Pilares de Areia

18 I'm strong on the surface, not all the way through


Notas iniciais
Título: Eu sou forte por fora, mas não por todo o caminho - Leave out all the rest - Linkin Park Desculpa a demora! Feliz natal e ano novo atrasado ♥

Era comum ouvir que no começo seria difícil, que depois eu ficaria bem. Foi tudo ao contrário. Eu estava repleta de sentimentos destrutivos, construí uma fortaleza ao redor daquele problema e o evitei a todo custo. No começo, havia ódio e desejo de vingança, uma insensibilidade desenfreada para com tudo, por isso foi fácil. Os primeiros dias foram fáceis. Usei toda a minha força e meu orgulho logo de cara, e funcionou bem, alguns comentavam que nem parecia que eu havia terminado um casamento há dias, me desejavam a força que eu já tinha e já usava.

Adultério era aquele tipo de assunto que corria por toda a vila. Eu era tida como uma vencedora por ter passado por isso de cabeça erguida, tendo meu relacionamento exposto, sendo humilhada, e conseguir seguir normalmente com a minha vida longe dele. As pessoas na recepção do hospital não disfarçavam o assunto, nem no mercado, na feira, nos comércios... Era só me verem, ou cochichavam, ou vinham diretamente me falar que me apoiavam, que eu estava certa, que merecia alguém melhor etc etc etc. Eu era digna de pena e ao mesmo tempo exemplo de força. Eu não sabia qual dos dois eu preferia ou gostava. Talvez eu não gostasse. Como disse, estava tão concentrada em não pensar nele que fiquei indiferente a tudo.

Com o tempo, o assunto não era mais novidade, outras conversas rolavam pela vila e eu voltava a ser a Sakura de sempre, a pupila de Tsunade-hime que trabalhava no hospital, amiga do hokage, mãe do último Uchiha. Essa Sakura cheia de genitivos. Mais conhecida vinculada ao nome dos outros do que ao próprio. Eu me conformava, aceitava. Pelo menos eu estava em paz.

Tsunade e Shizune permitiram que os estagiários revezassem os dias na minha casa me ajudando com a minha mãe. Eu pagava uma pequena quantia a todos, pois além de estudo, eles estavam fazendo um trabalho para mim, e também eu tinha ciência de que o dinheiro que Suna mandava a eles era pouco.

Cada dia era dia de um ficar encarregado de cuidar da minha mãe por cerca de oito horas. Não eram oito horas presos no quarto sem piscar os olhos, era vigiá-la e fazer procedimentos de enfermagem quando necessário. Hana, Emi, Sachiko e Nobu estavam adorando poder fazer algo diferente do que faziam no hospital e também de estarem ganhando mais dinheiro. Vez ou outra vinham me mostrar coisas que compravam, muitas vezes coisas que não existiam no país deles. Ren estava feliz também, mas não exatamente por causa do dinheiro (que ele prontamente recusara, contudo eu dava na mão de Temari, emissária deles, para entregar-lhe quando terminassem o ciclo de estudos), mas por estar perto de mim. Ele dissera isso sem nem ao menos gaguejar.

Era até engraçado, eu, uma mulher feita, enrubescer por tão pouco e ele, um jovem de poucas experiências ser tão firme e intimidador com suas palavras. Eu continuava mantendo uma distância segura mesmo abrindo frestas.

Eu procurava fazer o máximo possível para que eles ficassem à vontade na casa, contudo não havia muita coisa para diversão, era uma casa de adultos na ponte da velhice, uma mulher doente e um alcoólatra. Havia objetos que eles não conheciam por não existir em Suna e outros por serem muito antigos, era contagiante o brilho do olhar deles de descoberta, deveria ser uma sensação gostosa descobrir algo novo. Não que não houvesse nada para eu aprender ou conhecer, porém mesmo jovem, por ser ninja, eu já tinha viajado o mundo, muitas vilas, muitas terras, e vi de tudo um pouco. Sabia que as cabaças de Suna correspondiam às nossas garrafas plásticas e vasos de barro, coisas assim simples, mas que os encantavam. Konoha era uma vila bem avançada tecnologicamente com relação as outras, então esse estranhamento era bem compreensível, ainda que fabuloso.

Os alunos também eram muito bons com Ichiou, além de vigiarem minha mãe, me ajudavam a cuidar dele. Quando deixar Ichiou com o pai tornou-se um problema, eles também foram a solução. De forma quase prioritária, o ajudante que estivesse responsável no dia deveria levar e buscar Ichiou no ponto de encontro porque de forma alguma que gostaria de ter Sasuke batendo da minha porta ou eu na dele. Foi uma ótima saída, pois eu não tinha desculpas para encontra-lo, era como se ele fosse a creche onde Ichiou ficava por algumas horas e depois voltava. Era muito bom mantê-lo assim, longe.

Nos primeiros dias ele foi muito rude com absolutamente todos os alunos, principalmente com Ren, e isso me obrigou a não deixa-lo levar mais Ichiou para o local onde Sasuke o pegava por medo do pior acontecer. Sasuke depois de ser rude e agressivo, começou a ter atitudes babacas que iam além do orgulho dele.

Um dia Emi chegou com um embrulho, ele me devolveu um colar que era da mãe dele e foi meu, uma joia da extinta família Uchiha. Eu deixei para trás de propósito, não queria absolutamente nada dele ou da família deve, a coisa mais valiosa que ele ou o clã Uchiha poderiam ter era Ichiou, e ele já era meu.

O colar foi devolvido no dia seguinte por Hana que voltou com um recado:

— “Quem ela pensa que é para ser tão estúpida desse jeito? Isso é dela, ela esqueceu em casa quando fugiu”.

— Tem algumas coisas erradas aí — comecei interrompendo-a — Um: a joia não é minha, é da mãe dele; Dois: eu não esqueci, deixei porque não é meu; Três: ele disse que eu fugi? — exclamei.

— Sim.

— Foi uma pergunta retórica — disse dando voltas pela sala — Eu saí da mesma forma que costumava entrar. Mas que ridículo! Parece que eu forcei uma situação complicada... Ele que não se conforma que foi deixado e fica correndo atrás de mim como um louco! — desabafei — Você não acha que eu tenho razão?

— Absolutamente, Sakura-senpai — respondeu Hana prontamente — Devo anotar para responde-lo? Vou acabar me esquecendo.

Fitei Hana e sua ingenuidade por um tempo. Ela merecia um xingão, mas não seria eu quem daria.

— Olha, você é apenas minha aluna e ajudante, não vou transformar você e os outros em pombo correio. Esse assunto nem era para ser da ciência de vocês! Sasuke é tão imaturo e impulsivo que não enxerga isso. Eu não serei como ele. Pode dizer apenas que disse para ele me deixar em paz. Se sentir-se à vontade pode xingá-lo, mas aí é por sua conta.

— Não me sinto à vontade.

— Tudo bem, não precisa, então.

— Ele disse mais coisas ­— falou insegura. Como viu que eu não respondi, ela perguntou — Você quer ouvir?

— Não, Hana. A menos que seja de extrema importância, eu não quero receber nenhum tipo de recado dele, tudo bem? — Hana assentiu.

Era lamentável saber que o Sasuke ainda não havia entendido por que eu tinha partido. Ele precisava da minha frieza, ver que eu era capaz de viver sem ele, sim. Mandar a joia já foi um sinal de desespero, se não fosse um pretexto para aproximar-se, eu consideraria até uma ofensa. Como se um objeto fosse melhorar as coisas. Não ia.

Mais dias se passaram, completara quase duas semanas que eu parti e as coisas ao invés de melhorarem, pareciam que pioravam. Eu comecei a sofrer por isso, sofrer de uma maneira que eu quase não controlava mais. Reprimi tanto que recebi tudo de uma vez. É uma sensação terrível estar desolada. Eu comecei a imaginar o Sasuke com a mulher, ele a levanto para a cama que um dia foi nossa, ela morando sob aquele teto, as mãos dele a tocando como faziam comigo, ela tendo cada parte dele que antes eu tinha. Eu imaginava eles rindo, Sasuke seguindo em frente e ela fincando-se no lugar que um dia foi meu.

Quando imaginei ela com um filho dele, tive o meu primeiro surto. Eu segurava uma garrafa de sake, estava quase vazia, era dia ainda. No ápice daquela tormenta mental, quebrei a garrafa na cabeceira da cama e me furei com os cacos, possessa de ódio, raiva, angústia. Nobu estava em casa cuidando da minha mãe, abriu meu quarto e me socorreu, Ichiou acabou me vendo.

— Fecha a porta — pedi entre lágrimas. Nobu obedeceu-me, fechou e deixou Ichiou para fora, batendo na madeira e me chamando, chorando, estava assustado, viu vários cacos de vidro fincados na minha pele já tingida de sangue.

Nobu não disse uma palavra, eu também não precisei dizer para ele não comentar com ninguém. Eu poderia muito bem me curar sozinha, mas eu não queria, então Nobu estancou o sangue dos cortes mais profundos, limpou um a um, dando pontos naqueles que precisavam e colocando band-aids nos superficiais. Não consegui nem reprimir o choro na frente dele, um mero aluno que não estava lá para ver aquilo, contudo ele parecia não se importar, era extremamente profissional, até mesmo frio.

— Tenho haloperidol¹, caso queira.

— Quero — respondi prontamente — Quantas miligramas?

— Somente 10ml, Sakura-senpai — respondeu — Para surtir mais efeito, sugiro que não beba mais.

Olhei para os lados, ainda havia garrafas fechadas. Eu não ia bebê-las de uma vez, mas entendia que teria que escolher entre o tranquilizante ou o álcool, os dois juntos não funcionariam. Eu preferia o primeiro.

— Vou injetar apenas 5ml porque você bebeu. Se precisar, mais tarde eu injeto o restante — Nobu achou rapidamente a minha veia sem a necessidade de pressionar. Naquele breve momento senti orgulho de mim mesma pela evolução dos meus alunos, embora que a situação fosse constrangedora.

Rapidamente meu corpo foi amolecendo, Nobu me ajudou a deitar na cama e me cobriu. Depois ele abriu a porta, permitiu que Ichiou entrasse, ele chorava muito. Deitou-se comigo e perguntou o que eu tinha feito.

— Caí. — Sim, eu menti para meu próprio filho.

Nobu voltou para o quarto com produtos de limpeza para limpar o vidro, sangue e sake do quarto, o cheiro era muito forte. Ele levou consigo as garrafas, disse que levaria para seu quarto de hotel até que eu estivesse bem, assim, nem eu nem meu pai beberíamos.

Fui dormir me sentindo pior do que na noite anterior e sabia que seria pior no dia seguinte. Eu precisava encontrar aquela força novamente, eu precisava desesperadamente me conformar que uma vida longe do Sasuke acarretaria outras coisas na vida dele, inclusive uma nova mulher para ele reerguer o clã.

.o0o.

Dezenove dias. Fazia dezenove dias que tudo tinha acontecido. Eu não aguentava mais a casa onde eu vivia, eu não aguentava mais o meu pai bêbado no sofá, eu não aguentava mais minha mãe completamente fora de órbita, dizendo coisas sem sentido, eu não aguentava mais o Ichiou implorando para morar com o pai, eu não aguentava mais eu mesma.

Já fazia dias que eu estava injetando calmante para conseguir dormir e trabalhar. Era perigoso, mas controlava aquela angústia que eu sentia, aquela vontade de explodir tudo envolta. Ichiou não gostava mais de ficar perto de mim e meus alunos pareciam assustados, claro. Eu já estava vendo a hora de tirarem Ichiou dos meus cuidados e me afastarem dos serviços hospitalares por conta disso.

Eis que algo extraordinário aconteceu naquele dia, um paciente singular: ela.

— Me dê esse prontuário — pedi afoita para a enfermeira que anotava algo na prancheta. Ela passou-me sem hesitar, perguntando:

— Você vai assumir esta paciente, Sakura-senpai? — Apenas meneei a cabeça enquanto lia as informações. Era ela mesmo: Myumi Takahaghi. Ela ainda estava com a máscara tapando o rosto, só a reconheci pelos cabelos longos castanhos e o cheiro do Sasuke que estava impregnado nela.

— Deixem-me sozinha — pedi empurrando a maca para dentro da sala de cirurgia.

— Mas Sakura-san! — Uma das enfermeiras correu atrás — Ela está com hemorragia, seria bom ter uma e...

— Eu consigo cuidar sozinha. Proíbo qualquer um de entrar nesta sala.

— Por ela ser Anbu...

— Saia agora.

A enfermeira não insistiu mais. Saiu e então eu tranquei a porta, fechei as persianas e apaguei as luzes, deixei somente uma luminária sobre ela.

Em pensar que há algum tempo eu me pegara imaginando essa mesma situação, o bip cardíaco dela desaparecendo, ela sendo morta de diversas maneiras silenciosas. Aquele seria um dia maravilhoso compensando dias ruins. Só de estar com ela praticamente morta naquela sala eu já me sentia leve.

Retirei sua máscara e joguei no chão. Seu rosto estava intacto. Era um rosto bonito, jovem, naquela hora estava branco como papel. Busquei alguma semelhança entre nós duas, algo que ela tivesse de distinto para o Sasuke ter se interessado. O sangue que pingava do seu corpo começou a escorrer para o chão, o som da gota me trouxe de volta para a realidade.

Ela tinha uma ferida horrível, o rim esquerdo e o baço estavam comprometidos. Eu poderia até estancar a ferida, mas o sangue eu não poderia devolver ao corpo dela, ela precisaria de transfusão.

Cortei toda a sua roupa ensopada com o líquido vermelho, a deixei nua para que eu pudesse trabalhar melhor. Obviamente reparei em seu corpo, muito menos flagelado do que o meu, vítima de anos de batalha e de uma gravidez. Os seios dela eram mais fartos e firmes do que os meus, sua tez mais macia, sua cintura mais fina... O Sasuke com certeza a preferiria. Eu a escolheria do que a mim. Pensando assim, a raiva voltou. Eu tinha um bisturi de corte frio na mão e minha vontade insana era de retalhar aquele corpo inteiro. Ou eu poderia apenas enfiar a minha mão dentro daquela ferida, era tão grande que cabia minhas duas mãos fechadas dentro. Eu poderia mexer dos pontos que mais doem, quem sabe ela acordasse? Eu estava inclinada a isso quando ouvi a correria no corredor, em seguida tapas na minha porta.

Sakura! Destranca essa porta agora! — Era Shizune — Essa não é a sua paciente! Destranque a porta e deixe que a gente cuide disso!

A gente quem? Ela estava em frente a porta, batendo, mas havia uma silhueta alta ao seu lado, a sombra de um homem sem dúvidas.

Sasuke.

O estado dela é grave, Sakura. Deixe-nos entrar.

— Eu já estou tomando conta.

“Ela vai matar a garota”, ouvi a voz dele dizer baixo. Um tom de preocupação. Olhei para a tal Myumi, lívida, quase morta. A poça de sangue no chão só crescia, contudo ela duraria até eles decidirem arrombar a porta.

Sakura, eu te proíbo...

— Eu vou arrombar a porta. — Esse era o Sasuke. Abri as gavetas e os armário à procura de algo. Encontrei Metadona². — Sakura, saia daí agora! Você pode ser presa por atentar contra um Anbu!

— Tá preocupado com a amante? — indaguei enquanto rapidamente eu dissolvia os comprimidos na água e colocava na seringa. A prática tornou-me extremamente rápida nisso, em um minuto já poderia ir para as veias dela.

Sakura, é o último aviso! — Esta era Shizune. Ignorei. Ajoelhei-me diante da vadia, ensopei-me até os joelhos em sua poça de sangue e com muito esforço procurei sua veia.

— É ilegal invadirem uma sala cirúrgica, sei que esperarão. — Disse calmamente.

Ela tem informações de extrema importância para Konoha. Você será responsabilizada caso algo aconteça com ela. — Sasuke insistia.

— Só estou lhe dando uma dose de Metadona para que sua querida amante descanse em paz. — A seringa estava na metade quando porta e janelas foram quebradas e pelo menos dez shinobi se prostraram a minha frente. — Sinto-me lisonjeada pela quantidade.

Quando ergui a mão com o bisturi para acabar logo com aquilo, Shikamaru que estava lá me imobilizou, Shizune aplicou uma injeção em mim e Sasuke segurou a minha cabeça, olhou nos meus olhos com fúria, o sharingan surgir e então eu não me lembrei mais de nada.

.o0o.

Ela está voltando. — Ouvi a voz firme de Tsunade. — Sakura, pode me ouvir? — Eu ainda não conseguia abrir os olhos, os sons também estavam muito distantes. Tentei mexer os dedos. — Ela se mexeu. Ótimo. Nós quase te perdemos, preciso que...

O som desapareceu, então tudo voltou a ficar escuro.

.o0o.

Tsunade! — Ouvi chamarem. A voz chamou de novo, dessa vez mais nítida, então eu soube que estava acordando.

Tentei mexer os dedos, senti o lençol. Aos poucos abri os olhos, a luminosidade era demais. Eles pareceram entender, pois diminuíram a luz. Senti mãos pegarem em mim, mais de uma, várias, comecei a imaginar quantas seriam, eu não conseguia ver, só enxergava o teto.

— Finalmente — Tsunade exclamou aparecendo no meu campo de visão — Você me deu muito trabalho, garota. Muito trabalho.

Do que ela estava falando? Eu comecei a sentir sede e uma dor de cabeça horrível.

— Onde está o Ichiou? — Foi meu primeiro pensamento. — Cadê ele? Eu preciso ver ele.

— Ele está bem e em segurança — respondeu-me Tsunade — Com o pai — acrescentou.

— O que aconteceu?

— Muita coisa. Não se lembra?

Eu me lembrava vagamente, tinha muita coisa misturada, eu não sabia se era realidade ou sonho. Antes que eu respondesse, ela me disse:

— Você quase assassinou um membro da Anbu importantíssimo.

— Era a amante — expliquei com dificuldade, pausadamente.

— Você como médica deveria saber que todos, independentemente do nosso envolvimento pessoa, são pacientes e estão aqui sob os nossos cuidados. Somos as pessoas em quem mais confiam, driblamos a morte, não a causamos — Tsunade falava com uma raiva contida, os olhos ferozes, a boca em uma linha reta, os dentes cerrados, talvez seus punhos também estivessem cerrados. Ela me espancaria se eu não estivesse naquela situação.

“Você injetou quase 90ml naquela garota, uma dose praticamente fatal de metadona, e tinha mais 80ml da droga na seringa. Você claramente pretendia matá-la. A ironia é que quem quase acabou morta por overdose foi você.”

Eu me assustei quando ela disse isso, achei que estivesse inconsciente por conta do Sasuke, lembrava-me dele me olhando profundamente com o Sharingan.

— Você recebeu uma dose comum de tranquilizante, porém ninguém sabia que você estava usando diariamente e descontroladamente essas drogas. Seu coração parou por mais de dez minutos — falou entre lágrimas — Você tem noção do quão desesperada nós ficamos?

Nós?

— “Nós” quem? — indaguei.

— Você sabe, não se faça de idiota! — falou secando os olhos.

Eu realmente não sabia.

— Sei que não é o momento, mas é bom que já saiba que você será afastada do hospital por tempo indeterminado. Sua mãe voltará a ficar sob nossos cuidados e Ichiou ficará com o pai.

— Não! — exclamei — Você não pode deixar que isso aconteça! Ichiou é meu filho! Ele tem que ficar comigo!

— Sakura, você está desequilibrada, em um momento muito delicado da sua vida. Nós concordamos em deixar as coisas assim, por enquanto.

— Vocês acham que eu enlouqueci? Eu não estou louca, não! Eu realmente queria matar aquela vadia! Coloque-se no meu lugar, Tsunade! Você não a mataria?

— Não. Meu trabalho vem antes de qualquer pessoa — respondeu prontamente. — Como kunoichi e como médica você deveria manipular seus sentimentos, não se deixar ser manipulada por eles. Estou muito decepcionada, Sakura.

Aquelas palavras foram piores do que um soco.

— Você vai ficar comigo até que eu decida quando você poderá voltar para as suas atividades normais.

— Eu também sou do ramo, Tsunade. Quem autorizou isso?

— Sasuke.

— Não somos casados oficialmente.

— Mas ele é o pai do seu filho.

— Isso não está certo! Ele quer destruir comigo! Já não basta ter me humilhado? — Contra a minha vontade, mais rápido do que eu pude pensar, comecei a chorar. — Ele não tem direito nenhum sobre mim! Ele não tem direito a nada!

— A autorização veio dele, Naruto e Kakashi concordaram, eu também, então essa discussão está encerrada, Sakura.

Tudo isso e eu nem sabia se Myumi Takahaghi estava morta.

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Notas finais
ALTERADO EM: 05/01/2016: A última frase dá a impressão direta de que Myumi está morta, isso pela troca de palavras do "se" pelo "que". A frase correta é "Tudo isso e eu nem sabia "se" Myumi Takahaghi estava morta." ....................................................................................... Haloperidol¹: É um neuroléptico que pode ser usado para agitação, agressividade, perturbações mentais. (Psicosite. Acesso em: 03/01/2016) Metadona²: É um narcótico utilizado principalmente no tratamento dos toxicodependentes de heroína. Tem propriedade quase idênticas a da morfina. Overdoses podem ser fatais. (RevistaVivaSaúde. Acesso em: 04/01/2016)