Pilares de Areia

12 I just can't apologize, I hope you can understand


Notas iniciais
Título: "Eu não posso simplesmente pedir desculpas, espero que você entenda" - Rihanna - FourFive Seconds . Olá meus amores! Tudo bem? Eu havia postado o capítulo no Wattpad há um pouco mais de um mês, sem betagem nem nada, e trago agora o capítulo beirando a perfeição, betado pela linda Alice Alamo (#41667), que pode não ser novidade para quem já leu no outro site. . Quero agradecer a todos os reviews, recomendações, qualquer manifestação de carinho pela fanfic. Estou respondendo os reviews pouco a pouco, atenciosamente. . Boa leitura. Boa leitura!

De volta à rotina.

Acordei mais cedo que o habitual, preparei o desjejum do Sasuke, capricho ao qual eu vinha me recusando afazer, contudo ali eu estava, crua sob um hobby de seda, colocando um punhado de amor em tudo o que eu fazia. Não seria algo natural, mas também não causaria estranhamento eu recebê-lo calorosamente aos pés da escada considerando nossos dias juntos. E foi isso o que eu fiz.

A princípio, ele hesitou, mas me abraçou e retribuiu-me com um tímido beijo no canto da boca. Pareceu-me satisfeito ao encontrar a mesa posta e farta. Sentou-se e chamou-me para sentar-me com ele em seu colo. Comemos juntos um pouco de cada coisa, e, entre uma mastigação e outra, um beijo perto da orelha, no rosto, na cabeça.

Assim que terminamos, acompanhei-o até a porta. Sasuke vestiu-se com a capa perfumada pela essência impostora, pegou a bolsa e calçou suas sandálias. Nos despedimos com um beijo mais demorado, e recebi de brinde até um leve beliscão na bochecha. Fiquei escorada na porta, observando-o afastar-se da nossa casa a passos rápidos e controlados. Quando o senti longe o bastante, fechei a porta e tranquei-a em seguida, correndo para cozinha para arrumar rapidamente toda a bagunça que fiz e depois dar um jeito em toda a casa.

Tudo deveria estar em ordem como se eu tivesse passado a manhã toda organizando a casa inteira, o que não era uma tarefa simples considerando o tamanho da casa. Um dos kage-bunshin do Naruto seria bem útil já que eu não poderia usar um meu por muito tempo, porém Naruto estava longe, deveras ocupado, cuidando de um país ou da autoestima da princesa Hyuga. Não me ajudara nem a solucionar o mistério do caráter de Sasuke, quanto mais com um kage-bunshin para arrumar a casa.

Quando Ichiou acordou, só faltava limpar os banheiros, decidi que limparia depois, pois ainda precisaria limpar as folhas do jardim. Eu estava tão envolvida e decidida a terminar rápido minhas atividades que nem percebi um terceiro chakra se aproximar, um chakra familiar, mas nada íntimo. Fiquei em alerta e abri a porta antes que ele batesse:

— Sakura! — exclamou com surpresa, não sabia se por me ver ou por eu ter “previsto” que ele bateria na minha porta.

— O que está fazendo aqui? — Fui um tanto ríspida.

— Você sumiu do hospital... Eu pensei — Começou a olhar para os lados — Eu pensei em ver se está tudo bem com você.

Diante de uma resposta daquela, eu fraquejei. Relaxei os ombros e com um suspiro, cogitei a ideia de chamá-lo para entrar. Não seria boa ideia. Olhei para o interior de casa, Ichiou brincava distraidamente no jardim, ainda com os olhos sujos e o suor fedido da noite.

— Eu agradeço sua gentileza, Ren, mas não foi uma boa ideia você vir — falei calmamente — O Sasuke é bem temperamental...

— Eu sei — disse antes que eu pudesse terminar de falar — Eu não teria vindo se não estivesse mesmo preocupado.

Não sabia como agir. Ren estava muito desconcertado, contudo tinha uma postura grave, séria, que suavizava seu nervosismo. Ele sentia algo por mim, sim. Ren conhece Sasuke, teve uma apresentação pouco agradável dias atrás, e ainda tinha coragem de aparecer a minha porta.

Sem coragem de mandá-lo embora ou de deixá-lo entrar, resolvi unir o útil ao agradável:

— Eu já estava de saída. Preciso ir a um endereço. Se quiser ir comigo e com o Ichiou...

— Eu adoraria — respondeu prontamente.

— Ótimo. Me espere aqui, vou pegar minhas coisas e já desço.

.o0o.

Ichiou estava naquela bendita fase de não querer saber de colo, corria desenfreado para todos os lados, atrapalhando as pessoas a passarem, mal atendia aos meus chamados. Como não saíamos muito de casa, ele ficava muito agitado com tudo o que via. Em partes, eu o entendia e tentava deixa-lo explorar, contudo aquele instinto super protetor sempre surgia para me deixar apavorada quando eu o perdia de vista em algum ponto.

Ren me ajudava como podia. Na maioria do tempo, ria das presepadas do meu pequenino, pedia para eu relaxar, crianças são assim, dizia, eu respondia que mães geralmente são como eu, afobadas ao extremo.

Minha mente estava dividida entre prestar atenção no Ichiou e seguir o que eu havia planejado, de fato isso contribuía com o meu nervosismo, não era porque Ichiou não parava quieto, era porque, se eu não fizesse tudo certo, não conseguiria as respostas das quais precisava.

— A pousada onde está hospedado fica por aqui, não é mesmo?

— Sim, fica a cerca de duas ruas daqui.

— Puxa, que coincidência! — comentei — É exatamente naquela rua que preciso ir.

Muita coincidência mesmo, ou sorte. Independente do que fosse, era a rua do endereço do papel e isso já me ajudava muito. Imaginava que o número do local fosse de uma hospedaria já que naquela região central não havia muitas casas, e, tratando-se de um Anbu, provavelmente, seria pois não costumam ter um endereço fixo.

— O que precisa fazer mesmo?

— Ahm... — tive que pensar rápido — Soube que uma colega chegara em Konoha recentemente. Gostaria de revê-la hoje enquanto tenho tempo.

— Você pode verificar na lista de registro de chegada e saída que há na entrada.

— Sim, mas talvez ela esteja em uma casa aos arredores.

— Você tem o endereço?

— Tenho, a numeração é essa — mostrei um papel amassado com o nome da rua e o número do local.

— Você tem sorte — sorriu — É exatamente ali — Apontou para o edifício — onde estou hospedado.

Reparei minuciosa no local enquanto nos aproximávamos. Ren apressou o passo e pareceu exibir um sorriso mais largo, uma malícia inocente que só se confirmou quando ele informou que havia um playground onde poderíamos deixar o Ichiou.

Tiramos os sapatos e deixamos na sapateira vernizada logo na entrada. Uma senhorinha um tanto cega estendeu o livro grosso com inscrições de todas as caligrafias, tintas e informações: nome, data de entrada, data de saída e horário. Enquanto Ren preenchia sua linha demoradamente, escaneei toda a caligrafia. Eu lembrava de cor a cor da tinta usada, os traços dos kanjis. Achei.

— Procure aqui o nome da sua colega — Ren empurrou delicadamente o caderno para mais perto de mim para que eu pudesse assinar.

A senhorinha não prestava muita atenção no que fazíamos, estava envolvida em um caça-palavras. Eu sabia que não poderia fazer aquele tipo de inspeção sem autorização do Hokage ou sem ser Anbu, entretanto ela parecia acreditar que eu estava com Ren, quando chegamos comentou algo sobre filho dele, não deve ter enxergado o enorme símbolo do clã Uchiha nas costas do Ichiou.

Prestei mais atenção no nome e da data de entrada e da última saída. Ela não havia voltado. Com certeza era um nome fictício, tratando-se de um Anbu, porém ajudava em muita coisa, era um nome feminino. Eu sabia até com quem buscar mais informações. Quando folheei as páginas para procurar seu primeiro registro, a senhorinha me barrou e disse que não era permitido. Quando começou a fazer indagações, peguei Ichiou pela mão, desculpando-me, e saí do local calçando nossos sapatos com pressa.

— O que foi? O que aconteceu? — Ren perguntou correndo atrás de nós.

— Minha amiga não está aí, vou procurar ela em outra hospedaria.

— Calma, espere um pouco. Não quer subir para o meu quarto, tomar um chá gelado, dar algo para o Ichiou comer?

— Não precisa, Ren. Muito obrigada por nos acompanhar até aqui. Agora,tenho que ir.

— Então me deixe procurá-la com você — segurou meu braço de leve para eu não ir embora. Fitei sua mão na minha pele, ele enrubesceu e retirou-a rapidamente.

— Quer realmente me ajudar? — ele assentiu — No terceiro andar, no quarto 37, há uma pessoa que talvez possa me informar onde essa minha colega está. Se a vir, pergunte a ela sobre Takahaghi Myumi, e depois me descreva como essa pessoa é.

— Mas por q...

— Pode me ajudar?

— Bom, tudo bem, então...

— Obrigada, Ren — Dei-lhe um afago no maxilar e saí daquele lugar rapidamente, segurando firme Ichiou no meu colo e indo imediatamente ao encontro do Naruto.

.o0o.

Quando cheguei na Central, Naruto estava extremamente ocupado. Depois de tanta afobação para vê-lo e ter tempo de sobra para esclarecer minhas dúvidas ou tentar convencê-lo a fazer algo antiético, dar de cara com a porta foi frustrante.

Ichiou já estava cansado, não queria descer do meu colo, diferente de uma hora atrás quando não parava quieto. Provavelmente, ele não estava totalmente recuperado ou até mesmo acostumado a sair com tanta liberdade. Pensando nisso, decidi que dedicaria mais tempo para passear com ele do que ficar em casa no ócio. Que espécie de criança ele seria se Sasuke e eu continuássemos com essa educação sigilosa e antissocial?

Enquanto esperava Naruto me atender numa sala de espera com uns civis e shinobis, também pensava sobre meu avanço no plano de descobrir o autor das notas de rodapé no documento do Sasuke e sobre minha atitude para com o Ren.

Eu o usei. Primeiro que eu nem deveria manter relações tão estreitas com meu aluno, contudo ele pedia por isso, parecia desesperado por migalhas de atenção, mesmo sabendo que nada é recíproco, possível ou adequado. Embora seu cavalheirismo me encantasse, eu estava presa a um feitiço mais antigo e mais poderoso que me mantinha refém de uma relação conturbada, estranha e desgastante. Mesmo com tantos predicativos ruins, eu permanecia, porém, atenta, tanto que saí em busca da verdade já que desejo de vingança, raiva, desconfiança e discussões indiretas não me levaram a lugar algum.

Era errado, era muito errado eu me aproveitar dos sentimentos de Ren para conseguir minhas respostas mais rapidamente, entretanto eu estava tão aflita, tão ansiosa para acabar com todas as minhas dúvidas que não raciocinei corretamente ao pedi-lo algo tão particular por meio de mentiras. Fui oportunista. E isso me tornava talvez pior do que a amante do Sasuke, se é que ela existia. Nada do que eu sentia podia amenizar o meu ato, isso era fato, contudo não poderia voltar atrás no momento em que cheguei tão perto de colocar um fim na minha agonia.

Depois de um tempo, Naruto me chamou. As pessoas que estavam esperando há mais tempo resmungaram baixinho. Fisicamente, ele estava exausto, era notável. Por uns segundos, até me arrependi de ter ido, mas ele se disponibilizara para me ajudar quando o assunto era Sasuke, já que o conhecia melhor do que ninguém.

Enquanto eu o esperava, Ichiou dormiu no meu ombro. Naruto ofereceu-me o pequeno sofá para acomodá-lo e o cobriu com sua capa de Hokage. Nem tínhamos nos cumprimentado. Eu estava tão afobada e ele tão desesperado que dispensamos essas formalidades. Nem precisávamos disso. Pelo menos não no particular, publicamente, ele era Hokage e eu, uma Sannin.

Naruto foi para seu lugar e sentou-se preguiçosamente na poltrona, desleixado, desanimado. Sentei-me no meu lugar, a sua frente, ereta, mãos inquietas, olhar atento.

— Não tinha pensado na parte chata de tudo isto — falou pela primeira vez.

— Não me diga que está arrependido.

— Não estou arrependido. De onde tirou isso? — riu sem graça — Eu só... Subestimei a importância de tomar conta de uma vila. Ainda mais de Konoha que parece se expandir na velocidade da luz.

Ficou em silêncio por um minuto ou dois. Olhei para trás, Ichiou havia se mexido, tinha medo de que caísse do sofá, mesmo que a queda não fosse assim tão alta.

— Você não veio ouvir os meus lamentos, veio? — ajeitou a postura na poltrona e exibiu seu sorriso típico.

— Se eu tivesse tempo, me permitiria o luxo de ser conselheira particular do Hokage.

— Ah não! Shikamaru já é o meu conselheiro particular, não quero demiti-lo, mesmo que você seja uma forte candidata a vaga.

— Aposto que Shikamaru dá conta somente de assuntos políticos.

— Sakura, eu não vou te contratar! — exclamou com humor, não pude evitar uma risada alta, cheguei a olhar para trás para verificar se acordara Ichiou — Vamos logo, me diga, o que a trouxe ao meu recanto? — perguntou, cruzando os braços atrás da cabeça e cruzando os pés sobre a mesa. Era um baita de um metido.

— Você se lembra das minhas suspeitas sobre a fidelidade do Sasuke? — Seu olhar nublou-se. Prossegui: — Não vim cobrar as respostas que me prometeu...

— De certa forma já está cobrando — falou baixinho.

— Eu mesma fui atrás e descobri algumas coisas.

Assim que disse isso, ele sentou-se normalmente, sumiu o bom-humor e surgiu um homem sério e concentrado me encarando de perto. Eu estava falando sobre o seu melhor amigo.

— O que descobriu? — Seus olhos cristalinos pareciam me desafiar. Mesmo depois de eu estender um pequeno papel com o nome da sujeita, ele continuou me encarando, e eu o retribuindo — Um nome.

No mesmo instante, ele abaixou o olhar para o papel, pegou-o desconfiado, olhou-me novamente, desdobrou e por fim o leu. Colocou-o aberto sobre a mesa, torceu o bico, me olhou sem nem ao menos disfarçar.

— Você já sabia, não sabia? — antes dele falar qualquer coisa, o interrompi — Já disse que não vim atrás de nada do que você supostamente me deve. Estou saturada de dívidas com você.

— Voltamos ao caso Uchiha Sasuke? Você sabe que...

— Sim, eu sei que você não fez nada disso por mim, mas de certa forma, foi. Sasuke é meu agora, não é? Ou era, não sei mais nada. Era tudo o que eu queria, e você me deu a chance.

— Não confunda as coisas, Sakura — pediu com a voz branda.

— Não estou confundindo nada. Eu mesmo fui atrás, não disse? — bati em cima do papel amassado pelas dobras — Está aqui prova.

— Então por que veio até mim?

— Porque essa pessoa é anbu, e só você...

— Para. Para, para, para — segurou ambas minhas mãos — Não posso liberar o que você irá me pedir.

— Por favor — disse pausadamente, enfatizando nosso olhar cúmplice.

— Você já tem um nome, Sakura! Isso não é o bastante?

— É um nome fictício! Sei pouco sobre a anbu, mas desse pouco sei que nenhum nome, endereço ou qualquer informação pública é real! Só você tem as fichas técnicas completas dessas pessoas! Eu só preciso de um rosto, Naruto.

— Você é shinobi, pode muito bem investigar até descobrir — levantou-se da cadeira a começou a andar de um lado para o outro.

— Também sou casada com um shinobi! Acha que ele não desconfiaria de nada? O Sasuke não é bobo. Tive que me programar sistematicamente para tentar não levantar suspeitas.

Naruto me encarou e suspirou, achei que cederia.

— Você pode driblá-lo, Sakura.

Enganei-me.

— As coisas são mais fáceis ainda porque ele é anbu. Você não pode tirar nada de mim, mas dele com certeza você consegue — fez uma cara maliciosa. Lancei um objeto em sua direção. Estava muito estressada.

— É mais fácil eu tirar de você na marra do que do Sasuke com qualquer tipo de chantagem — exclamei.

— Realmente — concordou para o meu desespero total.

— Eu só quero saber quem é ela — supliquei mais calma.

Ele respirou fundo e aproximou-se de mim, apoiando as duas mãos nos meus ombros:

— Eu também — disse. Estranhei a resposta, acredito que minha expressão foi tão clara que instantaneamente ele percebeu e disfarçou — Bom... — voltou para sua cadeira de Hokage, poltrona de couro, alta, confortável, caríssima. — Boa sorte na sua missão — piscou os travessos olhos azuis.

Boboca.

Ri na cara dele.

Fui até o sofá e peguei o Ichiou adormecido. Ele abriu um pouco os olhos e voltou a dormir no meu ombro em seguida. Naruto, da cadeira, observava. Antes de eu sair da sala, disse:

— Espero ter sido útil!

— Se falou isso para me despistar, jamais o perdoarei — e saí com a maior dica que Naruto poderia me dar, ou quem sabe, uma armadilha.

Notas finais
Espero que tenham gostado. . O ano novo judaico foi em Setembro, mas tudo bem, eu, vocês e o restante do mundo vivem neste calendário, então.... FELIZ ANO NOVO! Que 2016 seja melhor que 2015! Que em 2016 eu termine todas das minhas fanfics (orem por isso, por favor!)! Que eu tire boas notas na facul! Que meu projeto de livro saia desta vez! Que meu namorado me peça em casamento (okay, isso pode esperar mais uns dois anos)! Que eu consiga arranjar um emprego bem legal! Que tudo de bom aconteça com meus leitores maravilhosos! Amo cada um de vocês (até mesmo os ghosts)!