Pernico - Love is a Long Road
26 Especial
Notas iniciais
– XIII –
Nico
Estava irado. Como o esperado, Aggna não ajudaria em nada. Continuaria a se esconder...
– Não se preocupe Nico! – tentou consolar Elüho – Aggna controla as fadas, mas o restante do Povo Místico o seguirá, não tenha dúvidas disso – o elfo apoiou uma mão em um dos ombros do filho de Hades e sussurrou-lhe aos ouvidos: – Eu o seguirei na batalha, não importa contra quem ou o quê!
Nico se sentiu mais leve e confiante. Elüho era uma amigo de muito tempo, Morgana os havia apresentado um ao outro ela mesma! Nico agradeceria ao elfo, mas sentiu alguém segurar seu braço, puxando-o.
– O que... – tentou protestar, mas logo foi calado pelos lábios de Percy nos seus.
Em um primeiro momento Nico ficou atemorizado, mas o filho de Poseidon o envolveu com seus braços num abraço apertado e como mágica todos os medos de Nico desapareceram e ele retribuiu o beijo. Foi uma ligação como nunca antes, não sentiu somente o contato físico apaixonado, mas algo mais...
Por um instante os pensamentos de Percy e os seus eram um só. Viu Aggna agarrando Percy pelo pulso e ameaçando-o. Viu uma imagem refletida no espelho d'água, era Annabeth vestida com uma túnica escura como a noite e com estrelas bordadas em fios de prata. Havia mais alguém com ela, uma mulher bela e de feição séria, estava usando uma armadura prateada leve com uma coruja incrustada em safiras sob uma túnica azul, os olhos terrivelmente cinzentos em contraste com os cabelos pretos.
Thalia os interrompeu simulando uma tosse de escárnio. Nico não ouviu o que falavam, apenas as vozes das Parcas repetindo incessantes em sua mente: A sabedoria ao desistir da balança... erguer-se-á em busca de vingança...
– Não há nada que possamos fazer agora! – declarou interrompendo seja lá a discussão que se instaurou ali.
– Nico... – tentou argumentar Elüho – Se Aggna descobrir que Atena está ajudando Éris... ela... ela trair-lo-á!
– Por que ela faria isso? – perguntou Thalia.
– Porque Atena é uma das faces da Deusa... a face anciã... – explicou Nico encaixando as peças – Aggna usaria isso para fazer o Povo Místico e o Povo Antigo jurarem lealdade à Atena e por consequência à Éris...
– Devemos ser discretos, – aconselhou o elfo – as primeiras fogueiras do Beltane já devem ter sido acesas a essa hora. Levarei-os aos seus aposentos.
Subiram uma escada em espiral que parecia ser toda feita de cristal verdejante, cruzaram alguns corredores e chegaram até uma porta cujas dobradiças estavam encantadas com runas antigas.
– A garota deve ficar aqui, – comunicou Elüho – junto daquelas ainda muito jovens para o Beltane. A porta é encantada e só se abrirá com a luz da alvorada de amanhã. Não se preocupe, estará segura.
Thalia hesitou, encarou Nico nos olhos por um instante e ele lhe devolveu um olhar encorajador. Tinha total confiança em Elüho e o elfo estava certo, Thalia precisava ser isolada e protegida da influência do Beltane.
Seguiram, agora sem a filha de Zeus, até outro quarto mais distante.
– Este é o quarto em que fiquei na última vez... – observou Nico ao contemplar a porta decorada com a visão de duas Envibes (fadas responsáveis pelos assuntos da morte) dançando sobre flores de lótus.
– De fato. – assentiu o elfo – Descanse bem majestade, levarei seu amigo ao próxi...
– Não deixarei Nico sozinho! – interrompeu Percy com vigor. O elfo olhou para Nico e o filho de Hades assentiu.
– Tudo bem então – suspirou Elüho e logo se aproximou mais de Nico sussurrando-lhe: – Enviarei uma mensagem para alguns conhecidos, lhe restituiremos Avalon Nick... – confortou o elfo selando, por apenas um segundo, seus lábios nos de Nico e se retirou.
Percy estava com os punhos cerrados e vermelho, de um jeito ruim.
– O que foi? – perguntou Nico inocente.
Percy limitou-se a ir direto para o banheiro. Nico logo ouviu o som da água que fluía em uma ducha vinda do lago ao redor do palácio. Ele está irritado com alguma coisa, percebeu. Ele sempre procura a água quando está chateado...
Uma cama enorme, na qual caberiam três pessoas confortavelmente, ocupava o centro do aposento sob tecidos roxos e brancos. Uma cortina de seda presa ao teto descia até o móvel projetando uma sombra agradável. Nico separou uma túnica azul de seda para Percy vestir quando saísse do banho, achou-a no armário de ébano que havia ali.
A água que vinha do lago era morna e calmante, tudo o que Nico estava precisando. Então separou uma túnica preta também de seda para si. Percy abriu a porta do banheiro e estava sério, uma toalha branca estava enrolada em sua cintura e era só. Nico sentiu-se corar ao ver Percy daquele jeito e sem coragem de encará-lo entregou-lhe as roupas que havia separado para ele.
Ele precisa da água tanto quanto eu preciso das sombras... refletiu enquanto a água morna escorria sobre sua pele alva. O Beltane tinha que começar logo hoje?
Ao contrário de Percy, Nico havia levado sua túnica para o banheiro e portanto saiu vestido, o cabelo úmido caindo-lhe sobre os olhos.
O filho de Poseidon estava parado no peitoril observando as fogueiras sendo acesas pelos campos afora em honra aos antigos deuses da fertilidade. A expressão séria deixava Nico preocupado.
– Não vai me dizer o que está lhe incomodando? – perguntou tentando parecer igualmente sério.
– Aquela coisa lhe beijou ali na porta.
– Elüho? – Nico estava surpreso – É o jeito que os elfos demonstram confiança e se despedem. Você... – sentiu-se corar novamente – … ficou... com ciúmes...?
Dessa vez foi Percy quem corou, parecia confuso. Nico de repente sentiu uma energia terrificamente convidativa e insinuante, sentiu seu coração disparar e suspirar. O Beltane começou...
– Acho melhor dormimos Percy, porque faremos guerra amanhã...
...porque o Beltane está começando e temo, pois sou do sangue das fadas...
Nico não podia deixar de reparar o quão principesco Percy ficou vestido com aquela túnica. O azul é realmente a cor dele...Não, não posso perder o foco... tenho de suportar o Beltane...
Ciente das consequências da influência do rito que se desenrolava fora daquelas paredes, Nico tentou dormir, realmente tentou! Mas seu sangue fervia por dentro, nunca estivera tão perto da fonte do Beltane. Poucas vezes estivera na Arcádia e nunca nessa época...
– Precisamos conversar Nico... sobre... sobre nós...
Oh Percy... por favor, não agora..., suplicou em pensamento. Mas Percy continuou:
– Quando você acordou no acampamento e Thalia nos interrompeu... eu disse que conversaríamos sobre aquilo mais tarde e... se não há como evitar a batalha de amanhã eu queria aproveitar essa oportunidade.
O filho de Hades não conseguia encarar Percy, mas sentiu quando ele sentou-se ao seu lado na cama. Tenho de resistir...
– Sobre o que quer falar Jackson..? – perguntou Nico se sentando, mas ainda evitando os olhos do mais velho.
Percy levantou seu queixo obrigando-o a encará-lo.
– Sobre nós Nico...
Percy não hesitou e selou seus lábios nos de Nico. Estavam só os dois ali e ninguém atrapalharia agora. Seu coração pulsava com violência e seu sangue fervia pela influência do Beltane e pela proximidade de Percy. Ainda temia o que podia acontecer, temia se entregar ou se deixar levar pela emoção. Não é uma época justa para o amor...
Não demorou e Percy aprofundou o beijo já que Nico o retribuía, estavam muito perto e o menor podia sentir que o coração do filho de Poseidon também estava disparado e seu sangue quente.
Ele também está sob a influência do Beltane? Ele não tem o sangue das fadas, o rito não o influenciaria tanto...
Percy lentamente deitou Nico na cama sem interromper o beijo, os pensamentos do menor se tornaram vazios, por que devo lutar contra o que eu quero?
Mas ao sentir Percy levantar sua túnica o pavor voltou, estaria preparado?
– Percy... – tentou falar, mas era difícil interromper aquela sintonia. Nico o queria, mas tinha tanto medo... – Não... não devíamos...
– Você... – falava Percy entre os beijos – … não quer...?
Nico não tinha como mentir e dizer que não queria, sempre sonhou com aquele momento, mas não naquela época, não sob a influência da magia.
– Eu... – tentou, mas Percy o interrompeu:
– Demorei para perceber... demorei muito como sempre... mas... eu tenho certeza do que eu quero agora, eu quero você Di Angelo!
Ao ouvir isso Nico ficou totalmente desarmado, talvez se arrependeria algum dia, ou por todos os dias que viriam. Talvez se arrependeria por finalmente se entregar ao amor ou confiar dessa forma em alguém. Nada parecia importar naquele momento além de que Percy estava ali e acabara de se declarar.
Dessa vez foi Nico quem tomou a iniciativa, pela primeira vez se sentia seguro do que queria, se entregaria aos seus desejos, mesmo no Beltane. Empurrou Percy de leve fazendo-o ficar sentado e sentou-se sobre ele com as pernas em volta de sua cintura. Via Percy de cima e o beijava intensamente, e era retribuído de mesma forma.
O céu escureceu e Nico imaginou que o primeiro dia do rito chegava ao auge, as fogueiras deviam estar fulgurantes, reluzentes como bronze celestial. Percy começou a tirar-lhe a túnica escura e a hesitação veio novamente por um momento. Estava acontecendo muito rápido e, querendo ou não, era a sua primeira vez. Percy pareceu perceber.
– Tudo bem Nico, só relaxe... – sussurrou o filho de Poseidon tirando sua túnica.
Estavam ali os dois entrelaçados de corpo e alma, Percy deitou o filho de Hades lentamente entre beijos ardentes. O sangue antigo das fadas que corria nas veias de Nico estava deixando-o em êxtase, o mundo pareceu desaparecer e a única coisa que sempre lhe importou estava ali contra seu corpo na eterna dança da vida.
Em determinado momento, no auge da paixão, no ardor dos beijos e carícias, Percy o encarou com um olhar que clamava por uma única coisa... Nico assentiu e o filho de Poseidon afastou suas pernas com leveza e se pôs lentamente dentro do menor.
Nico poderia ter gritado, mas suportou a primeira dor com júbilo. Percy o abraçava e o beijava sempre atento temendo machucá-lo. Não havia volta, entregara-se inteiramente àquele que tanto amava. Percy era experiente e muito gentil, seu toque, seus lábios, seu cheiro, seu calor... Nico arriscaria tudo por ele, enfrentaria tudo por ele...
Ainda no começo deixou um gemido de dor escapar, Percy se afastaria com medo de estar machucando-o, mas Nico o abraçou com força.
– Não lhe machuquei? – perguntou o mais velho, preocupado.
– Nunca poderia me machucar Percy...
Retomaram àquela dança flamejante. Nico sentia o calor das fogueiras que ardiam do lado de fora e sentia o calor do fogo que ardia dentro de si e o calor que emanava do filho de Poseidon. Eram apenas um agora. Nico podia sentir os pensamentos e sensações de Percy em seu sangue com a energia das fadas, com profunda devoção o beijava, o acariciava, o sentia.
Longe na noite seus corpos ainda estavam extasiados, chegaram ao ápice da paixão juntos e Nico sentiu Percy derramar-se dentro de si. Uma lágrima de profunda alegria e emoção se fez resplandecer em seu rosto alvo.
– Aesihao nëh Nico – murmurou o mais velho como que numa prece.
– Aesihao nëh Percy... – devolveu Nico acariciando os cabelos bagunçados do filho de Poseidon, mirando os olhos claros que sempre lhe roubariam o ar...
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