Perigo eminente...

46 Ele está morrendo


Notas iniciais
OOOOOOOOWWWW QUE QUE LER MINHA FIC NOVA??? http://fanfiction.com.br/historia/535491/Say_Something/

POV PERCY

Leo estava particularmente animado aquela tarde. Ele me contara muitas piadas, brincava com as enfermeiras e insistia que eu deixasse o quarto mais claro o possível. Estranhei a cordialidade de Valdez, já que desde o seu diagnostico seu humor só tende a piorar. Já fazia dois dias desde que recebi a noticia que ele não sobreviveria por muito tempo, que em breve seu corpo não suportaria o efeito do câncer e parasse de funcionar por completo. Não consegui parar pra conversar com ele sobre o assunto, logo que fazia menos de 12h que ele estava acordado, nem mesmo consegui discutir as coisas rudes que eu lhe disse.

Não sai do seu lado em nenhum instante, arrependido por ter tratado-o daquela maneira. Passava a mão por seus cabelos e evitava que ele sentisse qualquer desconforto ou dor. Os médicos receitaram alguns analgésicos e até cogitaram o fato de deixar Leo em coma induzido até que seu corpo desistisse de lutar. Mas eu queria que ele ficasse acordado e bem. Queria que ele sorrisse até que seus músculos ficassem paralisados e não mediria esforços pra que isso acontecesse.

– Quero tomar Whisky – exclamou ele retirando-me dos meus pensamentos.

– Leo acho que precisamos conversar – murmurei sem graça – Pelo... Pelo o que eu disse a você... Bem... Hã... Desculpa-me – gaguejei sentindo as lagrimas se acumularem em meus olhos. Precisava me controlar, precisava ser forte e suportar tudo aquilo, ele necessitava de alguém assim ao seu lado e essa pessoa.

– Percy não se preocupa, sei que eu sou um saco...

– Não você não é... E nunca mais repita isso Okay? – disse bravo – Você quase destruiu Nova Roma – debochei. Ele gargalhou de uma maneira tão natural e gostosa que me emocionou ainda mais. De pensar que era raro ouvi-lo rir daquela forma e que em breve ele não riria mais.

Talvez essa seja a parte dolorida da morte, é saber que você nunca mais terá chances ou oportunidades. Imaginei se Nico tivesse em seu lugar, mesmo estando cinco anos separados, nunca ter nos falado durante esse tempo ou nos visto, sabia que eu sempre teria uma chance, mesmo que pequena, mesmo que insignificante, eu teria essa chance. Mas com a morte não. Imagina mandar uma mensagem pra alguém que você ama sabendo que ela nunca ira te responder ou com o tempo esquecer seus traços pouco a pouco, até quando você só se lembre a cor dos cabelos, a cor dos olhos, mas não o seu formato, esquecer o timbre de sua voz.

Eu não queria perdê-lo.

– Leo vão cortar o tratamento – disse como se já não pudesse guardar aquilo comigo, o fato dele estar morrendo era destruidor demais pra mim. Leo me encarou por algum tempo com o rosto sereno, cansado e cheio de ternura.

– Eu estou morrendo? – ele perguntou calmo e controladamente sem nenhum tom de emoção em sua voz.

– Estamos buscando ajuda dos deuses... – murmurei – Mas somos mortais agora...

– Tudo bem – ele disse procurando minha mão sobre a cama, apertou com toda a força possível e a beijei com carinho – Não agüento mais sofrer... – disse com a voz embargada e dilacerou meu coração, era triste vê-lo conformado em morrer, ele poderia tentar, mas sabia que ele estava cansado disso tudo, ele merecia a paz. – A dor vai parar... Eu vou pro Elisio, quero descansar... Dói muito, meu corpo é um fardo difícil de carregar – concluiu entre lagrimas que partiu meu coração e quando deu por mim já chorava também.

– Me espere lá okay? – disse tremulo

– Só demore muito pra chegar! – exclamou com um tom de graça – Finalmente vou ver minha mãe – ele sorriu o que me fez sorrir também.

(...)

Quando o Apolo ficou menos severo, coloquei Leo em sua cadeira e fui levá-lo a algum lugar em que ele pudesse tomar um pouco de Sol. Era incrível como ele estava ainda mais leve, e as vezes quando eu trocava as suas roupas e lhe dava banho, já era possível ver o contorno de seu ossos. Ele estava definhando aos poucos, logo ele não estaria mais aqui, e como era doloroso saber que eu não poderei mais cuidar dele.

Ajeitei-o no terraço do hospital, onde o sol estava fraco e em breve poder ver o por do sol atrás da cidade de pedra de NY. Ao passar das horas eu acabei ficando cada vez mais emotivo, minha cabeça girava e nem mesmo conseguia dormir ou me alimentar, tudo o que eu queria era ficar ao lado de Leo o maior tempo possível. Tirei-o da cadeira e me sentei no chão, deixando que ele usasse a minha meu colo como apoio para as suas costas, como uma conchinha, só que sentados, era bem complicado mover Leo de qualquer forme, logo que ele estava ligado a muitos aparelhos e eu tinha medo de acabar prejudicando algum.

– Você e Nico... Estão juntos? – Leo perguntou após um tempo, com a cabeça apoiada na curva do meu pescoço, onde suas cânulas faziam cócegas com a sua respiração frágil.

– Há pouco tempo, estamos engatinhando – expliquei, e alguma coisa se aqueceu em meu coração por falar de Nico, era tão bom poder tocar seu corpo, poder beijar seus lábios e fazer amor com ele. Ele se mexeu e depois parou como se estivesse rindo ou algo do tipo e me animei com o seu bom humor.

– É lá onde tem passado às noites? – disse meio amargo e me arrependi em ter contado a ele aquilo, pigarreie desconfortável e procurei uma resposta plausível pra aquilo, até perceber que não havia nenhuma.

– Sim – murmurei

– Percy – ele chamou e eu procurei seus olhos por debaixo de seus cabelos caheados, colocando-os atrás da orelha, e pude me deparar com longas olheiras persistentes e uma esperança fora do normal – Eu quero viver – disse com a voz embargadas, suas lagrimas derretiam sobre seu rosto e isso partiu meu coração – Eu quero ser feliz com Jason.

Era triste ouvir aquelas palavras de Leo, a pouco tempo atrás tudo o que ele mais queria era morrer, e agora ele queria viver, com o corpo tremulo ao lado do meu, varri os pensamentos a procura de algo que pudesse lhe dar a vida novamente, mas agora que somos mortais tudo o que conhecemos não se aplica mais a nós.

– Você está vivo – murmurei entre lagrimas – Vai ficar tudo bem Okay? – disse segurando a sua cabeça o mais próximo possível do meu peito, para que ele se sentisse confortável que ele se sentisse bem e que tirasse essa idéia melancólica da cabeça, tudo era demais pra mim, já não conseguia mais suportar essa tristeza do filho de Hefesto, queria que ele fosse feliz, só não sabia qual era a maneira que isso acontecesse.

Deuses ele tem que ser feliz

(...)