Pilares de Areia

16 So since I'm not your everything how about I'll be nothing?


Notas iniciais
Título: "Já que eu não sou o seu tudo, que tal eu ser nada?" - Irreplaceable - Beyonce . . Boa leitura!

— Eu estive pensando aqui. Eu quero ficar com a Hinata. E vou! Contudo, vou renunciar meu título de hokage para concretizar isso.

— Você o quê?

— Não serei mais o hokage da vila se eu não for marido da mulher que eu amo. É essa a minha decisão.

— Você só pode estar louco. — Exclamei levantando-me da beirada da cama e andando pelo quarto desacreditada no que tinha escutado. — Você está prestes a jogar o resultado do seu esforço de anos pela janela!

— Eu não tenho outra escolha, Sakura!

— Mas você um dia teve. Falta de conselho não foi...

— Por que você insiste em me advertir? — Levantou-se também e me encarou. — Você sabe melhor do que muita gente o que significa amar uma pessoa ao ponto de fazer loucuras.

— A questão é que você não foi prudente. Sasuke e eu te aconselhamos, te alertamos e você brincou com a situação. Você e a Hinata! Não sei se têm o mesmo grau de culpa, porém certamente ela não fez nada obrigada.

— A culpa não é nossa se a família dela é louca! A gente se ama! Você que não foi prudente em aceitar casar-se com um homem como o Sasuke!

— Um homem como o Sasuke?

— Todo mundo, inclusive você, sabe dos problemas mal resolvidos que ele tem, traumas que não serão curados do dia para a noite. Hábitos; pensamentos; atitudes próprias dele que você deveria compreender. Se você o amasse, você tentaria conviver ao invés de querer muda-lo, moldá-lo ao seu ideal de marido. O Sasuke não é o príncipe encantado que você idealizou quando era uma garotinha apaixonada, ele é Sasuke, e ser Sasuke é ter que conviver com todos os seus demônios do passado enquanto tenta viver uma vida normal como o Itachi havia lhe desejado. E ele tentou, Sakura. Do mesmo jeito que eu ouvi seus lamentos, eu vi o cansaço nos olhos dele. Ele estava fazendo o que podia. Se ele traiu ou não, já não é problema meu. Eu não tenho absolutamente nada a ver com a crise de você dois. A grande questão é o que você fez durante esses anos? Ele não é culpado por não se encaixar perfeitamente nos seus sonhos. Ele não pode ser quem você é.

Dizendo isso, Naruto saiu irado pela janela. Eu fiquei paralisada, estática no lugar onde havia parado para escutar tudo aquilo. Uma granada lançada após a outra:

“Se você o amasse, você tentaria conviver ao invés de querer muda-lo”.

Eu amava o Sasuke, mas ele estava me fazendo infeliz, por isso eu quis muda-lo. Não ele em si, porém algumas atitudes que me faziam mal.

“O Sasuke não é o príncipe encantado que você idealizou quando era uma garotinha apaixonada”.

Não é, e eu não tenho culpa de ter me apaixonado por um lobo disfarçado.

“Ele estava fazendo o que podia”.

Ele estava fazendo o que queria, como sempre.

“O que você fez durante esses anos? ”

Suportei.

“Ele não pode ser quem você é”.

Ele é bom demais para ser tão tolo quanto eu.

Depois de um dia desastroso, a última coisa que eu precisava ouvir eram palavras tão destrutivas vindas do meu melhor amigo. Eu posso tê-lo magoado, contudo ele foi cruel. Ele mexeu na ferida, jogou sal, assistiu a corrosão da minha carne e partiu.

As pessoas têm essa mania de comparar seus problemas... Naquele momento eu rebaixei-me ao ponto de fitar a janela pela qual ele havia saído e decidir que iria relevar, afinal era mais fácil para ele, um jovem com uma paixão recíproca, sem filho para intervir nas suas decisões, sem milhares de conflitos internos para resolver, sem uma companhia tão complexada quanto a que eu tinha. A que eu costumava ter.

Eu queria chamar o Naruto de covarde, contudo esta não era a palavra certa. Ele era determinado até demais para abandonar seu posto de hokage por um amor. Tão determinado quanto imponderado, insensato e insolente. Imbecil também.

Imbecil por quê? No fundo eu devia ter inveja da Hinata. Tão jovial, bonita e amada. Naruto jamais a trairia. Colocaria minha mão no fogo por isso. Ou trairia? Por que raios eu pensava nisso? O que uma coisa tinha a ver com a outra? Já me sentia fora de órbita, uma paranoica querendo achar vestígios de adultério em outros relacionamentos para talvez assim achar que o que aconteceu com o meu tenha sido normal, uma justificativa para sentar e fingir que as coisas estão normais. Talvez eu até peça desculpas ao Sasuke por constrange-lo publicamente e por tê-lo machucado bastante.

Naruto não era covarde, e eu também certamente não era. Covarde eu seria se sentasse na cama e esperasse Sasuke com toda a minha culpa a amor incondicional, conformada a viver uma vida pacata e irreal. Eu olhei para aquela cama e imaginei-me noites seguidas com o Sasuke nos meus braços cheirando a perfume de outra mulher. Eu sentia ânsia ao imaginar isso.

Sabia que eu não era covarde porque eu jamais me submeteria a tal coisa. Talvez a “garotinha apaixonada” de anos atrás aceitasse, eu, Sakura, mulher, mãe, nunca me rebaixaria a isso. Eu estava derrotada. Humilhada, magoada, perdida, mas não estava louca, não havia esquecido quem eu era e tudo o que eu havia conquistado sem o Sasuke ao meu lado. Ele só me deu um filho e anos de amor e ódio. Mais nada.

O guarda-roupa do nosso quarto estava revirado pelo Akamaru que já tinha adiantado meu trabalho de tirar todas as coisas de dentro. Eu não tinha muito tempo, então peguei as malas e mochilas vazias que tínhamos guardadas e joguei minhas roupas dentro, amassadas mesmo. Não tinha muitas. A maioria uniforme, vestidos usados em cerimônias, agasalhos e peças casuais; meia dúzia de sapatos; algumas joias e produtos de higiene pessoal. Coube tudo em duas malas. No quarto do Ichiou preenchi três malas, guardei até as roupas de cama, travesseiro, ursinhos e brinquedos pequenos. Ainda havia uma coisa ou outra nossa pela casa, contando que Tsunade segurasse Sasuke no hospital por pelo menos mais dezoito horas, eu conseguiria levar tudo para a casa dos meus pais.

Carreguei as cinco malas como pude, gastando uma energia desnecessária para aguentar o peso e para manter o Henge no Jutsu. Havia me disfarçado de um velho camponês com enormes sacos de batata nas costas. Foi uma alternativa para não ser notada. Chegando a minha antiga casa, percebi o quanto ela estava abandonada e senti mais orgulho de mim por ter decidido sair do covil Uchiha para cuidar dignamente da minha mãe. Sem ela, meu pai era uma bússola sem norte. Nem estava lá quando cheguei, também não fiz muita questão de saber. Se o visse, haveriam perguntas que eu não gostaria de responder, e também não estava preparada.

Subi as cinco malas para o andar superior, deixei-as no meu antigo quarto que havia virado um depósito de coisas velhas. Meu armário tinha sumido. O lugar que ele ocupava agora tinham caixas lacradas, vassouras, tapetes enrolados e objetos quebrados. Minha cama ainda estava no lugar, muito empoeirada, mas arrumada do jeito que eu sempre deixava, como se esperassem que eu voltasse um dia.

Retirei os lençóis sujos, varri todo o quarto e limpei o pó como podia, uma faxina rápida e mal feita, só para passar a noite. Coloquei lençóis limpos que encontrei no quarto da minha mãe, deixei a janela e a porta aberta para ventilar mais o cômodo que cheirava já a mofo e abandono.

Não dormi. Fiquei com os olhos abertos tempo o suficiente para eles se adaptarem a escuridão e enxergarem bem todo o quarto. A cama parecia menos confortável do que era de fato quando eu morava ali. Pequena, mole, travesseiro alto demais e nada havia mudado nela, somente em mim. Veio o vento gelado da madrugada me fazer frio, e eu deixei, torci para morrer de uma gripe bem forte, mesmo sabendo que seria algo muito improvável. Certa hora as luzes dos postes da rua se apagaram, a luz do sol já era suficiente para iluminar as veias largas e estreitas que formavam Konohagakure. O quarto ficou claro, sons começaram a entrar pela janela, calor, barulho, pessoas, animais, comércios, batidas na porta, pai bêbado, começo de um novo dia. Eu não havia descansado absolutamente nada e precisava estar de pé de novo.

Eu era como um zumbi. Concentrava minha mente em coisas insignificantes aleatoriamente para não ter que pensar no que eu não deveria pensar, ou em quem eu deveria pensar. Dali a poucas horas eu tinha que estar no hospital, porém eu não iria. Poderia matar uma pessoa naquele estado, estática como uma tela em branco, rompendo uma artéria principal, cortando um nervo, aplicando a anestesia no lugar errado, pedindo o instrumento cirúrgico inadequado.

Saí de casa sem muitos cuidados. Dentes escovados e rosto lavado, cabelo amarrado num rabo-de-cavalo mal feito, nem sequer penteado, apenas prendendo os fios para que as pessoas da rua enxergassem bem a minha face de derrota que eu não estava a fim de esconder.

“Olhem o que um homem é capaz de fazer com uma das mulheres mais fortes do mundo”, era o que a minha imagem dizia. E eu realmente não me preocupei com Henge no Jutsu, eu nem olhava para as pessoas da rua, só seguia o caminho que segui por muitos anos automaticamente: o Distrito Uchiha.

Eu havia pego tudo, menos o que eu mais precisava: minhas armas. Isso inclui os objetos nocivos e os livros, anotações, ensaios, pesquisas, diários... Tinha ficado tudo lá e eu não poderia deixar essas coisas para trás. No fundo eu me bronqueava por estar voltando depois de ter prometido a mim mesma que jamais retornaria, contudo minha mente estava confusa, era só uma pequena exceção para eu poder pegar o que havia ficado, nada demais. Tsunade não devia ter liberado o Sasuke, o soco que eu tinha dado foi dado com muita vontade e provavelmente gerado bons estragos naquele corpo. Ele provavelmente ficaria de molho por um tempo, até as costelas se regenerarem ou os órgãos voltarem ao lugar de origem.

Fui rápida: subi; peguei as malas restantes; desci; separei as armas e materiais de estudo e pesquisa. Esses não tinha como jogar de qualquer jeito, senão na hora que eu os carregasse, as armas me cortariam e os livros iriam se desprender das capas, misturando-se a centenas de papéis avulsos. Essa organização também estava sendo feita rapidamente, contudo não o bastante, pois senti uma presença ali, a última que que esperava e gostaria de encontrar.

— Sasuke. — Fechei o zíper da última mala. Bronqueei-me mentalmente com os piores insultos por não ter sido alguns minutos mais rápida. Se eu tivesse sido, aquele encontro precoce teria sido evitado.

— O que você está fazendo? — Não respondi. Peguei as malas e caminhei até a porta, mesmo sabendo que seria esforço inútil porque certamente Sasuke iria tentar me impedir. — Aonde você está indo? — Indagou novamente.

— Para a casa da minha mãe. — Respondi sem olhar para trás, já com a mão na maçaneta para partir.

— Por que você está fazendo isso? — Ouvi seus passos rápidos em direção a mim. — Onde está o meu filho?

— Nosso filho! — Exclamei virando-me para ele. Seu eu pudesse ver o meu olhar, certamente enxergaria todo o ódio que eu estava sentindo naquele momento.

— Onde está o Ichiou? — Perguntou mais uma vez, as narinas dilatadas, o nariz franzino. Eu quase disse que não tinha medo de careta, mesmo sabendo que para o Sasuke estar daquele jeito era sinal de que ele estava nervoso.

— Só agora você se preocupa com quem o seu filho está? Você não parecia muito preocupado ontem. — Revirei os olhos lhe dando as costas novamente.

— Sakura, me responda. — Vociferou tentando controlar sua raiva. — Por favor.

Respirei fundo e respondi à contra gosto:

— Seguro. — E abri a porta, saindo.

— Sakura!

Sasuke agarrou meu braço com força, meu reflexo não foi tão rápido. Assim que senti a ponta dos seus dedos cravas na minha pele eu larguei as bolsas com as armas e virei-me para ele com o punho pronto para acertá-lo, porém ele esquivou, já me soltando.

— Se afaste de mim! — Gritei banhada em cólera. — Nunca mais toque em mim! — Berrei com o dedo em riste, apontando para o Sasuke que estava a uns dois metros de distância de mim.

— Você quase me matou com aquele soco. Eu não vou permitir que você faça isso de novo.

— É só você desaparecer da minha vida.

— Você não é capaz de me matar.

— Só com essa afirmação você já deixa bem claro o quão pouco conhece da mulher com quem dividiu a mesma cama esses anos.

— Eu te conheço, Sakura. Te conheço tão bem que sabia que ainda te encontraria aqui.

— Eu vim buscar minhas coisas. — Debochei.

— Você veio mesmo sabendo que eu poderia estar aqui. — Olhei para a porta aberta. — Naruto poderia pegar suas coisas, nada disso é necessário, porém você veio. Você está aqui há mais tempo do que o necessário. Você me esperou. Assume.

— Vai para o inferno, Sasuke.

Peguei minhas malas do chão e caminhei para a porta. Sasuke fechou a porta com um estrondo e ergueu a mão para me pegar, mas dessa vezes eu estava pronta e chutei de encontro à porta. A madeira ficou rachada. O chute pegou na mesma região onde eu havia acertado ontem. Obviamente, não estava curada nem pela metade e Sasuke deveria estar fazendo um grande esforço para parecer que estava bem.

Ele demorou algum tempo para se levantar. A mão estava sobre o estômago e a sua expressão não era das melhores. Era o momento perfeito para eu partir, contudo eu não conseguia me mover. Fitava o Sasuke sem conseguir desviar. Por que eu simplesmente não ia embora?

Sasuke levantou-se, endireitou a postura e me olhou com raiva, avançou em mim com os punhos fechados. Eu ainda estava estática, não conseguiria reagir. A mão dele parou com um dedo de distância do meu rosto, trêmula, com as veias saltando sob a pele e os olhos com o sharingan vermelho como sangue perscrutando os meus cheios de raiva.

Meu coração já estava no ritmo de um barco a vapor. Não pelo soco quase deferido, mas pela falta da dor física que me puxasse de volta para aquele momento, naquela hora, a dor que me dominava era abstrata. Meu peito subia e descia, eu me xingava por dentro por aquilo, porém eu não controlava mais. O cheiro dele, o cabelo, o olhar... Ele.

— Deixa eu ir... Por favor. — Pedi cedendo às lágrimas. Minha mão largou a mala e cobriu meu rosto.

— Você vai me ouvir. — Disse de uma maneira imperativa, porém mais controlada.

— Eu mal suporto ouvir sua voz agora...

— Você tem que me ouvir. Se você escutar o que eu tenho a dizer você vai entender.

— Entender?

— Aquilo que você viu...

— O que você quer que eu entenda? — Interrompi. — Que você tem necessidades que eu não sou capaz de suprir, mas ela pode?

— Do que você está falando?

— Nem você entende! — Ri. — Como quer que eu entenda o por quê de você ter feito isso comigo?

— Você quem entendeu tudo errado, Sakura. Aquela mulher e eu não temos ligação nenhuma.

Eu olhei para o lado rindo e chorando ao mesmo tempo. Eu não estava acreditando que poderia naquele momento descarregar tudo o que ficou guardado dentro de mim por tanto tempo.

— Sasuke, você estava com aquela mesma mulher, meses atrás, dividindo uma bebida no mesmo copo. Ela estava mais próxima de você do que estamos agora.

— Quando isso? — Sasuke parecia confuso, desacreditado.

— Você estava no melhor restaurante de Konoha com ela. Você estava sorrindo. Não daquele seu jeito debochado, mas daquele jeito que você sorri para mim quando eu faço algo que você gosta. — Nesse momento minhas lágrimas escorriam desenfreadas. — Você estava muito bem com ela. Eu vi você dando àquela mulher o que você não dá para mim. Como você espera que eu reaja depois de ver o homem que eu amo com outra mulher, tratando ela de uma maneira que eu não sou tratada? Você diz que não tem ligação nenhuma com ela, mas você deixou seu filho aos cuidados de outrem para levá-la a um restaurante de primeira linha.

— Você viu coisas isoladas e já criou uma história. Eu já disse que essa mulher insignificante.

— Insignificante para quem? Como uma pessoa dessa é insignificante ao ponto de fazer com que você saísse da sua zona de conforto para levá-la a um lugar para comer? Você pensa que eu sou idiota?

— Você é muito irritante. Não para de falar, não deixa eu explicar as coisas.

— Explica! Explica para mim como isso aconteceu porque eu não entendo, eu não me conformo com isso! — Sentei no sofá aos prantos. — Eu cheguei a pensar que estava louca, exagerando... Eu te vi com ela no dia em que levei os relatórios que você tinha esquecido aqui para o seu trabalho.

— Isso explica porque você mudou comigo do nada. As indiretas, as acusações sem sentido.

— Agora fazem sentido para você?

— Sei de onde surgiu, mas não faz sentido. Você acredita piamente que eu tenho algum tipo de relacionamento secreto com aquela mulher, só que isso não existe. Você deve acreditar em mim.

— Então o que você tem com ela?

Sasuke ponderou por um tempo, sentou-se no sofá à minha frente e começou:

— Ela é uma anbu como eu. De nível menor, porém é uma das que geralmente são escaladas para o meu esquadrão. Não posso dizer muito, mas ela é estrangeira e eu preciso mantê-la próxima para conseguir uma confiança mútua. Você conhece as regras da anbu, eu não preciso repeti-las.

— Conheço as regras e não me lembro de nenhuma cláusula dizendo que você deveria levar colegas de trabalho para sair. — Sasuke abriu a boca para falar, mas não disse nada. — Você não tem resposta para isso? — Ele balançou a cabeça, irritado, passando as mãos pelos cabelos negros. — Vocês ficaram muito próximos, foi isso o que aconteceu? Você está apaixonado por ela?

— Sakura, só tenta entender uma coisa: ela não significa nada para mim. Ela é uma mulher como qualquer outra, não temos nada, tudo o que possa ter visto é de teor profissional.

— O que faziam então naquele restaurante? Anbu mal recebe o dinheiro do café-da-manhã das missões, como pagariam um jantar daquele calibre?

— Eu não posso dizer.

— E eu não posso acreditar. — Levantei para ir embora.

— Eu peço que tenha paciência, é questão de tempo e você vai me entender.

— Acho bom eu deixar bem claro que não estou saindo só por causa disso. A minha mãe piorou, está morrendo. Tsunade não tem mais como mantê-la hospitalizada, então agora é por minha conta. De qualquer forma, por ela, eu sairia. Foi uma infeliz coincidência isso ter ocorrido justamente agora. Também saio porque não estou feliz com você há tempos. Você acha que eu sou como outras tolas sem ambições, mas eu não sou. Casa, comida farta, filhos... Isso não é nada demais, qualquer homem poderia me dar isso e um pouco mais. Só que do que tudo isso serve sem amor? Você me dá um pouco mais do que nada e já crê que seja o suficiente.. Não era isso que eu tinha almejado ao estar com você. Eu posso lidar com sua frieza, com seu temperamento difícil, com seu mau-humor, entretanto sua falta de respeito é uma afronta que não irei perdoar. Meu erro foi acreditar que ter o homem que eu amava me traria felicidade, você só me trouxe sofrimento. Meu coração doía bem menos quando eu o amava platonicamente, enquanto eu o aguardava retornar. Não doeria mais do que dói agora saber que você morreu numa missão qualquer do que vê-lo dar à outra mulher o que falta para mim. É mais do que eu posso suportar por você. De todas as pessoas do mundo, você machucou a errada, Sasuke. Você machucou a pessoa que mais te amava. E você sabe melhor do que ninguém que um coração ferido, mesmo depois de cicatrizado, jamais se torna o mesmo de antes. Nessa brincadeira toda, quem perdeu foi você. Eu ganhei mais um machucado para curar, que é a melhor coisa que faço.

Pela última vez, abri a porta e não fui impedida.

— Adeus, Sasuke.