Pesadelos
14 O Retorno do 5° Arcanjo
Notas iniciais
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Era um dia nublado. Ela adorava dias nublados... Uma tarde amena, onde o Sol se escondera por entre nuvens e a chuva insistia em cair. Garoa. Como gostava de dias assim! Alice estava deitada na grama. Contemplava o céu, sem qualquer pensamento em sua mente, que vagava pela imensidão do azul acizentado. Sentia os pequenos pingos chocarem-se contra sua pele, desnuda pelo vestido anil de alças que trajava. Brincava com a terra entre seus dedos do pé. Seus cabelos estavam espalhados por sobre o solo. A praça encontrava-se deserta. Pelo que Bobby lhe contara, ninguém a visitava a anos...
— Castiel! — Disse num sorriso, quando notou a presença do anjo. Este estava em pé, a encarando de modo intenso. O peso do olhar sobre si fez com que sua face esquentasse, devido ao rubor causado pelo constrangimento — O que foi?
— ... — A ausência de uma resposta só a deixou ainda mais nervosa.
— Por que você está me olhando assim?
— ... — "Como é linda..."
— Cass?! — Chamou-o. Pareceu ter conseguido finalmente tirá-lo do transe em que se encontrava.
— Sim? — Usava o habitual tom indiferente.
— Esquece... — Tentou disfarçar o incômodo e voltou a fitar o nada. O silêncio sempre foi algo muito agradável entre os dois. No entanto, naquele momento a deixava apreensiva. Pensava em qualquer coisa que pudesse dizer, mas nada lhe vinha a mente. Limitou-se a suspirar e cerrar os olhos.
— O que você está fazendo? — Poucos minutos mais tarde, o próprio anjo a tirara de seus desvaneios. Inclinara a cabeça levemente, agora a mirando com curiosidade.
— Nada... - Se levantara subitamente, surpreendendo o mesmo. A menina parara bem em frente a Castiel e o encarava com um sorriso maroto nos lábios — Você 'tá estranho hoje... — Riu.
— Hm. — Murmurou — E isso seria algo... ruim?
— ... — Agora era a vez dela de "jogar". A garota andava em círculos em torno de Cass, vagarosamente, fazendo-o a encarar confuso. Alice apenas ria da reação do anjo.
— O que foi?
— Me diz você... - Mais uma vez parou em frente a este.
— O que quer dizer? — Uma de suas sobrancelhas estavam arqueadas.
— Queria falar comigo? — Perguntou, aparentemente tranquila.
— Estão te procurando.
— Estou aqui.
— Eu sei. — Balbuciou com o olhar perdido.
— Qual o problema? — Alice cruzara os braços em frente o corpo, numa pose autoritária, aguardando a resposta do amigo. A verdade é que nem o mesmo sabia o que se passava.
— Nenhum.
— Então... Ok. — Deu de ombros enquanto corria em direção ao balanço — Me empurra?
— Está bem. — Assim que Alice sentou-se, surgiu atrás da mesma e pôs-se a balançá-la. A chuva intensiicava-se moderadamente — Não seria melhor se voltassemos?
— Você tem algum lugar pra ir?
— Não.
— Pois eu também não. — A brisa soprava gentilmente contra sua tez, agora úmida pela chuva que caía aos poucos. As madeixas negras molhadas, sujas de terra, assim como o vestido, colado ao corpo. Cass parecia não se importar. Num salto, abandonou o brinquedo — Tudo bem: já podemos ir.
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— Pelo que vejo tudo está indo conforme o planejado... — Raphael e seu irmão encontravam-se na mesma praça onde, minutos antes, Castiel e Alice estavam. A chuva se cessara, porém o céu continuava escuro — Você tem feito um bom trabalho, Ezequiel.
— Eu tento. — Sorriu — Também fiquei sabendo sobre a sua excelência e eficiência em cumprir as ordens de Miguel. Se divertindo perseguindo os rebeldes?
— Não tanto. Que graça tem se não posso descontar toda a minha ira no líder deles? Castiel nos trai e vocês os deixam sair impune?! — Reclamava.
— Por favor, Raphael! Castiel logo terá o que merece. Mas por que não desfrutar de sua utilidade no momento?
— Nosso General está se tornando negligente...
— Viu só? É por isso que eu não te apoiei quando nossos irmãos se rebelaram. Está sempre criticando Miguel. Ele é o 1°! Se contente em ser o 5° na linha do Poder. Sou o 7º e não fico me queixando...
— Cale a boca!
— Olha, se queremos mesmo vencer, precisamos do Princípe: ele é poderoso, nossa única chance. Somos os únicos que restaram do Conselho dos Sete: Gabriel e Urieu nos traíram, eram o 4° e o 6°, respectivamente; por isso estão mortos. Samuel tentou se impôr ao General e veja aonde está agora: Prisão Celeste. E era o 3°. Jofiel é o mais sábio, e é o braço direito dele, o 2° na Hierarquia. É impossível derrotâ-lo! E sugiro que não tente tomar seu posto, pois as consequências podem ser graves... Todos sabem o quanto ele é obsessivo e impiedoso. Se você desafiá-lo, Raphael, pode ter certeza de que nosso irmão irá te caçar até os confins do Submundo e não vai descançar até que esteja morto.
— Não me intimido perante ameças. — Debochou.
— Então termine como Lucífer. — Dizendo isso, deixou o outro sozinho com seus pensamentos. Por quanto tempo mais temeriam a autoridade do irmão?
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