Pictures of You
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Por isso aqui mais um capítulo do meu fotógrafo preferido.
Infelizmente os capítulos não serão muito compridos, pq eu fui escrevendo a fic para ser postada toda de uma vez só. Mas depois achei que ela tava grande para ser uma one shot e como eu ainda não decidi qual vai ser o final, ia demorar para postar.
- Ele fez o quê? – Danny Mahealani, um dos engenheiros da Banquet, e amigo mais próximo de Derek não acreditava no que tinha ouvido.
Os dois não eram exatamente como amigos inseparáveis, mas Derek havia sido veterano de Danny na faculdade e apreciava o jeito discreto do rapaz, além da competência dele no trabalho. Os dois almoçavam juntos uma vez na semana pelo menos e agora Danny estava ali, com seu Subway parado a meio caminho de uma mordida, se controlando para não rir de Derek.
- Ele fez uma foto, Danny! Uma foto minha, que ele tirou da janela do apartamento dele. – Derek esfregava os olhos com força – Veio com uma história de que era fotógrafo e queria colocar minha foto numa exposição.
- Cara! Você arrumou um fã muito estranho ou perdeu a chance de se tornar modelo internacional. – o engenheiro ria cada vez mais das caretas que Derek fazia.
- Só sei que ameacei chamar a polícia se ele não fosse embora. Na verdade, acho que ele é só um desses adolescentes sem nada o que fazer.
- Mas você viu a foto?
Derek abocanhou o cookie de chocolate com amêndoas que tinha em mãos, limpou os farelos na calça e balançou a cabeça, afirmando:
- Vi. Ele revelou e levou pra mim. Está aqui na minha pasta.
Ele abriu a maleta executiva e tirou o papel fotográfico, tamanho 15cx21cm, da foto revelada em preto e branco, mostrando-a a Danny que agora sim, ficou sem palavras. O engenheiro olhou a foto por um tempo e, quando recuperou a voz, perguntou:
- O que estava fazendo aqui? – sua voz era pura malícia.
Também, pudera, a foto que o rapaz havia tirado era de Derek afundado em seu sofá macio, a cabeça para trás e o rosto expressando alívio. Não dava para ver suas mãos, apenas suas pernas esticadas para frente.
- Nem vem, não estava tocando uma se é o que está pensando. Não faço isso no sofá da sala. Só estava descansando.
- Ah qual é, pode falar. Não vou te zoar por isso.
- Tô falando sério.
- Cara, vai dizer que você é um homem de quase 30 anos, que mora sozinho e ainda toca punheta só no banheiro ou debaixo da coberta? Derek, você precisa viver mais.
***
De volta ao escritório, Derek correu para a sala de reuniões onde os acionistas iriam decidir a tal história da campanha publicitária. Peter já estava lá e mais dois dos cinco sócios também esperavam para começarem. Quando todos estavam no recinto, Peter explicou sua ideia:
- Nunca trabalhamos com publicidade direta, já que nosso público é maior do que apenas donos de cachorros e gatos. Alimentamos elefantes, ursos, tigres e lobos pelo mundo, meus queridos. Mas acho que agora está na hora do mundo nos conhecer e, quem sabe, depois disso, até ampliarmos os negócios para o mercado de rações mais medíocres.
Houve um burburinho de aprovação e ele continuou:
- Fiz algumas pesquisas e acho que, como a situação merece uma medida ousada, vamos ousar na contratação da empresa que cuidará da campanha. Chris sugeriu que conversássemos com a McCall Imagem e Ideia. Achei um tanto quanto paternalista a sugestão, se me permite o comentário Chris, já que o dono da McCall namora a sua filha.
- Ele é competente, Peter. Já lhe disse isso. – Chris Argent se remexeu, incomodado com a insinuação.
- Oh, eu sei. Eu disse que achei paternalista, mas não disse que não gostei. Andei vendo alguns trabalhos dele. E acho que vocês devem se lembrar de um recente, a campanha da Victoria’s Secret, com as modelos invisíveis, que dizia “Imagine-se aqui!”. Fantástico!
Peter passou alguns dos anúncios para os sócios apreciarem e vendo as expressões satisfeitas, inclusive de seu sobrinho, ele continuou:
- Sabia que iam gostar da ideia e tomei a liberdade de entrar em contato com o jovem Scott. Em quinze minutos de conversa, ele disse que já tinha ideia para uma campanha, mas tinha uma pequena condição. Ele quer o Stilinski como fotógrafo.
- Sem chances! – Anthony Martin protestou – Sabe quanto custa cada foto dele?
- Ele é caríssimo! – Derek emitiu sua primeira opinião – É fantástico, claro. Mas a Laura comprou uma foto dele numa exposição por vinte mil dólares. E isso há quatro anos. Agora isso deve ser ainda mais absurdo.
- McCall garantiu que ele iria cobrar um preço justo.
- Não duvido. – Chris foi o primeiro a concordar – Os dois são amigos a vida inteira.
E meia hora depois todos concordavam que os ganhos reais da Banquet estavam bem e que, para manter isso e expandir o mercado, eles poderiam investir um pouco mais em publicidade.
***
Uma semana depois e Derek havia esquecido o incidente da foto e se concentrava nos números da última planilha de produção quando Peter entrou em seu escritório, sem bater.
- E este é meu sobrinho, Derek.
Ele ergueu o rosto da papelada que analisava e observou o rapaz que tinha um visual despojado e o queixo mais torto que Derek jamais tinha visto na vida.
- Olá, sou Scott. McCall. Vim apresentar ao Peter a ideia da campanha e ver quando podemos começar a produzir tudo.
- Pois é, mas como o Stilinski ainda não chegou, resolvi apresentar ao Scott o resto da empresa. – Peter sorriu – Gostaria que nos acompanhasse, Derek.
- Eu?
- Sim, você vai coordenar essa campanha.
- Não lembro disso ter sido discutido na reunião, Peter.
- Oh e não foi. Eu adoraria estar aqui para ver isso. Mas esta semana tem a Animal Food and Health Convention, no Japão. A menos que queira nos representar no meu lugar.
Derek queria espancar seu tio com toda a força que possuía. Ele sabia que o sobrinho tinha medo de avião. Pânico na verdade, desde a morte prematura dos pais num acidente com o jatinho que os levava num simples vôo doméstico, de Nova York até a Califórnia.
- Ok. – ele se deu por vencido e andou o resto da manhã, explicando a Scott McCall como a empresa funcionava, até que ouviu o telefone do outro tocar.
- Só um minuto. – ele pediu e saiu de perto, voltando em seguida – Stiles chegou, disse a ele para nos encontrar no seu escritório, tudo bem?
- Claro!
Os dois voltaram para o décimo andar do prédio, Derek tentando se lembrar de onde conhecia aquele nome. Stilinski era um fotógrafo famoso, cuja uma das fotos decorava a parede de sua biblioteca no apartamento, mas ele não se lembrava de nunca ter ouvido alguém se referindo a ele daquela forma.
Alcançaram o andar do escritório e logo um par de braços desajeitados envolvia Scott num abraço, deixando Derek sem reação.
- Cara! Faz meses que não te vejo! — a voz de Scott soava feliz.
- Esse trabalho é ingrato! Ainda não acabei de desempacotar minhas coisas e o seu presente que trouxe do Haiti ainda está perdido lá em algum lugar.
Aquela voz soou familiar ao empresário e quando Scott e Stiles desfizeram o abraço, as sobrancelhas de Derek se ergueram num claro sinal de espanto ao reconhecer o stalker do prédio ao lado.
- Você? — ele ouviu Stiles chamando sua atenção, com um sorriso divertido.
- Já se conhecem? — Scott perguntou, olhando curioso de um para o outro.
- Só de vista. — Stiles respondeu, tirando Derek da situação embaraçosa de explicar sobre a foto pseudo-erótica — Ele mora no prédio ao lado do meu. Nossas sacadas são curiosamente próximas.
Derek estava mudo, o rosto impássível, escondendo o embaraço. Mas nada que o impedisse de notar o rapaz ali o medindo de cima a baixo com os olhos.
Fale com o autor