Pilares de Areia

7 So they say it's best to go your separate ways, guess that they don't know you


Notas iniciais
Título: "Então eles dizem que é melhor seguirmos caminhos diferentes, acho que eles não te conhecem" Eminem feat. Rihanna - I love the way you lie . Betado por Anjo das Trevas =) . Oi, gente! Desculpa a demora! Aqui está um novo capítulo fresquinho, betado, escrito com muito carinho

De sexta-feira para sábado, passei a tarde e parte da noite adiantando as comidas do almoço do dia seguinte. Os convidados trariam alguma bebida ou sobremesa enquanto os petiscos e os pratos principais eram por minha conta.

Sasuke me evitou a semana inteira, totalmente contrariado e com o orgulho ferido. Contrapondo sua imaturidade, eu o cumprimentava normalmente, fazia perguntas e tentava puxar assunto, me recusava a participar do jogo de invisibilidade que ele criara só porque estava se sentindo contrariado. Sasuke passava por mim como se eu fosse parte da paisagem. Isso me fazia rir sozinha.

— Sabe que não poderá ficar nesse joguinho pra sempre, não é? — indaguei com divertimento, enquanto ele fazia a barba. Acariciei suas costas quando não obtive resposta, contudo ele me repudiou. Sorri derrotada e me despi para ir dormir, a noite estava quente e abafada.

Esperei Sasuke vir para a cama com uma paciência tola, estava me deliciando com aquela situação, pois eu já esperava que ele se colocasse contra minha ideia improvisada, só não achei que ele fosse levar isso tão adiante. De qualquer forma, eu não voltaria atrás, no dia seguinte nossa casa estaria cheia, então Sasuke seria obrigado a engolir o seu aborrecimento.

— Será possível que todo esse estresse seja somente por conta de um almoço amistoso? — com os olhos segui seus movimentos.

— Não.

— Então me diz, por que está tão irritado? — perguntei próxima a sua boca, assim que ele se deitou ao meu lado.

— Porque você está me tirando do sério.

Soltei um riso abafado e rolei para cima dele. Meus seios roçaram em seu peito nu, e eu logo percebi que toda a rigidez que Sasuke sustentava começou a ceder.

— Você está nua — observou. Eu assenti. — Está dormindo nua de propósito.

— Talvez.

Nos encaramos por alguns segundos, minutos, talvez, até que Sasuke não se conteve. Sem o mínimo de delicadeza, ele rolou meu corpo para baixo dele e sugou meu pescoço como um animal sedento. Se meu corpo fosse uma casa, estaria cheia de teias de aranha pelo tempo que Sasuke não o visitava. Com toda certeza, ele dormiu em outros braços nesse meio tempo, Sasuke não era o tipo de homem que passava uma semana sem me importunar e, de um mês para cá, nem “boa noite” ele me dava. Não acreditava encontrar uma resposta alternativa para este fenômeno senão chifre. Afinal, mesmo quando brigávamos antigamente, ele me procurava.

Eu precisava manter nossa relação o mais próxima possível do que era antes. Se dependesse da minha vontade, eu nem olharia em seus olhos de traidor, não me deitaria sob o mesmo lençol, não compartilharia nenhuma refeição, mas eu precisava agir como se não soubesse de nada, pelo menos por hora. Eu precisava de tempo. E também, querendo ou não, eu precisava dele.

Tentei convencer minha mente de que aquele fogo dentro de mim era uma mera resposta biológica aos estímulos, só que eu queria estar ali sob ele, com meus seios comprimidos em seu tórax, minhas pernas dando câimbras, meus dedos fechados num punhado de lençol, tentando me agarrar a algo menos abstrato do que as ondas que eu sentia a cada toque de Sasuke.

Eu duvidava muito que uma noite de amor nos apaziguasse, embora eu conhecesse Sasuke o suficiente para saber que no dia seguinte, quando eu o olhasse de um jeito mais íntimo, ele se lembraria de nós e ficaria com as maçãs do rosto coradas. Acontecia, geralmente em público. A manhã seguinte seria perfeita para o ver constrangido. Ainda mais se eu deixasse algo mais tangível para ele se lembrar e se envergonhar como um adolescente que acabou de perder a virgindade.

Sasuke estava com tanta urgência que não perdeu muito tempo com preliminares, espalhou seus beijos aqui e ali, usou seus dedos ágeis por algum tempo, até que seu egoísmo falou mais alto. Ele pegou minha coxa direita e a ergueu, apoiando a batata da perna no seu ombro. Eu estava um pouco seca e, pelo tempo sem me relacionar, os músculos da vagina deviam estar bem comprimidos porque assim que ele introduziu dentro de mim, senti a dor semelhante a primeira vez, a diferença era que depois que entra, não dói mais.

Sasuke urrou como se tivesse acabado de gozar. O ritmo das primeiras estocadas era lento, aumentando gradativamente, aos poucos fazendo com que ficasse tão bom para mim quanto para ele. Só que eu não poderia perder o foco. Com um impulso, inverti a minha posição submissa e fiquei sentada em cima dele, que assim que viu eu me movimentar, fechou os olhos e jogou a cabeça para trás, murmurando coisas desconexas. Quando diminuí o ritmo, reergueu a cabeça e agarrou com força minha cintura, forçando para cima e para baixo com mais rapidez, fazendo meus seios saltarem. Ele estava quase lá.

De repente, me afastou para o lado e ficou ajoelhado na cama, só esperei seu próximo movimento, que foi brusco e desvantajoso para mim. Sasuke me virou de buços e puxou meu quadril para cima na altura de sua virilha. Tentei me erguer sobre o antebraço, mas ele foi mais rápido e apoiou a mão espalmada nas minhas costas. Voltou a me estocar com mais rapidez e vigor do que antes, podia sentir que ele estava chegando em seu ápice. Ele me penetrava com tanta força que chegava a doer.

Mesmo naquela posição ruim, usei minha força para o tirar de dentro de mim, ao mesmo tempo em que passei a perna esquerda pelo seu pescoço, virando meu corpo e o prendendo entre as pernas.

— Porra, Sakura! — Urrou tentando sair — Eu tava quase...

— Eu sei — o apertei mais — Você precisa escutar uma coisa.

— Não podia deixar para depois que terminássemos?

— Não — agarrei-o pelo pescoço e o puxei para cima de mim, o prendendo novamente com uma chave de coxa apertada o suficiente para fazer os músculos ao redor ficarem doloridos por dias. Com a mão livre, segurei seus testículos e apertei de leve. Sasuke soltou uns quinze palavrões seguidos — Você vai sentar à mesa comigo amanhã — impus rindo, não estava aguentando aquela cena.

— Você ficou louca? Tá me machucando, Sakura! — vociferou com as veias pulsando.

— Responde que sim — apertei mais. Ele deu um grito que poderia ter acordado o Ichiou.

— Mas que inferno! Por que você está fazendo isso? Enlouqueceu? — rosnava furioso.

— Sasuke, há dois anos tentamos resolver tudo na conversa e praticamente todas as vezes você sai beneficiado — Sasuke se debatia, tentava ganhar um impulso com seus braços livres, mas estava numa posição difícil — Se eu tiver que jogar baixo para conseguir que pelo menos uma vez você faça algo que eu quero, eu jogarei — falei séria, olhando diretamente em seus olhos — Me dê algum motivo que faça eu querer continuar dividindo uma cama com você — pedi cedendo, meu lado sensível arruinando tudo novamente — Amanhã, você se sentará ao meu lado e será cortês com todos os convidados.

Ele relaxou. Mesmo com minha mão agarrando seu pescoço, ele conseguiu se aproximar o suficiente do meu ouvido para sussurrar:

Me obrigue.

Revirei os olhos por pura irritação. Passei a minha mão para o seu pênis e comecei a estimulá-lo, lentamente, fazendo isso só para matar tempo.

O que eu iria fazer?

Em nenhum momento afrouxei minhas pernas ao redor de Sasuke, nem quando ele me beijou com os olhos abertos para verificar se eu cairia em seu encanto clichê. Idiota. Pelo movimento dos seus quadris, dava para entender que ele implorava para eu aumentar a velocidade da masturbação. Homem é um bicho tão engraçado... Por pirraça, soltei minhas mãos do seu membro duro e suplicante. A expressão de Sasuke era a mais dúbia de todas. Aproximei seu pescoço da minha boca e suguei, tão forte e por tanto tempo que uma mancha escura de sangue se formou naquela pele branca como leite. Sasuke, o homem tímido para questões entre quatro paredes, infiel e rude, agora tem uma marca indiscreta que o lembrará por algum tempo que a mulher que ele escolheu para ser sua galinha dos ovos de ouro não estava mais a fim de ser coadjuvante na sua vida.

— Tudo bem — sorri acariciando seus cabelos sedosos — Não tenho como obrigá-lo — o libertei do aperto das minhas pernas e rapidamente ele se ajeitou entre elas, não aguentando segurar seu instinto, tanto o sexual quanto o de levar aquela situação na brincadeira.

Ele me fez com força, com raiva, grunhindo, apertando as minhas nádegas, meus seios, meus braços. Me virou de quatro novamente, mas desta vez, segurou ambas minhas mãos atrás das minhas costas e se entregou seguramente ao seu prazer. Puxou meu cabelo para trás e começou a sussurrar no meu ouvido:

— Todo esse teatrinho só me excitou mais — Ele já tinha gozado, mas não saiu de dentro de mim — Agir como se tivesse algum controle sobre mim — riu — … com tanta confiança... — sugou meu lábio inferior — só me instiga — deu um tapa desnecessário na minha bunda.

— Este é o seu erro, Sasuke. Me subestimar.

— O que você vai fazer?

— Vou sumir no mundo com seu filho.

Sasuke deu um meio sorriso cético, tirou seu membro mole de dentro de mim e manteve seu olhar no meu que não vacilou nenhum segundo. Que bela ameaça, ele deve pensar com deboche. Ele acreditava cegamente que eu jamais faria isso, contudo, era umas das coisas em que eu mais vinha pensando.

— E antes de sumir no mundo, vou estourar suas bolas para que você nunca mais engravide uma mulher. E não adianta me olhar com essa cara, você sabe que sou capaz disso.

— Pode ao menos me dizer o porquê desse ódio por mim? — sorri de canto.

— Você é inteligente, Sasuke. Pense um pouquinho e logo descobrirá.

Embora ele não me levasse à sério, eu me sentia leve por dizer o que eu queria dizer. Ele só me escutava, não me ouvia de verdade. Eu não era mulher para reclamar de nada, eu não era mulher para agir. Esses supostos pensamentos de Sasuke só o atrasavam, porque eu estava reclamando e agindo, ao meu modo, e mais cedo ou mais tarde ele seria pego de surpresa.

.o0o.

— Sejam bem-vindos! — recebia a Ino, acompanhada pela Hinata, Kiba, Tenten e Rock Lee, os cumprimentando e abrindo espaço para entrarem da única casa habitada do Distrito Uchiha — O banheiro é aqui à esquerda, o restante do pessoal está nos fundos — indiquei — Vão entrando que logo me juntarei à vocês.

Estava uma correria. Por estar sozinha, eu tinha que me virar. Dar conta de levar as comidas ainda quentes para a mesa, pegar algum utensílio que faltasse, dar atenção a todos, cuidar do Ichiou e ainda ter que responder perguntas embaraçosas como “Onde está o Sasuke?”.

— Deve estar trabalhando, Naruto — tentei responder da forma mais natural e branda o possível.

— Mas hoje é domingo — exclamou com desconfiança.

— Sasuke não folga há um tempo.

— Impossível, alterei as folgas dele coincidindo com as suas para que ele passasse mais tempo com vocês.

— Você fez isso? — minha surpresa foi impossível de mascarar — Sendo assim, não faço ideia de onde ele está ou por onde tem andado — respondi forçando um sorriso, carregando uma travessa com tomates e cebolas para fora, mas Naruto bloqueou minha passagem de modo que nem percebi, estava perdida imaginando por onde Sasuke andava toda quinta-feira e aos domingos.

— Sabe que pode me dizer o que está acontecendo — desviei o olhar, de repente o formato dos tomates era mais interessante do que a expressão perturbada do Naruto.

— Agora não é o momento.

— Quase não nos vemos, Sakura! Você se afastou de todo mundo — exclamou.

Fugindo novamente do olhar fraternal do Naruto, olhei por cima de seus ombros e percebi Hinata nos observando um pouco mais afastada.

— Oi, Hinata — fugi do assunto em que Naruto tentava me afogar.

Hinata aproximou-se com cautela, parecia muito embaraçada. Naruto apenas virou a cabeça para se certificar, porém permaneceu de costas para ela, do jeito que estava quando impediu minha passagem.

— Ahm... Eu... Queria um pouco de... açúcar — disse enfim, entre gaguejos e olhares que migravam das costas do Naruto para mim.

— Só vou levar essa salada para a mesa e já volto para buscar o açúcar, tudo bem?

Propositalmente os deixei a sós e demorei bastante tempo para voltar à cozinha, afinal, estava claro que Hinata nos espiava, curiosa ou até mesmo enciumada. O açúcar foi a melhor das piores desculpas que encontrou para não ser flagrada, pois já havia uma porcelana com o adoçante no centro da mesa.

Nenhum de nós tínhamos engolido o casamento forçado de Hinata com seu parente. Era claro como água o amor que a Hyuuga sentia pelo jovem Hokage e o quão recíproco isso era. Eu tinha esperanças de que Naruto reacendesse a chama rebelde em seu peito e lutasse pelo seu amor. Diferente do seu melhor amigo, Naruto tinha uma inclinação romântica e heroica, enquanto Sasuke me lembrava um cavalheiro solitário e sádico, com um ego grande demais para dividir espaço com uma mulher.

Se meu coração tivesse se desapegado do Sasuke, pelo menos um pouco, creio que tentaria amar o Naruto. Ele olhava para a Hinata como se o paraíso fosse o lugar onde ela estivesse. Se o Sasuke um dia me olhasse dessa forma, eu não precisaria de mais nada para me fazer feliz. Só de imaginar alguém me olhando com essa emoção, saber que eu sou a dona daquele olhar, me sentiria a mulher mais amada do mundo. Isso sempre me atraiu no Naruto. Ele fazia com que você se sentisse a pessoa mais especial no universo.

— Adorei o novo visual, Sakura-chan! — Lee exclamou assim que surgi na varanda com os a salada.

— Obrigada, Lee — agradeci entre risos, um tanto sem graça pelo súbito elogio.
— Não agradeça ao Lee, agradeça a mim! Eu que te levei para dar um upgrade.

— Já te agradeci, Ino. Diversas vezes, aliás.

— Você anda tão sumida, Sakura. Fiquei surpresa com o convite para almoçar — Tenten comentou.

— Ichiou consome todo o meu tempo e energia. Sem contar que não seria apropriado eu continuar saindo quando tenho uma família.

— Mas o Sasuke ainda sai com a gente às vezes.

Aquela informação era nova. Sasuke saía com eles? Pensava que, tirando Naruto e Kakashi, as amizades do Sasuke eram seus companheiros da Anbu, somente.

Eu não sabia o que responder para Kiba sem deixar óbvio que eu não sabia desse fato. Pensar que as ausências do Sasuke eram devido às saídas com os amigos era melhor do que pensar que ele estava com alguma mulher. Da mesma forma, era inquietante.

— Sasuke tem mais tempo e disposição do que eu. Sem contar que, enquanto um sai, o outro precisa cuidar do Ichiou, e geralmente sou eu quem prefere ficar em casa.

Aparentemente, a resposta bastou, pois Kiba apenas assentiu e voltou a atenção ao seu prato, jogando os ossos para Akamaru no quintal.

— Por essas e outras eu não vou inventar de ter filho cedo — Ino fez questão de se posicionar. Foi como se alfinetasse a minha bunda.

— Você nem tem marido para pensar em ter filho — Tenten retrucou.

— Mas em breve arranjarei um par. E enquanto eu estiver na casa dos vinte, viverei plenamente a juventude.

Rock Lee aprovou a filosofia de Ino prontamente. Eu apenas sorri, um tanto incomodada, e saí para atender a campainha.

Passando pela cozinha eu dei uma olhadela, esperava encontrar Naruto e Hinata conversando, mas para a minha surpresa, ela estava vazia. Abri a porta e fui surpreendida pelas pessoas que faltavam: Sai, com uma bandeja de morangos; Yamato, com biscoitos; Shizune, com Tonton; Tsunade, com duas garrafas de sakê e Kakashi, com uma sacola.

Fiz reverência a todos, com exceção de Sai que fez questão de dizer “Você está menos feia hoje, Sakura-san”. Os acompanhei até a mesa posta no extremo da casa, em seguida os deixando para pegar mais quatro pratos e talheres. Percebi quando Tsunade me seguiu, mas não falei nada.

Não nos falamos muito nos últimos meses, pois estamos sempre ocupadas, em alas diferentes ou sem assunto. Tsunade continuava a me olhar de forma matriarcal, porém, com um tanto de deboche. Ela não gostava muito do Sasuke. Ela diz que ele lhe causou muita dor de cabeça, entretanto sempre respeitou meus sentimentos, só agora eu via a zombaria em suas íris castanhas.

— Qual o motivo do almoço? — perguntou examinando minhas louças.

— Nada especial. Queria revê-los, conversar, apresentar a casa... Acho que nenhum de você conhecia este lugar a não ser por nome.

— Digamos que o Distrito Uchiha não é parada turística da vila.

— Certamente — sorri.

— Agora fale a verdade, qual o objetivo disso?

— Já disse! Também estava com a despensa muito cheia, não íamos dar conta de tanta comida. Resolvi fazer um grande almoço.

— Entendo — Encostou na parede e me fitou séria — Não vi o Sasuke. Ele está com o Ichiou?

— Não — suspirei revirando os olhos, estava cansada da mesma pergunta — Acho que está trabalhando — dei os ombros.

— Você acha?

— Sim — Tsunade riu, balançando a cabeça para os lados.

— Como não sabe onde seu marido está, Sakura?

— Não sei, não vivo grudada com ele! — exclamei irritada.

— A questão não é essa.

— Então o que é? — fechei a porta da geladeira de uma vez.

— Fiz uma pergunta simples, não há motivo para você se exaltar — Encostou na pia fitando a janela aberta. Não tínhamos uma boa vista dali. Tudo ao redor da casa era o cenário abandonado de um filme de terror.

— Desculpa, Tsunade-sama — passava as mãos pelo rosto nervosamente — Desculpa — repetia.

— Está tudo bem.

— Eu sei que não perguntou nada demais, é só que... Todos estão perguntando e não é como se fizesse diferença se ele estivesse aqui.

— Seu casamento não está bem.

— Está uma merda — potencializei o quão ruim estava.

— Foi tão repentino que nem tivemos tempo para a avisar. Já esperávamos por isso.

Quem esperava?

— Kakashi, Shizune, eu... Não sou boa em apostas, mas nessa eu tinha certeza que ganharia, e você sabe que considero um mal presságio quando me dou bem em alguma aposta.

— Eu pensei que com o tempo as coisas melhorariam — disse me aproximando.

— Talvez. Suponho que não começaram de uma maneira convencional. Não faz o tipo dele.

— Ele me parou na rua e pediu para eu ajudá-lo a fazer uma família — revelei envergonhada e com vontade de rir do quão absurdo aquilo era.

— E você aceitou ser sua galinha dos ovos de ouro. Mas ao invés de ovos, bota Uchihas no mundo — riu.

— Aceitei porque eu ainda o amava, sem contar que já estou na idade de arranjar uma família. Se eu não tivesse me envolvido com o Sasuke, ainda estaria solteira e morando com o meu pai. Tenho certeza que não me envolveria com alguém tão cedo.

— Por um momento, eu achei que vocês estavam se dando bem. Você voltou a trabalhar quando Sasuke a proibiu. Minha hipótese era que haviam chegado a um acordo.

— Em partes. Tenho o enfrentado para continuar minha vida normalmente como ele continuou com a dele. Se eu pudesse, voltaria a trabalhar um plantão completo, poderia até turnar de madrugada. Eu me sinto tão bem quando estou no hospital, cuidando daquelas pessoas, organizando as alas, instruindo novas enfermeiras e médicas...

— Seus olhos estão brilhando de novo — Sorri — Turnar é loucura, ainda mais com o Ichiou amarrado nas suas costas.

— Eu disse se eu pudesse... — revirei os olhos.

— Pode fazer um serviço extra.

— Como assim? — Tsunade me olhou cúmplice.

— O kazekage manda todo ano turmas de shinobis e civis para estudar medicina aqui.

— Eu sei, eles não têm muitos recursos em Suna. Cheguei a cruzar com alguns alunos.

— Se estiver interessada, pode sair da baboseira da triagem e lecionar um turma.

Pisquei algumas vezes. Nunca pensei nisso. Nunca me vi à frente de uma turma de curiosos, atentos a cada movimento e palavra minha. Já cheguei a orientar algumas enfermeiras, geralmente dicas e correções banais, nunca uma aula, nunca sob o título de sensei.

— Será uma experiência nova, quem sabe o pontapé inicial para você se tornar uma mestra. Te ensinei tudo o que sei, e você ainda foi além, Sakura. Acredito que está mais do que pronta para repassar esse conhecimento para as pessoas.

— Eu não sei, eu nunca me imaginei sensei de alguém.

— Então se imagine — sorriu — Você é totalmente capaz disso. Sem contar que, depois que você mudou de setor, Shizune está sobrecarregada. Ela nunca vai assumir, mas é nítido.

— E Ichiou?

— Há creches.

— Sasuke não permitiria — desviei meu olhar, já imaginando cada palavra que Sasuke iria falar assim que eu lhe apresentasse a proposta.

— Então converse com ele, depois me dê uma resposta.

A conversa com Tsunade ficou sendo repassada na minha cabeça como se estivesse em uma centrífuga. Não a parte ruim, sobre o Sasuke e eu, e sim sobre a proposta de ser a sensei de uma turma de Suna.

Havia tantas perguntas prontas para Tsunade, porém eu não podia fazer nenhuma antes de conversar com o Sasuke. Eu acabaria me interessando mais e, se ele não me apoiasse, me sentiria péssima. Eu me sentiria menos mal não sabendo o que perderia, portanto me juntei com todos os meus amigos à mesa e almoçamos, conversamos e nos divertimos muito.

Ichiou em muitos momentos era a atração principal. Estava na fase deliciosa de repetir as palavras e os gestos, era sempre uma graça vê-lo imitando tudo do seu modo ingênuo e desajeitado de ser.

Ele era uma criança sadia, com exceção de problemas respiratórios que ocasionalmente deixavam Sasuke e eu preocupados. Nada grave, porém preocupante para pais tão corujas como nós dois. O fato de eu ser médica não me deixava mais calma nos momentos em que Ichiou tivesse dificuldades para respirar e eu não conseguisse socorrê-lo de imediato.

Naruto e Hinata ficaram cerca de uma hora sumidos. Quando Naruto reapareceu, deu uma desculpa esfarrapada e sentou-se à mesa como se tivesse se ausentado dela por cinco minutos apenas. Creio que fui a única que percebi um olhar desconfiado lançado para o hokage. Tenten torceu o bico, assim como eu, não engoliu a historinha barata do Naruto.

— Onde está a Hinata? — perguntou olhando para o Naruto que encolheu os ombros e colocou um pêssego inteiro na boca.

— Ah, me desculpem! — coloquei a mão na testa de forma teatral — Ela disse que não estava se sentindo muito bem e pediu para se deitar um pouco. Esqueci de avisá-los — Naruto me lançou um olhar agradecido com um aceno de cabeça. Quis lhe mostrar meu dedo do meio. Kakashi riu sob a máscara e nem disfarçou.

— Mas ela está bem? — Kiba indagou preocupado.

— Claro que está, é só uma indisposição — Tenten ainda estava desconfiada. Qualquer pessoa perspicaz o bastante ficaria. — Vou subir para dar uma olhada. Com licença.

Peguei Ichiou no colo, praguejando a maldita hora que inventei de colocar Naruto e Hinata no mesmo espaço depois de tudo. Não sabia o que haviam conversado ou feito, contudo não tinha boas hipóteses sobre isso. Embora ambos sejam meus amigos, eu desaprovaria qualquer romance proibido enquanto Hinata está noiva. Eu não quero para outros o que eu não quero para mim.

Estava na metade da escada quando a campainha soou. Estranhei, pois todos os convidados estavam na mesa, com exceção de Hinata. Quando imaginei que pudesse ser ela, me adiantei para abrir a porta com o melhor dos meus sorrisos. Minha surpresa foi ver o Sasuke encostado no batente.

Tadaima — sorriu sedutoramente. Ichiou que estava no meu colo, ao ver o pai, literalmente se jogou para os braços dele.

Okaeri — respondi fechando a porta, um tanto decepcionada por não ser Hinata, um tanto preocupada por ser o Sasuke — Por que tocou a campainha?

— Hinata que tocou. Quando me viu, saiu correndo — deu os ombros.

O ajudei a tirar a armadura da Anbu. Embora ele estivesse com o uniforme do trabalho, não resisti e perguntei onde ele estava.

— Trabalhando.

— Naruto me disse que você está de folga aos domingos.

— Estou trabalhando na minha folga — Colocou Ichiou no chão para poder tirar a blusa.

O parei e o fitei, sem saber o que dizer ou o que fazer para não iniciar uma discussão. Estava tudo bem, Sasuke só estava no trabalho, só prefere passar as folgas na Anbu do que ao menos almoçar com a família. Tudo bem, não há nada de muito absurdo nisso. Nossos amigos estavam no nosso quintal se divertindo, eu deveria estar lá com eles ao invés de agir como o cãozinho do Sasuke, seguindo ele pelos cômodos, feliz por tê-lo em casa, infeliz por não ter sua atenção.

Fiquei repassando isso por alguns minutos, o tempo que Sasuke levou para tomar um banho. Quando saiu do banheiro, perguntei se ele iria se juntar a nós. Ele pegou Ichiou no colo novamente e lhe deu um beijo na bochecha.

— Vou ficar aqui com o meu menino.

Nem olhou para mim.

Me virei para descer, contudo percebi que estava fazendo errado. Estava agindo como a Sakura boazinha agiria. Me virei e encarei o Sasuke até que ele me notasse. Não demorou muito.

— Não vai descer mesmo? — Sasuke continuou me encarando enquanto Ichiou brincava com sua orelha, querendo sua atenção de volta — Você não levou nada do que eu te disse em consideração?

— Eu nunca disse que gostava desse tipo de coisa.

— Esta é a sua casa. Você no mínimo deveria descer para cumprimentá-los.

— Eles vão começar a puxar assunto e fazer perguntas. Não estou com paciência.

— Não precisa ficar, se não quiser. — Sasuke não respondeu — Tudo bem. Eu vou descer e aproveitar o restante da tarde com eles.

Contrariada pelo Sasuke ainda insistir em fazer tudo ao contrário, eu desci ponderando se dizia que ele já havia chegado ou não falava nada. Assim que apareci lá fora, já foram me perguntando de Hinata, que eu havia esquecido momentaneamente. Disse apenas que ela preferiu ir embora, Lee me ajudou dizendo que ouviu a porta sendo fechada e já tinha imaginado.

Sentei-me ao lado de Kakashi. Discretamente ele me perguntou quem realmente estava no meu quarto. Eu respondi a verdade que era o Sasuke, que chegou assim que Hinata saiu. Do nada, ele se levantou pedindo licença e entrando na casa. Apostava minha sobremesa que ele tinha ido conversar com o Sasuke. Depois de uns minutos ele retornou, sentou-se e me disse “De nada”. Fiquei sem entender até que Sasuke surgiu na varanda com o Ichiou. Naruto só não pulou em cima dele porque poderia machucar Ichiou, mas não o poupou de abraços e socos exagerados. Todos o cumprimentaram cordialmente, ninguém ousou indagar o motivo do seu demasiado atraso. Já tínhamos comido a sobremesa e muitos já se aprontavam para ir embora. A chegada do Sasuke os manteve sentados por mais alguns minutos.

Me senti extremamente grata. Só não estava perfeito porque ele não havia se sentado ao meu lado, na verdade ficou o tempo todo de pé com Ichiou dormindo em seu ombro, contudo eu sei que já estava pedindo demais. Me voltei para Kakashi e o agradeci num sussurro, queria perguntar que poder persuasivo ele tinha usado para trazer o pupilo à mesa.

.o0o.

Quando o penúltimo convidado foi embora, percebi o quão esgotada eu estava. Havia limpado toda a casa, cozinhado, conversado com todos... Estava feliz por tudo ter dado certo. Sonhava somente com um banho e uma cama com lençóis macios. Desejava também que Ichiou dormisse a noite toda, precisava de um sono completo.

Naruto e Sasuke trouxeram a mesa de volta para a cozinha, enquanto eu colocava Ichiou no berço. Depois nos sentamos no sofá, Sasuke e eu esgotados, Naruto com umas ideias absurdas de fazer uma continuação da festa com jogos e sakê. O ignoramos.

— Para onde você foi com a Hinata?

Aproveitei a ocasião para indagar o que estava me engasgando. Não me importei com a presença do Sasuke, Naruto não deveria ter segredos com ele de qualquer maneira.

Ele suspirou e disse:

— Estava conversando com ela.

— Onde?

— Perto da entrada do distrito. Sabe onde tem uma fonte?

Não, eu não sabia. Morria de medo de explorar o território e topar com a alma de um parente do Sasuke. Meu trajeto para casa era imutável.

— Vocês sumiram por um bom tempo — comentei.

— Sim — Fitava o teto e não parecia ter a intenção de desviar o olhar — Eu a beijei.

— Você a beijou? — indaguei indignada.

Tinha pensado que os dois estivessem juntos, mas confiava na ideia de que Naruto seria íntegro demais para fazer isso. Até mesmo Sasuke se surpreendeu.

— O que eu posso fazer se eu gosto dela? — Jogou os braços para o alto.

— Você poderia ter impedido Hiashi de declará-la noiva daquele Hyuga!

— Eu não sabia que ele faria isso! Hinata me disse que ela soube naquela manhã, que não teve escolha.

— Então vocês decidem se beijar na minha casa — Sasuke falou irritado.

— Não foi bem na sua casa, Sasuke-chan! — Olhou para o amigo.

— Foi dentro do Distrito Uchiha. Se Hiashi descobre isso, vai querer tirar satisfação comigo e eu o mandarei à merda.

— Sem contar que, você e Hinata não são qualquer pessoa, ambos têm uma importância política e essa atitude dos dois pode desencadear muitas consequências ruins.

— Calma, você dois. Foi só um beijo.

— E se alguém descobrir?

— Ninguém vai, a menos que vocês contem.

— Não ganharia nada com isso.

— Me dá sua palavra, Teme?

— Não tenho que dar palavra nenhuma. Você que tem que ter autocontrole. Agora que é um hokage tem que agir com responsabilidade.

— Eu ajo com responsabilidade, porém eu não sou uma máquina, eu sou como qualquer outra pessoa com sentimentos. Eu gosto muito da Hinata e sei que é recíproco. Apenas... aconteceu. Eu não pensei muito quando eu já estava com ela em meus braços.

— Poupe-me dos detalhes, baka — Sasuke resmungou — Se quiser se envolver com ela apesar de tudo, isso é um problema seu. Só não faça isso mais aqui.

— Tá com medo do Hiashi-san? — Naruto zombou.

— Só quero evitar que mais um clã seja exterminado.

Aparentemente Naruto não gostou da resposta do Sasuke. Arrumou sua postura e o fitou com seriedade. Sempre que Naruto assumia essa expressão, eu sabia que ele havia guardado sua versão infantil e falava como o homem focado que havia se tornado.

— Minha atitude não foi honrosa, porém eu não aceito que lance uma ameaça dessa a um clã que representa grande parte da força da minha vila.

— Pode ficar tranquilo, — deu o seu clássico sorriso de canto —não vou arriscar a segurança da minha família por um mero capricho. Estou apenas dizendo que, se eles descobrirem que você e Hinata se encontraram aqui, podem pensar que eu estou apoiando ou acobertando alguma coisa, sendo que não estou.

— Ninguém irá descobrir.

— Certifique-se disso, hokage.

— Não. Ninguém descobrirá nada porque não vai acontecer mais nada. O que aconteceu aqui, morreu aqui. Certo, Naruto? — Naruto virou o rosto — Não está pensando em ter um caso com ela, está?

— A essa altura, eu não sei dizer mais nada, Sakura-chan.

— Por Deus! — exclamei me levantando — Isso não é certo, Naruto. Isso não vai dar certo!

— E o quê que tem? — Deu os ombros. Parecia chateado fitando o tapete — Vocês também não dão certo e estão juntos.

Meus olhos se arregalaram, Sasuke permaneceu da mesma maneira impassível.

— Quem te disse que a gente não dá certo? — Sasuke indagou.

— Depois eu converso com você — Naruto levantou-se indo para a porta.

Parei no seu caminho e perguntei:

— Por que não conversa agora?

— Agora, não.

— Estão escondendo alguma coisa de mim? — Sasuke suspirou, saiu do sofá e andou até nós.

— Não esconderia nada de você, Sakura-chan — Naruto garantiu olhando em meus olhos — Conversei a sós com você, tenho que conversar a sós com ele também.

Sasuke abriu a porta, senti a corrente de vento gelado envolver meus braços. Meneei a cabeça para Naruto, e ele foi embora tão rápido quanto uma lebre. Já havia se demorado demais para um kage atarefado. Ainda assim, acho que ele merecia a noite de folga pelo acontecimento extraordinário da noite.

Sasuke passou por mim pegando entre os dois dedos uma fina mecha do meu cabelo, deixando os fios escorregarem por eles até as pontas.

— Prefiro seu cabelo assim.

Falou me pegando desprevenida. Sasuke me elogiou assim, de repente. Eu só pensava que ele deveria estar querendo alguma coisa, desde uma massagem até uns minutos de sexo enquanto Ichiou dorme. Contudo, Sasuke não parecia querer nada além de dormir.

Quando finalmente consegui me deitar, o fitei em um sono pesado, imaginei se o conhecia realmente, pois ele me surpreendia com esses tipos de atitudes incomuns. Quem sabe, o Sasuke estivesse realmente melhorando? Quem sabe, aos poucos, ele nos desse condições de viver plenamente felizes com nosso filho?

Eu o observava dormir e nos imaginava sendo o casal ideal. Alguns meses antes, talvez esse fosse o meu maior desejo, entretanto quando eu pensava em felicidade, também me imaginava no hospital com uma turma de shinobis de Suna.

Considerei isso como um grande progresso.

Notas finais
O que acharam? . O que será do Naruto e da Hinata? Como Kakashi convenceu Sasuke? Será que Sakura vai aceitar a proposta de Tsunade? . Curtam a página Distímica no Facebook! . Shalom!