Petrion, o Dovahkin
10 Capítulo 9 - Um acordar surpreso e uma nova aliança
–Então Dovahkiin... O que me diz?
–Espere. Você está me dizendo que reina sobre aquelas coisas?!
–Não, aquelas são criaturas selvagens. Existências vazias que vagam sem motivo, cujo único propósito é destruir qualquer coisa que se mova. Meu povo não se parece nada com estas feras.
–Então onde eles estão? A cidade está completamente deserta!
–Há séculos deixamos de imitar os fantasmas que víamos de vosso mundo. Fomos forçados a abandonar as frágeis criações humanas por fundações mais seguras, já que a vida selvagem de meu mundo é consideravelmente mais perigosa que a de teu mundo. Como deves ter percebido também, sabemos muito mais de teu mundo do que sabes do nosso. Isso porque meu mundo é ocasionalmente visível para olhos humanos a noite, quando sua raça é menos ativa e nas poucas ocasiões em que um humano notava nossa existência, era desacreditado como louco. Aqui ocorre exatamente o contrário, logo, ao invés de se tornar um mito, sua raça foi a base para o início de nossa civilização.
–Acho que não tenho opção senão tomar sua palavra como verdade. O que devo fazer?
–Excelente. Me agrada que esteja disposto a ajudar.
–Sim, claro, mas antes me responda uma coisa. O que esse... mal supremo, ou seja lá o que for, nos traria para cá? Como isso o favorece?
–Para que seus planos se concretizem, ele precisa reunir alguns elementos de luz e alguns elementos das sombras, logo, ele poderia tanto trazer trevas à luz, quanto levar luz às trevas. A escolha dele agora deve estar clara agora. Se esta resposta o satisfaz, agora lhe darei sua missão. A cidade que seus feiticeiros tomaram como base, neste mundo é a maior de nossas cidades. Lá encontrarás o atual Rei das Sombras e ele estará esperando por ti. Lá terás mais detalhes sobre tua empreitada. Teu objetivo é um artefato mágico. O único objeto neste nosso pequeno universo capaz de deixar nosso inimigo vulnerável, já que, no momento, ele é praticamente imortal. A existência de nossos dois mundos depende do sucesso da missão que neste momento lhe atribuo. Compreende isso?
–Sim, não vou falhar.
–Não fiques tão arrogante criança. As Sombras que vem enfrentando serão os menores de teus problemas. Esteja ciente disto.
–Entendi, terei cuidado.
–Assim que retornares a si, tu e teus companheiros não estarão mais no limbo, estarão totalmente no Mundo das Sombras. Seria sábio reunir-se com aqueles de quem foste separado. Agora vai. Teus amigos anseiam por teu retorno.
Com um balançar de seu braço, tudo escureceu e comecei a perceber os ruídos ao meu redor e uma queimação intensa no meu rosto.
–Aaaaaaai... Por que minha cara dói?
–Já não era sem tempo! Estamos com problemas aqui! – Pladius disse me levantando.
–Eita porra! Não posso deixar vocês sozinhos nem por cinco minutos? – respondi rindo.
–Abra a boca apenas pra Voz. Senão, mantenha-a fechada!
–Affe... Deixa de ser reclamão. Muito bem, costas nas costas!
Os monstros se aproximavam. Contei pelo menos quinze deles. Eles variavam em tamanho e formas, e estavam ocupando cada rua ou beco, nos deixando sem uma rota de fuga. De repente, cinco deles viraram nuvens de poeira. E então mais três. E mais outro. Um a um eles foram destruídos, até que não restasse nada além de seus restos, com estranhos virotes espetados neles.
–O que houve? Algum de vocês fez isso? Eu não fiz nada!
–Parados! Soltem suas armas! – Uma voz grave veio de cima e quatro seres apareceram nos telhados, armados com bestas carregadas de estranhas flechas azuis. Eles me lembravam daquele que tinha visto em meu último sonho. – Digam quem são e seus motivos para estarem aqui!
–Deixem que eu falo... Só estamos de passagem! Fomos trazidos do Mundo da Luz! Viemos em paz!
Eles desceram e se aproximaram de nós, mantendo-nos sempre na mira de suas armas.
–Então vocês são seres da luz, hã? Por acaso algum de vocês não se chamaria Petrion?
–E isso importa? – Pladius retrucou rudemente.
–Eu disse pra me deixar falar! Vamos precisar de ajuda, então não os irrite! – Rosnei por entre os dentes. – Esse seria eu. Seu antigo Rei e Guardião me contatou e pediu minha assistência.
–Você... Falou com Ugarth? – Ele pareceu surpreso.
–Sim.
–Mesmo entre as pessoas de nossa raça, são poucos em toda a história os que tenham visto O Antigo. E em nenhuma dessas vezes algo bom se sucedeu. Nosso rei nos enviou para encontra-lo mas não nos disse o motivo. O que ele poderia querer com você?
–Se nos levar até Vossa Majestade, eu lhes explicarei tudo, mas temos que nos apressar. E preciso perguntar, por acaso viram mais de nós no seu caminho até aqui?
–Receio que não. São os primeiros que vemos.
–Entendo. Teremos que encontra-los no caminho. Como se chama?
–Sou Thalor. Sou responsável em nosso reino por encontrar e escoltar até Vossa Majestade qualquer um que seja por ele convocado. Esses três são meus companheiros e equipe de escolta: Ulrand, Styra e Fomer.
Assim como o Guardião, todos tinham dentes protuberantes como presas. Thalor era um pouco mais alto que eu e tinha um cabelo longo e preto. Ulrand tinha cabelo curto e espetado e uma pequena barba cobrindo seu queixo. Folmer tinha feições mais rudes, parecendo um animal. Ele e Ulrand eram muito altos, mais altos que Pladius. Styra tinha um cabelo longo e prateado, com feições mais suaves e presas curtas, chegava a ser bela, mas seus olhos deixavam claro seu temperamento selvagem.
–Como eu disse, sou Petrion, esses são Pladius, Shara e Izidor. Gostaríamos que tivéssemos nos conhecido em melhores circunstâncias.
–É recíproco. Agora vamos andando. É um longo caminho até Niroon.
* * *
Após deixarmos a cidade, nos dirigimos para o Norte. Eu não sabia onde Niroon ficava, mas Dainema se localizava no extremo Norte, no topo congelado das montanhas. Os magos acreditavam que estando nos pontos mais altos da Terra os colocaria próximos das entidades superiores que lhes deram poder, dando-lhes maiores conhecimentos sobre os segredos da magia. Voltando ao assunto, eu tinha apenas uma vaga ideia de para onde estávamos indo. Nós teríamos que atravessar a grande Floresta Lenore. Tem uma grande variedade de formas de vida, mas enquanto se aproxima das montanhas as árvores vão se tornando mais raras, dos animais só se veem os mais fortes e a neve começa a formar um tapete sobre o solo. Antes da floresta existem apenas uma planície e algumas pequenas colinas, nada demais. Estávamos a mais ou menos três dias de viagem da floresta e o silêncio foi quebrado por Shara ao fim do primeiro dia.
–Ei, não chegamos a... Agradecer por salvarem nossos pescoços lá.
–Não precisa agradecer, só cumprimos nosso dever.
–Falando nisso, o que são vocês? E o que são essas flechas esquisitas que vocês usaram contra as Sombras?
–Nossa raça se chama Nor’ek. Ulrand pode explicar melhor sobre aas flechas. Se importa?
–De forma alguma. – Sua voz era limpa e surpreendentemente educada para alguém com aquela aparência. Ele parecia ser o mais gentil (ou calmo) dos quatro – Você deve ter imaginado que esses virotes foram encantados, mas eles foram inteiramente criados por magia. Já percebeu que os corpos das Sombras são instáveis, como se estivessem mudando de forma a todos momento? Bem, isso é um fluxo de energia. Nós descobrimos que os monstros são apenas energia negra convertida em massa, então, notamos um padrão no fluxo de energia e fizemos esse dardos para ressoar com eles e faze-los desmanchar. Ás vezes os dardos não tem energia o suficiente para destruí-los quando são muito grandes, mas geralmente funciona.
–Incrível! Mas de onde toda essa energia vem? E só existem Sombras e a sua raça nesse mundo?
–Nós ainda não sabemos de onde elas vem. Já sobre os seres vivos, não, não somos os únicos, mas desde que as Sombras começaram a aparecer os animais tem se escondido.
–Entendo. Deve ser complicado caçar aqui, não?
–Nem tanto, é só saber onde procurar.
–Muito bem, paramos por hoje – Disse Thalor – Continuamos pela manhã, eu pego a primeira vigia.
–Eu também. – disse Pladius – Não estou com sono. – Estava na cara que ele ainda estava desconfiado dos novos membros do grupo, mas ninguém estava disposto a questiona-lo quanto a isso. Thalor acendeu uma fogueira de chama azul e se sentou próximo a ela, enquanto o resto de nós ia dormir. Pladius se juntou a ele próximo a fogueira e manteve um olhar fixo no outro, que pareceu não se importar e deixou Pladius mais nervoso. Eu ri em silêncio fechei meus olhos. Uma vez mais meus sonhos trouxeram imagens do passado.
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