Pilares de Areia

25 I miss your tan skin, your sweet smile, so good to me, so right


Notas iniciais
Título: "Eu sinto falta da sua pele bronzeada, do seu doce sorriso, tão bom para mim, tão certo" - Taylor Swift - Back to december . PRÉVIA DO CAPÍTULO: sem betagem . Como já tinha um mês que eu não atualizava a fanfic, eu decidi postar esse capítulo, mas ele ainda não passou por betagem, então eu peço desculpas pela qualidade. . Eu já tenho alguns capítulos prontos para postagem, mas eles precisam passar pelas mãos da Alice Alamo que é tão ocupada quanto eu, além dela ter as próprias fanfic dela. Então não fiquem tão chateados com nós duas, gente. Já garanti que não vou abandonar a fanfic, fiquem na paz. . Boa leitura!

Naruto acompanhou-me até a floricultura. Conversamos pouco já que Ichiou queria toda a atenção para si. Acabei descobrindo através do menor que Naruto também treinava ele, o que a princípio me deixou bem surpresa porque eu imaginava que somente o Sasuke o treinasse, e ainda assim, bem pouco.

— Foram só umas três ou quatro vezes. E não é incômodo algum, eu sempre estava livre e bem aborrecido, ia conversar com o Sasuke e acabava brincando com o mini Uchiha — dizia bagunçando os cabelos de Ichiou. — Se Ichiou não gostasse, eu me sentiria mal, mas esses treinamentos não são impostos pelo Sasuke, Ichiou que pede. Para ele é muito divertido lançar kunais de madeira nas árvores, dar piruetas e treinar golpes — Naruto sorria orgulhoso fitando meu filho.

— Você não tem vontade de ter um filho? Você leva jeito com criança.

— Ahm? — Naruto pareceu surpreso com a pergunta repentina. — Bem, eu precisaria arranjar uma mãe para a criança primeiro. — Sorriu sem graça. Consequentemente, eu também me senti um pouco envergonhada pela pergunta.

— Não soube como terminou o dia de rebelião dos Hyuga. — Revirei os olhos. — Estava muito ocupada sofrendo por uma falsa traição. — Foi a vez dele debochar. — Ino contou-me algumas coisas por cima, mas confesso que não faço ideia de como tudo está agora.

— Digamos que não muito bem — respondeu simplesmente.

— Você não a vê desde aquele dia, não é? — Naruto assentiu. — Não pensa em confrontar o pai dela novamente?

Naruto suspirou. O assunto parecia incomodá-lo, porém a casca da ferida já devia estar seca pelo tempo que aquilo ocorrera, quase quatro meses atrás

— Ela não quer lutar por isso. Não vai enfrentar o pai por mim e é o desejo dela que eu também não faça isso. — Deu os ombros colocando as mãos no bolso. — Se ela ficasse comigo, jamais teria paz. Talvez... Talvez tenha sido melhor assim.

Fiquei fitando-o por um bom tempo até começar a rir em deboche. Puro deboche e desprezo pelo o que havia dito. Quando Naruto encarou-me de volta, expliquei:

— Você já passou por tantas coisas na vida das quais não desistiu, vai abrir mão da mulher que você ama por causa de um pai bravo? Esse definitivamente não é você e essa não é uma postura de Hokage. — Provoquei-o.

— E você quer que eu faça o quê? — exclamou puxando os próprios cabelos.

Antes que eu pudesse falar algo, Ichiou tomou a atenção dele novamente de mim, foi o tempo de chegarmos à floricultura e Ino praticamente pular em cima de mim com um sorriso mais aberto do que usualmente era.

— Oi, Naruto. Quer dizer, Hokage, Naruto-sama, sei lá. — Deu os ombros antes de fazer uma breve reverência. — Ainda não me acostumei, sabe. Você ainda tem cara de babaca.

— Hey! Alguns dias atrás eu recebi um tratamento diferenciado de você! — Naruto reclamou fazendo bico.

— Estávamos no seu território, agora estamos no meu — respondeu enrolando uma mecha dos longos cabelos louros no dedo indicador. — Se bem que é ótimo que esteja aqui. Vão para os fundos! Preciso contar algo muito importante — anunciou nos empurrando.

— Mas o que aconteceu? — exclamei confusa.

— Eu preciso voltar para a Central, só vim acompanhar a Sakura — Naruto explicou, mas já era tarde: Ino nos empurrou para os fundos, depois correu para trancar a porta de entrada e virou a placa de fechado, em seguida, tratou de nos empurrar novamente para os fundos da loja onde havia um pequeno quarto anexo.

— Aposto que é algum assunto chato de menina. — Naruto suspirou jogando-se em cima da cama tão confortavelmente que parecia que o quarto era dele.

— É uma grande coincidência que esteja aqui, pois tem a ver com você. — Apontou para o Naruto. Tanto eu quanto ele ficamos ainda mais curiosos e confusos. — Olha o que eu recebi diretamente no Distrito Hyuga assinado pela Hanabi. — Jogou um bilhete diretamente para o Naruto, mas eu apanhei antes.

— O que é isso? — indaguei tentando decifrar aquele papel.

— Deixa eu ver. — Naruto tomou da minha mão. — É só um pedido de um monte de flor isso aqui. Provavelmente para o casamento da irmã — concluiu emburrado jogando o papel no chão.

— Idiotas. Dois idiotas — esbravejou Ino apanhando o papel do chão novamente e entregando-o para mim. — Leiam somente as iniciais.

— Ainda não faz sentido — Naruto insistiu.

Ino bufou em desistência e pegou o papel das nossas mãos mais uma caneta que estava na cômoda ao lado do Naruto.

— Naruto, levanta a blusa.

— Por quê?

— Porque você é o mais burro.

— Eu não vou-

— Sakura, me ajuda — Ino pediu já montando em cima de uma das pernas dele. Eu automaticamente sentei em cima da outra.

— O que estão fazendo?

— Vou usar seu corpo de rascunho — Ino respondeu abrindo a jaqueta laranja e subindo a blusa do Naruto até me cima.

— Isso não foi excitante.

— Não era para ser — A loura retorquiu. — Veja: Dez junto de Sol, só pode significar “dez da manhã”. — Explicava enquanto desenhava em cima da barriga no Naruto.

— Sabe que debaixo dessa pele tem uma bijuu, não é? — Ino ignorou-o o alerta de Naruto enquanto continuava a explicação.

— A data do encontro é a data de pedido de entrega que a Hanabi colocou aqui, ou seja, amanhã. Ramos de espinhos amarrando as flores quer dizer “certamente a Hinata estará sendo acompanhada e vigiada, portanto, tenham cuidado”.

— O quê? — Naruto e eu perguntamos em uníssono.

— Às vezes eu não acredito que vocês dois salvaram o mundo com a mente lerda desse jeito.

— Ino, a questão é que não faz sentido o que você está falando. Como pode decifrar uma mensagem detalhadamente a partir de um suposto bilhete decodificado? — retruquei.

— Eu já decodifiquei várias mensagens com o Shikamaru e a mensagem nunca é tão clara ou tão abstrata quanto esta. A propósito, Sakura, tem uma do Sasuke há uns dias na minha gaveta que não consigo decodificar de jeito nenhum e adoraria ter sua ajuda — disse voltando-se para mim.

— Foi por isso que foi atrás de mim hoje? Para eu te ajudar com essa mensagem?

— Na verdade, antes era também com o intuito de você me fazer este favor, mas agora que descobri que a Ino é profissional, posso pedir a ela.

— Parem de conversa paralela e foca aqui! — Cutucou a barriga no Naruto que continha todo o rascunho da descoberta de Ino. — Hanabi enviou essa mensagem a pedido de Hinata para que possamos dar um jeito dela se encontrar com você, Naruto.

— E como você sabe? — inquiriu. — Sinceramente, ainda acho que trata-se de um pedido comum.

— Okay! Vocês me pegaram.

— Sabia. — Naruto gabou-se de sua intuição. — Ninguém engana o Hokage.

— O que houve, Ino, fala logo — pedi entediada. — Ichiou deve estar acabando com suas flores e você continua aqui enrolando.

— E eu preciso voltar ao trabalho — Naruto acrescentou.

— Ontem, no Tsukimi, acabei encontrando-me com a Hanabi e ela me contou tudo.

Mesmo com Ino e eu sentadas uma em cada perna do Naruto, ao ouvir aquilo, ele interessou-se o bastante para levantar-se de supetão e derrubar nós duas. O barulho foi tão grande que até Ichiou surgiu na porta:

— Sem bagunça aqui! — advertiu-nos e voltou a brincar na loja.

Eu quase não acreditei que acabara de levar uma bronca do meu próprio filho. Aquele estava sendo um dia realmente atípico.

— Eu faço um contrato com o Clã Yamanaka com encomendas semanais de flores para ornar toda a Central, todos os andares e todas as salas se você me disser do que se trata esse tudo sem esconder absolutamente nada — disse afoito.

— Olha, se eu não quisesse contar, eu não contava. Não vem com suborno porque eu sei que você é um político melhor do que isso — bronqueou-o. — Desculpas aceitas por me derrubar da cama — ironizou.

— Antes que comece a falar, eu encontrei-me com a Hinata ontem. Eu estava acreditando na sua história porque Hinata disse-me ontem mesmo que gostaria de marcar uma consulta comigo. Achei muito estranho, mas tudo bem. Ela disse que me mandaria uma mensagem marcando hora e lugar, por isso não estranhei de cara o bilhete.

— Eu queria dar mais emoção às coisas, o Naruto tinha que estragar tudo.

— PELO AMOR DOS UCHIHA! FALA LOGO! — implorou ajoelhando-se aos pés da Ino que adorou o gesto, até sorriu.

— Estava lá eu comendo deliciosos dango quando Hanabi aproximou-se de mim oferecendo-me mais dango dizendo: “Vim pedir sua ajuda porque soube que você é a única louca o suficiente para fazer isso”. Eu não entendi nada, mas já levantei o dedinho da briga para ela mandando ela repetir aquela injúria...

— Ino, santa paciência! Resume! — pedi.

— Hinata quer encontrar o Naruto e descobriu um jeito de fazer isso sem ser pega pelos facistas do clã dela — disse num fôlego só.

— Ela... Ela quer me encontrar?

— Para quem alegou ter desistido, você pareceu bem abalado ao ouvir isso, Naruto-kun — provoquei-o. — Ligando os pontos, agora entendo qual é o plano: amanhã, às dez horas da manhã, será a “consulta” da Hinata comigo. Como será uma consulta ginecológica, nenhum homem poderá entrar...

— Mas uma mulher, sim. Há kunoichis Hyuga aos montes — Naruto completou.

— Elas não podem entrar na sala de consulta caso Hinata não permita. Se elas ao menos tentarem, eu impediria. É uma cláusula médica muito respeitada nos hospitais, não é porque será uma consulta particular que vai ser assim bagunçado.

— Permitir ou não a entrada de um Hyuga não adianta em nada. Eles podem enxergar através das coisas de qualquer forma — Ino resmungou aborrecida.

— Certo, Sakura, mas onde eu entro no meio disso?

— Henge no jutsu! — Ino exclamou como sendo a coisa mais óbvia.

— Você acha que os Hyuga cairiam num jutsu tão primário? Eles têm os olhos que tudo veem, é só apertar o botão do Byakugan para vessem que é uma farsa — contrariou, Naruto.

— Não seja tão pessimista, Naruto. Estamos impondo uma situação de alta escolta, talvez nem precisemos de tanto — acalmei-o.

— Ainda assim, precisamos considerar todas as possibilidades, Sakura.

— Vocês nem me perguntaram se eu quero encontrar-me com Hinata e já estão planejando tudo.

Ino e eu o encaramos, não demorou muito para ele ficar encabulado e entregar sua verdadeira intenção só com as expressões infantis.

Ele estava morrendo para falar com a Hinata ao menos uma última vez já que não tiveram chance.

— Eu não me sinto à vontade de ficar escondendo-me assim, como se eu estivesse fazendo algo errado.

— Então faça esta ser a última vez, e faça valer a pena. Conversem e decidam para onde isso vai andar de uma vez por todas — pedi calmamente. — Eu falei com ela ontem, está claro como ela está sofrendo e sentindo-se sufocada com tudo isso.

— Quanto tempo teremos? — Naruto indagou.

— Hanabi disse que Hinata teria uma hora para voltar para casa — Ino respondeu-o.

— Excluindo o tempo de trajeto, provavelmente terão uns trinta minutos para conversarem.

— É o suficiente — respondeu convicto.

— Vamos combinar os pormenores desse plano, por favor! Absolutamente nada pode dar errado.

.o0o.

Assim que terminamos de ajustar todo o plano, Ino encarregou-se de encontrar uma forma de avisar Hanabi e também fez-me o favor de ficar por algumas horas com o Ichiou enquanto eu acompanhava o Naruto até a Central.

No meio do caminho, ele acabou revelando o verdadeiro propósito de ter me chamado para acompanha-lo. Eu bem que imaginei que se houvesse alguma mensagem codificada, Shikamaru sozinho daria conta, embora eu conhecesse Sasuke muito bem, isso não era garantia que eu pudesse decodificar algo que ele tenha enviado à Konoha.

Naruto me chamara para dizer que não tinha notícias de Sasuke. Diante daquela informação (lê-se também como a falta de), eu não vi motivos para acompanha-lo até a Central. Se não havia nada lá para me dizer ou me mostrar além de “não tenho notícias do pai do seu filho há mais de dez dias”, não havia razões para eu continuar seguindo-o.

O fato é que a notícia deixou-me nervosa, muito nervosa e preocupada. Cheguei a estancar onde eu estava e tencionar seguir o caminho de volta à floricultura, porém Naruto me impediu:

— Não é porque não tenho notícias do Sasuke que não tenho nada para te contar.

— Sasuke deveria ter entrado em contato há uma semana — expliquei.

— Por que não foi à minha sala para receber as notícias dele? — indagou não com tom de indagação, mas de algo próximo a compreensão, apesar de não fizer sentido.

— Eu não sei — respondi repreendendo a mim mesma, respondi mais para mim do que para ele.

Por que eu não fui buscar notícias de Sasuke?

Orgulho. Certamente tinha sido orgulho. Orgulho exacerbado e sem motivo nenhum.

Eu poderia buscar informações dele por conta do meu filho, não por minha causa. E Ichiou realmente indagava onde estava o pai e quando ele ia chegar. Esta noite, eu sabia, infelizmente minha resposta seria sincera. Eu não sabia onde e como o Sasuke estava. A constatação daquilo deixou-me aflita, tanto que por um momento eu entrei em uma introspecção profunda que cheguei a esquecer-me que Naruto estava diante de mim.

— Acompanhe-me e conversamos melhor na minha sala.

Chegando lá, precisei tomar algumas xícaras de chá de camomila para relaxar um pouco. Tensão era uma sensação ínfima perto do que eu sentia.

— A confidencialidade da missão na qual Sasuke está envolvido não se aplica mais a você — Naruto começou falando, já trajado com a postura inteiramente profissional. Um Naruto diferente daquele parcialmente imobilizado com a barriga riscada de minutos atrás. — Então posso te passar as informações que tenho.

— Como assim? Você não disse que não tinha notícias do Sasuke?

— Do Sasuke eu não tenho mesmo, mas da missão, sim.

— Ele não é o capitão do esquadrão.

— Sim.

— Então como você recebeu informações? — Naruto sorriu me fitando com os olhos bem apertados.

— Time Taka — respondeu pausadamente encostando as costas na poltrona.

— É a antiga equipe que o Sasuke tinha, não é?

— Sim. Eles enviaram-nos uma nota informando sobre esconderijos do Orochimaru encontrados completamente destruídos. Pediram auxílio da vila por conta das cobaias abandonadas no local, muitas mortas. Como foi uma ação de Konoha, somos responsáveis por esses indivíduos. Não podemos simplesmente deixá-los lá para morrer ou libertá-los. Por terem sido submetidos a experiências científicas, não sabemos sob o que deixaremos nossa vila a mercê, então iremos acolhe-los.

— Sim, acredito que seja o certo. Mas... Mas e o Sasuke?

— Suponho que estejam perseguindo Orochimaru. Por onde passam, o rastro deixado é a eliminação desses laboratórios clandestinos. Sinceramente, não estou preocupado com a integridade física do Sasuke, ele é perfeitamente capaz de lidar com uma missão desse nível, além do mais, ele está com a melhor equipe da Anbu. O noivo da Hinata também está lá — comentou sem muita empolgação. — Ele foi um dos poucos Hyuga que manteve ligação com a força de Konoha, apesar de ter sido o mais prejudicado com aquela história toda. — Sorriu amarelo. — Queria assegurar-lhe que assim que o primeiro relatório da missão chegar, você será imediatamente informada. Voltando o assunto anterior, essa leva de cobaias que chegará na vila, pelas informações dos antigos integrantes da equipe Taka, são menores de idade e órfãos. Isso te remete alguma coisa?

— O público alvo do meu projeto.

— Exatamente. — Sorriu. — Embora Ino faça igualmente parte deste projeto, eu preferi conversar isoladamente com você. O Conselho e eu gostaríamos de ter uma espécie de amostra do que seria esse trabalho, isso poderia ser praticado com as cobaias.

— Usar crianças cobaias como cobaias — concluí.

— Sim — respondeu hesitante. Por mais que fosse um termo ruim, a ideia era basicamente essa. — Uma estrutura seria montada no orfanato de Konoha, onde as crianças serão abrigadas após uma estadia no hospital para a bateria de exames, então você e Ino colocariam o seu trabalho em prática lá. Tendo resultados, poderemos aprovar o seu projeto com maior segurança. O que acha?

Ponderei por algum tempo, era muita informação.

Fitei Naruto e toda a segurança que ele me transmitia com o seu olhar, o sorriso gentil estampado ali, as mãos cálidas calmamente aproximando-se das minhas.

— Equipes de Iryō-nin e Jōnin foram enviadas aos locais para trazerem essas crianças e jovens em segurança, além dos antigos integrantes da equipe Taka que se ofereceram para ajudar em troca de algumas coisas...

— Quem são? Eu lembro-me vagamente, não nos encontramos muitas vezes — disse recordando-me vagamente do dia em que Sasuke, totalmente fora de si, persuadiu-me a matar sua companheira de time que assim como eu, o amava cegamente.

— Juugo, Suigetsu e Karin.

Karin.

— Você não ficará completamente desinstruída em relação a esses jovens, aceitei a ajuda deles justamente por isso, eles sabem com o que estaremos lidando.

— Eu preciso conversar com a Ino.

— Sim, sim! Você deve consultá-la antes. Mas caso ela não aceite, faça você isso, não por mim, mas por você. Imagino que dar aulas sobre medicina não é a mesma coisa que praticar. O seu trabalho com essas cobaias no orfanato fará você sentir-se mais médica do que professora, que é como você provavelmente vem se sentindo.

— Sim — assumi sorrindo sem graça. — É ótimo ser sensei de pessoas tão talentosas quanto esses jovens de Suna, porém eu sinto falta do hospital. Não posso negar isso.

— Eu sei. Não posso voltar atrás da minha palavra...

— E eu nem quero!

— ... mas posso fazer isso por você. Eu seria um péssimo Hokage se desperdiçasse o talento de uma kunoichi. — Segurou minhas mãos. — Pense com calma, converse com Ino. Em uns dois dias essas crianças irão chegar à vila.

— Tudo bem. — Caminhei até a entrada para ir embora. — E não se esqueça de amanhã. Está tudo gravado na sua barriga. — Apontei.

Ele sorriu, mais de nervoso do que qualquer outra coisa.

Aquele seria um dia decisivo.

.o0o.

— Bom dia!

Ichiou não completara nem cinco anos e já fazia sua primeira missão cuja função era ser encantador e gracioso por um pouco mais de trinta minutos.

A confirmação da consulta de Hinata só veio até mim à noite, sem códigos nem nada, apenas um Hyuga indagando se eu poderia, às dez horas do dia seguinte, atender Hinata. Eu previamente havia bolado uma espécie de contrato que compilava cláusulas reais do Conselho de Medicina que presavam a integridade física e moral do paciente, o individualismo, a intimidade e a pura e simples vontade do paciente de ser assistido durante a consulta ou não. Pedi que o Hyuga lesse o contrato no mesmo momento e garanti que qualquer dúvida poderia ser tirada comigo ou no próprio hospital. Ele pareceu-me um tanto confuso, mas concordou.

Ali estávamos, na hospedaria, com quatro Hyuga à minha porta, “escoltando” Hinata e Hanabi.

Hinata e Hanabi não se odiavam, contudo tinham um passado de rivalidades por sempre estarem sendo comparadas uma com a outra. Ambas usaram disso para nutrir a ideia que elas se odiavam, ou pelo menos era essa minha suposição, assim as próprias pessoas do clã acreditariam que não haveria razão para uma ajudar a outra. Por isso que não me surpreendi com o tom arrogante da irmã mais nova ao me encarar:

— A opinião da Hinata ou um pedaço inútil de papel não me interessa — esbravejou ignorando o doce “bom dia” que Ichiou lhe dera. — Hinata não pode mais ficar sem vigilância e eu entrarei aí com ela, goste ou não.

— É uma consulta íntima e... — Ino tentou intervir.

— Eu também sou mulher. O que ela tem, eu também tenho. — Me segurei para não rir. — Já avisei eles para não espiarem. — Apontou para os homens atrás de si.

Ino e eu rolamos o olhar para Hinata, ela estava tão roxa que eu jurei que sua cabeça fosse explodir.

— Tá certo então — respondi fazendo cara de motivação.

— Sakura, vou ficar aqui fora com o Ichiou até você terminar — Ino informou, como parte do combinado. Segurou Ichiou pela mãozinha e fechou a porta para nós duas. Antes disso, já era possível ver os Hyuga segurando a tentação de brincar com o Ichiou que, enquanto Hanabi dava seu show de atuação, exibia suas armas de madeira e explicava para que serviam.

Assim que a porta foi fechada, Hanabi colocou a mão na boca para abafar o riso baixo, seus olhos lacrimejavam. Demorou um tempo para se recompor e explicar:

— Isso foi muito engraçado. Eles são uns bundões. — Secava as lágrimas que escorriam pelo canto dos olhos. — Preciso falar para o otousan para não treinar só o corpo dos homens do clã, mas também o cérebro. — Jogou-se preguiçosamente na minha cama. Ao perceber que Hinata e eu a encarávamos, ela indagou: — O que foi? Você não vão conversar? Eu vou descansar enquanto isso.

— É melhor darmos privacidade a eles. — A puxei pelo braço para o banheiro anexo no quarto onde o Naruto também estava escondido.

Bati na porta e ele saiu afoito. Parei só para ver a reação dos dois. Hinata pareceu segurar o fôlego, provavelmente também o choro, já Naruto parecia abobalhado, a boca entreaberta, os olhos fixos nela, as sobrancelhas baixas, os ombros tensos. Era uma expressão que condensava todo o sentimento de paixão e saudades que ele sentia.

Naruto caminhou calmamente até ela que parecia estática onde estava. Aproximando-se mais, ele diminuiu rapidamente a distância com dois passos e segurou o rosto dela entre a palma de suas mãos, grande demais para uma face delicada como a dela. Imediatamente ela começou a chorar e Naruto a abraçou forte. Tive que chamar a sua atenção, fiz o sinal de silêncio e ela assentiu, depois disso, Hanabi e eu fechamos a porta.

Ficamos sentadas no banheiro. Deveria estar com os olhos marejados porque Hanabi riu de mim. Disse que não estava tão emotiva para se deixar emocionar com a cena, contudo estava verdadeiramente feliz em proporcionar uns momentos de felicidade para a irmã.

— Isso tem que acabar. Seja com eles juntos ou com eles separados. Tem que acabar. Eu não aguento mais vê-la sofrendo.

— Eu não sabia que eram apegadas.

— Não somos. Ou pelo menos não éramos — corrigiu-se. — Você só sabe que ama uma pessoa se o sofrimento dela te incomodar profundamente.

— Acho que isso não é necessariamente amar, é ser humano — respondi fazendo um paralelo com a minha profissão, afinal eu não amava os pacientes, mas tinha empatia por eles; e também comparando com a minha situação com o Sasuke.

A imagem dele tão abatido não saía da minha cabeça, as palavras dele, quase uma súplica, pedindo para eu voltar, para afirmar que eu ainda era sua... Aquilo me doeu. Aquilo me incomodou profundamente, mas eu não tinha certeza se era sinal de amor.

— Claro que isso não se aplica a médicos. — Olhou-me como se me bronqueasse por algo óbvio. — Mas em relação as pessoas, no geral. Você não vai gostar de ver uma pessoa que você gosta em uma situação miserável.

— Verdade — acabei concordando com Hanabi.

Era uma constatação meio óbvia, controversa, mas real. Logo o assunto sumiu quando a curiosidade falou mais alto.

— Concordo que é sem graça ficar observando os dois, mas podemos ouvir, não? — A bronqueei com o olhar. — Poxa, Sakura! Você não sabe o quão difícil está sendo o instinto de usar o Byakugan para ver tudinho.

— Veja como está o pessoal lá fora — sugeri empolgada. Assim que Hanabi ativou o doujutsu, um sorriso formou-se em seus lábios.

— Esses caras são mesmo uns bobalhões. — Riu baixinho. — Escolhi bem os mais tapados do clã.

— Me conta! O que está acontecendo? — pedi.

— Estão sentados em roda no corredor, os seis. Estão jogando cartas — exclamou maravilhada. Eu também abafei a risada com a mão. Jurava que seria bem mais dif´picil ludibria-los. — Eles confiam muito em mim e no meu suposto ódio pela minha irmã mais velha. — sorriu. — Vocês foram muito espertas. Eles adoram todos os jogos no qual possam trapacear. Vão ficar bem entretidos. — Desativou o doujutsu e olhou novamente para mim. — Por favor, vamos escutar à porta?

Como dizer não para uma menina tão doida igual essa?

— Claro! Também estou morrendo de curiosidade.

Então nos acomodamos com os ouvidos encostados na madeira, mas não dava para escutar muita coisa. Eles falavam muito baixo. Logo Hanabi e eu começamos a engatar uma conversa sobre como deveria ser o filho deles, o casamento, a casa, como nós mesma gostaríamos que fosse o nosso casamento e tudo mais.

Naruto e Hinata estenderam mais dez minutos do combinado e os “seguranças” lá fora nem se deram conta. O louro quem deu uma leve batida na porta para que nós duas saíssemos. Hinata estava com o rosto um pouco vermelho por conta do choro, mas um sorriso, antes inexistente, estampava seu rosto. Os dois estavam de mãos dadas.

— E ai? — Hanabi indagou tão curiosa quanto eu.

— Depois explicamos — Naruto respondeu olhando para Hinata, sorrindo timidamente como ela.

— Vai lá se esconder de novo antes que os caras lá fora invadam de novo. — Empurrei Naruto de volta para o banheiro enquanto ele me sussurrava inúmeras vezes agradecimentos.

Obrigado! Obrigado! Muito obrigado! Obrigado!

Seria difícil manter o teatrinho estando tão emotiva agora.

Combinei com Hinata de justificar nosso choro por conta da saudade e porque ela estava com uma infecção de urina (totalmente inventada), mas que com boa alimentação, caminhadas ao ar livre e evitando estresse, logo ela estaria bem sem a intervenção de remédios.

Os Hyuga acreditaram, afinal quem explicou tudo fora Hanabi, eu só fiz uma paráfrase com termos técnicos. Os quatro se despediram de Ichiou com um soquinho de mãos, um até pediu permissão para pegá-lo no colo. Pareciam ter realmente se divertido. Ino estava com uma expressão muito estranha. Assim que viraram as costas para irem embora, Ino comentou que todos eram um tesão e super fofos, conseguiu até um encontro com um deles.

Ríamos disso ainda quando entramos no quarto. Liberamos Naruto e exigimos todos os detalhes como pagamento do favor que fizemos.

— Posso resumir tudo em uma frase: vamos lutar para ficarmos juntos. — Seu sorriso não poderia ser maior. Demos um abraço triplo, Ichiou pulou nas costas dele, celebramos um pouco até Naruto jogar todos nós na cama.

— E como vão fazer isso? — Ino indagou. — A situação ainda está tensa entre os Hyuga e você vulgo Konoha.

— Sim. Vamos esperar o noivo dela voltar da missão para conversarmos. Como não sabemos se iremos nos encontrar novamente, combinamos de no dia seguinte em que ele chegar, eu irei lá no clã conversar com Hiashi Hyuga e com ele.

— E se não der certo? Não quero ser pessimista, mas há essa possibilidade — Ino justificou-se.

— Hinata disse que abandonará o clã — respondeu sério. — Não concordo totalmente com essa decisão, porém ela garantiu que sobrenome e herança não quer dizer nada para ela. Ela disse que deixa tudo para ficar comigo.

— Tem um olho na minha lágrima — manifestei-me logo em seguida. O amor dos dois era realmente encantador.

A partir daquele dia, Naruto, Hinata e eu estaríamos contando os dias para aquela missão acabar.

A distância realmente fez bem para mim. Ver meus amigos celebrando um amor tão bonito fez mais bem ainda. Talvez já estivesse na hora da trégua.

Notas finais
Gostaram do capítulo? Digam nos comentários! . Recados:Ontem eu entreguei um projeto super importante no qual eu estive trabalhando por meses (e principalmente em julho), então estou mais livre agora para dar atenção as outras fanfics, Pilares de Areia já está bem adiantada. Mesmo que as aulas comecem amanhã (03/08), como é início de semestre, imagino que não seja tão puxado. Dia 17/08 terá atualização de Strokes, porém o hiatus não será interrompido até Pilares de Areia chegar o fim (o que não vai demorar). Até setembro terá finalização de Indesejada com mais um capítulo bônus. . Curtam as páginas Distímica (https://www.facebook.com/MilkFicwriter) e Caneta de Tinteiro (https://www.facebook.com/grupocanetatinteiro/?hc_ref=ARRx35PwRh7VXmhE9ooMlWslC__vdIvk65If00rOLSWiVsukLEhEBcEoTyxVYLSt4oc&fref=nf). . Beijos e abraços!