Petrion, o Dovahkin

12 Capítulo 11 - Almoço sob o sol negro


Após acordar do meu último sonho, comecei a me perguntar por quanto tempo estivemos presos nos subterrâneos da cidade depois do incidente. Foi tempo o suficiente para que minha visões coubessem e ao mesmo tempo uma viagem das Montanhas do Norte até a cidade. Com isso eu calculei que, se o grupo que nos encontrou tivesse deixado as montanhas no momento em que fomos trazidos pra esse mundo, tínhamos ficado nos esgotos por volta de seis dias. Minhas visões podiam ter até cinco dias de atraso, considerando que não haviam sinais de atividade recente na cidade e que a Sombra Gigante não estava mais presa. De qualquer forma, esses pensamentos não me pareceram importantes no momento.

A dupla de vigias agora era Izidor e Styra. Elas estavam em uma animada conversa sobre caça e técnicas furtivas. Aos seus pés haviam três pássaros amarelos e esquisitos. Era estranho ver uma cor de verdade depois de um dia inteiro vendo apenas em escalas de cinza e um azul pálido. As aves tinham uma única perna, no meio do corpo. Possuía dois pares de asas, pequenas demais pra voar, mas que talvez dessem uma velocidade extra em solo. Seu único olho encimava seu bico longo e vermelho. Criaturas curiosas.

Ao me levantar, percebi que fui o último a acordar. Ulgrand e Fomer não estavam a vista, Shara estava acariciando seu lobo (o lobo é o Companheiro Animal dela, todo druida tem um, e pode invoca-lo a qualquer hora. Ele não estava com a gente até então e achei que não faria sentido pra vocês ele simplesmente estar lá, então resolvi explicar.) e, para minha surpresa, Pladius e Thalor conversavam casualmente a alguns metros de distância.

–‘Om dia ‘essoal. – Falei bocejando. Izidor e Styra me olharam de relance e retomaram a conversa. Shara acenou e Pladius me chamou para que me juntasse a ele.

–Bom dia, flor do dia! Finalmente acordou! Venha aqui!

–Bom dia, Dovahkiin. – Disse Thalor. Eu ri e perguntei:

–O que houve Pladius? Há algumas horas você sequer conseguia olhar pra cara dele!

–Bom, eu não estava fazendo esforço algum para ocultar minha suspeita deles. Mas durante a vigia começamos a conversar e decidi que ele parece digno de confiança. Styra também parece confiável, mas ainda estou preocupado com os outros dois. Thalor falou que eles são novos na equipe e também não sabe muito sobre eles, além do fato de serem irmãos.

–O que?! O troglodita e o cavalheiro são irmãos?!

–Sim, é verdade. – Confirmou Thalor. – Meus antigos companheiros se aposentaram recentemente e Ulgrand e Fomer tomaram seus lugares. Eu não sei mais sobre eles do que vocês. Eles simplesmente recusam a se abrir. Ulgrand fala bastante, deve ter dado pra perceber, mas nunca uma palavra sobre si mesmo. Fomer, por outro lado, sequer abre a boca.

–Então vamos ficar de olho neles. Falando nisso, onde eles estão?

–Foram caçar. – Disse Pladius – Styra e Izidor já voltaram com alguma coisa, só estamos esperando eles para começar a cozinhar.

Enquanto esperávamos, Thalor me contou sobre o que ele e Pladius haviam conversado durante a noite. Falaram basicamente sobre as cidades, artes e lendas de sua raça. Ele até me mostrou uma estatueta feita em uma pedra verde brilhante. A estátua tinha a forma de uma pessoa segurando duas espadas cruzadas. Era incrivelmente detalhada, tão bem feita, que cada segundo observando o rosto da estátua me dava mais certeza de que ela podia sentir. Quando mencionei isso, Thalor respondeu: “Haha! Você está certo rapaz! Perspicaz da sua parte perceber. Essas estátuas são feitas quando o artista imprime o que sente na pedra. Como pode ver, essa possui um rosto apreensivo e determinado. Foi feita por um de meus colegas aposentados, quando nosso reino era assolado pela guerra.”

Aproximadamente duas horas depois de eu ter acordado, Ulgrand e Fomer retornaram ao acampamento com dois animais que pareciam esquilos gigantes. Eles tinham o tamanho de porcos, eram peludos, tinham patas da frente curtas e as traseiras compridas e fortes. Tinham apenas dois grandes dentes, que saltavam de cada canto de suas mandíbulas e um grande par de olhos. Decidimos deixar os “esquilos” pra depois e comemos as estranhas aves.

Após a refeição o dia prosseguiu sem problemas. O grupo estava interagindo mais. Até consegui fazer Styra me falar sobre os pássaros.

–Nós os chamamos de Bicadores Ligeiros. Acho que é autoexplicativo. Eles pulam com sua única perna e batem suas asas para fazer um voo curto mas muito rápido. Sua cor natural é o amarelo, mas eles sabem mudar suas cores e enrolar o pescoço em volta do corpo para enganar predadores mais fortes, parecendo plantas, ou qualquer coisa que não seja do interesse de carnívoros. Dá pra ver que o bico deles é afiado né? Quando é a vez deles de caçar, eles se jogam como uma lança em cima da presa. Eles sabem como dar trabalho. – E com um sorriso satisfeito no rosto ela terminou a descrição do nosso almoço.

Essa noite eu peguei a primeira vigia com Shara, já que não tínhamos feito nada o resto dia. Mesmo à noite, quando a paisagem negra era ainda mais negra, eu pude ver no horizonte uma forma branca. Levei um tempo até perceber que era a floresta que estávamos prestes a entrar. Mas estávamos no verão. Não havia neve. As próprias árvores eram brancas.