conheci muitas pessoas ou tive grandes experiências.

— Isso não quer dizer que você não seja interessante.

— Você não precisa demonstrar interesse por mim só porque eu demonstro por você, Sakura.

— Mas eu não...

— Vamos mudar de assunto. O mar. Você já viu o mar?

Naquele momento, eu percebi o quão estranho era aquilo, meu aluno me levando em casa àquela hora da noite; eu querendo desvendar sua máscara confiante, sedutora; ele me desmascarando como se eu fosse uma criança mentindo para os pais. Contudo, o que na minha mente era um fato — eu não tinha interesse no Ren —, meu coração queria saber quem ele era de verdade e por que era tão cordial comigo.

Era muito utópico cogitar sobre amor... Muito utópico, muito louco, muito cedo para julgar. Paixão? Platônica, talvez. Médicas e professoras são fantasias comuns entre homens, eu sou a fusão das duas imagens.

A conversa trivial foi ótima para distrair aquele o clima anterior, e, de certa forma, consegui conhecer Ren por meio das coisas que ele não conhecia, que fui explicando como podia, e fazendo falsas promessas como “um dia, quem sabe, não os levo para conhecer?”. Sempre no plural, sempre incluindo os outros, porque Ren tinha que entender que estava no patamar dos outros, era como os outros, com mais amizade e estima, talvez, mas igual sob minha ética.

— Me deixe aqui — pedi quando estávamos a dez metros na entrada do distrito.

— Você mora aqui? — perguntou investigando o local com o olhar.

— Sim, na única casa com vida — respondi com um humor negro — Muito obrigada, Ren. Você é muito gentil.

— Disponha — respondeu com seu sorriso torto, as mãos ainda nos bolsos, pareciam estar coladas no tecido da calça.

Queria abraçá-lo, me sentia mal por apenas agradecer e deixá-lo ir, porém não era oportuno. Nesse dilema, Ren virou as costas e voltou pelo caminho que veio, sussurrando um “Até amanhã”.

— Até amanhã.

Saiu tão baixo que nem eu mesma escutei.

A alguns passos de chegar em casa, escutei o choro desesperado do Ichiou. Corri até a porta de entrada, quase destruindo a maçaneta tamanha era minha afobação. Larguei minhas coisas no sofá e chamei pelo Sasuke, vasculhando com os olhos todos os cantos da casa. Ele veio da cozinha com Ichiou no colo, os bracinhos estavam em volta do pescoço do pai, o choro estridente fazendo seus pulmões incharem e se esvaziarem num ritmo atípico.

Estendi os braços para pegá-lo, angustiada:

— O que aconteceu? — Meu coração parecia um papel jogado ao fogo, encolhendo, crepitando, ardendo.

— Onde você estava? — Sasuke indagou num tom furioso que repudiei prontamente.

— Te esperando — respondi assim que Ichiou aninhou-se em meus braços, sem cessar o choro.

— Você não tinha que me esperar! Não imaginou que não fui porque algo tinha acontecido? — Seguiu-me pela casa, até o andar superior — Estava a ponto de manda um falcão para Tsunade.

— O que ele tem? — ignorei os ataques de fúria. Deitei Ichiou na nossa cama de casal, contudo ele se recusava a ficar, parecia agoniado.

— Você é a médica aqui — respondeu ríspido, andando de um lado para o outro, estava nervoso de uma maneira que eu nem me lembrava de ter testemunhado.

Passei a ignorar mais ainda Sasuke que estava vermelho, suando, ralhando, praguejando Deus e o mundo. Havia algo muito errado com o Ichiou.

O despi às pressas e dei ordens a Sasuke que atendia rapidamente, com o acréscimo das reclamações.

“Pegue o termômetro”

“Água”

“Pano morno”

“Estetoscópio. Aquele que parece um 'y'”

Sasuke já estava à beira de um colapso.

Ichiou já falava frases, pedíamos para ele dizer o que sentia, mas ele só chorava. Havia momentos que parecia que ia parar, mas voltava a gritar. Sua barriga estava dura, porém não eram gases. Ele não tinha febre. Não estava ferido. Era algo interno.

Da segunda vez que medi sua pressão, ele já tinha se conformado em ficar deitado, porém tomei um susto ao notar o tanto que tinha abaixado em questão de poucos minutos. Continuava a chorar, um choro menos estridente.

— O que houve? — Sasuke perguntou vendo minha expressão.

— A pressão dele está abaixando — comentei pegando o estetoscópio de novo e o examinando novamente para ver se não tinha deixado nenhum sinal passar.

Sasuke pegou Ichiou no colo, mas, dessa vez, o pequeno nem se segurou ao pai. Encostou em seu ombro e ficou gemendo, chorando. Enquanto eu examinava suas costas, percebi o ruído dos pulmões e me alarmei, olhando para o rostinho de Ichiou.

— Sasuke, ele está ficando roxo! — exclamei e o tomei dos braços dele. Enquanto Ichiou de vermelho de tanto chorar transitava para o roxo, Sasuke ficou branco e trêmulo, apostava que desmaiaria se não fosse a adrenalina que o mantinha em pé.

Corri para o banheiro e tentei manter Ichiou de pé em frente ao vaso sanitário. Sasuke ajoelhou-se ao meu lado e ficou perguntando o que poderia fazer. Eu precisava tira-lo dali senão ele desmaiaria.

— Prepare o inalador, rápido! — e ele foi, cambaleando.

Comecei a apertar a barriga de Ichiou, e cada vez que eu fazia isso ele chorava mais, porém era necessário. O problema estava ali e no pulmão.

— Filho, por favor, me ajuda — pedia desesperada, entre lágrimas, quando via que ele não aguentava mais ficar de pé e tentava virar-se para me abraçar — Por favor, me ajuda...

Abracei sua barriga por trás com mais força e senti que consegui estimulá-lo a regurgitar, entretanto seu canal respiratório estava praticamente fechado, então ele estava se engasgando. O choro cessou, e eu soube que se não agisse rápido, perderia meu filho. Deitei ele de buços no meu colo e coloquei o dedo em sua garganta, forçando o vômito. Ele tinha pequenos espasmos, porém não voltava, ficava cada vez mais engasgado e sem ar. Seus dedinhos, tão pequenos, roçaram na minha pele, frios. Meus olhos marejaram a ponto de embaçar minha visão. Eu estava agindo por extinto.

Apertei sua barriga mais uma vez e coloquei o dedo mais fundo em sua garganta, quase dei um grito de alegria ao ver que consegui fazê-lo voltar toda a comida. Entretanto foi uma felicidade temporária, pois somente tinha resolvido um problema, ele ainda estava sufocado, tanto que nem reagia mais. Liguei a ducha e entrei na banheira com ele, sentei e o coloquei no meu colo, massageando seu peito e sugando as secreções que tampavam seu nariz e em seguida cuspindo na banheira. Recorri à respiração artificial e tapinha nas costas também. Enfim, Ichiou deu um sinalzinho de melhora tossindo e voltando a chorar de forma engasgada.

Sasuke ressurgiu rapidamente na porta, os olhos vermelhos e arregalados, pálido, trêmulo. Ele olhou para o Ichiou e para mim, abracei meu bebê chorando e sorrindo, então ele pareceu ter entendido o recado.

Tudo ocorreu em poucos minutos, mas parecera uma eternidade naquele banheiro, naquela banheira dura e fria. Eu ainda tentava assimilar as coisas, me sentia desnorteada. Se Ichiou não estivesse nos meus braços, eu me convenceria de que tinha sido um terrível pesadelo, entretanto foi real, pavorosamente real.

— Quase perdemos nosso bebê, Sasuke — abracei Ichiou com mais força — Quase o perdemos.

Então pela segunda vez, eu vi Sasuke chorar, tremer, cambalear em nossa direção, entrando na banheira e nos abraçando. Ichiou ainda estava gemendo e resmungando nos meus braços. Sasuke nos deu um beijo cálido na cabeça e sussurrou seu “eu te amo”:

— Obrigado. Obrigado. Obrigado.

Não parou de repetir.

.o0o.

Tomamos banho juntos com a água mais quente do que o usual, tendo cuidado dobrado com o Ichiou que não estava totalmente recuperado. Sasuke esfregou minhas costas, eu lavei seus cabelos. Não trocamos mais nenhuma palavra, compartilhamos do mesmo desespero minutos atrás e ainda estávamos incrédulos. Suas mãos em minhas costas eram tão suaves, me faziam carícias. Ele deixava um rastro de beijos, o cabelo roçando na pele fazia cócegas... Era bom, era maravilhoso estar ali, porém ao mesmo tempo sufocante. Era amor ou gratidão?

Saímos rapidamente da banheira sacando a toalha do Ichiou para não o deixar com mais frio, secando nossos próprios corpos só depois. Vesti o Ichiou com um pijama de flanela e coloquei um moletom por cima, quando terminei Sasuke já entrava no quarto com a mamadeira de leite, fechando a porta e apagando as luzes do corredor. Não precisamos discutir sobre onde Ichiou dormiria naquela noite e possivelmente nas seguintes. Como ele tinha medo de escuro, deixamos o abajur ligado e deitamos ao seu redor.

Coloquei um travesseiro mais grosso para elevar a cabeça dele e ter menos risco de sufocamento durante a noite; um inalador na minha cabeceira; desentupidor de nariz; água; estetoscópio; caixa de primeiros socorros e o brinquedo favorito dele.

Demorei um pouco para dormir, Sasuke também. Estávamos exaustos, mas a preocupação superava qualquer cansaço acumulado.

— Durma. Vou vigiá-lo por algumas horas, depois te acordo — Eu sabia que ele não me acordaria.

— Ele já está melhor, Sasuke. Podemos dormir. Qualquer suspiro mais profundo iremos acordar, então vamos aproveitar enquanto ele está estável.

Sasuke concordou, relaxou, e segurou minha mão por baixo do cobertor:

— Eu estava vendo meus pais. Meus pais mortos e eu sem poder fazer nada. Voltei a ter oito anos. Senti as mesmas emoções. Senti que tudo iria repetir. E quando desci, jurei me matar se meu filho morresse — assustei-me com a revelação — Então você resolveu tudo... Deu a luz a Ichiou mais uma vez. Obrigado, Sakura.

A voz embargada silenciou-se e a claridade denunciou algumas lágrimas correrem o rosto de Sasuke, apressadas, morrendo travesseiro.

Notas finais
Então galerinha! Me digam o que acharam nos comentários, pode ser? . Pegando o gancho de lá de cima, vou passar umas informações para vocês: Vocês já sabem que eu trabalho, não sabem? Ótimo. Precisam saber que eu trabalho das 15h30 às 23h30, ou seja, chego em casa num horário em que ninguém com responsabilidades deseja ficar muito tempo acordado. Vocês sabem que comecei a faculdade? Então, comecei há um mês, e tem sido MUITO exaustivo. Acordo 05h30 e para chegar 07h30 no Mackenzie, já vou destruída, parecendo uma nóia sob efeito de cocaína, só que o meu caso é café extra forte mesmo. Tudo bem, já sabem que eu estudo de manhã e trabalho à noite. Sobra um tempo no dia? Sobra. Chego 13h em casa e fico até as 15h. Tenho 2h livres para almoçar, tomar banho, preparar uniforme do trabalho, estudar, dar uma tapeada na organização da casa e SE sobrar tempo, eu consigo cochilar um pouquinho. Tudo isso em 2 horas. "Ah, mas eu tem um tempo livre em algum momento!" Sim, tenho, sim. Nas minhas folgas do trabalho e na parte da manhã nos fins de semana. O que eu faço nesses dias? Organizo minha bagunça semanal, dou uma atenção para a minha família, estudo mais um bocado, vou para a casa do meu namorado dar uma atenção e ainda estudo lá, às vezes saio, às vezes durmo, às vezes quero morrer. O que minha rotina tem a ver com isso aqui? Tudo. 1º porque sou EU quem escreve as fanfics; 2º porque muitas pessoas precisam das coisas explicada nos mínimos detalhes para entender; 3º porque quero que vocês que são mais novas do que eu, que estão no ensino médio, não trabalham e passam a tarde inteira lendo/escrevendo fanfic, percebam que a vida não é só hobby. Uma hora a mordomia vai acabar, amiga. A não ser que você seja rica. Aí você pode ficar aí mandando vários recados para eu continuar a fanfic, pois a única coisa que você faz da sua vida é isso. "Ah, mas antes você postava regularmente" Antes eu tinha menos responsabilidades. Entendam que as pessoas crescem, adquirem necessidades e precisam abrir mão de muitas coisas para suprir essas carências. Não abro mão das minhas fanfics, eu sempre digo NÃO ABANDONO FANFIC, eu estou apenas com dificuldades em relação ao meu tempo livre, estou cansada... São fatores externos, então a única coisa que podemos fazer é nos entender, gurias. Pode mandar mensagem, entretanto tenham um bom-senso. Pode soar rude, contudo eu não vivo para escrever fanfic, eu vivo para outras coisas. "Ah, mas você disse que Pilares de Areia está manuscrita há anos". Sim, está, contudo eu estou fazendo adaptações, acrescentando muitas coisas que não estão nos cadernos e agendas, então eu tenho que criar novamente e dosar o que irei escrever para não alterar muita coisa lá na frente. É trabalhoso, eu preciso pensar em diversas possibilidades para a mesma finalidade. Escrevi, reescrevi, apaguei, acrescentei... Este capítulo foi um capítulo complicado, gurias. Reescrever algo que já foi escrito é mais difícil do que criar do zero. . Bom, acredito que já falei o bastante, o essencial, e espero que entendam e perdoem-me pela ausência. . Não darei prévia para a postagem do próximo. . Obrigada pelos comentários, recomendações, recados carinhosos e motivadores!!! . Shalom.