Perigo eminente...
7 Just Give Me A Reason
Notas iniciais
POV JASON
Era a minha vez de ficar de guarda.
Enquanto eu tentava digerir tudo que estava acontecendo. Depois do ocorrido hoje de manhã, ninguém sai mais de suas cabines, uma vez ou outra eles saíram pra fazer alguma coisa. Ninguém estava pronto para conversar.
Nem mesmo eu.
Confessei a Percy que gostava de garotos, ele não disse nada alem de “- É normal cara...” ou “- Pode confiar em mim...” Etc e tals. Pensando bem agora acho que foi a maior besteira da minha vida.
Já passava da meia noite quando ouvi um barulho no convés, estava de costa e virei rapidamente com espada em punho. Leo caminhava descompromissado ao meu encontro, guardei minha arma e voltei a encarar o mar. A imagem dele agarrado na cama com o Filho de Hefesto me deu enjôo, fechei os olhos com força e voltei a encara o céu com os dentes trincados.
– Hey cara – ele chamou ficando ao meu lado.
– Hey – murmurei constrangido. Essa era a conversa mais longa que eu tive com ele após o beijo inesperado que eu dei. Senti meu rosto queimar ainda mais a lembrar disso, sei que não devia e que é “normal”, mas ainda tenho vergonha da minha sexualidade. Desde que tomei os lábios dele, desde que senti o seu sabor, a única coisa que me passa pela cabeça é as possibilidades que eu tinha de ficar ao seu lado. Permanecemos em silencio por um bom tempo até que um de nós tivesse coragem de iniciar uma conversa.
– Você está bem? – eu disse evitando encara-lo.
– Sim, e você está bem? – ele perguntou, somente assenti com a cabeça.
– Sua mãe era a sua cara – disse, ele virou o rosto assustado e nossos olhos se encontraram e automaticamente me arrependi de ter mencionado aquilo.
A conversa novamente morreu. Não queria que aquilo acontecesse, mas não tinha nada a comentar com ele naquele momento, sei que toquei uma ferida profunda que nem mesmo eu pudesse compreender, ou podia. Nunca tive uma mãe, todos naquele navio tinham ou tiveram uma. Talvez Annabeth e Pipper não lidassem muito bem com as suas, mas deferente delas eu não tive nenhuma. Nem mesmo um pai eu tive! Fui solitário e sozinho sem nenhuma família que eu pudesse contar. Invejava as famílias normais que pudessem comemorar as datas festivas juntos.
Sem perceber lagrimas já banhavam o meu rosto, parece que não, mas eu sou um cara solitário. Entrei no acampamento Júpiter, não tive muitos amigos, nunca namorei alguém que eu realmente amasse e nunca tive uma família. Limpei rapidamente o rosto antes que Leo percebesse a minha “cena”.
– Você tem nojo de mim? – ele perguntou me pegando de surpresa, que foi tão grande que me fez engasgar com minha própria saliva.
– Nojo? – repeti assustado não compreendendo as suas palavras
– Nojo Grace, no-jo – repetiu ele insistente.
– E porque eu teria nojo de você? – disse nervoso com aquelas acusações sem sentido daquele garoto tão... Amável.
– Porque eu sou Gay – ele gritou e depois sussurrou quase inaudível – Porque eu sou gay – ele abaixou a cabeça e soluçou algumas vezes. Fiquei olhando para ele inacreditavelmente confuso. Desde quando eu tive nojo dele? Desde quando ele é gay?
Levantei a sua cabeça e selei nossos lábios, ele empurrou meu peito nos separando. Encarei aquelas orbes castanhas assustadas e furiosas. Virei e voltei a encarar o mar, sem saber como reagir a tudo aquilo.
Minha cabeça girava e meu coração parecia querer pular nas águas do pacifico, com os olhos arregalados e a respiração irregular eu tentava pensar no que estava acontecendo.
– Porque você faz isso Grace? – ele perguntou irritado – Gosta de ser o valentão? Só porque eu sou diferente, que eu não gosto de meninas acha que pode se aproveitar de mim? – ele dizia enquanto andava de um lado para o outro com as mãos na cabeça ou apontando pra mim.
Virei de costas e andei para a outra ponta do Navio, com ele me seguindo. Não consegui reagir aquilo, não consegui dizer que o amava, não consegui admitir em voz alta que o queria mais que a minha própria vida, não consegui colocar os meus pensamentos no lugar. Eu tinha medo, medo que ele me rejeitasse assim que ele que soubesse quem eu sou, medo do que as pessoas diriam de mim, medo de ficar sozinho novamente.
Ele puxou meu braço evitrando que eu desse mais um passo. E aquilo foi demais pra mim. O Agarrei pelos pulsos enquanto ele se debatia pra se soltar, nosso rosto estava a alguns centímetros, perto demais.
– Eu te amo – confessei baixinho e fui encarado pelo seu silencio, seu sabitu silencio que consegui partir meu coração em mais pedaços do que cronos no tártaro.
– Eu te amo – falei mais alto, e sem perceber apertava seus pulsos com mais força. Seus olhos encararam o chão, ele abriu a boca e a fechou sem saber o que falar. Larguei seus pulsos, e voltei a caminhar até chegar ao outro lado do navio. Leo se aproximava cauteloso e tocou meu ombro.
Virei após um longo suspiro e fechei olhos. Antes que tivesse coragem de abri-los novamente senti seus lábios encontrarem nos meus, com as mãos timidamente envolvi a sua cintura. Sabia que ele estava na ponta dos pés, e sorri só de pensar nisso. Ele recuou e encarou aquela situação, fechou os olhos e disse.
– Eu amo Nico di Ângelo.
– Eu vi vocês dois juntos – murmurei envergonhado.
– Podemos aprender amar novamente – ele disse envergonhado.
– Eu posso te ama sempre, eu acho – respondi
(...)
POV PERCY
Nico entrou com a cabeça baixa no quarto.
Mesmo deitado de costas, sabia que ele estava assim, Nico sempre estava assim.
– Foi assim que ela se foi? – ele perguntou com a voz rouca.
Quase me rendi a vontade de fingir que estava dormindo, mas mesmo com a vergonha de ter quase o estuprado na madrugada passada, sentei-me na cama e brinquei com a barra do edredom.
Lembrei da noite que Bianca morreu, lembro que fiquei procurando seu corpo por todo o ferro velho sendo tomado pelo desespero de não conseguir cumprir a minha promessa a Nico. Quando aconteceu aquela explosão, parte da minha vida ficou ali.
– Sim Nico – murmurei sem ter coragem de encará-lo.
– Quem era? – ele perguntou.
Inconscientemente tapei os ouvidos como se pudesse novamente ouvir a voz de Gabe cheiroso novamente, nenhuma lembrança dele foi tão forte quando a primeira vez que ele quase me matou. Suspirei e abri a boca pra falar alguma coisa, nada saiu e eu fiquei frustrado com este medo maldito que ainda tinha daquele homem. Encarei o meu cobertor com lagrimas nos olhos e senti Nico sentar ao meu lado, acariciando meu ombro compreensivo.
– Meu padrasto – murmurei
– Ele sempre te batia? – ele perguntou receoso. Ri amargurado antes de voltar a encarar Nico.
– Quem dera fosse só bater – comentei, ele me olhou confuso e depois que entendeu arregalou os olhos, e tentou falar alguma coisa só que não sabia o que.
– Relaxa ninguém sabe o que dizer – falei o acalmando.
Ficamos em silencio enquanto. Eu voltei a deitar e encarar a parede sem saber como ele reagiria a tudo aquilo. Sempre tive medo que quando eu contasse tudo aquilo as pessoas sentiriam nojo de mim, que me culpassem ou me julgassem.
Ele se deitou atrás de mim, surpreendendo-me com a sua reação, sua respiração era irregular e eu podia sentir a sua respiração e seu coração acelerado.
– Me desculpa pela noite passada – murmurei envergonhado de tocar no assunto.
– Me desculpe por fingir que não gostei – ele respondeu.
(...)
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