Notas iniciais
Vocês são lindos e me fazem acreditar que um dia, talvez não tão distante, eu ainda consiga viver exclusivamente para escrever (acreditem, estou trabalhando nisso).

Por isso aqui mais um capítulo do meu fotógrafo preferido.

Infelizmente os capítulos não serão muito compridos, pq eu fui escrevendo a fic para ser postada toda de uma vez só. Mas depois achei que ela tava grande para ser uma one shot e como eu ainda não decidi qual vai ser o final, ia demorar para postar.

- Ele fez o quê? – Danny Mahealani, um dos engenheiros da Banquet, e amigo mais próximo de Derek não acreditava no que tinha ouvido.

Os dois não eram exatamente como amigos inseparáveis, mas Derek havia sido veterano de Danny na faculdade e apreciava o jeito discreto do rapaz, além da competência dele no trabalho. Os dois almoçavam juntos uma vez na semana pelo menos e agora Danny estava ali, com seu Subway parado a meio caminho de uma mordida, se controlando para não rir de Derek.

- Ele fez uma foto, Danny! Uma foto minha, que ele tirou da janela do apartamento dele. – Derek esfregava os olhos com força – Veio com uma história de que era fotógrafo e queria colocar minha foto numa exposição.

- Cara! Você arrumou um fã muito estranho ou perdeu a chance de se tornar modelo internacional. – o engenheiro ria cada vez mais das caretas que Derek fazia.

- Só sei que ameacei chamar a polícia se ele não fosse embora. Na verdade, acho que ele é só um desses adolescentes sem nada o que fazer.

- Mas você viu a foto?

Derek abocanhou o cookie de chocolate com amêndoas que tinha em mãos, limpou os farelos na calça e balançou a cabeça, afirmando:

- Vi. Ele revelou e levou pra mim. Está aqui na minha pasta.

Ele abriu a maleta executiva e tirou o papel fotográfico, tamanho 15cx21cm, da foto revelada em preto e branco, mostrando-a a Danny que agora sim, ficou sem palavras. O engenheiro olhou a foto por um tempo e, quando recuperou a voz, perguntou:

- O que estava fazendo aqui? – sua voz era pura malícia.

Também, pudera, a foto que o rapaz havia tirado era de Derek afundado em seu sofá macio, a cabeça para trás e o rosto expressando alívio. Não dava para ver suas mãos, apenas suas pernas esticadas para frente.

- Nem vem, não estava tocando uma se é o que está pensando. Não faço isso no sofá da sala. Só estava descansando.

- Ah qual é, pode falar. Não vou te zoar por isso.

- Tô falando sério.

- Cara, vai dizer que você é um homem de quase 30 anos, que mora sozinho e ainda toca punheta só no banheiro ou debaixo da coberta? Derek, você precisa viver mais.

***

De volta ao escritório, Derek correu para a sala de reuniões onde os acionistas iriam decidir a tal história da campanha publicitária. Peter já estava lá e mais dois dos cinco sócios também esperavam para começarem. Quando todos estavam no recinto, Peter explicou sua ideia:

- Nunca trabalhamos com publicidade direta, já que nosso público é maior do que apenas donos de cachorros e gatos. Alimentamos elefantes, ursos, tigres e lobos pelo mundo, meus queridos. Mas acho que agora está na hora do mundo nos conhecer e, quem sabe, depois disso, até ampliarmos os negócios para o mercado de rações mais medíocres.

Houve um burburinho de aprovação e ele continuou:

- Fiz algumas pesquisas e acho que, como a situação merece uma medida ousada, vamos ousar na contratação da empresa que cuidará da campanha. Chris sugeriu que conversássemos com a McCall Imagem e Ideia. Achei um tanto quanto paternalista a sugestão, se me permite o comentário Chris, já que o dono da McCall namora a sua filha.

- Ele é competente, Peter. Já lhe disse isso. – Chris Argent se remexeu, incomodado com a insinuação.

- Oh, eu sei. Eu disse que achei paternalista, mas não disse que não gostei. Andei vendo alguns trabalhos dele. E acho que vocês devem se lembrar de um recente, a campanha da Victoria’s Secret, com as modelos invisíveis, que dizia “Imagine-se aqui!”. Fantástico!

Peter passou alguns dos anúncios para os sócios apreciarem e vendo as expressões satisfeitas, inclusive de seu sobrinho, ele continuou:

- Sabia que iam gostar da ideia e tomei a liberdade de entrar em contato com o jovem Scott. Em quinze minutos de conversa, ele disse que já tinha ideia para uma campanha, mas tinha uma pequena condição. Ele quer o Stilinski como fotógrafo.

- Sem chances! – Anthony Martin protestou – Sabe quanto custa cada foto dele?

- Ele é caríssimo! – Derek emitiu sua primeira opinião – É fantástico, claro. Mas a Laura comprou uma foto dele numa exposição por vinte mil dólares. E isso há quatro anos. Agora isso deve ser ainda mais absurdo.

- McCall garantiu que ele iria cobrar um preço justo.

- Não duvido. – Chris foi o primeiro a concordar – Os dois são amigos a vida inteira.

E meia hora depois todos concordavam que os ganhos reais da Banquet estavam bem e que, para manter isso e expandir o mercado, eles poderiam investir um pouco mais em publicidade.

***

Uma semana depois e Derek havia esquecido o incidente da foto e se concentrava nos números da última planilha de produção quando Peter entrou em seu escritório, sem bater.

- E este é meu sobrinho, Derek.

Ele ergueu o rosto da papelada que analisava e observou o rapaz que tinha um visual despojado e o queixo mais torto que Derek jamais tinha visto na vida.

- Olá, sou Scott. McCall. Vim apresentar ao Peter a ideia da campanha e ver quando podemos começar a produzir tudo.

- Pois é, mas como o Stilinski ainda não chegou, resolvi apresentar ao Scott o resto da empresa. – Peter sorriu – Gostaria que nos acompanhasse, Derek.

- Eu?

- Sim, você vai coordenar essa campanha.

- Não lembro disso ter sido discutido na reunião, Peter.

- Oh e não foi. Eu adoraria estar aqui para ver isso. Mas esta semana tem a Animal Food and Health Convention, no Japão. A menos que queira nos representar no meu lugar.

Derek queria espancar seu tio com toda a força que possuía. Ele sabia que o sobrinho tinha medo de avião. Pânico na verdade, desde a morte prematura dos pais num acidente com o jatinho que os levava num simples vôo doméstico, de Nova York até a Califórnia.

- Ok. – ele se deu por vencido e andou o resto da manhã, explicando a Scott McCall como a empresa funcionava, até que ouviu o telefone do outro tocar.

- Só um minuto. – ele pediu e saiu de perto, voltando em seguida – Stiles chegou, disse a ele para nos encontrar no seu escritório, tudo bem?

- Claro!

Os dois voltaram para o décimo andar do prédio, Derek tentando se lembrar de onde conhecia aquele nome. Stilinski era um fotógrafo famoso, cuja uma das fotos decorava a parede de sua biblioteca no apartamento, mas ele não se lembrava de nunca ter ouvido alguém se referindo a ele daquela forma.

Alcançaram o andar do escritório e logo um par de braços desajeitados envolvia Scott num abraço, deixando Derek sem reação.

- Cara! Faz meses que não te vejo! — a voz de Scott soava feliz.

- Esse trabalho é ingrato! Ainda não acabei de desempacotar minhas coisas e o seu presente que trouxe do Haiti ainda está perdido lá em algum lugar.

Aquela voz soou familiar ao empresário e quando Scott e Stiles desfizeram o abraço, as sobrancelhas de Derek se ergueram num claro sinal de espanto ao reconhecer o stalker do prédio ao lado.

- Você? — ele ouviu Stiles chamando sua atenção, com um sorriso divertido.

- Já se conhecem? — Scott perguntou, olhando curioso de um para o outro.

- Só de vista. — Stiles respondeu, tirando Derek da situação embaraçosa de explicar sobre a foto pseudo-erótica — Ele mora no prédio ao lado do meu. Nossas sacadas são curiosamente próximas.

Derek estava mudo, o rosto impássível, escondendo o embaraço. Mas nada que o impedisse de notar o rapaz ali o medindo de cima a baixo com os olhos.

Notas finais
Aguardo as avaliações de vcs!