Pilares de Areia

17 I'm giving you up, I've forgiven it all, you set me free


Notas iniciais
Título: "Estou desistindo de você, eu perdoei tudo, você me libertou" - Adele - Send My Love (To Your New Lover) . Boa leitura! . CAPÍTULO BETADO POR AliceAlamo. ATUALIZADO EM: 28/11/2016

Pilares de Areia 17

Confesso que fiquei surpresa ao constatar que todas aquelas palavras vindas do poço profundo que era minha memória guardada e amargurada não fizeram efeito no Sasuke, pelo menos não o suficiente para ele me deixar em paz, mas também eu era muito inocente de pensar que ele simplesmente me deixaria levar o seu filho embora e dizer tudo aquilo para ele.

Uma coisa que eu aprendi sobre Sasuke é que ele era misterioso, não dava para saber o que ele estava pensando ou sentindo, contudo, as ações dele eram previsíveis considerando determinadas situações. Ele tinha se mostrado ciumento e possessivo comigo desde que comecei a dar aula para os médicos de Suna, além de que, em relação ao Ichiou, na cabeça dele, a criança era sua propriedade e sua promessa de um futuro melhor, do renascimento do clã Uchiha das cinzas, literalmente falando. Levando em conta tudo isso, obviamente ele não deixaria para lá, ou daria o espaço que eu precisava para pensar, claro que não, ele viria atrás e insistiria, afinal, Ichiou e eu éramos dele, ele quem decidia o que acontece, quem vai, quem fica, quem abandona e quem era abandonado.

Sasuke não devia suportar a ideia de ter sido calado e abandonado por mim, deveria ser demais para o ego dele.

Eu estava quase na saída do distrito do clã, e ele me seguia, chamando para conversar, repetindo o mesmo discurso de adúltero. Li novelas o suficiente para conhecer as características do discurso de traidor e como reagir.

— Sakura! — exclamou e me agarrou pelo braço.

Confesso que já estava estranhando a demora para ele fazer isso, apelar para a violência, querendo resolver as coisas à força. Soltei-me do aperto dele, um tanto assustada pela vermelhidão em seus olhos. Ele previu que eu iria me virar e me segurou pelos ombros com uma força maior. Sasuke estava fazendo o que eu queria evitar, atiçando um duelo num momento tão frágil como aquele.

— Você vai me escutar! — Sacudiu-me.

Tentei de tudo para me soltar, mas ele estava falando sério e me segurando sério. O sharingan poderia prever até minha respiração mais profunda, e, se Sasuke quisesse, com um genjutsu simples, me deixaria de joelhos.

— Não me interessa nada do que você tenha a dizer. Você teve sua chance de explicar e só deu voltas e voltas nas suas próprias mentiras. Eu não quero nem ouvir a sua voz, não quero olhar para a sua cara, não quero estar perto de você!

Olhei para as mãos dele com nojo.

— Para de ser tão teimosa! Que diabos! — gritou nervoso, irado. Seu rosto pálido já estava todo vermelho de raiva, seus dedos afundavam na minha pele, e eu não conseguia me soltar. — Eu nunca faria isso com você. Eu não sou esse tipo de pessoa, você me conhece, Sakura!

Havia uma súplica em seu olhar, mas eu não sentia que deveria confiar, por mais segura que parecesse aquela afirmação.

— Eu achava que te conhecia — respondi em um tom mais brando, rouco, não queria fraquejar de novo. — Eu achei que você fosse fiel, você desde o começo sempre quis uma família...

— Eu sou fiel! — garantiu. — Nunca te traí com ninguém, nem tive vontade, nunca! Entenda isso!

— O que eu vi não tem explicação.

— Você me viu comendo com uma pessoa...

— De forma íntima, íntima até demais levando em conta você e sua personalidade...

— Isso não quer dizer nada... Foi só um jantar, trabalhamos juntos.

— Como você se sentiria se por um acaso me visse jantando com o Ren, cheia de sorrisos? Ou se me avistasse no centro trocando carícias, consumindo a mesma comida no mesmo prato, bebendo a bebida do mesmo copo? O que você pensaria disso?

— É diferente!

— Não, não é.

— No meu caso, é algo estritamente profissional.

— É alguma missão de comer vagabunda?

Sasuke revirou os olhos.

— Eu não posso falar nada por enquanto porque sirvo as forças especiais, Sakura. Você não é uma civil tola, como você mesma afirmou, é desse mesmo universo, sabe como as coisas funcionam.

— Sim, eu sei. Mesmo que isso seja uma palhaçada do seu trabalho, não me interessa. Até uma vadia do seu trabalho foi posta acima de mim, e isso eu não aceito.

Como o aperto dele afrouxou, libertei-me. As marcas dos seus dedos ficaram na minha pele. Sasuke respirou fundo e disse:

— Eu peço que acredite em mim, por favor. Pelo o Ichiou, por... Por nós. — Coçou a parte de trás da cabeça. — No tempo certo, tudo fará sentido, eu te prometo.

— Então, até o “tempo certo” chegar, eu ficarei longe de você. — Minhas lágrimas me traíram novamente. — Não quero te ver e espero que respeite minha vontade. Se eu te ver me perseguindo e vigiando como tem feito nos últimos tempos por causa do Ren, vou fazer um comunicado ao Naruto e também a Anbu. Não interessa quem somos, ainda somos cidadãos com direitos e deveres, e você estará violando os meus se não me deixar em paz. Infelizmente, não posso impedi-lo de ver o seu filho, então montarei um cronograma para você ficar com ele sem cruzar comigo e farei com que seja eficiente, nem que para isso eu precise abrir um processo.

— O que você quer com tudo isso?

— Quero que entenda que vou levar muito a sério isso aqui.

— Você vai voltar — disse assim que eu virei as costas. — Você sabe que vai voltar, Sakura.

Enquanto eu partia, ele falava, tentava esconder o tom desesperado, mas falhava. Ele achou que eu fosse garantida, achou que eu fosse realmente submissa por inteiro, ele não me conhecia mais do que eu não o conhecia, não se preparou para esse dia. Em contrapartida, eu, a vida inteira, desde que me apaixonei por Sasuke, experimentei várias vezes perdê-lo e me decepcionar com ele. Meu coração estava mais calejado.

Cruzei os portões do Distrito Uchiha limpando o rosto com a barra da blusa, carregando as malas como se elas pesassem o mundo, contudo, saí sentindo-me vazia, leve, dispensada de cargas maiores e mais pesadas. Em anos, eu estava livre.

Sasuke não me seguiu mais. Eu não sabia se isso me aliviava ou me preocupava. Decidi passar em casa primeiro e depois buscar o Ichiou, afinal, estava com malas pesadas. Precisava também ocupar minha cabeça com outros pensamentos, não podia demonstrar minha vulnerabilidade. Comecei a fazer um planejamento diário e semanal na minha mente, a organização exigia da minha cabeça a concentração e esforço necessário para pensamentos destrutivos não invadirem.

Primeiro, eu passaria em casa e deixaria a malas; iria limpar tudo para que, assim que Ichiou chegasse, não tivesse problemas com a poeira que afetava muito sua saúde. Uma das coisas negativas dessa mudança era o espaço e a ventilação, pois minha casa não era arejada e ampla como a do Sasuke, com certeza Ichiou iria estranhar.

Depois, iria para a casa de Ino pegá-lo. De lá, Ichiou e eu buscaríamos minha mãe no hospital. Aproveitaria também e pegaria minha licença de pelo menos dois dias para ficar com minha mãe e reabilitá-la em casa. Depois disso, bola para a frente com a nova rotina.

Eu teria que arranjar uma cuidadora de meio período para me ajudar, uma cuidadora que fosse babá também. Sasuke não ia mais ficar com o Ichiou durante o meu trabalho, afinal, ele teria que pegar e trazer o menino de volta, e eu não queria vê-lo. Precisava definir bem os meus horários com os dele para nãos colidirmos. Seria muito importante para mim mantê-lo longe, seria mais fácil de lidar.

A primeira noite dormida no meu antigo quarto na minha antiga cama me mostrou como quase quatro anos dividindo tudo com um homem era tempo o suficiente para fazer-me menos autossuficiente. Apesar de tudo, das brigas frequentes, da frieza, do distanciamento e das exceções, Sasuke e eu dormíamos todos os dias juntos, na mesma cama. Podia não ser colado, podia não haver um afago, um “boa noite, amor”, mas ele estava ali, eu sabia que, se me virasse, eu o veria ao meu lado, e era muito estranho me deparar com a parede assim que acordasse nessa nova antiga casa.

O café da manhã, almoço e jantar seriam servidos para um alcoólatra que não se alimentava direito. Um cardápio à parte seria preparado para uma senhora com a saúde comprometida. Isso também exigiria de mim uma habilidade extra que não possuía.

Após a limpeza total da casa, que demorou um pouco, tomei banho, troquei minhas roupas e fui buscar o meu filho na casa da Ino. Descobri que ele estava na floricultura com ela e demorei mais ainda para encontrá-lo, caminhando por todas as grandes alamedas de Konoha borbulhando de gente, comércios e militares, jonins das forças regulares, um anbu aqui e ali, pessoas por todas as partes. Apesar de quase ninguém estar me olhando, eu estava com essa paranoia, sentia-me nua e, cada vez mais, meus ombros iam envergando para a frente e minha cabeça se abaixando. Eu queria me esconder, queria ver algum rosto familiar, queria chegar logo na floricultura e abraçar meu filho. Parecia que tínhamos nos separado há mais tempo do que era de fato.

Chegando lá, respirei aliviada. Acenei para Ino do outro lado do balcão, ela não sorriu ou fez comentários animados, levantou-se vagarosamente e veio ao meu encontro. Ichiou brincava no chão com algumas peças de madeira.

— Obrigada por cuidar dele para mim — agradeci sem olhá-la, fitava minha criança que nem sequer havia me notado. — Acho que te devo mais um favor.

Ino riu pelo nariz e me abraçou por cima dos ombros:

— Somos amigas há... sei lá quantos anos. Anos o bastante para esses favores serem feitos quando necessário. Cuidar de Ichiou foi um prazer. Ele é um menino muito educado e quieto. — Sorri de canto com o elogio ao meu filho. — O olhar dele é igual ao seu.

Sim, de fato era. Somente isso, também. Tirando o cabelo e os olhos um pouco mais claros do que os de Sasuke que eram negros como carvão, Ichiou era uma xérox do pai.

— Estou morando na minha antiga casa — informei já que o caos maior ela já deveria saber bem. — Passa lá depois, podemos fazer algo.

— Pintar as unhas, cortar de novo esse seu cabelo. Está precisando!

Rimos juntas.

Lembrei-me da última vez que tinha cortado meu cabelo, Ino tinha me levado, Sasuke chegou a me elogiar no dia. Como eu tinha me sentido feliz como uma adolescente tola...

— Eu vou buscar minha mãe agora. Obrigada novamente, Ino.

— Disponha, Sakura. Espero que... espero que fique bem.

Chamei a atenção de Ichiou, e ele logo pulou no meu colo quando me viu. Perguntou onde estive e brigou comigo por eu ter sumido, perguntou sobre o pai também e começou a narrar tudo o que tinha feito e todas as pessoas que conheceu em um dia.

Era uma bênção Ichiou estar falando, mesmo que enrolado e em frases desconexas, muitas vezes engraçadas, mas conversava, comunicava-se contando suas histórias, misturando muitas vezes fantasia com realidade. Eu ria e prestava bem atenção, corrigia quando os erros gramaticais eram muito absurdos, acrescentava fatos, explicava as coisas, respondia perguntas. Aquele falatório infantil e mágico era um remédio eficaz para me distrair. Percebi, naquele momento, mais uma vez, o quão Ichiou me fazia bem e o quão dependente dele eu era. Por dentro, estava devastada e, mesmo assim, ele conseguia arrancar de mim sorrisos sinceros. Um garotinho de um pouco mais de três anos tinha esse potencial.

.o0o.

— Você não limpou o seu quarto! — Foi a primeira coisa que mamãe exclamou assim que me viu na porta.

— Mamãe, desculpe não ter vindo ontem te ver, eu tive um problema — expliquei, sentando-me na poltrona ao lado da cama onde ela estava deitada.

— Está tudo sujo, empoeirado, não tem como ficar lá — dizia com um olhar distante. Mesmo a conversa sendo desconexa, ela parecia saber como sua casa estava.

— Está tudo limpo, agora.

— Você limpou, filha? — Ela segurou meu rosto com as duas mãos.

— Limpei tudo. Vamos para lá agora, tudo bem?

— É claro que vamos. Vamos sim.

— Vocês podem levá-la para a carruagem coberta, por favor? — pedi para os enfermeiros. Eles rapidamente começaram e preparar tudo.

De lá, fui para a sala da Tsunade, a diretora chefe do hospital. Ichiou estava lá com ela distraído com protótipos de ossos e órgãos do corpo humano. Quando ela me viu, não disfarçou a expressão de pena misturada a preocupação, fingi que não vi. Dei um sorriso reto e perguntei onde estava a papelada burocrática da alta da minha mãe e etc. Ela apontou para a mesa, e eu comecei a ler os papéis.

Tsunade entendia-me e conhecia-me, agradecia imensamente por isso, por ela saber respeitar, assim como Ino também soube. Tsunade não precisava dizer uma palavra, brincando com o Ichiou e ensinando-lhe coisas interessantes já me alegrava. Eu queria ver meu filho contente e distraído o máximo que fosse possível, não queria que ele ficasse comigo o tempo todo porque uma hora ou outra eu desabava sem perceber.

Terminando de ler e assinar tudo, caminhei até Tsunade e entreguei-lhe os papeis. Ela pegou, fitou e depois me olhou:

— Lamento tudo estar acontecendo ao mesmo tempo.

Eu assenti, sentindo a sinceridade em seus olhos de âmbar e no tom da sua voz.

— Preciso de alguns dias para realocar minha mãe em casa. Posso pagar depois.

— Fique o tempo necessário. Só preciso dos relatórios dos alunos.

— Posso treiná-los em casa. É aqui perto.

— Melhor você descansar, Sakura.

— Não estou cansada. Se estiver de acordo, no mesmo horário, eles podem ir lá. É bom porque eles já perderam algumas aulas. Estou bem disposta. Você sabe como eu amo o que faço e como isso me faz bem.

— Eu sei, querida.

— Vou precisar de auxiliares para cuidar da minha mãe e do Ichiou. Se você tiver alguém para me indicar, será que poderia?

— Bom, preciso ver. Com os Hyuuga fora do serviço público, nosso quadro de enfermeiros diminuiu 10%. Tenho que ver o que consigo por você.

— Tudo bem. Como você disse, não será por muito tempo mesmo. — Tsunade engoliu um seco. Eu tinha entendido muito bem que minha mãe estava desenganada, a morte era questão de tempo. — Bom, agora eu já vou. Os enfermeiros já a levaram para o veículo.

— Boa sorte, Sakura. Cuide-se.

— Sim, estou bem.

— Você ficará bem — ela corrigiu. — Até mais, Ichiou! — Pegou-o no colo e deu um beijo estalado. — Cuide bem da mamãe.

.o0o.

Quando chegamos em casa, Ichiou não parou um minuto sequer, explorando todos os cantos, o que foi ótimo já que ele não atrapalhou o processo de tirar a minha mãe da carruagem e colocá-la no quarto. Eles a deixaram confortável e reforçaram algumas indicações e coisas sobre os cuidados com ela que eu não sabia por justamente não tomar conta dela no hospital. Depois que eles partiram, fiz uma janta rápida para nós quatro, contando com o meu pai que devia estar bebendo em algum lugar e, em seguida, fiquei no quarto da minha mãe com ela.

Sendo bem direta, ela não falava coisa com coisa, contudo, estava feliz, não parava de sorrir, sabia que estava em casa. Contei para ela que ia morar com ela, que ficaríamos juntas para sempre, ela até chorou, fazendo-me chorar também. Na velhice e na doença, tinha uma alma de criança encarnada. Disse duas ou três vezes que queria comer ameixa, eu teria que arranjar a qualquer custo a bendita fruta para ela. Só essa ideia de ir para a feira me fez lembrar do Ren, minha última companhia quando fui lá.

De repente, senti falta dele, das nossas conversas, do jeito que ele fazia eu me sentir bonita e especial. Não havia problema agora meu coração aquecer-se com isso. Não havia bloqueio algum. Também não significava que sentia algo recíproco ou que viria a sentir, era apenas a constatação de que não havia culpa em gostar de ser cortejada como se eu fosse bem mais do que eu de fato era, uma kunoichi fadada a serviços hospitalares e maternos.

Fui despertada por uma presença que eu não esperava. Para o meu alívio, não era o Sasuke, embora desconfiasse que mais cedo ou mais tarde ele apareceria por causa do Ichiou, era Naruto. Sim, o irado Naruto que havia me magoado e caído fora um dia antes. Fui para o meu quarto, ele estava na sacada, conversando com o Ichiou. Pediu permissão para entrar, o que não fazia muito sentido já que ele já tinha invadido minha casa de certa forma. Meneei a cabeça com um “sim”.

Naruto ficou de pé, observando o meu quarto. Não sabia se ele já havia entrado nessa casa, seu olhar era curioso. Ele tirou sua capa de Hokage e deu para Ichiou brincar de ser rei, logo ficamos sozinho, e o silêncio começou a ser constrangedor.

— Eu vim me desculpar, fui muito cruel com você, Sakura-chan.

— Eu cheguei a achar que você tinha sido cruel, porém você disse coisas que ninguém me diz, verdades... Coisas que eu precisava ouvir.

— Você não precisava ouvir nada daquilo num momento como esse. Eu jamais saberei o que você já sofreu e está sofrendo, no amor temos histórias um tanto distintas. — Coçou a parte de trás da cabeça, desconcertado. — Você apenas me aconselhou, desde o começo, quis que eu tivesse empatia, eu que fui egoísta e não percebi o quão impulsivo e inconsequente estava sendo. As coisas poderiam estar pior caso Hinata estivesse grávida. Eu... eu fui muito infeliz quando falei com você daquele jeito. Estava nervoso, angustiado com tudo, não...

— Naruto, eu entendi. Sério mesmo, não precisa se desculpar. Eu agradeço do fundo do meu coração e garanto que não há ressentimentos. Só muito amor e preocupação. — Estendi as mãos para ele, puxei-o para a cama, ficamos sentado lado a lado. — Como ficou aquela confusão?

— Estamos negociando. Eu estou bem errado então... bom, você já imagina, não é?

— Sim — respondi num suspiro. — Dorme aqui hoje? Eu coloco um colchão. Podemos jogar cartas e beber um pouco.

— É a Sakura mesmo que está falando? — Fez careta.

— Sim, idiota. — Dei-lhe um cascudo de leve. — Eu preciso fazer algo assim, não sei se me entende, e também não quero ficar sozinha com o Ichiou aqui hoje.

— Bom, infelizmente, não tenho ninguém me esperando em casa, então aceitarei o convite — disse em tom diplomático.

— Obrigada! — Abracei-o forte. — Venha, ajude-me com as bebidas.

Tive uma ótima madrugada de conversas e risadas com o Naruto. Enquanto jogávamos, íamos relembrando coisas fantásticas da nossa infância, sempre evitando o assunto Sasuke, o que foi ótimo para o meu humor. Não fiquei triste um momento sequer. Meu pai não chegou em casa, e mamãe dormia tranquilamente. Tudo deu certo e, quando o sono veio, consegui dormir pacificamente, até sonhei. Nos meus sonhos ele apareceu, lindo, uma imagem turva e brilhante; nos sonhos, evitei-o da mesma forma, não me lembrava do que ele fazia ou dizia, lembro-me apenas de ter virado as costas e apanhado um espelho. Aquele era um novo momento da minha vida, e eu não precisava ser figurante nela pela primeira vez.

Notas finais
CAPÍTULO BETADO POR AliceAlamo. ATUALIZADO EM: 28/11/2016