Pilares de Areia

9 Did you think that I was gonna give it up to you this time?


Notas iniciais
Título: "Você achava que eu ia me entregar a você dessa vez?" Avril Lavigne - Don't tell me . Agradecimento especial à Carol que está me ajudando pelo Wattpad com as frases para os títulos dos capítulos. Se você tem sugestões de frases de músicas que se encaixem no enredo da fanfics, me mandem por Mensagem Privada ou na minha página "Distímica" no Facebook. . Repararam na nova capa? Foi feita pela maravilhosa Srt. Pezzino!

Na noite anterior ao meu primeiro dia lecionando uma turma, eu mal consegui dormir. Tentava todas as posições, tomava um chá, dava uma espiada no quarto do Ichiou, lia algumas páginas de um livro qualquer, contudo o sono não vinha. O relógio de parede me informava que em duas horas o sol apareceria para encerrar a noite, e eu nem havia cochilado.

Nessa noite de insônia, eu sabia que não estava sofrendo sozinha. Sasuke ficou acordado comigo toda a madrugada, suspirando pesadamente, perguntando de hora em hora qual era o meu problema. Ele nem se mexia. Ficou a noite inteira na mesma posição, de costas para mim, com ambas as mãos debaixo do travesseiro.

Eu tentava não fazer muito barulho, ou me mexer demais, porém Sasuke tinha o sono leve e qualquer esforço que eu fizesse para não o despertar seria inútil porque ele não dormiria enquanto eu não dormisse também. Então não dormimos. Cochilamos por cerca de uma hora, uma piscadela de nada antes de Ichiou despertar do seu sono tranquilo que invejávamos.

Fui ao quarto adjacente atender o menino chorão com estava com fome e com a frauda molhada. Sasuke tinha mais um tempo para dormir antes que o despertador tocasse, entretanto preferiu levantar-se de uma vez e tomar um banho. Entrou no banheiro mudo e saiu calado. Sua irritação era tangível. As olheiras, o olhar cansado, os ombros caídos. Por conta da mudança da minha função, ele teria que entrar no trabalho algumas horas mais cedo para chegar em casa a tempo de ficar com o Ichiou.

Ver Sasuke tão acabado foi uma cena de dar pena. Ele andava trabalhando muito, mais de doze horas diárias. Segundo Naruto, por conta própria. Eu imaginava que trabalho era esse que exigia tanta dedicação em tantos meses. Ele estava interrogando um criminoso difícil? Estudando um jutsu, um clã, uma vila, uma missão, o raio que o parta? Ele estava em uma investigação? Num treinamento? Num motel?

Eu não sabia.

Do jeito que estava, apostava uma mecha do meu cabelo que ele voltaria no horário, senão mais cedo, não somente por Ichiou, como também pelo seu estado físico.

Tentando me redimir pela sua noite mal dormida, me arrastei escada abaixo com o Ichiou, deixando-o no tapete da sala com seus brinquedos e indo para a cozinha preparar o desjejum do Uchiha. Pela primeira vez em incontáveis dias de “greve”.

Eu não lavava uma cueca sequer. Era ele por si só. E quase sempre ele me perguntava “por quê?”, e eu respondia para ele pensar, vasculhar a mente, contudo ele não fazia isso. Ou então fuçava a consciência, achava o ato podre, e depois fingia não saber do que eu estava falando.

Fiz tudo o que ele gostava de comer no café-da-manhã, fiz do jeito que ele gostava, até me sentei a mesa para comermos juntos. Como na maioria das vezes, nenhuma palavra trocada. Somente bocejos dos dois extremos.

Antes dele ir, tive que distrair Ichiou com algumas panelas para ele fazer o barulho infernal que adorava. Há alguns passos da porta, ele virou-se, eu já ia fechá-la, mas Sasuke voltou e me fitou, encostado no batente. Olhava para o meu rosto com a expressão de alguém tentando resolver um quebra-cabeça.

— Por que você é tão difícil? — perguntou com a voz baixa, rouca, carregada de cansaço.

— Você que é mal-acostumado — respondi sorrindo — Sempre me tendo facilmente, em todas as suas decisões, sem direito a escolha.

O olhar opaco perscrutava em mim. Eu não o temia. Não desviava.

— Você não tem a mesma doçura de antes — pegou a ponta de uma mecha do meu cabelo.

— Você confundiu minhas virtudes com franquezas — segurei sua mão e delicadamente a afastei.

— Eu queria que você fosse uma mulher de família.

— E não sou? — perguntei indignada.

— Não. Você tem que cuidar da casa e do Ichiou, esse é o seu papel.

— Esse é o papel de uma empregada. Você juntou-se a mim sabendo que eu era médica-nin e me conhece o bastante para saber que não gosto de ser subestimada ou excluída, e é isso o que você está fazendo.

— Te subestimo com razão, você não faz mais nada além de trabalhar.

— Faço sim, para o Ichiou e para mim. Você que é capaz de tudo, que faça suas coisas — respondi ríspida — Você acha que não faço mais nada para você porque não dou conta de cuidar do hospital e da casa? Não era isso o que eu fazia há alguns meses?

— Sakura, eu não quero discutir, só queria entender porque você está me desafiando tanto. Eu faço o que posso para dar uma boa condição de vida para vocês e tudo o que eu estou recebendo em troca é indiferença.

— Agora você sabe como é conviver com alguém como você — falei sorrindo. Ele suspirou, já estava perdendo a paciência — Acontece que foi um erro eu ter aceitado tudo isso... Deveria ter proposto em casamento uma civil qualquer, criada para lavar, passar e cozinhar. Alguém que não se interessasse em trabalhar fora, somente em agradá-lo, uma sonsa totalmente submissa, esfregando suas meias enquanto você se esfrega em outra no trabalho.

— O quê?

— Não se preocupe, Sasuke — desencostei do batente para fechar a porta — Todo esse inferno vai passar em breve — sorri o mais amorosa que pude — Deixei de insistir nisso há um tempo. Não blefei quando disse todas aquelas coisas que você escutou rindo.

Antes que eu pudesse reagir, Sasuke segurou o meu braço e me arrastou para fora com uma força desnecessária, mal contive um gemido de dor.

— Você está me tirando do sério — seus olhos estavam raivosos, a respiração pesada. Eu havia o levado aos limites da sua tolerância — Você vai me falar agora porque está sendo tão estúpida — com a outra mão segurou meu rosto, sentia que ele estava se contendo para não me machucar — Fala! — exigiu.

— Porque você é um idiota! — exclamei o afastando de mim com um chute. Infelizmente, minha fraqueza se fez presente, lágrimas começaram a escorrer.

— Eu faço tudo por vocês — chutou um vaso de flor que estava no caminho — Eu sei que faço o possível para ter uma família — exclamou raivoso — O problema não sou eu, é você! — apontou para mim. Não tive reação alguma.

— Concordo — respondi depois de um tempo, quando percebi que ele estava mais calmo — Foi um erro nosso — peguei uma pá que estava ali perto e comecei a recolher os cacos do vaso quebrado, sabendo que Sasuke observava cada movimento meu — Eu já deveria saber que algo que começou tão errado não poderia terminar de uma maneira certa — caminhei de voltar para casa — Esteja aqui às seis — e fechei a porta. Deixei-o lá, como uma estátua na grama. Deixei-o, rezando para ele não entrar e tentar dar continuidade, mesmo o conhecendo o suficiente para saber que ele não faria isso.

Ichiou batia nas panelas com tanta força, fazendo tanto barulho que por um momento até com ele eu me estressei. Tirei-as dele e o carreguei chorando para o andar superior, tentando envolvê-lo com outro objeto. Passaram mil coisas pela minha cabeça e todas levavam à mesma pergunta: e o Ichiou? Parecia que qualquer decisão o afetaria, e tudo o que eu menos queria era prejudicá-lo com problemas entre Sasuke e eu. Ele era tão pequeno, nem completara seus três anos, e já estava imerso nessa situação.

Passei o dia pensando qual saída escolher. Eu já tinha tudo na minha cabeça., tinha até as ferramentas, só me faltava mais um pouco de coragem e raiva dele. Se eu reprisasse o dia todo a cena do Sasuke com aquela mulher, eu acumularia raiva o bastante para explodir e sair dos trilhos, mas era algo tão doloroso... Às vezes, eu queria apenas esquecer, convencer a minha mente que foi uma ilusão.

Quando Sasuke chegou, antes do horário, como eu previa, já estava tudo pronto: Ichiou limpo; as mamadeiras de leite na cozinha; a casa arrumada; o resto do almoço na geladeira; minha bolsa pronta e o jaleco em cima do sofá.

Eu estava lendo um livro didático quando ele abriu a porta. Nosso olhar se cruzou por breves instantes e logo se distanciaram, ele para Ichiou e eu para a leitura. Não trocamos uma palavra. Me aproximei do Ichiou que estava em seu colo e deixei um beijo demorado na bochecha gordinha, peguei minha bolsa e caminhei até a porta. Antes de tocar a maçaneta, Sasuke me segurou pelo cotovelo com sua mão livre, instintivamente o encarei e tentei me afastar.

— Eu não vou te pedir de novo — começou — Não vai, por favor — puxei meu braço e virei as costas. Era minha vez de deixá-lo em casa ponderando sobre o que faremos com esse espetáculo fracassado.

.o0o.

O ambiente hospitalar no período noturno era menos movimentado do que na manhã e na tarde, portanto era o momento ideal para perambular com uma turma de jovens médicos pelos corredores.

Assim que cheguei, recebi uma pilha de fichas que deixei na minha sala para analisar depois. Pelos títulos, eu desconfiava que eram os dossiês dos alunos. Fui atrás de Shizune que me instruiria nos primeiros dias, já que eu nunca havia feito isso de uma maneira formal, somente instruções para enfermeiras que já eram formadas.

Quando entrei em sua sala, achei que estivesse no recall de arquivos mortos de Konoha. Havia tanta papelada, tantas coisas a serem analisadas e organizadas que levei à sério o que Tsunade me disse sobre Shizune estar sobrecarregada.

— Tudo isso são...?

— É toda a papelada burocrática que o hospital produz — respondeu visivelmente exausta, esfregando o rosto e virando-se para mim — Você está com uma cara péssima! Não vai causar boa impressão aos alunos.

— Shizune-san, você está pior do que eu — puxei a cadeira de frente para ela e comecei a ajudá-la a organizar as pilhas — Então, por onde devo começar?

— Por aquela pilha do lado da estante, dados do mês passado.

— Não me refiro aos papéis, me refiro aos médicos de Suna.

— Ah, sim. Bem, apresente o hospital, os encarregados principais, as normas e qualquer outra coisa pertinente ao local para eles se situarem. Pergunte o que eles já sabem, assista-os em área e assim você terá uma base do que ensinar.

— Deveria ter um manual — falei humorada.

— Você é capaz, não precisa de roteiro — sorriu cumplice — Agora me diga, o motivo dessa cara tristonha começa com Uchiha e termina com Sasuke?

— Preciso responder? — ri sem graça.

— Apesar do gênio difícil, Sasuke é um homem sereno, me pergunto como conseguem brigar tanto.

— Ah, Shizune... É mais complicado do que eu imaginava — ponderei por uns instantes — Começamos de um jeito tão estranho! Eu esperava que as coisas iriam se ajeitar com o tempo, contudo só estou me machucando mais.

— Já pensou em se separar?

— Penso todos os dias — Shizune suspirou — Mas me separar dele parece algo tão... raso. Eu só mudaria de casa, ele continuaria na minha vida de certa forma.

— Por conta do Ichiou.

— Exatamente.

— Você não tem muitas alternativas. Ichiou é uma liga de aço entre vocês dois.

— Por conta disso eu estou buscando uma saída que não deixe brechas para o Sasuke entrar na minha vida.

— Isso é muito radical para alguém que o amava incondicionalmente até alguns meses atrás — sorriu me provocando. Sabia que ela botava pouca fé nisso.

— Preciso de um choque desses. Ele precisa. Talvez se eu me amasse mais, ao invés de me entregar completamente a ele, as coisas não estariam assim agora.

— O que pretende?

— Sair da vila.

— O quê? — indagou espantada.

— À longo prazo, claro, e legalmente, contudo de um jeito que o impossibilite de me localizar.

— E o que espera ganhar com isso?

— Distância dele.

— Já pensou no Ichiou? — respirei fundo jogando a cabeça para trás.

— Já.

— Já imaginou como ele irá crescer? Já pensou no que você vai responder quando ele perguntar onde está o pai?

— Já, Shizune — respondi engolindo um seco.

— Então sabe que seria um erro afastá-lo do Sasuke dessa maneira. Ainda mais ele que é um Uchiha e tem um sangue tão valioso. Quando ele começar a despertar suas habilidades, precisará de alguém que o entenda e saiba instruí-lo.

— Isso é irrelevante, Sasuke cresceu sozinho e manipulou muito bem o seu Kekkei Genkai.

— Com a ajuda de Kakashi. E Sasuke conviveu com Uchihas na infância. Agora você quer tirar esse contato do Ichiou com o Sasuke enquanto ele ainda não tem consciência do que isso significa.

— Eu pensei em tudo isso, Shizune. Mas não consigo encontrar alternativa melhor.

— Não estou defendendo o Sasuke, só imaginando o que é melhor para o seu filho. Pense bem, querida.

.o0o.

Eram cinco: Hana, Emi, Sachiko, Nobu e Ren. Três mulheres e dois homens. Quase todos com a minha idade.

Sachiko tinha um rosto alegre, pareceu-me a mais animada e extrovertida; Emi e Hana eram um tanto mais tímidas e sérias; Nobu era o mais curioso, fazia perguntas a todo momento, mesmo eu explicando que responderia qualquer dúvida depois; e Ren era o mais calado, toda vez que o olhava, ele estava olhando para mim.

Estas foram as primeiras impressões que tive dos alunos.

Fiz o que Shizune me instruiu, apresentei-lhes o hospital, os principais responsáveis por cada área. Eu pensei que seria coisa rápida e que ainda naquele dia eu poderia colocá-los em área e já ter uma noção do que os ensinar, mas levou quatro horas redondas para eu mostrar todo o hospital e responder as infinitas perguntas de Nobu e Sachiko. Tentava fazer com que os outros três se entrosassem mais, contudo eles permaneciam fixos no bloco de notas, registrando todas as informações, pelo menos Hana e Emi, Ren permanecia me olhando sério, algo curioso que já estava me incomodando, entretanto, concluí que estava muito cedo para reclamar, talvez poderia ser só impressão minha.

— Estão liberados por hoje — anunciei sorrindo ao constatar o horário no meu relógio de pulso — Lembram-se de onde fica a administração?

— Ao lado da gerência, no térreo — Emi me mostrou seu bloco de notas. Ela tinha desenhado a planta do hospital. Fiquei pasma.

— Sim. Peçam a pasta de registro diário e assinem suas horas. Vou fazer o relatório para entregarem à emissária.

— Temari-san pediu o relatório ainda hoje, Sakura-senpai — Sachiko avisou.

— Temari é a emissária?

— Sim, a irmã do kazekage — confirmou.

— Sendo assim, não se preocupem, eu entrego pessoalmente a ela — garanti sorrindo — Até amanhã.

— Hey, Sakura-senpai — Ren me chamou. Era a segunda vez que falava, contando com sua apresentação.

— Sim?

— Poderia me ensinar o caminho da hospedaria, e, se possível, de algum lugar para comer? Não conheço nada por aqui.

— Ah, sim, claro. Te espero na recepção.

Ele não demorou nem cinco minutos, assinou seu ponto diário e desceu sem o jaleco. Era alto, magro, tinha um rosto anguloso, bronzeado, olhos e cabelos castanhos. Era um homem bonito, sério, um típico nativo de Sunagakure.

Quando saímos da estrutura do hospital, recebemos uma forte lufada de vento gelado, típico da estação. Ele prontamente me ofereceu seu casaco, porém recusei, mesmo com a insistência. Me acostumara com o tempo oscilante de Konoha, ele, por sua vez, desconhecia aquele clima. Acostumado com o calor impiedoso do deserto, aquela brisa era uma amostra do inverno que ele nunca tinha provado.

Assim que chegamos na alameda principal, indiquei-lhe o caminho, pois eu iria tomar um diferente.

— Siga reto, entre à direita da quarta rua, logo perceberá a movimentação diferente daqui. Lá encontrará diversas tendas e restaurantes ótimos para jantar. Duas ruas acima está o prédio onde você está hospedado. É a maior estrutura, o único na região, não tem erro — instruí sorrindo.

— Se não tiver compromisso, não gostaria de jantar comigo? — Ren percebeu que aquela pergunta me fez ponderar por uns instantes, então ele completou — Eu te levo para casa, se me ensinar o caminho de volta — sorriu pela primeira vez.

— Eu...

— Sakura — Quando eu ia desculpar-me e recusar, Sasuke surgiu do além e me chamou, me dando um susto.

Embora tenha me chamado, ele não me olhava, fitava Ren sem nem ao menos piscar, e eu não entendia bem o porquê. Ichiou que estava em seu colo, logo estendeu os bracinhos para mim. O peguei e Ren perguntou:

— É seu filho?

— Sim — respondi com orgulho enquanto beijava o topo de sua cabeça — Este é meu marido, Uchiha Sasuke.

Ren pareceu surpreso ao ouvir o nome do Sasuke, que por sua vez não tirava os olhos dele. Sorriu, estendendo a mão para pegar a do Ichiou, que lhe estendia alegremente.

— Vamos para casa — Sasuke me deu um leve empurrão nas costas para irmos andando no momento em que os dedos de Ren iam tocar os do Ichiou.

Enquanto a mão de Sasuke espalmada nas minhas costas me forçava a andar, eu olhei para trás e me despedi de Ren, rubra de vergonha pela atitude do Sasuke e por tê-lo deixado só.

Fui para casa torcendo para ele encontrar o caminho de volta.

.o0o.

— Por que foi me buscar? — perguntei quando chegamos em casa.

Ichiou já dormia, a janta que Sasuke preparou já havia sido comida, a louça já estava na pia, só precisávamos nos deitar e dormir como não havíamos feito na noite anterior.

— Estava tarde para voltar só.

Não falei mais nada. Pensei em perguntar porque ele havia sido tão desagradável na presença do Ren, que ele era meu novo aluno e que aquilo não me causaria uma boa impressão, contudo engoli os questionamentos, já havia discutido com o Sasuke o suficiente pela semana toda.

Assim que terminou de fazer sua higiene bucal, apagou a luz e veio para cama. Ao invés de deitar-se ao meu lado, passou o joelho ao redor das minhas pernas e começou a beijar meu pescoço e passar a mãos por baixo da minha camisola, a mão fria e áspera no meu corpo quente.

— Vai dormir, Sasuke — virei o rosto quando ele quis me beijar.

— Quero você essa noite... — falou com a voz abafada pelo meu pescoço.

— Não te entendo — ele continuou com as carícias — Parecia que ia me matar hoje de manhã — Sasuke afastou-se na hora e me fitou no escuro. A claridade da lua iluminava parte do quarto.

— Jamais faria isso.

— Claro que não — virei-me de lado e ele tirou a perna de cima de mim — Não encontraria uma substituta que suportasse isso.

Esperei um ataque de fúria, uma discussão, qualquer coisa, menos o silêncio, menos ele se virar, ficar no seu lado e dormir. Eu queria tocá-lo, me desculpar... Mas o que eu havia feito? Querendo ou não, eu gostava dele, e era difícil manter essa pose o tempo todo. Eu queria ser feliz como Sasuke, queria que desse tudo certo, queria mais do que tudo, mas eu simplesmente não podia ignorar todo o mal que ele estava me fazendo.

Eu precisava me esforçar, manter minha posição, do contrário, acabaria cedendo, acabaria me entregando, perdoando, esquecendo, somente por o amar demais.

Se Sasuke, naquela época, tivesse me convidado para jantar como o Ren fez, ou até mesmo me acompanhar em casa porque estava tarde, não sendo afobado e pulando todas as etapas, talvez, as coisas teriam dado certo, ou teriam dado errado e eu não estaria tão submersa nessa vida com o Uchiha.

E, quem sabe, hoje eu pudesse aceitar o convite para tomar um missô com um homem educado que me valorizasse e me amasse como eu sempre sonhei.

Notas finais
E aí? O que acharam? Gostaram dos personagens novos? . Os nomes Ren, Sachiko e Nobu eu retirei no mangá NaNa (que eu amo de paixão). Emi e Hana foram os primeiros nomes que se passaram pela minha cabeça na hora de escrever personagens tímidas. . Um agradecimento a Julie Haruno e MonaLisa que deixaram uma recomendação em Um Lugar sem Esperança e Sinal Positivo, respectivamente. . Quero agradecer aos reviews do capítulo anterior, vocês são demais! E obrigada por também me ajudarem a denunciar o plágio de Sinal Positivo. . Postei uma one-shot, "D e e p e r", confiram: http://fanfiction.com.br/historia/617471/D_e_e_p_e_r/ . Sinto muito pelo atraso, estou tentando me organizar para arranjar tempo para escrever mais e atualizar com mais frequência, entretanto vez ou outra acontecem reais imprevistos. Espero que entendam, e por favor, não me abandonem. Eu amo vocês, gurias!