Pernico - Love is a Long Road
27 Thalia
Notas iniciais
– XIV –
Thalia
Saber que Atena havia se aliado ao inimigo poderia ter sido um choque se Thalia já não esperasse por algo assim vindo de sua irmã divina. Talvez... talvez seja esse o motivo que levou Annabeth a nos trair...
Mesmo que não confessasse Thalia sentia-se de certa forma culpada pelas escolhas da filha de Atena. Se eu não tivesse sido tão ausente... Éramos como uma família... Annabeth, Luke e eu...
– Não há nada que possamos fazer agora! – declarou Nico.
– Nico... – tentou argumentar Elüho, o elfo – Se Aggna descobrir que Atena está ajudando Éris... ela... ela trair-lo-á!
– Por que ela faria isso? – perguntou confusa.
– Porque Atena é uma das faces da Deusa... a face anciã... – explicou Nico – Aggna usaria isso para fazer o Povo Místico e o Povo Antigo jurarem lealdade à Atena e por consequência à Éris...
– Devemos ser discretos, – aconselhou o elfo – as primeiras fogueiras do Beltane já devem ter sido acesas a essa hora. Levá-los-ei aos seus aposentos.
Subiram uma escada em espiral que parecia ser toda feita de cristal verdejante, cruzaram alguns corredores e chegaram até uma porta cujas dobradiças estavam encantadas com runas antigas.
– A garota deve ficar aqui, – comunicou Elüho – junto daquelas ainda muito jovens para o Beltane. A porta é encantada e só se abrirá com a luz da alvorada de amanhã. Não se preocupe, estará segura.
Thalia hesitou, encarou Nico nos olhos por um instante e ele lhe devolveu um olhar encorajador. Nada de bom acontece quando nos separamos...
A filha de Zeus por fim cedeu e os outros seguiram sem ela. Sentiu a porta fechar-se atrás de si e um calafrio percorreu sua espinha. Thalia observou o aposento com certa desconfiança. Havia várias beliches dispostas de forma circular, todas arrumadas com lençóis de seda branca e travesseiros de algodão, tudo era perfeitamente iluminado mesmo não havendo janelas. Estou trancafiada...
Adentrou mais no cômodo e foi abordada por duas garotas de orelhas pontudas.
– Olá – cumprimentou a maior (que era uma cabeça menor que Thalia), seus cabelos eram castanhos e curtos, e seus olhos uma mistura de vermelho e laranja, estava vestida com uma túnica cor de terra e tinha a pele bem corada e bronzeada – Sou Jnël.
– E eu sou Kaoe – apresentou-se a menor que mais parecia uma boneca, vestia um vestido muito largo cor de areia, tinha a pele rosada e olhos cor de âmbar.
– Ahn... olá, sou Thalia.
– Você não é uma fada, por que está aqui? – indagou Jnël.
– Para ser sincera eu não sei... – confessou Thalia cuja única certeza era a de que não queria permanecer ali.
– Você parece velha... Por que trouxeram você para cá? Devia estar participando do rito. – disse uma voz feminina que não parecia muito infantil como a de Jnël e Kaoe. A dona da voz então desceu de uma das beliches, vestia uma túnica azul safira, tinha os cabelos longos pretos e eles, de alguma forma, pareciam sempre inquietos como que numa rajada de vento, mesmo não havendo uma brisa sequer passando por aquele quarto totalmente fechado, sua pele era incrivelmente alva. – Sou Manina – apresentou-se a fada estendendo uma mão em cumprimento, Thalia ficou abismada com como os olhos dela eram tão azuis quanto os seus. A filha de Zeus apertou a mão da fada em cumprimento.
– Prazer, sou Thalia, filha de Zeus.
Jnël e Kaoe se entreolharam surpresas e Thalia sentiu uma descarga elétrica vinda do aperto de mãos com Manina.
– Zeus... – pareceu refletir Jnël.
– Que legal! A humana estranha é irmã da Manina! – aplaudiu Kaoe.
– Como... do que estão falando? – perguntou Thalia surpresa.
– Sou filha de Taranis, a personalidade celta de Júpiter. – declarou Manina com os olhos semicerrados avaliando Thalia.
Júpiter que é a personalidade romana de meu pai... e o pai de Jason...
– Você também não é uma fada – observou Thalia já que sua suposta irmã não tinha as orelhas pontudas.
– Sou uma meio sangue – afirmou Manina.
– Mas não como eu – rebateu Thalia.
– De fato, – concordou Manina observando os gestos de Thalia com frieza – pelo o que vejo metade do seu sangue é divino, como o meu também o é... mas a outra metade é relesmente mortal enquanto a minha outra metade é mística. Sou metade deusa e metade fada.
Thalia sentiu a ofensa disfarçada de desprezo nas palavras de sua nova irmã, mas tentou relaxar e evitar uma tragédia. Ao amanhecer sairia daquele quarto e reencontrar-se-ia com Percy e Nico, e juntos esperariam o portal abrir ao crepúsculo. Até lá devia ser discreta como aconselhara Elüho.
– Vou me deitar, prazer em conhecê-las.
Caminhou até uma beliche vazia e deitou-se na parte de baixo, não se arriscaria dormir em cima, mesmo que não fosse assim tão alto...
***
– Ei! Ei, humana! Está na hora! – ouviu Thalia que despertava-se aos poucos.
A luz da alvorada invadia o quarto através da porta aparentemente aberta agora. Thalia viu que era a fada Jnël quem a estava acordando.
– Amanheceu tão rápido – observou a filha de Zeus levantando-se com um salto. Não saberia dizer quando conseguiu dormir, mas não parecia fazer muito tempo.
– Faz tempo que não dorme bem? – perguntou Manina parando ao lado de Jnël. Seus cabelos longos estavam como antes, balançando como se houvesse vento e seus olhos pareciam ainda mais azuis e sua língua ainda mais afiada – Não importa, venha, vamos tomar o desjejum.
Desjejum... é como Lady Ártemis chama o café da manhã... lembrou-se com certa tristeza, há muito não via a Senhora.
– Preciso encontrar meus amigos primeiro – Thalia agradeceu pelo convite e já ia andando.
– Espere, – disse Jnël – pode acabar se perdendo, vamos com você. Não é mesmo Manina?
A fada de azul limitou-se a balançar os ombros. Juntas, as três foram procurar pelos meninos, o problema é que Thalia não fazia ideia de onde ir. Kaoe aparentemente já havia saído.
– Parece perdida amiga – observou Jnël – Quem são os amigos que você disse que tem que encontrar?
– Percy Jackson, filho de Poseidon, e Nico Di Angelo, filho de Hades – informou Thalia.
– Sua Majestade está na Arcádia? – os olhos de Jnël se arregalaram tanto que poderiam ter saltado para fora de suas órbitas – Por que não disse antes?! Sei exatamente onde ele deve estar!
Dito isso a fada correu na frente, cruzando vários corredores.
Deuses, ela é rápida!
– Venies, sempre hiperativas – disse Manina com um sorriso de canto. Thalia e ela tentavam com muito esforço acompanhar os passos da Venie.
Jnël estava longe num corredor longo, mas parara de correr. Estava apontando entre pulinhos para uma porta. Thalia e sua nova irmã chegaram arfando.
– É aqui, é aqui! – repetia Jnël.
A porta era ornada com a imagem de duas mulheres magras com asas espectrais roxas e túnicas pretas dançando sobre flores de lótus desabrochadas. Sem dúvidas parece com algo que agradaria o Rei Fantasma...
– Você é a amiga, vá em frente – instigou Manina.
Thalia abriu a porta devagar. O aposento era enorme, a primeira coisa que viu foi um armário de ébano e uma cama enorme cuja cabeceira parecia erguer-se até o teto sendo enfeitada com uma cortina de seda cor de mel que caía sobre ela projetando uma sombra sinuosa. Viu duas pessoas deitadas nela sobre lençóis lilases. Se aproximou mais e sentiu-se corar, era Nico e Percy ali deitados, juntos, abraçados e sem camisa, os dois!
A filha de Zeus parou na frente da cama simulando uma tosse energética enquanto batia um dos pés incessantemente. Percy foi o primeiro a acordar, suas costas nuas estavam com algumas marcas vermelhas que Thalia julgou terem sido feitas por unhas.
– Tha... Thalia! – Percy corou ao perceber a presença da filha de Zeus. Jnël e Manina entraram na mesma hora parando ao lado dela.
Percy levantou-se e vestia apenas calças de seda azul-escura que pareciam ser a parte de baixo de alguma daquelas túnicas usadas por aquele povo estranho de orelhas pontudas.
Nico acordou em seguida esfregando os olhos, estava com um sorriso bobo estampado na cara.
– Thalia! Bom dia! – cumprimentou ele se espreguiçando e se levantando. – Bom dia senhoritas! – cumprimentou mirando Jnël e Manina. Estava vestido só de calças como as de Percy, porém pretas. Thalia perguntava-se desde quando Nico dizia "bom dia"...
– Majestade, é um prazer conhecê-lo! Sim! Sim! – adiantou-se Jnël ajoelhando-se, Manina fez só uma reverência singela.
– O prazer é meu, qual o seu nome minha jovem Venie?
– Jnël senhor, majestade, vossa graça...
– Está bem, está bem – riu Nico, surpreendendo ainda mais Thalia. – Levante-se, pode me chamar só de Nico, por favor.
Jnël não se conteve e abraçou o filho de Hades que não recuou.O Nico de uma semana atrás detestava abraços, Thalia tinha certeza.
– Vejo que se encontrou com sua irmã, Thalia – disse ele mirando Manina com o mesmo sorriso bobo de quando acordara.
– Você sabia? – exasperou-se Thalia incrédula. – E não me contou?
– Thalia tem uma fada irmã? – perguntou Percy agora vestido com a parte de cima de sua túnica – É como uma fada madrinha? Também tenho uma, Nico? – os olhos de Percy brilharam naquele momento e Nico sorriu espontaneamente. Com mil diabos! O que aconteceu?
– Não Percy, não é como uma fada madrinha. Manina é realmente irmã de Thalia.
– Oh – Percy parecia desapontado e assimilando primeiro que não tinha uma fada irmã e depois arregalou os olhos provavelmente se dando conta de que Thalia tinha uma irmã fada. – Oh, – disse de novo – então ela também é irmã de Jason?
Nico assentiu, Thalia o fuzilava com os olhos.
– Você não me respondeu Di Angelo! Por que não me contou antes?
– Ora, por favor Thalia, – suspirou o filho de Hades – tenho mesmo que lhe contar sobre todos os seus irmãos? Seu pai é Zeus! Zeus!
Thalia desejou ter alguma resposta, mas Nico tinha razão, Zeus é possivelmente pai de um exército de seres diferentes!
– Agora que estamos todos aqui devemos ir ao encontro de Elüho. Afinal estaremos em guerra ao crepúsculo! – anunciou Nico com um sorriso sombrio.
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