Pierrot

1 Parte I


Notas iniciais
Bem, minha irmã me mostrou essa musica ontem a noite e fiquei ate as duas da matina escrevendo e ouvindo a musica repetidamente. Serio, ela entrou para minhas favoritas! Super recomendo que ouçam tanto em inglês quando em japonês, vou colocar o link aqui e se quiserem podem ver o clipe antes, mas eu gostaria que só colocassem de fundo e lessem ouvindo a musica em acústico, vai dar mais drama pra coisa :v....http://youtu.be/CI6xlqNsklU?list=FLOzVtqowkGMFsHlUM21pCtg (versão em inglês pq não achei o acústico em japonês, coloco o japonês la em baixo.)

Nico estava sentado debaixo de uma arvore com a cabeça escondida entre as pernas, o vento soprava seus cabelos para os lados e tornava frio o caminho que suas lagrimas fizeram em seu rosto. O menino de dez anos chorava por que não tinha nenhum amigo, era o filho do rígido senhor daquela região, e para seu pai, não existia alguém digno de ter a companhia de seu filho. Aquilo tornava a vida do pequeno triste e vazia, e por vezes ele se escondia a li para chorar ou ver as crianças do vilarejo brincarem ao longe. Nico apertou as mãos em seus joelhos os recolhendo mais para junto do corpo, naquele dia em especial ele se sentia mais sozinho, seus pais haviam viajado e ele não tinha ninguém para conversar.

– Hey! – disse uma voz ao seu lado, Nico levantou o rosto assustado para a voz, ninguém nunca falava com ele. – Por que está chorando? – disse o menino que havia aparecido, seu rosto era todo coberto de tinta branca, em volta dos olhos e na boca a tinta preta desenhava uma expressão engraçada de bobo.

–Nada. — disse limpando as lagrimas, o pierrô se colocou de joelho ao seu lado.

– Se fosse nada você não estaria chorando...- disse pegando a mão do menino e a afastando do rosto. Nico olhou para o rosto do palhaço, os olhos do menino eram verdes reluzentes e provavelmente era mais velho. – Pode me contar. – disse abrindo um sorriso que foi acentuado pela maquiagem que ele tinha no rosto.

– Prefiro não, meu pai me proibiu de falar com as crianças do vilarejo...

– Então está tudo bem! – disse o pierrô se sentando ao seu lado e balançando as pernas. – Eu acabei de chegar e estamos acampados aos arredores da cidade, então não sou propriamente do vilarejo. – disse sorrindo para Nico, que ponderou aquilo.

– Verdade...- disse abrindo um sorriso muito pequeno.

– Então me diga, por que esta chorando? – perguntou o garoto e Nico suspirou.

–Não tenho nenhum amigo... Estou sempre sozinho, não tenho ninguém com quem conversar ou brincar... — o palhaço o olhou com certa pena e se colocou de pé, Nico olhou para o lado pensando que o garoto ia embora.

–Ninguém é? – o menino esticou a mão para Nico que a olhou curioso. — Então o que você acha de mim? Podemos ser amigos! – propôs sorrindo o pierrô, Nico o olhou agradecido e esticou sua mão para a do garoto, mas a recolheu antes.

– Não posso. – disse voltando a olhar para frente e abraçando os joelhos. – Meu pai não ia gostar... – o garoto o olhou pensativo e começou a andar para os lados.

– Ele não precisa saber...- disse o pierrô ainda andando, Nico o olhou incrédulo.

– Mentir para meu pai?

– Mentir é muito feio! Mas não contar sobre mim não é mentir. – disse o palhaço piscando para Nico.

– Mas...- começou Nico, o pierrô fez um sinal para que ele não falasse.

– Mas para isso precisamos de um lugar para nos encontrarmos! – disse voltando a se sentar de pernas cruzadas e apoiando a cabeça no punho. – Um lugar que ninguém nos encontre e que seu pai não desconfie...

– Hãm... Pode ser aqui mesmo, ninguém nunca vem aqui... — disse Nico tímido e olhando para baixo se sentindo estranhamente feliz pelo garoto estar tentando ser legal com ele. — Quando você chegou aqui eu levei um susto... – o palhaço riu.

– Então será aqui nosso lugar secreto!- disse animado e engatinhou para mais perto da arvore, tirou um estilete de um dos bolsos de seu colete colorido e escreveu algo na arvore. – Qual é seu nome? – perguntou sem olhá-lo, Nico engatinhou ate ele curioso sobre o que estava fazendo.

– Nico. – disse olhando por cima do ombro do maior para a arvore, o garoto escreveu “Nico” com o estilete na base do tronco e depois escreveu “Percy” ao lado com um símbolo estranho os unindo. – O que significa isso? – perguntou Nico tocando o símbolo com o dedo.

–Significa inicio. – disse o pierrô sorrindo. – Meu nome é Percy! – disse esticando a mão para Nico que não hesitou em apertar.

– É um prazer te conhecer Percy! –disse sorrindo como não fazia há muito tempo. – E obrigado!

...............

Nicolas di Ângelo encarava os palhaços dançarem e fazerem graça na praça com um sorriso no rosto. As pessoas ao seu redor se divertiam com os pintados e coloridos pierrôs, os homens aplaudiam e as mulheres os olhavam com admiração e alegria enquanto seus filhos riam das gracinhas. No centro da rodinha um deles chamava mais a atenção, usando uma mascara e com as roupas coloridas de azul, verde e branco, ele tinha um buque de flores nas mãos e andava em cima de uma bola. Nico riu e aplaudiu quando ele se desequilibrou, caiu e se levantando em seguida com uma acrobacia, o pierrô começou a andar para as pessoas que os cercavam distribuindo as flores para as crianças e moças, e quando parou na frente de Nico, esticou uma rosa vermelha que o moreno aceitou de bom grado com um sorriso ao encarar os olhos verdes e sorridentes de Percy. O pierrô voltou correndo para o meio da rodinha de palhaços imitando um pássaro voando com os braços abertos, pulando e fazendo piruetas no ar, Nico sorria para aquilo apertando o cabo da rosa em sua mão. Percy sempre o fazia sorrir, não importa o quão triste ele estava. Já tinha sete anos que ele o fazia sorrir a cada novo verão.

– Que grande bobagem. – disse o pai olhando com desgosto para a rosa nas mãos do filho, Nico deu de ombros.

– O povo gosta. Dando essa distração a eles você ganha seus corações. – disse Nico cheirando a rosa.

– Por que ele te deu à rosa, pensei que fosse só para crianças e moças. – perguntou o pai estreitando os olhos, Nico forçou uma risada.

– É um agradecimento por deixá-los trabalhar. – Nico olhou para o pai por cima do ombro. – Se dessem a você, que reação teria? — o pai pareceu ponderar aquilo. — É melhor dar o agrado ao filho do senhor do lugar, assim ganha a confiança do pai e do filho. – disse Nico e o pai sorriu. – Assim você garante trabalhos futuros.

– Você tem uma mente engenhosa. – disse parecendo quase satisfeito, mal sabendo que o motivo era totalmente diferente. Percy o havia deixado nervoso por um instante ao lhe dar a rosa, Nico pensou que sue pai ai dar um ataque, mas como Percy sempre dizia, ele deveria confiar mais em sua mente para contornar a situação, e assim ele fez. E agora que ele parava para penar na desculpa que deu para justificar as ações do amigo secreto, era realmente algo bem engenhoso de se fazer. – Fico feliz em saber que não vou deixar esse lugar nas mãos de um garoto inocente e iludido.

– Assim você me ofende papai. – disse sorrindo para o pai ao mesmo tempo que a platéia exclamava um “oh” de pena e surpresa.

Nico olhou para o grupo de artistas e identificou um dos pierrô caído no chão, algo pingava de sua testa. O moreno prendeu a respiração ao ver as roupas verdes e azuis do palhaço, apertou a rosa entre os dedos preocupado e se forçado a ficar onde estava, não podia correr para lá. Uma criança começou a chorar no colo da mãe ao ver o palhaço caído e sangrando no chão, um grupo de adolescentes ria no meio da platéia. Nico percebeu seu pai dar a ordem a um dos guardas para advertir e dar uma lição aos garotos, ele havia dado permissão e proteção aos artistas, não toleraria tal comportamento, o guarda chamou mais dois e eles foram em direção dos desordeiros.

Nico encarou Percy caído no chão ainda escutando a criança chorar, o garoto queria correr ate o pierrô e o ajudar, mas não podia sequer demonstrar sua preocupação no rosto por estar perto de seu pai. Mas para seu alivio, e para os outros espectadores, Percy se levantou cambaleante. Uma moça ofereceu um lenço timidamente a ele que inclinou a cabeça para o lado e pegou o lenço com delicadeza da mão da moça, abaixou a cabeça e levou os lábios da mascara ate os dedos dela que corou e riu nervosa, o pierrô limpou o sangue da mascara e o que escorria pelo seu queixo e pescoço. A criança continuava a chorar e chamava pelo palhaço, Percy se virou para o menino no colo da mãe do outro lado da rodinha e andou pulando ate ele, quando passou na frente de Nico, o moreno percebeu que a mascara havia sido rachada.

Percy parou de frente ao menininho e esticou a mão se agachando na sua frente, a criança colocou a mão em sua cabeça parecendo preocupada, o pierrô encolheu os ombros e Nico sentiu o coração apertar ao imaginar que deve ter doido, Percy tirou as mãozinhas do menino de sua cabeça e apontou para ao lugar machucado, o menino tinha os lábios tremendo pelo choro ainda, mas Percy deu um tapinha na lateral da cabeça e varias rosas de mentira saíram por entre a mascara e o chapéu de bobo que usava, o menino começou a rir e Percy também tirou uma bolinha de dentro da manga com um passo de mágica e entregou ao menininho que o abraçou pelo pescoço agradecido.

Nico sorriu com a cena pensando em como Percy era doce e sempre se preocupava com os outros antes de si. O pierrô se pôs de pé e a mãe pegou a criança no colo novamente, a mulher disse algo para Percy que fez uma gracinha tirando uma rosa da manga entregando a mulher que sorriu feliz, o pierrô rodopiou ate a moça que lhe deu o lenço e lhe estendeu uma rosa ao se por de joelhos na sua frente, a moça ficou corada e aceitou o presente com as mãos tremendo. Por fim Percy olhou em direção de Nico e fez uma reverencia, os espectadores bateram palmas para o palhaço e sua trupe.

– Vamos Nicolas. – disse seu pai já cansado de ver as gracinhas dos pierrôs. Nico o seguiu sem reclamar, já tivera trabalho o bastante por conseguir que eles se apresentassem no vilarejo com a permissão do pai, ele não podia abusar da sorte, mesmo estando preocupado. Eles entraram na carruagem e Nico olhou pela janela os palhaços continuarem com suas gracinhas, ele pode distinguir Percy acenando sentado em cima da carroça que os havia levado ate ali, e Nico sorriu um pouco aliviado em saber que ele não faria mais nenhuma acrobacia com a cabeça machucada.

...........

– Me deixe ver isso Percy. – disse Nico se colocando de joelhos na frente do pierrô ainda de mascara. Estavam em seu lugar secreto, a arvore fazia sombra para eles naquele dia quente e uma brisa fresca aliviava um pouco o calor.

– Não precisa Nico, esta tudo bem! – disse ele segurando a mascara no rosto, Nico bufou.

–Tira isso Percy! Eu tenho que cuidar desse machucado antes que gangrene! – disse o mais novo se inclinando para frente segurando a mascara com as duas mãos, Percy continuou a segura-la no rosto com todas as forças mesmo depois de os dois caírem para trás na grama com Nico por cima de si. – Por favor Percy...- choramingou o mais novo levantando o rosto e apoiando as mãos no peito do mais velho. – Me deixe cuidar de você...

– Não precisa Nico, estou bem! – disse Percy passando os dedos pelos cabelos de Nico, mas o garoto continuou o olhando com os olhos marejados.

– Você está mentindo, e isso me entristece seu idiota!- disse Nico apertando a roupa colorida entre os dedos. – Eu sei que está doendo, então por que você esta dizendo que está tudo bem? – Percy não disse nada e deixou a mão que estava nos cabelos do menor cair. – Eu vi o sangue escorrer de seu rosto Percy! Como pode dizer para eu não me preocupar? Como pode dizer que está tudo bem?

– Por que está. – disse o outro virando o rosto, Nico bateu em seu peito.

– Não minta para mim Percy!

– EU não estou mentindo. – disse o pierrô ainda olhando o horizonte, Nico arregalou os olhos.

– O que você quer dizer? – disse surpreso. – Quando eu menti para você? – Percy não disse nada, os lábios de Nico tremeram e ele escondeu o rosto no peito do palhaço. – Eu nunca menti para você sobre nada! – disse tentando se controlar, estava com vontade de chorar, chorar as lagrimas que Percy parecia não querer derramar. Nico abraçou o pela cintura e o pierrô tocou seus cabelos. – Sempre te digo como me sinto, o que penso...- Nico levantou o rosto. – Mas você não me diz nada! Vive se escondendo detrás desta mascara e da maquiagem!

– Eu não me escondo. – disse Percy respirando fundo e se sentando.

– Você se esconde sim! Você finge que na da te afeta, que não sente nada! – Percy continuou sem responder, Nico aproveitou seu momento de distração e tirou a mascara de seu rosto a jogando conta a arvore se sentando logo em seguida com as mãos sobre a boca. – Por Deus Percy! – brigou agora sem poder conter as lagrimas e abraçando o amigo pelo pescoço. – Como pode fazer isso? – Percy tocou o inchaço acima do olho esquerdo onde a pedra o havia acertado. Ainda doía muito, mas ele não queria preocupar Nico com aquilo, não era importante. Mas parecia que sua tentativa não tinha efeito, Nico chorava em seu pescoço.

– Eu sou apenas um pierrô, Nico. O que eu sinto não é importante... — disse ele calmamente e Nico o apertou mais.

– Não diga isso!

– Eu tento manter o equilíbrio, faço visíveis minhas quedas para que todos riam, pois fazê-los rir é o meu trabalho... – continuou Percy como se Nico não tivesse falado nada. – Digo que está tudo bem, que não dói nem um pouco... Eu fui ensinado a agir assim...

Nico mordeu o lábio se lembrando de uma vez quando se esgueirava para o lugar secreto ter visto um dos adultos bater nos pierrôs pequenos dizendo que eles choravam muito fácil, que eles estavam ali só para divertir a platéia, não importa o que fosse necessário para isso. O mais novo se afastou de Percy voltando a sentar na grama lembrando de uma vez que viu vergões nos braços do amigo a anos atrás, e quando perguntou, Percy desviou do assunto fazendo uma gracinha que o fez rir e esquecer. Percy sempre fugia das suas perguntas fazendo isso.

– Mas eu TE vi chorando... — disse Percy brandamente tocando o rosto de Nico, limpando as lagrimas. – Seus pais desconhecem as suas lagrimas, mas eu me dei conta delas, eu as limpei e limparei. – Percy sorriu. – Eu transformarei suas lagrimas em sorrisos... Afinal... Eu não sou nada mais que um pierrô, é meu trabalho fazer os outros sorrir... Você principalmente. – Nico apertou o tecido de suas calças olhando para baixo. – O que você sente é importante...

– E quanto as suas lagrimas? – Nico encarou os olhos de Percy, o rosto ensanguentado e inchado. – E quanto a sua dor? Você sente tanto quanto eu!

– Nico, eu sou aquele que cai de forma idiota, o que se machuca, mas que ninguém se importa.
Não sou nada mais que um em meio a muitos...

– Não para mim! – bravejou Nico fazendo Percy se assustar. – Eu me importo com você, me importo se se machuca! – Percy inclinou a cabeça e esticou a mão para o rosto de Nico, aproximou seu rosto do dele selando seus lábios com carinho com os do menor. Nico arregalou os olhos surpreso por um instante, mas correspondeu ao beijo colocando sua mão sobre a que ele mantinha em seu rosto.

– Eu sei... – sussurrou Percy ao se afastar. – Eu sei que você me enxerga Nico... Por isso eu te amo. E exatamente por te amar, eu quero que continue apenas rindo de mim, vai ficar tudo bem se for assim.

– Será que você não entende Percy? – disse Nico apertando a mão do pierrô. – Será que não vê que eu quero te conhecer? Que quero saber o que você esconde debaixo de sua máscara , e que não mostra para a platéia? – Percy arregalou os olhos, Nico se inclinou para frente segurando o garoto pela frente da camisa. – Quero que me mostre o seu verdadeiro rosto! Aquele que sente dor quando o ferem, ou o que chora quando se angustia. – Nico abaixou a cabeça voltando a chorar, era tão duro aquilo. Todo aquele tempo ele havia chorado na frente de Percy e ele havia limpado suas lagrimas, mas seus problemas pareciam tão pequenos perto dos que ele enfrentava. – Por favor... Me mostre...- sussurrou e sentiu algo molhado cair em sua bochecha, Nico olhou para cima somente para ver Percy chorando.

– Por que se importa tanto que eu demonstre isso? – disse o pierrô levantando as mãos para limpar os olhos, mas Nico as segurou antes que o fizesse.

– Por que esse e o verdadeiro você! Por que você não é só um objeto de divertimento, é uma pessoa! – os lábios de Percy tremiam e ele fechou os olhos virando a cabeça para cima, seu corpo começou a tremer. – Não há nada de errado em sentir isso Percy... Não tenha vergonha. Você me ensinou isso há muito tempo atrás, estou só retribuindo o favor...

–Dói muito Nico! – começou Percy ainda de olhos fechados. — Todo os dias dormir naquele chão frio, ver meus irmãos passarem fome enquanto o dono da trupe come como um rei toda noite! Sinto que tem um grande buraco em meu peito toda vez que volto para trupe, me sinto impotente ao ver as crianças sendo espancadas para que aprendam a agir como eles querem! Sinto nojo da maioria daquelas pessoas pelas coisas que fazem atrás dos vagões! Eu vi tanta coisa Nico, sofri tanto... – Nico puxou Percy para junto de si e o mais velho o abraçou pela cintura enquanto escondia seu rosto na curva do pescoço do mais novo. – Com o tempo eu decidi que os sentimentos não serviam para nada, todos que eu amava sofriam e eu não podia fazer nada a não ser sofrer com eles! Mas... – Percy soluçava e tremia, Nico passava as mãos em seu cabelo dizendo que ele podia chorar e assim ele fazia. – Mas eu não tenho coragem de sair daquele lugar e abandoná-los! Eu não posso fazer isso! Ainda tenho esperança de tirar todos desta vida... –Nico beijou o topo da cabeça de Percy com carinho.

– Tudo bem, Tudo bem... Eu te entendo Percy, entendo o quanto você sofreu. Apenas não minta sobre isso de novo, por favor. Você não tem que suportar isso sozinho, porque eu estou aqui agora e chorarei junto com você... – Percy acenou que sim e gemeu de dor, Nico olhou para o machucado na cabeça do pierrô e se apressou em pegar a caixa de medicamentos novamente para cuidar do ferimento que voltou a se abrir. – Vamos cuidar disso agora. – disse sorrindo, Percy enxugou as lagrimas abrindo um pequeno sorriso.

O pierrô apoiou as costas na árvore enquanto Nico se ajoelhava na sua frente e cuidava de seu ferimento, o menor passou remédios que ardiam e Percy se encolhia e fazia caretas pela dor, para logo rir sem motivo algum tocando o próprio rosto parecendo surpreso por fazer tais expressões. Nico sorriu para ele quando terminou e olhou para a árvore onde seus nomes estavam escritos com o símbolo de inicio os ligando, Percy seguiu seu olhar e sorriu, pegou o estilete no bolso do colete e completou o símbolo de maneira certa.

– O que ele significa agora? – perguntou Nico tocando o entalhe na madeira, que havia crescido junto com a árvore e agora estava na altura de seus olhos quando estava de joelhos. Percy colocou a mão sobre a do menor.

– Agora é amor. – disse sorrindo e beijando o rosto de Nico. — Obrigado Nico... Você o encontrou para mim. – Nico o olhou confuso e Percy sorriu. — O meu verdadeiro rosto, parece que eu tinha esquecido. Tem tanto tempo que eu não faço outra coisa a não ser sorrir... E...- lagrimas voltaram a sair de seus olhos. – É tão bom poder fazer isso de novo! – Nico encarou Percy e estiou sua mãos para o rosto do maior capturando suas lagrimas.

– Você me fez o mesmo favor há anos atrás, quando eu fingia estar feliz vivendo sozinho e sem me importar com isso. Você me salvou primeiro Percy... – disse Nico sorrindo, Percy limpou as lagrimas teimosas e o puxou para um abraço.

Notas finais
Leia as notas iniciais. Espero que tenham gostado da primeira parte. Eu gostei muito de escrever! Então peço que comentem! Link da versão em japonês: http://youtu.be/4XfkcNwY3ss?list=FLOzVtqowkGMFsHlUM21pCtg Betei duas vezes, mas sempre fica algo para trás, me avisem sim?! Obrigada.