Pictures of You
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Na manhã seguinte, Stiles acordou com a campainha e seu celular tocando insistentemente. Levantou da cama, pegando o aparelho sem olhar no visor para ver quem ligava tão cedo e arrastou os pés até a porta, abrindo-a ainda de mau humor.
Cora estava ali, em pé, com o dedo na campainha e o celular no ouvido. Derek, atrás dela, parecia mortificado.
– Você tem oito anos, é? — Stiles resmungou, voltando para dentro do apartamento, mas deixando a porta aberta para que os outros dois entrassem.
A irmã de Derek não fez cerimônia e mandou Stiles pro chuveiro, falando que ia fazer café enquanto ele se arrumava. Derek, no entanto, andou pelo lugar reparando o quanto Stiles havia dado um jeito a sua bagunça. Havia menos caixas do que quando esteve ali pela última vez.
Além disso, os pôsteres de heróis haviam desaparecido da parede e uma foto maior até a que ele tinha em sua biblioteca, havia sido colocada no lugar. Uma estante repleta de livros, CD’s e DVD’s cobria outra parede e o corredor que levava ao laboratório também havia ganhado uma nova decoração, obviamente a base de fotografias, mas nada que lembrasse um fotógrafo de fama internacional. As fotos que cobriam a parede eram de Stiles e seus amigos. Momentos divertidos, passeios, jantares, celebrações. Era um resumo da vida do grupo ao qual o fotógrafo pertencia, com sorrisos e caretas, como se tudo o que o rapaz quisesse era se cercar de felicidade.
Stiles saiu do quarto já de banho tomado, os cabelos ainda molhados e encontrou Derek parado no meio do corredor.
– Contemplando meu muro das lamentações? – Stiles chamou, cruzando os braços na altura do peito.
– Muro das lamentações? Uma parede inteira com fotos dos seus amigos e você chama isso de mura das lamentações?
– Sim, — ele ria enquanto se explicava – essas fotos, esses momentos, são as coisas pelas quais eu lamento cada vez que viajo a trabalho. Ficar meses longe deles não é a parte mais feliz da minha vida.
– Pensei que gostava do seu trabalho.
– Amo o que faço, Derek. – seu olhar se perdeu nas fotos de Allison e Scott na praia, ao lado de outra foto em que Isaac estava todo sujo de manchas de tinta após uma batalha de paintball e mais acima uma outra imagem em que ele, Lydia e Danny faziam uma guerra de pipoca – Mas não posso deixar de sentir falta de estar em casa.
O empresário acompanhou com os olhos o modo como Stiles tocava as fotos na parede. Stiles era uma constante surpresa e ele se pegou pensando como seria ter a chance de fazer parte disso. Todos os dias. Mesmo quando ele estivesse longe.
– Tem um espaço aqui – Stiles chamou, apontando para um espaço vazio na parede – Acho que posso colocar umas fotos do passeio de hoje.
***
O parque a que Derek se referia era uma reserva florestal logo na saída para a auto estrada. Um espaço que poucas pessoas da cidade realmente aproveitavam. Todos estavam empolgados demais com o novo shopping, com salas de cinema 3D, grandes lojas e restaurantes para “perder tempo” vendo árvores e pássaros.
No entanto, Cora e Derek pareciam se sentir em casa assim que colocaram os pés em qualquer espaço com um pouco mais verde do que as plantas artificiais do apartamento do empresário. Stiles notou, com um sorriso contido, como os dois irmãos pareciam remoçar quando respiraram o ar puro do parque nacional.
E essa foi só a primeira de muitas fotos que Stiles tirou naquele dia: Cora ao lado de Derek, os dois olhando para o alto e sorrindo. Os cabelos negros de ambos, a mesma expressão quase selvagem apesar de contente.
Derek ouviu o clique da máquina fotográfica e olhou, curioso para Stiles, que aproveitou e fez outra foto dele.
Depois disso, eles seguiram algumas trilhas até o lago, um espaço que Stiles achou impossível existir perto de qualquer civilização. Era simplesmente calmo. Uma lagoa alimentada pelo que parecia ser apenas um filete de água, como um pequeno riacho que descia por uma encosta rochosa, pequena demais para formar uma cascata. O céu azul refletido na água calma, onde eles podiam avistar pequenos peixes na margem, alguns pássaros se atrevendo a voar perto deles, o barulho do vento agitando as folhas verdes ainda úmidas de sereno.
– Aqui está perfeito! – Cora falou, já jogando as mochilas sob uma árvore e estendendo uma grande toalha xadrez no chão. Depois tirou os tênis e correu, feito criança, para colocar os pés na água.
Derek a imitou, mas em vez de apenas tirar o tênis e molhar os pés, ele também arrancou a camisa com rapidez e correu para mergulhar na água gelada, fazendo com que alguns respingos caíssem sobre a irmã que protestou, apesar de continuar rindo.
– Stiles, se você não vier pra cá com a gente eu juro que jogo todo o seu equipamento no lago antes que você possa dizer X. – ela ameaçou o fotógrafo que acabou cedendo e deixou a câmera sobre a toalha, junto com seus tênis e sua camiseta.
Sentou-se ao lado dela, colocando os pés no lago e estremecendo com o toque gelado da água. Eles ficaram ali um tempo, observando Derek nadar afastado, como se precisasse gastar energia. Enquanto isso, Stiles comentou com Cora sobre os locais que havia visitado que se pareciam com aquele, como uma clareira na América do Sul quando foi acompanhar dois jornalistas investigativos para um livro reportagem sobre o tráfico de drogas na Bolívia. Ou a reportagem para a National Geographic sobre o lago Plitvice, na Croácia, o lugar que ele jurava que iria passar uma semana afastado do mundo, do trabalho e de qualquer câmera fotográfica.
– É a perfeição em forma de lagoas e cascatas. – ele contava, empolgado – Dezesseis pequenos lagos interligados por cachoeiras que formam um desenho absurdamente lindo quando visto de um helicóptero e você... WOW! — ele gritou, sentindo-se puxado para baixo por mãos geladas e úmidas.
Já dentro d’água, depois de balançar a cabeça e se recuperar do susto ele olhou para Derek que tinha a cara mais travessa do mundo. Muito diferente do empresário sério ou do vizinho tímido e, por vezes, rabugento, que ele já havia se acostumado.
Cora aproveitou o momento em que os dois começaram a jogar água um no outro e correu para longe dos respingos, pegando a câmera de Stiles e se atrevendo a registrar algumas imagens. Ajustou o zoom para capturar a brincadeira do irmão com o fotógrafo, algumas imagens aleatórias dos pássaros e da paisagem de modo geral e a comida do piquenique disposta sobre a toalha.
Derek e Stiles saíram da água quando ela chamou e foram comer os sanduíches e bolos, além do suco e frutas que eles levaram. A refeição foi feita entre muita conversa, Stiles rindo do modo como Cora não se importava em falar mesmo de boca cheia e o jeito que Derek revirava os olhos quando ela fazia isso.
Quando terminaram e limparam a sujeira, guardando o lixo em sacolas próprias que tinham levado, Cora disse que queria caminhar, mas Stiles recusou.
– Vocês podem ir. Eu sou um fotógrafo sedentário e vou me esticar naquele pedaço de sol ali e dormir enquanto minhas roupas secam.
Antes de ouvir qualquer protesto da garota, ele já estava se espreguiçando e deitando sobre a grama. O calor gostoso do sol, o cansaço por ter acordado cedo e o esforço da natação no lago, mais a refeição saborosa de momentos antes estavam fazendo com que ele se sentisse anestesiado. Seus olhos já estavam preguiçosamente fechados quando uma gota gelada caiu em sua barriga o fazendo saltar.
Derek estava em pé, ao seu lado, segurando um frasco na mão e Cora logo atrás dele se dobrando de tanto rir.
– Que tipo de tortura é essa? – o fotógrafo protestou, passando a mão sobre a barriga, onde a gota de algo que ele notou ser mais espesso que água, havia caído.
– Protetor solar. – Derek respondeu – A menos que você tenha planos de fritar sua pele branca ao ponto de não conseguir se vestir hoje a noite pra gente ir ao cinema.
– Wow! – Cora gritou – Agora sim, gostei de ver. É assim que se faz, Baby Wolf!
Stiles abriu a boca, mas não conseguiu falar nada porque Derek já estava agachado a seu lado, ordenando:
– Vire de costas.
Ele obedeceu simplesmente por não saber o que fazer. E se arrependeu imediatamente. O toque de Derek em suas costas era praticamente uma tortura, já que eles estavam num lugar ermo e que seria perfeito para tocarem outras partes do corpo além das costas se Cora não estivesse ao lado deles.
Usou de todo o seu autocontrole para evitar ter uma ereção ali, quando seu short ainda estava molhado e o volume seria facilmente notado por todos. Mas quando Derek terminou, ele se recusou a virar de costas.
– Acho que vou dormir aqui mesmo... – resmungou, o rosto apoiado nos braços cruzados.
– Vai ficar sozinho, no meio do nada, semi nu e dormindo enquanto a gente caminha? – Derek questionou cruzando os braços na altura do peito.
De onde estava, Stiles achou que ele havia ficado ainda maior naquela pose. Tipo uma cena de filme quando a mocinha está em perigo e o herói aparece com sua capa esvoaçante e pose de superioridade. Era engraçado pensar nisso, porque isso fazia dele a “mocinha”. Ele sorriu para a ideia e espreguiçou, acomodando-se mais e dando de ombros.
– Não tem medo de que algum bicho possa aparecer? – Derek insistiu.
– Por quê? – o fotógrafo finalmente se sentou, olhando para os lados como se procurasse algum animal selvagem a espreita por trás das árvores – Tem ursos ou lobos por aqui?
– Ursos, não. Mas eu acho que pode ter um lobo por aqui querendo te comer, né Baby Wolf? – Cora gracejou, pulando para o lado do irmão e dando um tapa na bunda dele.
Stiles não pode ver o rubor que cobriu o rosto de Derek imediatamente, porque ele saiu correndo atrás da irmã gritando algo como “é bom correr, porque se eu te alcançar...” e deixando o rapaz sentado, sorrindo para o nada.
Fale com o autor