Persona Gêmea

11 O homem sem seus problemas


Notas iniciais
Como prometido, nem demorei muito para postar o capítulo! Espero que gostem XD

A loira franziu o cenho, ligeiramente indecisa com as duas opções que lhe foram dadas, e pegou um dos cabides em particular, que exibia um maiô negro cujo tecido tinha uma textura semelhante à de um couro.

-Não vou deixar você comprar um maiô- Mary retrucou, pegando o cabide de suas mãos. –Não com esse seu corpo irritante. Escolha um biquíni. E um bem sexy.

-Não se trata disso, Lady... Esse maiô é realmente bonito e eu gosto dele- Trish argumentou.

-Não vai conseguir um bronzeado decente com um maiô- a morena sorriu, divertida, mostrando as opções de biquíni. –Você finalmente se deu umas férias... Vista algo adequado, por favor.

-Além disso, eu... Não vou poder ficar me exibindo por aí. Você sabe, nem sei se vou ter como usar, vai que minha menstruação desce e...

-Mas ela ainda não desceu- a morena a cortou. –Eu já te falei para fazer a porcaria do exame. Se você realmente estiver grávida, vai ficar linda de biquíni.

-Não vou ficar tanto tempo lá- a loira franziu o cenho. –Só uma semana. Uma barriga não cresce assim, sabia...

-Além disso, Vergil não sabe que você vai, certo?- a garota piscou, animada. –Faça uma bela surpresa para ele. Ou eu vou pegar ele para mim... Quero dizer, ele precisa assumir a responsabilidade, não é?

-Do jeito que você fala, até parece que vou dar o “golpe da barriga” nele- a mulher replicou, achando graça.

-Ah, pare com isso, Trish... Vergil parece o homem perfeito para se casar- a outra argumentou, empolgada.

-Claro- a loira ironizou. –Excluindo o narcisismo e a sociopatia...

-Lá vem você- ela riu. –Pense nos bons tempos... Em quando você transava com o mesmo cara que eu no mesmo fim de semana.

-Não comece, Lady... Nenhuma de nós duas sabia das condições que envolveria transar com ele- a loira riu, pegando um biquíni de estampa tropical, de cores quentes. –Além disso, já acabou. Vergil já está livre de seu martírio e...

-... E não há mais uma personalidade incomum à qual você esteja apaixonada- a amiga reiterou.

-Não fale isso- Trish crispou os lábios, fitando os biquínis.

-Falo para o seu bem, Trish- Mary juntou as sobrancelhas, preocupada. –Você só foi atrás dele porque ficou impressionada com o “perfil psicológico” dele... E se o que sente desaparecer só porque você supostamente “curou” ele...?

-... –a loira hesitou.

-Eu sei que é bem fácil se iludir e gostar dele sem os problemas psicológicos que você diagnosticou- a morena zombou. –Mas, sabe como é, ele não faz o seu tipo sem a sociopatia e aquelas tranqueiras que você disse.

-Claro... –a loira reiterou, irônica. –Rico, sério, bem-sucedido... Completamente gostoso... Ele não faz o meu tipo.

-Definitivamente não faz- a outra concordou, divertida.

-Eu não sei, Lady- Trish falou, voltando à seriedade normal e escolhendo outros dois biquínis. –Vou saber de tudo quando voltar a falar com ele. Vou aparecer no Congresso de Engenharia da Flórida por acaso e veremos o que acontece.

-Vergil e praia não combinam, apesar de tudo- a amiga sorriu. –Não com aquela pele pálida dele. Podia levar algumas lingeries além das roupas de banho. Aposto que serão mais úteis.

-Você é terrível, Lady- a loira riu.

-Ah, claro- a morena retrucou. –Você vai se encontrar com ele por uma semana no congresso e não espera nada de mais? Deita e rola, amiga! Se fosse eu, descobriria em que hotel ele está e ficaria no rala-e-rola durante a semana inteirinha.

-Lady, se eu estiver mesmo grávida, não vou ficar pensando em transar com ele em todos os cantos!- Trish resmungou, ofendida.

-É esse seu problema:- a morena jogou os biquínis e lingeries para cima em um momento de descontração, então riu. –Trish, se você estiver mesmo grávida, precisa transar com ele até não agüentar mais! Depois, quando você estiver com barriga, tudo vai ser mais complicado!

-Você- a mulher apontou acusatoriamente. –É uma pervertida.

-Sou mesmo- a outra afinou os olhos, divertida.

-E eu vou levar isso- retrucou, corando, pegando algumas lingeries que deixara expostas em cima da cama. A morena não disse nada, mas socou o ar em um gesto de vitória que irritou a outra.

*****

Ao contrário do calor e da umidade que esperava de Miami naquela época do ano, deparou-se um clima frio. Apesar das aparências, a Flórida era um estado tão frio quando a maioria dos outros estados.

-... –ela hesitou, sem qualquer ação quando chegou no aeroporto.

Pegou suas malas, um táxi e foi para um hotel de uma rede conhecida, onde pagou o táxi e fez o check-in no balcão. Um grupo de empresários passou atrás de si, mas ela os ignorou, mesmo porque não precisava ouvir os comentários idiotas que a maioria deles fazia quando a via.

Então sentiu uma mão em seu antebraço.

Ia virar-se para protestar quando se deparou com Vergil, aparentemente surpreso de tê-la encontrado por ali.

-Vergil...?- ela arqueou as sobrancelhas, surpresa.

-Você a conhece, senhor Sparda?- um homem comentou, malicioso.

-O que faz por aqui fora de temporada, senhorita Monroe...?- ele perguntou e aquele tom impessoal adicionado ao seu apelido nonsense pelo qual Vergil a chamara pela primeira vez pareceu atordoá-la.

-Eu... Pensei que conseguiria aproveitar as praias daqui- ela comentou, distraída. –Mas parece que errei de estação. Não imaginei que estaria tão frio.

-Senhor Sparda... –outro homem o chamou.

-Cancele meu almoço- Vergil retrucou para o homem, assustando-o. –Eu vou almoçar com a senhorita aqui. Se ela aceitar minha companhia, claro.

-Continua egocêntrico como sempre- ela mordeu o lábio inferior para que um sorriso não se formasse.

-O senhor acabará perdendo sua credibilidade, senhor Sparda- o primeiro homem, um senhor alto, careca e de terno italiano retrucou. –Passa meses sem firmar negócios, sem manter contatos. E cancela almoços por nada.

-Não se incomode com meus créditos, senhor Rooney- Vergil replicou, fazendo um meneio com a mão, indicando sua indiferença. –Sei exatamente minha posição. E da sua também. Permita-me acrescentar esta falta à sua lista dos meus desfalques, por favor... Irei compensá-lo outra hora.

-Ora, mas que arrogante... –o homem, Rooney, retrucou em voz baixa.

-Agora, se me permite... –e se afastou, puxando a loira pelo pulso. Pediu que um dos rapazes da recepção levassem as malas da mulher para seu quarto e deixou uma nota alta no bolso deste, desaparecendo na área da piscina.

Era uma época fria, então era absolutamente natural que o lugar estivesse vazio.

-Bem pensado- ela falou, se espreguiçando. Ainda estava cansada da viagem de avião e de toda aquela conversa com aqueles empresários elitistas. –Imagino que, para todos os pesares, sua internação foi levada com vista grossa e que todo esse tempo você só esteve afastado por motivos de saúde.

-Hm- ele anuiu. –Como eu nem cheguei a ser oficialmente acusado no tribunal, não há o que se espalhar por aí.

-Que bom para você, não é? –ela sorriu. –E pensar que sua outra personalidade me culpava por todos os problemas que você viria a ter.

-O que faz por aqui, Trish?- ele a olhou, sério. –Eu não acredito em coincidências. Você não está aqui por acaso.

-Está me acusando de ser uma stalker ou algo do tipo?- ela replicou, ofendida. –Por favor, eu tenho uma vida.

-Não estou dizendo o contrário, cara senhorita Monroe- o homem sibilou, satisfeito com a reação defensiva que ela assumira. –Além do mais, não seria a primeira vez que veio atrás de mim.

-Eu acredito em acasos- a mulher retrucou, ofendida, jogando os cabelos para trás enquanto se sentava em uma cadeira e constatava que estava com frio. –E diria que fora um agradável acaso encontrá-lo por aqui, não fossem as suas acusações. Além disso, estou ficando com frio. Você me trouxe para cá e eu sequer tive como pegar um casaco ou algo do tipo.

-Finalmente está mostrando suas garras, agora que acredita que não sou mais perigoso...?- ele a olhou, então puxou-a até uma sala e se trancou nesta junto com ela. –Pronto.

-O que quer dizer?- a mulher arqueou uma sobrancelha e ele livrou-se do terno que usava, da gravata e, em seguida, da camisa. –O que está fazendo?

-Ora, isso é uma sauna- ele respondeu, como se fosse óbvio. –Seria meio idiota ficar de terno em um lugar como esse.

-... –a loira franziu o cenho, então deu um muxoxo em derrota e tirou o vestido que usava, revelando um biquíni por baixo. Era um modelo de amarrar no pescoço e nos quadris, parecia uma estampa havaiana em cores fortes.

Trish definitivamente não sabia como agir em uma situação como aquelas. Tudo ali parecia improvável demais. Sentou-se em um banco, entediada e decidida a não revelar que tudo não era uma mera coincidência, começando a sentir o vapor em sua pele.

-Você é realmente teimosa- o homem comentou, recostado na parede, e cruzou os braços.

-E você é muito metido- ela retrucou. –O que o faz pensar que está certo? Eu vim aqui por acaso, querendo aproveitar um pouco umas férias que decidi me dar. Encontrei você aqui por acaso. Achei que fosse algo bom, mas foi muita inocência minha, não é? Você acabou se tornando um homem bem desagradável, como o resto daqueles empresários.

-... –Vergil permitiu-se um sorriso de canto e desviou o olhar.

-Pare de sorrir- ela replicou, ofendida.

-Que ingênua, senhorita Monroe- o homem se aproximou. –Achou que eu continuaria o mesmo homem que você conheceu, com os mesmo problemas que você diagnosticou em suas irritantes sessões psicanalíticas?

-Eu não...!- então ela se calou, irritada. Marylin Monroe também era ingênua e terrivelmente carente. Era por isso que ele a chamava daquele jeito? Que prepotente... Deu um muxoxo.

-Talvez queira ir para o seu quarto- ele comentou. –Deve estar cansada da viagem. Não vou mais tomar o seu tempo com indagações vãs.

-Ótimo- a mulher se levantou, recolhendo seu vestido.

-Sabe, outro dia eu tive um sonho engraçado que me lembrou você- ele comentou, sem se importar em mudar drasticamente o rumo da conversa. –Eu sonhei com Dante. Ele estava se despedindo. Foi bem estranho, sabe.

-Você tinha dito que seria- ela falou, um pouco magoada por se lembrar da época em que ainda havia algo entre eles. Talvez um pouco de cumplicidade.

-Sim, eu tinha- ele anuiu, distraído.

-É melhor eu ir- Trish se virou para a porta e esperou que Vergil a parasse, mas ele não o fez. Então ela seguiu, sentindo o choque térmico quando saiu da sauna e foi para o seu quarto, ainda irritada com tudo aquilo.

Fora uma besteira ir até ali. Já sentia o impulso de pegar suas malas, que sequer se dera ao trabalho de desfazer, e pegar o primeiro avião para San Francisco, de volta à sua rotina. A um lugar seguro, sem mais complicações. Sem psicopatas. Sem tentativas de estupro. Sem homicídios. Sem Vergil.

Tudo que ocorrera naquele último mês fora por culpa dele. E ele era irritante o suficiente para não assumir a responsabilidade.

A culpa não é dele... Uma voz argumentou em sua cabeça. Não há como ele prever que você está grávida.

Toda aquela situação era angustiante.

Sua menstruação não descia e o exame de farmácia que fizera deu positivo, mas ela não estava assustada. Isso era terrível. Estava grávida e era como se esse fato não lhe despertasse qualquer anseio ou dúvida.

Queria sentir o medo. Queria compartilhar isso com alguém. Mas não podia se aproximar de Vergil e dizer: “acho que estou grávida, possivelmente de um filho seu”.

-... –se ergueu, tomou um banho quente e vestiu uma roupa qualquer, pegando sua bolsa e o cartão do quarto antes de sair. Como não podia beber, decidiu que iria tomar alguma sobremesa deliciosa e ligaria para Mary para lhe pedir conselhos sobre o que fazer naquela situação.

-Senhorita Williams?- ouviu e parou, deparando-se com um dos recepcionistas do hotel. –O senhor Sparda pediu que lhe entregasse isso quando a senhorita descesse.

-Obrigada- aceitou o envelope e deu uma gorjeta ao homem, que se afastou, satisfeito.

Intrigada, ela abriu o envelope e encontrou um bilhete e um cartão do hotel. Pegou o bilhete e o leu, curiosa. “Peço perdão se fui rude hoje. No intervalo das 15h até as 20h, estarei ocupado com reuniões e com idas ao congresso, mas gostaria de falar com você. Este é o cartão de um quarto, pode me esperar nele, se preferir.”

Que arrogante... Ela quis rir quando amassou o bilhete e jogou no lixo. Pegou sua bolsa e foi até o restaurante do hotel, onde pediu um petit gateâu. Perguntou as horas ao garçom e ele lhe respondeu que passava um pouco das seis da tarde.

Trish tomou a sobremesa, curiosa com o que estava por vir.

Notas finais
Bom, a fic está na reta final. Deve ter sido a fic mais viajada e mais UA que eu já escrevi na vida, me desculpem XD
Espero que curtam até o final! n.n