Pilares de Areia
28 'Cause you love, love, love, when you know I can't love you
Notas iniciais
Naturalmente, acordei com a luz do sol das dez da manhã. Estava dolorida, com frio e faminta, mas, ao olhar para o lado, essas sensações foram substituídas por outras. Sasuke ainda estava ali, dormindo um sono pesado, sono que há dias não devia estar dormindo. Pela enésima vez, admirei sua beleza com um sorriso bobo no rosto, em seguida me recriminando por ser tão infantil e devota a aquele homem.
— Mas agora é diferente — sussurrei comigo mesma, levantando e caminhando até o banheiro para tomar um banho quente.
Eu acreditava piamente que ter dormido com Sasuke não mudaria consideravelmente muita coisa além do nosso bom-humor e libido – afinal, fazia meses que não sabíamos o que era sexo. Os arrepios e sorrisos involuntários eram sintomas da sua forte presença no meu quarto, das lembranças de horas atrás, das ponderações que há dias eu vinha tendo a respeito da nossa situação.
Agiríamos normalmente, decidi assim que entrei embaixo da cascata que caía do chuveiro. Não demonstraríamos nada ao Ichiou nem aos nossos amigos, não conversaríamos a respeito, apenas poucas palavras para alinhar que o que acontecera havia sido algo muito bom, mas pontual, que não alterava coisa alguma. Pensava isso ao mesmo tempo que minha mente alternava imagens daquela madrugada, os olhares lascivos que Sasuke me lançava, os nossos gemidos, o som dos tapas na minha carne, o barulho dos corpos se chocando no breu e no silêncio do quarto impessoal da hospedaria barata.
Meus sentimentos eram oscilantes, iam e viam, decisões tomadas e retomadas porque meu coração dava saltos e giros e piruetas, zombava da minha mente que tentava a todo custo se manter firme e focada.
De repente, o som de batidas à porta me despertou dos devaneios. Quem poderia ser àquela hora? Só consegui imaginar sendo o Naruto atrás do Sasuke. Eu ia saindo do banho quando ouvi o som da porta ser aberta. Sasuke provavelmente tinha aberto, Ichiou não seria tão rápido. Comecei a me preocupar quando notei a duração do silêncio, se fosse Naruto, o quarto não estaria tão quieto.
Diante disse, aproximei-me da porta do banheiro e encostei o ouvido para tentar escutar o máximo possível do que acontecia, afinal, a porta não tinha sido fechada. Não acreditava que alguém que fosse atacar um de nós três batesse à porta antes, mas, de qualquer forma, apanhei antes uma kunai no gabinete do banheiro e a segurei para o caso de precisar reagir.
— Eu já disse, preciso falar com ela. — Era a voz do Ren.
— Não há nada que você tenha a dizer para ela que não possa dizer diretamente para mim — Sasuke rebateu em um tom de voz que eu sabia que segurava uma ameaça.
Eu tinha implorado, meses atrás, depois de um acesso de ciúmes dele, para que ele não se aproximasse de Ren, jamais o ameaçasse novamente ou que o agredisse de alguma forma. Sasuke respeitou isso. Embora ele não tivesse razão nenhuma para fazer mal ao garoto, eu tinha que levar em conta que ele estava no canto dele, quem invadiu o espaço de alguém, naquele momento, tinha sido o Ren, e se Sasuke solicitara que ele saísse, pacificamente, e Ren recusara, era porque estava realmente querendo que Sasuke reagisse.
— Até onde eu sei, vocês não têm mais nenhum tipo de ligação, então não vejo o porquê de ter que te dar qualquer tipo de satisfação.
Assim que ouvi Ren retrucar isso, segurei o ar nos pulmões e por muito tempo não soltei, tamanho foi o meu espanto.
— Você vem ao quarto da minha mulher e acha que não me deve satisfação? — Sasuke indagou com a voz contida.
— Ela não é mais sua mulher...
— Sua, com certeza, não é. Saia agora, já fui muito paciente.
— Você está a perseguindo, não é? Eu sei que está. Ela está muito feliz agora, você não tem o direito de atrapalhar isso — Ren exaltou-se.
— Eu não sei o que você veio fazer aqui, mas é bom começar a contar. Quem sabe eu pondere na hora de te expulsar daqui à força.
Ao escutar a ameaça de Sasuke, percebi que a discussão passara do ponto de ser interrompida. Vesti-me novamente com a camisola que eu havia dormido e me preparava para sair do quarto quando ouvi Ren dizer alto, com a voz cheia de mágoa:
— Vamos ao shichi-go-san¹.
— Você, de fato, acredita que eu vou o deixar sair com Sakura e com o meu filho?
— Já saímos antes e vamos sair de novo. Eu vou acompanhá-la, como você não fazia quando estava com ela.
Quando eu saí do banheiro, ainda amarrando o roupão sobre a camisola, Ren fez alguma outra provocação que eu não ouvi, e Sasuke rebateu:
— Você não representa nenhum estorvo para mim, é apenas um moleque impertinente crente que uma mulher como a Sakura se envolveria com você. Não sei o que ela fez para te alucinar ao ponto, porém é um problema seu não se enxergar.
— E quem é você para falar algo de mim? Em comparação a você, um criminoso, desertor da vila, homem infiel e misógino, eu tenho muito mais a oferecer para a Sakura.
Os punhos de Sasuke cerraram.
Ren continuou falando, porém eu já não escutava, tentava prever qualquer desastre a partir dos movimentos do Sasuke, só que, para a minha surpresa, a apelação para violência não partiu do Uchiha, partiu dele. Ren, com os olhos avermelhados, o rosto transfigurado em cólera, espalmou as mãos no peito de Sasuke tentado empurrá-lo. Sasuke não moveu um centímetro. A raiva que vinha segurando, provavelmente desde que abrira a porta e deparou-se com Ren, pareceu emergir como água fervente. O punho cerrado, uma esfera maciça de carne, osso e força projetou-se para a direção do Ren. Por pouquíssimo tempo, consegui segurar o soco com a mão esquerda, ficar no meio dos dois, de frente a Sasuke, e recebi na palma a energia que o rosto do Ren deveria receber. Deveria, para não dizer que merecia.
Eu sentia, na minha nuca, a respiração quente e descompassada do Ren, estava furioso, mas eu admirava sua tola coragem, sua esperança vã e perdida. Sasuke demonstrava o mínimo que podia, como sempre, mas eu o conhecia bem para saber que ele estava me odiando por ter tirado sua chance de ouro de apagar o Ren com a desculpa de legítima defesa, mesmo que essa defesa fosse bem desproporcional.
— Você prometeu — lembrei-o, olhando diretamente em seus olhos. Não transmitia raiva em minha voz, pelo contrário, queria lhe passar calma e confiança. Eu sabia que ele não estava errado.
— Deixe-o, Sakura. Eu não tenho medo de Uchiha nenhum — Ren vociferou atrás de mim.
— Para a sua sorte, você ainda não conheceu nenhum Uchiha — Sasuke respondeu entrando para o fundo do quarto, dando as costas para aquela confusão. — Tire-o daqui.
— Ren — Virei-me para ele, desesperada. —, não sei o que você veio fazer aqui, mas agora precisa ir.
— Sakura, a gente combinou de...
— Você ultrapassou todos os limites — adverti-o. — Vou reportar à Temari sobre hoje.
— Então eu também vou reportar as ameaças do Sasuke para mim — respondeu num tom de voz magoado. — Sério mesmo, Sakura? Depois de tudo, ainda vai perdoá-lo? Você vai voltar para ele? — Não respondi. — Eu pensei que fosse questão de tempo até você...
— Até eu me apaixonar por você? Eu sei, Ren. Eu sei que pensava isso, contudo, sempre deixei tudo muito claro. Estando ou não com o Sasuke, ele é o pai do meu filho, se você me respeita, terá de respeitá-lo também. Você é meu aluno e nada mais. Se não puder lidar com isso de maneira adulta e profissional, sugiro que peça a Shizune para aplicar as últimas provas com você, pois não tenho condições de ministrá-lo mais — falei com firmeza.
Sua reação, diferente do que eu pensava, foi simples. Um aceno com a cabeça em afirmação. Os olhos mais avermelhados, espalhando o rubor também pela face.
— Vou falar com a Shizune-senpai.
— Obrigada — disse sinceramente.
— Espero que você se arrependa disso um dia.
— Não vou.
— Ele vai provar que não te merece...
— Você também me provou que não, Ren. — Apanhei a maçaneta da porta para fechá-la. — Adeus.
Fechei. Girei a chave. Esperei uns segundo até ouvir os passos no corredor, até ouvir a porta do quarto do Ren bater, e ter certeza de que ele não estava mais ali. Virei-me para Sasuke, ele estava mirando a rua pelo vidro da sacada; só pela postura, eu sabia que estava tenso, talvez furioso, mas nada que eu dissesse poderia mudar isso. Apenas voltei para o banheiro, eu não havia terminado o meu banho.
Assim que liguei o chuveiro, escutei a porta ser destrancada, aberta e fechada, e soube que Sasuke também não estava mais ali.
Eu não entendi como Ichiou não acordou com o barulho de Sasuke e Ren, porém ele só levantou, preguiçosamente, quando já passava das onze e o sol estava a pino. Mesmo faminta, preferi ajeitar as cobertas, abrir a janela e organizar o quarto antes de sair. Mesmo sendo domingo, eu tinha a última prova teórica para passar aos aprendizes e também tinha que visitar as crianças no orfanato.
Sasuke ter partido tinha sido de certa forma uma coisa boa, pois assim eu conseguiria seguir normalmente o meu dia sem me preocupar em deixá-lo a parte. Eu não conseguia nem sentir raiva, só me concentrava em ignorar o máximo possível o que acontecera minutos antes. Meus dias estavam seguindo muito bons sem o Sasuke, a volta dele, fazendo-me bem ou mal, não poderia desestabilizar-me de maneira alguma.
Já arrumava Ichiou para irmos tomar café da manhã quando novamente a porta foi aberta. Virei-me no mesmo instante para ver quem estava entrando sem bater. Sasuke surgiu com sacolas e uma cara emburrada.
— Trouxe comida — anunciou, fechando a porta.
— Otou-san — Ichiou gritou, correndo para o colo do pai.
Aquilo foi um tapa na minha cara e na minha muralha de orgulho e frieza. Eu estava dura como gelo, e, então, Sasuke aparecia e derretia minhas defesas. Ele estava bravo e tinha um pouco de direito nisso, mesmo assim não disse uma palavra de ódio, saiu, relaxou, trouxe o nosso café da manhã, sentou na beirada da cama e esperou pacientemente eu ter outra reação além de fitá-lo embasbacada.
Sasuke ajudava Ichiou com os pães e biscoitos melados de açúcar — coisa que ele repugnava — e ajudava-o a não sujar a roupa limpa que eu acabara de vestir nele. Ichiou não parava de falar sobre todas as coisas que fez durante a ausência do pai e, nos intervalos das histórias mirabolantes de uma criança de cinco anos, metade reais, metade fantasias, Ichiou reforçava o pedido para que o pai não fosse embora de novo e o levasse para treinar como o Naruto-kun fazia.
Comemos os três juntos, em cima da cama de casal, e quem guiava a conversa era nosso pequeno elo, cujo olhos brilhavam de alegria por ter os pais juntos a ele pela primeira vez em muito tempo. Ele abraçava Sasuke, depois vinha me beijar, e contava mais histórias e causos, a maioria envolvendo o Naruto e sempre pedindo ao pai, “não vai embora”, ditando toda as coisas que deveriam fazer juntos. Ichiou pedia por ele, mas também pedia por mim.
— Eu vou com vocês — Sasuke decidiu.
E foi assim que Ichiou tocou o coração de Sasuke, que abdicou seu dia de folga para acompanhar o meu dia corrido na Academia, no orfanato e na floricultura.
— Pensei que não trabalhava aos domingos depois que saiu do hospital — Sasuke comentou durante o caminho até à Academia, onde Iruka-sensei, o atual diretor, havia emprestado uma sala para eu aplicar a prova final dos estagiários.
— Geralmente, não trabalho, mas como o Gaara está na vila, Shizune e eu decidimos aplicar todas as provas de uma vez para que os estagiários retornem à Suna já habilitados. E, além disso, tem as crianças-cobaias no orfanato, tentamos ficar ao máximo com elas, vinte e quatro horas por dia. — Como Sasuke não falou nada, continuei: — Ino e eu alternamos os horários, afinal, ela tem a floricultura e eu tenho Ichiou, quem permanece quase em tempo integral é Karin. — As feições de Sasuke mudaram repentinamente.
— Karin está na vila?
Assenti.
— Os outros dois caras também, mas não os vi muito desde que chegaram.
— Não sabia que estavam aqui.
— Faz pouco tempo. Vieram pedir auxílio, pois o seu esquadrão destruiu os esconderijos e laboratórios onde essas crianças estavam — disse com um tom reprovador.
Eu não concordava com os métodos práticos e apáticos do Sasuke de resolver problemas como esse. Por ele, todas as crianças morreriam ali sem aparo. Às vezes, achava que ele se esquecera de que já fora como uma delas por um tempo.
— Ino e eu, arrisco dizer que até mesmo Shizune e Tsunade, que são as melhores médicas, não saberíamos como lidar com tanta criança peculiar. Karin foi de grande ajuda e continua sendo — elogiei sua ex-colega de time. Sasuke continuou absorto, as mãos nos bolsos e o olhar vago.
Eu estava muito curiosa para saber o que pensava a respeito disso, para perguntar o que Karin significava para ele, mas não queria voltar à estaca zero da insegurança nem criar fantasias por conta de ponderações... Karin falava muito do Sasuke e, ao mesmo tempo, falava pouco. Mencionava seu nome, um pequeno ocorrido, um fragmento de memória e mais nada. No olhar da ruiva, no sorriso ao falar dele e, em sua voz, dava para saber que ela ainda nutria algo por ele, algo próximo a amor, caso não o fosse.
Ainda assim, eu não me sentia enciumada ou algo assim. O que eu sentia por ela era compaixão. Pena, jamais. Ela era digna para ser coitada. Sentia compaixão porque já amei platonicamente a mesma pessoa e sofri sorrindo com isso por anos. Tive a sorte de ter meu sofrimento cessado pelo próprio; tive a “sorte” de ter sido atendida como Karin não foi. E talvez o motivo de eu não sentir nada de ruim por ela, além de uma gama de variáveis motivos pessoais além disso, era que eu não sabia quem ganhara de nós duas: aquela que ficou com o homem amado ou aquela que viveu com a ilusão de tê-lo.
O que doía mais? Eu mesma não sabia. Observar os sentimentos involuntariamente expostos de Karin me fazia divagar sobre essas questões, sobre o que doía mais, amá-lo platonicamente ou amá-lo incondicionalmente.
Chegando à Academia, somente Hana, Nobu, Emi e Sachiko estavam na sala me aguardando para a última prova. Ren obedecera-me e não aparecera ali. Sasuke entrou atrás de mim com Ichiou no colo, sua presença imponente, a estatura ou a expressão de mal chamou a atenção de todos no momento em que ele surgiu.
— Este é Sasuke — apresentei-o depois de cumprimentá-los, mas travei quando ponderei como deveria introduzi-lo, como meu marido, como meu amigo, como pai do Ichiou. — Vocês se importam dele ficar aqui na sala comigo e com o Ichiou?
— Nenhum pouco — Hana respondeu sem parar de fitá-lo.
Aquilo não devia me incomodar mais, afinal, era normal o Sasuke chamar atenção pela sua postura e sua beleza tão singular, mas, mesmo sendo comum, eu ainda me incomodava e quase cogitei inventar qualquer desculpa para ele esperar lá fora por uma hora e meia. Sachiko, Hana e Emi já o tinham visto antes, porém não tão de perto nem tão manso com as mãos dadas ao Ichiou. Eu me sentia mal só de imaginar o que elas deviam pensar naquele momento, já que não paravam de encará-lo.
Sasuke, como sempre, agia como se ninguém ali fosse digno de atenção. Entrou na sala, deu uma olhada rápida, como se para verificar se Ren realmente não estava ali, sentou-se perto de mim e ficou prestando atenção no Ichiou. Às vezes, eu achava que era de propósito, uma maneira de ele lidar com a atenção indesejada que recebia, às vezes, achava que era dele mesmo ser assim, não fingir simpatia e educação, apernas ir e vir sem apego às boas maneiras ou impressões.
Expliquei o conteúdo da prova e desejei boa sorte. Os quatro nem usaram todo o tempo, em uma hora já me entregara, com olhos marejados, o papel que seria nosso último vínculo.
— Sei que soa clichê e de praxe um discurso no nosso último dia juntos, mas não poderia deixar de dizer o quão importante para a minha vida foi ter aceito ajudá-los a se tornarem melhores enfermeiros. — Respirei fundo e continuei. — Tive que ponderar e brigar muito para acatar esse dever. — Olhei de canto de olho para o Sasuke, e os alunos perceberam o que eu quis dizer. — Antes eu tinha um cargo muito importante no hospital, mas tive que reorganizar meus deveres porque Ichiou tinha nascido e precisava de mim tanto quanto meus pacientes. Fiz uma série de mudanças, adaptações, trabalhava com Ichiou preso a mim, dava remédios todos os dias para ele permanecer imune a todo tipo de doença que há no hospital... Enfim, Shizune apareceu com essa proposta de docência, e, mesmo sem experiência nenhuma, aceitei o desafio de poder passar para frente o que ela e Tsunade passaram para mim. Vocês sabem que muita coisa aconteceu na minha vida desde que comecei a lecionar vocês, todos acompanharam de perto e sempre foram compreensíveis, mais até do que deveriam. Acompanharam minha separação, acompanharam a morte da minha mãe, acompanharam a minha saída do hospital e agora acompanham a criação da minha clínica com a Ino. Espero que, além de técnicas medicinais, eu os tenha ensinado a levantar depois de um tombo e reconstruir a vida de vocês a partir de escombros. Vocês acompanharam coisas ruins, porém hoje acompanham minha melhor fase. Minha vida pessoal não devia ter interferido no ensino de vocês, mas, já que interferiu, que tenham aprendido algo assim como eu aprendi na marra. Nossa felicidade não depende de ninguém além de nós mesmos, além das decisões e atitudes que tomamos. Independentemente do resultado das provas, desejo que tomem as melhores escolhas nas suas vidas.
Saindo da Academia, Sasuke e eu fomos direto para o orfanato. Tínhamos passado em frente à floricultura, e Ino não estava mais lá. Chegando ali, Sasuke expressou algo além da apatia, pareceu sentir-se mal com o ambiente. Quando percebeu que eu o observava, ele engoliu um seco e apertou mais a mão do Ichiou na sua. Por um tempo da sua vida, ele viveu com aquelas crianças, então, sabia que a sensação não era das melhores.
Chegando no andar onde Naruto tinha providenciado um laboratório de pesquisa e os quartos individuais das vinte e uma crianças, notamos um barulho incomum. Vozes que não eram só da Karin e da Ino. Acelerei mais o passo e cheguei até o laboratório, além das duas médicas, Hanabi, Hinata, Naruto e Shikamaru estavam ali.
— O que está acontecendo? — indaguei, interrompendo a discussão.
Os olhares que se viraram para mim logo se ergueram para cima da minha cabeça, onde Sasuke surgira.
— Sasuke-kun! — Karin exclamou, aproximando-se e, ao mesmo tempo, ao notar-me, recuou com as bochechas coradas. — Não nos avisou que o traria, Sakura.
— Também não sabia que todos vocês estariam aqui — rebati fitando-os. Quando aquele grupo de pessoas se reuniam, era porque estava acontecendo algo de muito ruim.
— Por que está brava, Sakura-chan? — Naruto indagou, com sua voz rouca mais mansa do que o comum.
— Não estou brava. É só que isso é um laboratório, não uma sala de estar. O risco de contaminação é alto — bronqueei-os. — Assustei-me com o barulho. Pensei que as crianças estavam fazendo uma rebelião.
— O assunto é mais sério, Sakura — Ino comentou com o olhar preocupado.
— Não podemos discutir isso em outro lugar?
— Não — Hinata falou pela primeira vez. Abraçava a si mesma e apoiava a cabeça no tronco do Naruto. Aflição não descrevia bem o sentimento que ela transmitia, parecia beirar ao desespero. Naruto acariciava seus cabelos, mas tinha os olhos perdidos, estava reflexivo, uma ruga entre o cenho de tanto ponderar.
— O que aconteceu? — indaguei pela segunda vez, mas todos se calaram e olharam para lugares diferentes. — Tem alguma coisa a ver comigo?
— Não — Naruto disse de prontidão, ainda sem me olhar.
— Sim — Hinata negou ao mesmo tempo.
Naruto não pareceu surpreso, os outros fitaram Hinata e a mim. Encarei Ino pedindo explicação, mas, no meio daquela omissão de informação, Hanabi, a mais estressada, manifestou-se.
— Acontece que há uns meses você examinou Hinata e garantiu que ela não estava grávida — falou em alguns tons mais altos que o necessário.
— Sim, ela não estava. Fiz um teste de toque e um com substâncias. Por quê? — Ninguém precisou me responder. Pela cara perdida do Naruto e os olhos inchados de Hinata, percebi o que tinha acontecido. — Você está grávida, Hinata?
Ela só chorou mais contra o peito do Naruto.
Karin quem respondeu:
— Está de três meses. Quase quatro. — Meu espanto ficou visível nas minhas expressões. — Está muito magra, quase desnutrida, por isso a barriga não cresceu muito.
— Eu enxerguei ontem quando usei o Byakugan para procurar o Sasuke. Olhei para Hinata e percebi a mudança do fluxo do chakra e um ponto vital a mais. Não disse nada para não acabar com a festa. Pensei que estivesse escondendo de mim, contudo, nem ela sabia.
— Você tinha me dito que não, Sakura — Hinata choramingou com mágoa.
— Eu perguntei se você tinha tido relação nos últimos dias e você negou. Talvez você tenha engravidado logo depois ou um pouco antes. Só é diagnosticável depois de semanas. Talvez você já estivesse, mas não fosse possível ver ou constar na urina. Que culpa eu tenho? — tentei me explicar.
— Nenhuma — Sasuke interviu, saindo de trás de mim e vindo para minha frente. — Sakura pode ter errado no exame, porém, se afirmasse a gravidez precocemente, não mudaria nada. Vocês estariam encrencados do mesmo jeito.
— Ninguém está colocando a culpa na Sakura, Sasuke — Naruto rebateu com o tom de voz menos brando do que usou comigo. — Mas, se soubéssemos antes, poderíamos pensar no que fazer.
— Pensar em quê? Em aborto? — Ino indagou indignada, assustando todos com a verbalização daquela hedionda hipótese. — Não mudaria nada saberem antes ou depois. Hinata está grávida, e você vai ter que se resolver de uma vez por todas com o pai dela.
— Naruto e eu íamos lá hoje para avisar da morte do noivo da Hinata — explicou Shikamaru.
— Agora tem mais essa — Naruto exclamou preocupado fitando Sasuke.
— Não ajam como pobres coitados — Hanabi exclamou raivosa. — Desde o início, foram irresponsáveis.
— Então para de reclamar e nos dê uma sugestão — Naruto rebateu no mesmo tom.
Hanabi calou-se e olhou para todos nós. Os olhos começaram a marejar, o peito a subir e descer com a respiração descompassada. Ainda assim, ela puxou o ar, fechou a cara e disse:
— Tem apenas uma maneira.
— Qual? — Hinata indagou com um fio de voz.
Segundos depois, suspiro atrás de suspiro, Hanabi falou:
— Se você renunciar, quem assume sou eu, mas com a mesma condição de casada.
— Mas você não precisaria ter vinte anos? — Shikamaru indagou.
— Hoje é meu aniversário — respondeu com o choro embargado.
Todos demoramos um tempo para digerir aquela informação. De fato, aquela regra era pública. Somente aos vinte anos e na condição de casadas que as herdeiras de Hiashi poderiam assumir a liderança do Clã Hyuga.
— Você não pode fazer isso — Hinata protestou saindo dos braços de Naruto e caminhando até a irmã caçula.
— Posso, se você renunciar.
— Papai não aceitaria. Eu já deixei bem claro que não tenho o menor interesse em ser líder do clã, ele rejeitou a hipótese. Primeiro disse que me deserdaria, depois que me casaria à força com um dos meus parentes... — Hinata respirou fundo, como se buscasse forças em seu interior para continuar. — Ele não vai permitir que faça isso. Ele saberá que é por mim.
Mas Hanabi parecia irredutível. Segurava as emoções, era visível, porém exibia firmeza. Alguns dedos mais alta do que a irmã mais velha, encarava-a de cima com um olhar duro e pouco compreensível.
— Todos sabem, inclusive você mesma, que não é apta para liderar sequer um time genin, imagina um clã inteiro como os Hyuga. — Hinata parou de chorar, estancou o olhar nos olhos furiosos de Hanabi. — Não me julguem por falar a verdade. Aos cinco anos, eu dava surra em Hinata sem um esforço mínimo.
— Não há razão para dizer esses tipos de coisa para ela — Ino bronqueou-a.
— Eu estou falando o que é verdade — retrucou e voltou-se para Hinata. — Uma questão de idade que prejudicou nós duas. Se eu tivesse nascido antes, tudo seria diferente.
— É errado se lamentar por isso, Hanabi. As coisas são como deveriam ser — respondeu Hinata.
— Não são, não. Por isso, temos que tomar uma atitude. Naruto e Shikamaru virão conosco para o distrito, informarão nosso pai, em seguida, você renuncia sua posição para ficar com o Naruto, e eu assumo o seu lugar.
— Eu não concordo — Hinata disse chorando. — Ele vai forçá-la a casar-se com qualquer um.
— Não deve ser tão ruim casar jovem... — comentou com pouco humor, olhando-me de canto de olho.
— Essa é uma decisão radical, Hanabi — Naruto advertiu-a. — Acho nobre sua atitude pela sua irmã, mas insisto que desista antes que se arrependa — disse sério.
— Faço por livre e espontânea vontade — respondeu, ofendida. — Hinata e eu não somos muito próximas, mas nós duas sabemos muito bem o que não queremos para a nossa vida. Eu não gostaria de viver à espera da sua morte para tomar o seu lugar — respondeu sinceramente fitando a irmã.
— O sol já está à pino — Shikamaru observou — Se formos resolver isso hoje, teremos que ir agora.
— Vão contar ao Hiashi sobre a gravidez? — Ino perguntou.
Naruto, Hinata e Hanabi se entreolharam, como se buscassem a melhor alternativa no olhar um do outro.
— Não — respondi no lugar deles. Ao ter a atenção de todos, continuei — Gravidez de jinchuuriki é mais complicada do que para pessoas comuns...
— Mas Hinata não é jinchuuriki, não tem nada a ver.
— Eu sei. Mas Hiashi não sabe. Na verdade, quase ninguém sabe muito a respeito de jinchuuriki — argumentei. — Se sustentarem essa mentira, eu assumo os cuidados com a gravidez dela e passo essa informação quando o neném nascer “prematuro”.
— Não sei se as pessoas acreditariam — Sasuke manifestou-se.
— Ainda que tudo dê certo e Hiashi aceite o romance de Naruto e Hinata, se eles se casarem hoje, essa criança vai nascer quatro meses antes do tempo de qualquer jeito. Que explicação teriam para dar? — questionei a ele.
— Não teríamos — respondeu-me e, em seguida, fitou Naruto.
— Contar a verdade de uma vez não seria melhor? — Karin indagou, atraindo todos os olhares para si. — Digo, ambos são adultos, qual o problema de...
A cada palavra de Karin, Hinata ia transitando a cor vermelha do rosto, por conta do choro, para um magenta de pura vergonha. Ino percebendo, interrompeu Karin:
— O clã da Hinata não tem o pensamento tão moderno quanto o seu, Karin — explicou. — Mas concordo que é muito alarde para algo tão... normal.
— Bom, é melhor irmos — Shikamaru chamou-os novamente. — Hanabi, sabe para onde ir om Hinata enquanto falamos com Hiashi-san?
— Vamos para o túmulo do Neji — decidiu, fitando Hinata. — Com certeza vão nos procurar lá. — Hinata assentiu.
— Eu vou com eles — Sasuke disse baixo para que só eu ouvisse, entregando o Ichiou para mim.
— Papai, você vai embora? — Ichiou exclamou começando a chorar. Obviamente não adiantou nada para o Sasuke ser discreto.
— Não precisa partir agora, Sasuke — Naruto. — Talvez eu até precise de você aqui — comentou mais para si mesmo do que para o amigo.
— Eu ia acompanhá-los — falou, caminhando até o extremo do laboratório em direção a Naruto. Foi impossível não reparar nos olhos viciados de Karin o seguindo. — Mas você precisa definir muito bem o que quer com isso. Precisa sair daquele lugar com essa situação resolvida.
— Eu vou — Naruto respondeu, fitando Hinata. Segurou o rosto inchado da garota entre as duas mãos e colou os lábios rapidamente.
— E a gente continua nosso trabalho — Ino exclamou batendo palmas para dispersar aquela atmosfera pesada. — Vamos meninas! Vistam os jalecos. Você também, Ichiou-kun.
.o0o.
Só voltei a ver o Sasuke à noite. Ele chegou na hospedaria exausto, mal-humorado, nem um pouco a fim de conversar. Respeitei, afinal, o que era minha curiosidade frustrada comparada ao estresse que ele deve ter passado por causa do Naruto. Isso porque, desde que Naruto começou com essa história com a Hinata, Sasuke sempre deixou claro que não apoiava e não queria ser envolvido. Mas o que poderia fazer? Naruto era seu amigo, irmão, e uma das provas de que Sasuke realmente se importa com as pessoas ao seu redor é ele ter voltado atrás da sua palavra e ajudado Naruto naquele momento tão complicado.
Ele perguntou simplesmente se poderia dormir ali, já que não havia passado na própria casa ainda. Permiti, não exibindo nenhuma dificuldade. E, embora tenha sentido arrepios no ventre ao lembrar-me do que tinha acontecido na noite anterior quando ele também ficaria só para dormir, eu sabia que daquela vez era diferente, só dormiríamos mesmo. E foi assim, com Ichiou entre nossos corpos, agarrado ao braço do pai e aos meus cabelos.
Acordei pouco depois dele, atrasada para ir à academia, porém preferi deixar meus alunos esperando-me um pouco nesse último dia. Ino e eu ainda tínhamos que conversar com Naruto e os kages (que ainda estavam na vila), para resolver detalhes do projeto que eles aplicariam em suas respectivas aldeias, também precisávamos dividir quem viajaria e quando para ajudá-los com isso.
Mesmo com o dia tão agitado, preferi dedicar aquele pequeno pedaço da manhã para ficar ao lado do Sasuke, aproveitar enquanto ele ainda estava por perto e manso. Eu ainda não tinha tido tempo para pensar sobre como estávamos depois da noite que passamos, mas estava decidida a ser gentil e receptiva caso ele também fosse, não somente por mim, mas pelo Ichiou que estava radiante desde que o pai voltara.
— Pode levá-lo à creche para mim? — indaguei, cortando o silêncio enquanto comíamos o desjejum no quarto.
— Sim — respondeu simplesmente antes de resmungar sobre como conseguíamos comer em uma mesa tão estreita.
— Hoje vou conversar com o Naruto e os kages para resolver os ajustes finais do projeto para as outras vilas.
— Hm.
Com certeza, aquele não era um bom momento para falar com Sasuke sobre isso, porém era melhor deixá-lo ciente antes do que ele ficar sabendo depois. Eu estaria mentindo se dissesse que estava confiante e tranquila a respeito daquilo, eu não estava, mas, em contrapartida, estava ansiosa para fazer aquilo porque a reação do Sasuke seria um teste sobre o quanto ele realmente havia mudado.
— Talvez eu tenha que viajar para alguma vila para — hesitei um pouco quando Sasuke, antes parecendo disperso, fitou-me com estranhamento. — implantar o projeto — completei.
—Viajar? — Afirmei com a cabeça. — Pensei que a clínica ia ser aqui.
— Será, mas o projeto irá se expandir, será como um teste para a aprovação final do Conselho. Se der certo também nas outras vilas, terei apoio dos kages — expliquei.
— E você vai viajar. — Foi mais uma afirmação do que uma pergunta. — Eu vou sair da Anbu para não fazer mais missões longas e agora você decide viajar.
— Eu não decidi, essa questão surgiu durante a conversa com os kages...
— Como espera que isso dê certo se só eu mudo por você?
— Dê certo o quê, Sasuke? — indaguei curiosa.
— Nós.
— Nós não damos certo, Sasuke. Nem conversamos sobre isso.
— E você acha que vamos dar certo um dia se você começar a viver por esse projeto?
— No momento, fazer o projeto dar certo é mais prioritário do que dar certo com você — respondi sinceramente. — E, se o seu medo é a distância, a noite de sábado foi a prova do quanto isso nos fez bem.
Assim que disse isso, logo me arrependi. Fiquei corada, com certeza, senti minhas bochechas queimando, e Sasuke deu um sorriso sacana de lado, discreto e mínimo como todas as suas ações.
— E seu filho? Na sua escala de prioridade, ele fica onde? — Encurralou-me. Sempre fazia isso quando eu demonstrava grande interesse pelo meu trabalho, sempre colocava Ichiou no meio para eu me sentir culpado.
— Fica com você enquanto estou fora da vila — respondi, limpando os lábios com o guardanapo e me levantando da pequena mesinha redonda adjacente à sacada do quarto.
Dei um beijo no Ichiou e peguei minha bolsa e jaleco para sair. Antes, voltei-me ao Sasuke que não parava de me encarar parecendo inconformado com a minha petulância.
— Te vejo até quando? — Era necessário, afinal, ele disse que só teria um dia de folga, e esse dia já tinha passado. Embora Naruto tenha sugerido um tempo maior na vila, eu ainda não sabia quanto era.
— Até o shichi-go-san — respondeu.
Isso era ótimo, pelo menos eu tinha uma desculpa caso Ren insistisse em me acompanhar no festival. Também teria mais dias para ponderar sobre esse pseudo-novo-Sasuke.
.o0o.
— Foi épico — Ino exclamou no Mōfu Kōhī logo após o meu último encontro com os estagiários. Ela quem estava me contando os detalhes da visita de Naruto, Shikamaru e Sasuke ao Distrito Hyuga. — Naruto ficou horas conversando com o Hiashi, tentando convencê-lo de que a morte do Hyuga tinha sido um acaso, outro Anbu do esquadrão também havia morrido e Sasuke estava ali para dar detalhes da morte, caso o líder do clã solicitasse, mas meu informante disse que Hiashi mandou o Hokage ir se foder pelo menos trinta e sete vezes. — Ino ria. — Dá para acreditar? Depois eu falo que o Naruto é um frouxo, é considerado como um desacato. — Fez bico.
— E o que mais? — perguntei ansiosa, extasiada pelas informações que estava recebendo. Para mim, tinha sido uma grande prova não ter pressionado o Sasuke para saber os detalhes.
— Eu ainda não acredito que o Sasuke não falou uma palavrinha sobre o que aconteceu — Ino reclamou, e eu novamente neguei em juramento: “não fiquei sabendo de nada”. — Pois a cada dia ele me prova que é o cara mais chato do mundo. — E continuou: — Hinata e Hanabi foram trazidas do cemitério, como foi o combinado, e a Hanabi poderia ser indicada para o papel de melhor atriz do mundo porque fez a cara perfeita de desentendida. Hinata, sendo Hinata, para variar, caiu aos prantos. Tadinha, é do gênio dela mesmo ser assim sentimental. Não ria, não, Sakura! Você era igual ela! Mas, enfim, Hiashi nem tinha contado ainda sobre a morte do noivo dela e Hinata já tava daquele jeito. Hanabi ainda tentou ajudar, disse que ela tava muito emocionada por ver o túmulo do Neji e que, em breve, vai fazer dez anos de sua morte... Aqueles papos dramáticos para dar justificativa, sabe? Mas aí a Hinata começou a pedir desculpas enlouquecida, disse ao pai que sabia que o Hyuga lá tava morto e que ficou feliz pela morte dele, assim não ia ter que casar com um homem que não ama. E não bastando... Calma, Sakura, seu olho vai sair da cara se continuar arregalando assim, o pior vem agora. Você acredita que ela disse para o pai que convenceu o Naruto a se deitar com ela para que ela pudesse ser excomungada do clã? Ela disse, não desmaia ainda, não. Ela disse, e, na mesma hora, a Hyugada toda levantou e apontou as armas em direção ao Naruto, contudo, deve ter apontado para o Shikamaru e o senhor-seu-ex-marido também. Não tem como saber. Aí o que Sasuke fez? Só com um olhar botou os esquisitos tudo num genjutsu. Caiu homem, caiu arma, caiu cabelo, caiu a moral toda do Hiashi. Só ele ficou em pé. Ainda acho que é um exagero tamanho, não sabia que Sasuke fazia isso, afinal, os Hyuga são fortes para caramba. De qualquer forma, assim que me contaram, depois pergunta para ele como ele fez isso que quero saber para passar a história adiante. Voltando: só ficou Hiashi em pé, quase explodindo de raiva, não sabia que xingava primeiro, mas começou pela Hinata, claro, depois xingou Hanabi por mentir na cara do pai para proteger a irmã, só que com Hanabi o negócio e mais embaixo. Você já viu como a menina é geniosa. Adivinha o que ela fez: — Ino cruzou os braços.
— Contou a verdade? — tentei.
— De-sa-fi-ou o pai! — Ino contou dramaticamente. — Pensa numa louca igual essa. Aí Hiashi perdeu a linha da meada de vez, partiu para cima da menina e ela para cima dele, daí Hinata, por algum motivo, quis se meter no meio dos dois, tipo você querendo se meter nas brigas do Naruto e do Sasuke. A gente viu na academia que um negócio desses não pode fazer, eu sempre falo, dá merda. Aí, por um triz, Hinata-chan não foi atingida pela irmã e pelo pai. Foi o necessário para Naruto virar a fera, literalmente, e o único que podia parar ele era o Sasuke, mas o cara não estava nem aí. Quem me contou disse que ele até pediu para o Naruto para ele mesmo matar Hiashi, pois, se Naruto fizesse isso, sendo Hokage, a confusão seria maior. Pois Naruto não tirou chapéu e capa de hokage e jogou para o lado? Olha só meu braço arrepiado. Queria muito ter ido, Sakura. Queria muito ter visto essa encrenca. Continuando, Shikamaru estava só observar, Naruto e Sasuke estavam em posição de ataque, e Hiashi estava igual o capeta na terra com eles. Aí, como você já pode imaginar, Naruto fez o clássico discurso retórico de converter uma pessoa do mal para uma pessoa do bem, deixou Hiashi mais calmo, jurou novamente o amor pela filha, pediu desculpas por ter desrespeitado ele e sua família, mas justificou tudo com o amor incondicional pela Hinata e que tinha ido ali para pedir a mão dela em casamento para que pudesse cuidar legitimamente do filho que iam ter. O velho quase enfartou. Descobriu que um parente morreu, que a filha não era mais virgem e depois que ela estava grávida. Fiquei com pena dele um pouco, mas depois passou. Então Hanabi também o convenceu com outro sermão por cima, e, sendo filha, a palavra dela tem mais força. Hinata implorou, Shikamaru disse algo chato, como sempre, e no fim Hiashi aceitou. Um touro difícil de domar, mas domável. Agora Naruto monta em cima. — Bateu palmas toda animada. — Não dele, né? Da filha. — riu. — Desculpa, quem me contou também me falou essa piadinha, e eu tive que repassar.
— Meu Deus — exclamei desacreditada de toda aquela história.
— Eu também disse isso quando terminei de escutar.
— Fala logo quem te contou? Para que esse mistério?
— Porque é a lei da fofoca, você nunca revela de onde a história saiu. Mas o importante é que Naruto e Hinata finalmente estão bem e felizes, logo casados. Antes mesmo do festival shichi-go-san ele quer fazer a cerimônia.
— Isso é daqui a uma semana!
— Pois é, temos que correr com os vestidos e também com o enxoval do bebê.
— Podia também convencer um certo Kazekage a ficar mais tempo na vila e ser seu acompanhante.
— Sakura, minha flor, se eu quiser, ele se casa comigo antes mesmo de Naruto e Hinata se casarem. — Riu novamente, mas um riso diferente, sem deboche, era um riso de felicidade. — Nos encontramos ontem à noite. Ele disse que se apaixonou por mim.
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