Perigo eminente...
45 Final
Notas iniciais
POV PERCY
Fizemos amor à tarde inteira. Porem a culpa me consumia por dentro, não sei o que estava acontecendo comigo e com Leo, sinto que fui muito rude com ele hoje. As minhas palavras me consumiam e não deixava de pensar em como eu era um idiota por dizer aquelas coisas. Não sabia o que tinha acontecido comigo, eu só não me sentia mais confortável... Bem não tem explicação por ter dito aquilo para Leo.
Nico dormia em minhas costas, agarrado a mim, em forma de conchinha. Suspirei perdido em meus pensamentos, pensei em voltar, mas não estava com Pique de encarar toda a sua frieza e ironia, só queria ter algumas horas de paz, algumas horas sem me preocupar com a sua doença. E deuses como isso era egoísta, afinal Leo só tinha a mim! Algumas lagrimas teimavam em cair e quando dei por mim já chorava baixinho temendo acordar Nico.
Só queria que Leo se curasse e conseguisse ser feliz, sei lá, ele é tão triste, afinal ele nunca conseguiu ser feliz, perdera a mãe muito cedo e sempre viveu sob a responsabilidade de alguém e me doía saber que não conseguia carregar esse fardo, mas eu precisava continuar por ele.
– Algum problema? – murmurou Nico sonolento.
– Acho que fui estúpido – expliquei com a voz embargada me reprimindo por descarregar minhas emoções daquela maneira.
Sentei na cama a apoiei minha cabeça entre os joelhos e chorei compulsivamente pra lavar a alma, como se eu só conseguisse continuar sobrevivendo se chorasse tudo o que eu havia guardado durante anos, Nico envolveu-me em um abraço, e como fui grato por ele não ter dito nada, só ouviu os meus lamentos e mostrou que eu estava ali.
Uma musica pesada soou pelo ambiente, Nico voou por cima da cama e pegou o seu celular em cima da cômoda atendendo-o rapidamente. Observei seu corpo de longe e o como ele era bonito.
– Percy, é pra você – disse me entregando o telefone.
– Alo? – indaguei curioso, ainda com o roto salgado de lagrimas e a voz rouca.
– Percy! Graças aos Deuses – disse minha mãe desesperada, pulei da cama imediatamente, com o corpo rígido de pé e os olhos de Nico me observando e guiando em zig zag pelo quarto.
– O que Houve? – Gritei desesperado esperando uma resposta devastadora que não tardou a chegar.
– Oh querido! Leo foi hospitalizado – disse e começou a chorar, perdi o ar e meu corpo parecia ser feito de chumbo, perdi a sustentação e Nico correu para me segurar para que não caísse no chão me apoiei na cama desesperado sem saber o que dizer, só sabia que precisava ir imediatamente ao hospital e ver a sua situação.
– Estou indo ai – disse desligando o telefone.
A culpa me consumiu, lembrei dos remédios, das suas necessidades e a nossa briga e como tudo isso se perpetuaria em minha mente caso Leo morresse aquela noite.
(...)
Chegamos correndo ao hospital, entrei e procurei diretamente o médico responsável. Minha mãe já não estava mais no hospital, só Hazel ficou no quarto de Leo para dar algum conforto a ele, minha mãe voltara pra casa para limpar o quarto e descansar um pouco. Nico estava o tempo todo ao meu lado, de uma maneira que eu nunca tinha visto antes.
Entramos na sala onde a equipe médica estava toda reunida e eu me sentei um assento, o filho de hades sentou-se ao meu lado, de mãos dadas, ele acariciava gentilmente para poder me dar algum apoio. O silencio era destruidor enquanto eu aguardava por péssimas noticias.
– Ola senhor Jackson – disse o médico cordialmente e eu respondi com um aceno de cabeça, indicando para ele ir direto ao assunto. – O quadro do senhor Valdez é muito grave!
– Mas e os remédios? O tratamento? — indaguei desesperado.
– Acho melhor eu dizer de uma forma clara – murmurou ele sem graça com a situação – Cortamos a quimioterapia.
– Não! E como vão combater o câncer? – bati a mão na mesa em protesto.
– Ouça bem – iniciou – A quimioterapia não deu certo, no inicio prejudicou seu coração, agora o câncer avançou, a quimioterapia já não fará mais efeito. Seus rins pararam e seus pulmões estão cheios de água – disse médico com frieza esperando que eu fizesse as minhas próprias conclusões, um golpe me atingiu, um baque, meu corpo formigava com vontade de agredir aquele cara para que ele parasse de dizer o que estava falando, parasse de dizer que Leo não tem mais chance, só suspirei e olhei pra Nico em um pedido de socorro silencioso.
– O que isso quer dizer doutor? – ele perguntou com a voz firme.
– Bom... Fizemos tudo o que estava ao nosso alcance, infelizmente não foi necessário, em breve seus órgãos irão parar de funcionar e... Bem é difícil, mas... Tudo o que podemos é diminuir a sua dor até o que o inevitável aconteça – gaguejou o médico com dor no coração.
Solucei baixinho, depois solucei outra vez e quando dei por mim estava chorando compulsivamente sem saber o que falar. Leo estava morrendo e eu não podia fazer nada, ele sentiria dor e morreria sem saber o que seria felicidade, a culpa foi minha que não acompanhei a sua saúde desde o inicio, o câncer já estava avançado quando descobri, eu fui negligente sabendo que ele bebia a quantidade suicida e mesmo assim não fiz absolutamente nada. Deveria ter sido mais paciente e entender que ele não confiava mais em ninguém, eu fui a única pessoa que estava com ele e o abandonei.
– Quanto tempo? – disse quando me controlei.
– Não mais que um mês – confessou o médico – Sinto muito...
(...)
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