Persona Gêmea
12 A psiquiatra irritante
Notas iniciais
Não sabia ao certo o que significaria se ela aceitasse ir ao quarto que Vergil indicara e refletiu muito sobre o que fazer nesse meio tempo. Mary pareceu irritada com sua indecisão.
-Merda, Trish, a vida também serve para se fazer o que der na telha!- ela retrucou, quase estourando os tímpanos da amiga pelo outra lado da linha. –Se você acha que ir até esse quarto é humilhação, então se humilhe um pouco e vá até ele, droga! Você gosta dele, não é? Ele vai ser o pai do seu filho, não é? Então que se foda o mundo, apenas vá para a droga do quarto e transe com ele até se cansar disso.
-Lady, você ao menos escuta o que fala?- Trish franziu o cenho.
-Claro que escuto- a morena deu um muxoxo. –Mas eu estou falando sério. Vá até lá e tire tudo a limpo. Se não é para dar certo entre vocês, ao menos seja sincera... Conte a ele o que está acontecendo. De jeito nenhum que eu vou permitir que você tenha uma criança sem que o pai sequer saiba do fato. Nem que eu tenha que ir para...!
-Lady- a loira chamou, hesitante. –É muito ruim não sentir nada?
-Do que você está falando?- a amiga perguntou, parando de falar subitamente.
-Eu não sinto nada quanto a essa gravidez- a mulher falou, mordendo o lábio inferior. –Não sinto medo. Não me sinto triste. E nem feliz. É como se nada estivesse acontecendo comigo.
-Trish... Eu sei que pode parecer bobeira o que vou dizer, mas... –Mary hesitou. -... Talvez seja melhor você procurar um psiquiatra. Essa sua indiferença pode ser indício de uma depressão.
-Isso seria engraçado... –Trish deu um risinho triste. –Uma depressão pré-parto. E ainda em uma psiquiatra.
-Trish, eu estou falando sério- a morena suspirou. –Estou preocupada com você.
-Tudo bem- a loira anuiu, passando a mão pelos cabelos para ajeitá-los. –Vou ver o Vergil e, conforme for, prometo me consultar com um médico depois disso. Um ginecologista e um psiquiatra, eu prometo.
-Que bom- a outra falou. –Assim fico mais tranqüila.
Quando entrou no quarto que Vergil lhe designara, acabou se surpreendendo. O hotel era bem luxuoso e mesmo o seu quarto, como uma suíte comum, já era demasiado confortável para uma estadia de uma semana.
Era bem amplo, com uma cama de casal com as colchas e lençóis naturalmente organizados.
O quarto era revestido por papéis de parede de bom gosto, que dava um tom impessoal que era bem incomum em hotéis, e os móveis tinham um ar moderno. Havia uma grande televisão LCD de plasma, uma bancada de vidro, uma estante com DVDs que estavam à disposição do hóspede, uma mesa com um par de cadeiras e um cinzeiro exótico.
Também haviam criados-mudos, uma poltrona perto das belas cortinas de linho que davam para uma sacada e um frigobar moderno.
Trish se sentou na cama e ficou olhando os DVDs, esperando o horário que combinara com Vergil para se encontrarem ali. A mulher refletiu se não haveria segundas intenções naquele convite para encontrarem-se em um quarto, mas não ligou muito para isso.
Não faria muita diferença se houvesse.
-Boa noite- ouviu, vendo o homem entrar o quarto e deixar a maleta em cima da bancada de vidro. –Então você veio mesmo.
-É- ela limitou-se a dizer. –Fiquei curiosa.
-Com o quê?- ele perguntou, afrouxando a gravata e deixando o paletó em cima de uma cadeira.
-Sociopatas ou narcisistas não pediriam desculpas se tivessem sido rudes em alguma ocasião- ela falou, jogando os cabelos para trás.
-Hm, tem razão. Vou retirar minhas desculpas agora mesmo- ele falou e, embora não houvesse ironia em sua voz, Trish reconheceu o escárnio. –E então? Achei que iria reclamar do convite ou me acusar de ter segundas intenções por trazê-la para conversar comigo em um quarto com uma cama de casal.
-Não, não vou reclamar- ela deu de ombros. –Pode ser uma mera coincidência. Não sei se caras como você normalmente pedem quartos com cama de casal ou se convidam mulheres para conversar em seus quartos com outras intenções, por isso não vou acusá-lo de nada.
-Está me escondendo alguma coisa, Trish?- ele a olhou, examinando quase que por dentro da mulher quando fitou seus olhos.
-Talvez- ela umedeceu os lábios.
-Não tem medo do que eu possa fazer com você?- o homem perguntou, contendo o sorrisinho que ameaçou se formar.
-Já transamos, então não é como se eu temesse algo do tipo- ela passou a mão pelos cabelos. –E eu tenho um longo histórico de violência com homens. Quase fui estuprada pelos homens do Arkham... O próprio Dante tentou me enforcar. Não sei se tenho muito mais medo de você do que tive dos outros...
-Vejo que já não é mais tão inocente- ele sorriu de canto.
-Não me enrole, Vergil. Apenas me diga o que queria falar comigo- a mulher pediu, se levantando da cama. -Ou você só me chamou porque está afim de transar?
-Hm, seria unir o útil ao agradável, não acha?- ele a prendeu contra a mesa, próximo demais de si, na opinião da mulher. –Podemos conversar e, convenientemente, ter uma boa transa depois, não acha? Foi por isso que aceitou meu convite?
-Pareço uma mulher de uma única transa, Vergil?- ela o repeliu, usando o mesmo tom afável que ele estava usando anteriormente. –Com quem você se diverte e descarta logo em seguida?
-... –ele puxou os cabelos dela de leve e expôs o pescoço dela, mordendo-a de leve na região sensível e arrancando dela um gemido involuntário. –Não, Trish. Você sabe que não...
-Sou uma transa boa demais para uma única noite, não é?- ela sorriu amargamente, segurando-se na camisa dele.
-Eu não te chamei aqui para isso, Trish- Vergil falou, afastando-se dela e fitando-a do seu modo calmo de sempre. –Eu a chamei para pedir desculpas. Eu não a tratei como deveria e isso vai se repetir se continuar assim. Porque você não vai me contar o que aconteceu sem achar que isso está ferindo seu orgulho.
-Então é assim...? –ela franziu o cenho. –A culpa é minha?
-Eu não disse isso- ele replicou, sério.
-Deixa pra lá... Isso está me deixando enjoada- a mulher se afastou. –Eu nem deveria ter vindo aqui, para começo de conversa.
-Se está enjoada, por que não se senta?- ele segurou seu braço.
-Tenho certeza de que ficarei melhor quando estiver em meu quarto- a loira tentou se livrar dele, mas o momento era diferente de quando estavam na sauna. Vergil não queria que ela fosse embora agora.
-Então é isso que está te preocupando?- o homem perguntou, ainda impedindo-a de ir embora. –É isso que você não quer me contar? Você está grávida?
-Talvez- ela retrucou, ofendida. –E se estiver? Não faria diferença, não é mesmo?
Vergil não respondeu ao àquela acusação. Não por falta de argumentos, mas porque entendia que era culpado por ela estar se sentindo daquele jeito. Trish hesitou, mordendo o lábio inferior, como fazia quando estava nervosa, e permitiu que ele a guiasse até a cama, onde se sentou.
-Você está grávida, Trish?- ele repetiu, calma e eloqüentemente.
-Talvez- ela respondeu, igualmente calma. –Minha menstruação não desce, eu estou sentindo esses enjôos e o teste que comprei na farmácia deu positivo.
-Viu?- ele a olhou. –Não é difícil contar o que está acontecendo.
-Você é muito arrogante- ela retrucou, embora não estivesse mais tão irritada quanto antes. –É muito difícil lidar com você. Antes que eu perceba, o flerte já se transformou em discussão e tudo o que eu quero é sair de perto de você.
-Ao mesmo tempo que quer que eu não a trate como a transa de uma só noite, não é mesmo? –ele a puxou pela nuca de leve, sentindo os cabelos macios em sua mão, e roçando os lábios nos dela. –Por isso você veio.
-Você é um narcisista irritante- a loira mordeu o lábio inferior, permitindo que ele a beijasse de leve.
Então entreabriu os lábios, permitindo uma carícia mais profunda, segurando-se com força na camisa que ele usava. Sentia-se febrilmente molhada. Vergil tinha esse efeito excitante sobre ela, que a inebriava e a fazia se arrepiar com apenas um de seus olhares.
Sentiu a mão dele roçar a barra de sua saia e desviar do tecido.
Beijou-o lentamente, permitindo que seus dedos penetrassem pelas laterais de sua roupa íntima e acariciassem a região sensível de mantras finas, que já estavam úmidas de excitação.
Ele empurrou-a, deitando-a na cama, e ficou sobre ela, quando retirou a calcinha para penetrá-la com dois dedos. O ato súbito a impediu de conter um gemido, obrigando-a a se agarrar na camisa dele com ainda mais força.
-O que faria se eu não tivesse arrancado isso de você?- ele perguntou, sério.
-Você fala da informação ou da minha lingerie?- ela zombou, arqueando-se para sentir os dedos mais profundamente.
-Do fato de que está grávida- o homem falou, masturbando-a, distribuindo beijos cálidos na curva dos ombros e do pescoço da loira. –O que faria se não me contasse? Teria o filho sozinha? Seria uma terrível imprudência.
-Eu não vejo problema em criar um filho sozinha- ela sibilou, ofegante. –Poderia colocar o nome dele de Dante.
-Que piada infame- Vergil meneou a cabeça, contendo um sorrisinho, acelerando os movimentos subitamente, fazendo-a arquejar de prazer.
Trish ofegou, ante ao orgasmo, sentindo-o mover os dedos dentro de si mesmo quando chegou ao ápice, quando o prazer começou a se esvair aos poucos. Ele parou somente quando todos os músculos do seu corpo relaxaram após o espasmo prazeroso que tivera, fitando-o ofegante.
-Eu falei sério- ela respondeu. –Hora nenhuma eu disse que você iria se responsabilizar por algo assim. Eu deixei de tomar os anticoncepcionais e também prometi à Lady que iria a um ginecologista confirmar isso.
-É egoísmo seu- ele falou, livrando-se da camisa que usava. Trish desabotoou a calça que ele usava e mordeu o lábio inferior, envolvendo-o pela nuca com seus braços finos para roubar-lhe beijos impudicos.
-Não pode falar nada- ela retrucou, mordendo o lábio inferior dele entre um beijo e outro, faminta por tudo que ele pudesse lhe oferecer. –Queria somente sexo, nunca pensou em um filho e continua não pensando.
-Não posso negar- o homem prendeu as mãos dela com apenas uma sua e a fitou, dominada e indefesa debaixo de si.
-Não quero incomodar- ela sibilou, próxima aos lábios dele. –Não preciso que assuma meu filho.
-Você vai ser assim, não é? Vai ser a psiquiatra irritante até o final- ele zombou, beijando-a de leve na curva do pescoço, forçando-a a abrir as pernas com a mão livre e se encaixando entre estas.
-Eu estou pouco me importando para o que você diz- a mulher arqueou-se, sentindo o corpo másculo contra o seu, desejando com todos os seus poros que ele a penetrasse. Ofegou, esperando o ato, fitando-o dolorosamente, quase que implorando para ele a dominasse completamente o mais rápida e violentamente possível.
-Mas se importa com o que faço- ele sussurrou em seu ouvido. –E eu já lhe avisei que não sou como os outros caras com quem você transa.
-...!- Trish estava tão excitada e a necessidade de tê-lo dentro de si era tão intensa que iria implorar por isso.
Vergil parecia prever isso. E a penetrou dura e profundamente sem necessidade de Trish fazê-lo – não por piedade do pobre orgulho da mulher — , mas por saber que isso acabaria com o humor dela após tudo isso.
E ela arquejou, permitindo-se um gemido gutural.
Vergil movimentou-se dentro dela sem se importar em ser lento, soltando as mãos dela que logo o envolveram para distribuir arranhões em suas costas, misturando sua dor com o prazer de tê-la.
Sua respiração ficava mais superficial a cada estocada e ele apertou os lençóis, contendo gemidos que ameaçavam sair de sua boca quando sentia as unhas finas da loira cortarem sua pele dolorosamente.
Mordeu-a na curva do pescoço, deixando uma marca vermelha da violência, o que fez a mulher gemer contra seu ouvido, excitando-o ainda mais.
Parecia preso em um vórtice de prazer.
As ondas crescentes o envolviam, cada vez mais forte e profundamente. Debaixo do seu corpo, sentiu Trish se contrair com um espasmo e parar, ofegante, seus músculos internos se contraindo com o orgasmo.
Pouco depois, também gozou, pulverizando seu líquido quente dentro dela.
Parou, respirando apenas superficialmente, e provou uma gota de suor de escorria por entre os seios dela, beijando-a em seu colo, mordiscando-a eventualmente em seu queixo e em seu pescoço.
-... –ele apertou a pele dela contra o seu corpo, um ato terrivelmente possessivo.
-Vergil... –Trish arquejou, exausta. Ele a olhou e ela o beijou de leve. –Eu não sou uma transa de uma noite.
-Hm... Você me avisou mesmo- ele aquiesceu, passando a mão pelos cabelos lisos e macios dela, aspirando a fragrância asfixiante de lírios que ela exalava.
-E então? –a loira passou a mão pelos cabelos dele, roçando suas unhas sensualmente por sua nuca em um pedido implícito de que queria mais.
-Você vai ficar aqui durante o congresso, não é mesmo? –ele deduziu e sequer esperou uma resposta dela. –Eu adoraria ter sua companhia. Podemos ver o que acontece quando voltarmos para San Francisco... Não sou obrigado a assumir seu filho, certo?
-Idiota- a mulher se segurou para não socá-lo.
-Deixe de ser tão chata- ele a beijou, impedindo-a de retrucar. –E não comece com os seus diagnósticos. O dia foi muito cansativo e eu não gostaria de ouvir nada desagradável vindo de você...
-Você fala como um recém-casado. –Trish retrucou.
-O quê? Também não tenho o complexo de um?- ele zombou e ela bateu de leve em seu peito rígido como protesto, envolvendo-o logo em seguida para beijá-lo e exigir completa satisfação até o fim da noite.
*****
Acordou sentindo-se indisposta e saiu da cama com o cuidado de não acordar o engenheiro. Pegou suas roupas caídas no chão e as vestiu, pegando as dele logo em seguida para dobrá-las e deixá-las em cima da bancada de vidro.
Pegou sua bolsa e saiu antes que ele acordasse, deixando um recado num cartão de visitas do hotel que iria ao médico.
Passou em seu quarto, tomou um banho quente e vestiu uma calça jeans e uma blusa, esquecendo-se de que faria um dia frio novamente. Pediu um táxi na recepção e perguntou sobre uma clínica ginecológica, certificando-se de perguntar à uma das mulheres que ali atendiam.
Chegou, pediu para ser atendida e pagou a consulta previamente. Era uma ginecologista bem conceituada e havia vários diplomas, inclusive de urologista, obstetra e coisas do tipo em sua parede.
Parecia simpática.
Explicou sua situação e ela fez o pedido de um exame de sangue, que poderia ser feito imediatamente na clínica ao lado. Pouco depois Trish voltou com o resultado.
-Hm... Você disse que sua menstruação está atrasada- a ginecologista perguntou, examinando-a por cima dos seus óculos sem armação.
-Sim, há um mês, mais ou menos- a loira anuiu.
-Olhe aqui, senhorita Williams- a mulher mostrou os exames, indicando uma linha dos exames. –Este aqui é o Beta-hCG. Vê? É o que indica se você está grávida ou não.
-... –a mulher arqueou uma sobrancelha, tentando assimilar.
-Não há nenhuma alteração significativa- a ginecologista informou, com certo pesar. –Eu sinto muito. A senhorita estava querendo muito ter um filho?
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