Perigo eminente...
47 A minha ultima noite
Notas iniciais
POV JASON
Não tinha autorização para sair do apartamento. Após passar aquela semana infernal na clinica de desintoxicação, meu corpo estava bem melhor e a minha vontade de me drogar novamente era mínima. Nico disse que me queria por perto e se eu desse qualquer motivo, ele me trancaria novamente naquela clinica. Ainda não vi Leo, eu acho que esse é o único motivo pra eu estar melhor agora, tudo o que eu quero é ficar bom o suficiente pra ficar com ele até que ele estivesse suficientemente curado para podermos ir embora para Londres, tenho quase certeza que ele amaria morar naquela cidade.
Nico parecia tenso aquela manhã, desde quando saímos do hospital, até quando chegamos a sua casa, ele parecia tenso, olhava de cinco em cinco minutos no celular e fazia questão te conferir qualquer mensagem. Agora Di Ângelo estava sentado na varando e conversava a mais de uma hora com quem fosse, ora animado ora desconfortável e pensativo. Após passar muito tempo ao telefone, Nico entrou na sala de cabeça baixa, sombrio e retraído.
– Precisamos conversar – ele murmurou sentando ao meu lado, com a mão envolvendo meu pescoço e a outra acariciando meu rosto. Assim que nossos olhos se encontraram, estremeci, suas orbes estavam vermelhas e sua expressão na era das melhores. Meu coração se contraiu e eu já podia imaginar o que ele tinha pra falar.
– Ele se foi? – questionei com a voz fraca, e Nico negou veemente com a cabeça me trazendo um alivio imediato, mas não completo.
– Leo está na UTI, vão levá-lo para o quarto essa semana, cortaram os tratamentos e tudo mais – ele explicou com as mãos nas minhas procurando a força que não tinha, e não era necessário que ele me dissesse qualquer coisa, já sabia o que ele queria dizer com aquilo... Leo estava morrendo. – Bem... – continuou Nico – Hoje é aniversario dele, Percy nos chamou para unir o Argo II mais uma vez... Antes... A-antes que e-ele se vá – disse por fim.
Meu corpo era uma pedra, tudo o que eu tinha sentido em toda a minha vida, em todas as batalhas, desde quando derrotei Gaia, nada fora tão intenso quanto aquelas palavras. Elas me atingiram e esquartejaram o resto de sentimento que eu ainda tinha em meu coração, não tinha como reagir aquilo, somente assenti com a cabeça e murmurei algo indecifrável em confirmação.
Fui até o banheiro e tomei um rápido banho, estava muito ansioso para vê-lo, mesmo não sabendo o que falar, só queria ficar com ele naquele hospital em seu ultimo aniversario. Eu parecia um zumbi, fazendo as coisas mecanicamente, nem emoção ou reação adversa, era como se algo estivesse morrendo dentro de mim, como se daqui alguns dias eu já não seria mais o mesmo, não seria mais completo.
Lembrei de quando nos dois, na ultima batalha, em tempestade e fogo, adormecemos a deusa da terra outra vez, imaginei que daqui alguns milhares de anos ela talvez acorde novamente e que não seria mais uma dupla de amigos a adormecê-la outra vez, pensei em todos os navios “robôs”, em festus na baia de NY, que jamais voltaria a ver o verdadeiro dono, pensei em todos os lugares que eu queria que fosse cenário de uma noite de amor entre mim e Leo.
Já nada fazia mais sentido, passei tanto tempo longe, com meu orgulho, determinado a esquecer e a eliminar o filho de Hefesto definitivamente da minha vida... Agora, ele realmente ira embora dela e eu não posso fazer absolutamente nada.
O caminho para o hospital seguiu em sua maioria silencioso, ora Nico dizia algo ora ele atendia o celular e murmurava alguma coisa que eu nem prestei atenção. Ele parecia não se incomodar com a minha dor, apenas estava sofrendo a sua em silencio.
Quando chegamos, informamos em qual quarto Leo estava internado. Já não conseguia prender os suspiros de terror que esvaia de meus poros. Entramos no elevado e eu tentei recapitular toas às piadas, charadas e gracinhas de Leo. Seria a ultima vez que ele estaria bem o suficiente para me fazer rir.
– Só se controle – disse Nico brevemente.
O corredor tinha apenas quatro quarto e ao levantar os olhos me deparei com a seguinte frase um pouco acima da cabine de enfermeiros “Ala dos pacientes terminais” era como se todo o mundo estivesse me convencendo de que Leo estava partindo. Aquela área do hospital era pouco movimentada e também a mais triste, somente no corredor havia uma garota de cabelos castanhos e bem curtos, em seu nariz tubos de oxigênio bem parecidos com os de Leo ligados a um cilindro de Oxigênio. Seu rosto era sereno, de uma beleza particular, ela estava com um cartão que era endereçado á “Agustus Water”. Era triste que ela também estivesse aqui para despedisse de alguém.
Entramos no quarto, Nico tomou a frente e cumprimentou a todos, Pipper estava sentada ao lado da cama de Leo, Percy estava fazendo cócegas em Cecília, filha de Annabeth, que olhava com um ar de tédio pra criancice dos dois. Hazel e Frank estavam de abraçados perto da janela, a filha de Plutão estava com a dor estampa em seu rosto, e Nico correu pra abraçar a irmã e evitar que ela desmanchasse na frente de todos ali.
– Vocês vieram! – disse Leo animado. Seu corpo estava ainda mais franzino do que no Argo II, os olhos fundos com o velho brilho brincalhão de sempre, tubos de oxigênio no nariz e alguns fios do lado direito do corpo, era complicado vê-lo daquela maneira, o difícil era saber que seria a ultima vez — Hey galera – chamou Leo fazendo com que todos ficassem em silencio – Valeu por passar essa ultima noite comigo...
– Leo – disse Percy lhe interrompendo – Só relaxa Okay?
– Tudo bem – ele murmurou – Eu estou bem... Só não sintam muita a minha falta, eu vou esperar todos vocês no Elisio... – disse com a voz frágil. Ninguém discordou, apenas concordamos com a cabeça, de coração apertado, Hazel começou a chorar ainda mais beijou diversas vezes o rosto de Leo, que parecia se divertir com aquela caricia. Pipper parecia tentar lhe convencer que viveria ainda muito mais, porem sem seu charme era muito difícil de convencer qualquer pessoa. Eu só continuei ali destruído, aproveitando cada segundo da sua essência condenado a passar a vida toda sem ele novamente.
(...)
A noite correu perfeitamente, cantamos parabéns e fizemos muitos jogos que Leo pudesse participar. Por um momento isso parecia novamente o Argo II, nas poucas noites que não tivemos nenhum ataque, onde nos reuníamos em volta de uma fogueira criada por Leo e ficávamos cantando e dizendo coisas engraçadas um dos outros, Nico o velho carrasco de sempre uma hora ou outra dava um sorriso ou até uma gargalhada que assustava brevemente Frank que nunca acostumou com qualquer manifestação de alegria do Filho de Hades.
Annabeth teve que ir um pouco mais cedo por causa da filha e do marido que não tardaria a chegar. Ela abraçou demoradamente Leo e disse algumas palavras que não pude ouvir, em seguida foram embora todos, com o coração pesado de seu ultimo encontro com Leo valdez. E por fim apenas sobro eu, Nico e Percy. Os dois conversavam com o filho de hefesto, como se daqui alguns dias ele ainda estivesse conosco.
– Acho que daqui a pouco as enfermeiras nos expulsaram daqui – comentou Nico dizendo claramente que já era hora de irmos embora.
– Percy – disse Leo e o filho de Poseidon se aproximou tímido e receoso, como se temesse algo extraordinário do senhor Valdez que sofria com uma mudança brusca de humor – Acho que você deveria ir pra casa – falou sereno – Quero ficar essa noite com o Jason – concluiu por fim.
– Tudo bem – ele murmurou – Tenha uma boa noite campeão! – ele murmurou antes de dar um longo abraço e por fim sair do quarto. Nico se despediu brevemente e com a maior intensidade e depois saiu atrás de Percy. Então ficamos apenas eu e ele, como há muito tempo atrás no Argo II, era como se a cena se repetisse. Eu de pé sem ter o que fazer, olhando fixamente em seus olhos, e ele deitado esperando que eu deitasse ao seu lado com uma paixão indescritível. Mas agora era diferente, ele estava morrendo, não poderíamos ficar mais tanto tempo juntos, urgentemente necessitando tanto da companhia um do outro. A enfermeira entrou e nos encarou, medicou Leo, que reagia naturalmente às diversas picadas e remédios que ele era orbrigado a tomar, e quando ela saiu, tocou em meu ombro pra que eu a seguisse para o corredor.
– Espere um pouco Leo – disse e segui a senhorita até o lado de fora da sala. Quando sai Percy e Nico ainda estavam lá, de mãos dadas, o que foi uma surpresa pra mim. Mas isso não importava agora.
A enfermeira nos guiou até a sala do médico e murmurou algumas coisas em seu ouvido, antes de se retirar da sala. O Doutor fez sinal para que nos sentássemos para enfim começar a falar.
– Sãos mãos e seus pés estão mais gelados, isso porque a pressão arterial está fraca, mas não se preocupe, isso não lhe causa dor – explicou de maneira breve.
– Algum problema Doutor? – Perguntou Percy com a cabeça apoiada entre as mãos esperando a noticia que mais temia.
– Bem a pressão arterial está mais baixa do que ontem, isso significa que ele está mais próximo de morrer – disse o medico com cautela esperando que absorvêssemos a noticia – Observamos mudanças drásticas em seu quando clinico nessa ultima semana, aconselho que fique perto dele caso queira está ao seu lado no momento de sua partida.
Saímos da sala com o pesar da noticia de sua morte eminente, como se a pouco não estaríamos mais com, como se isso se tornasse ainda mais concreto. Percy não chorou, era como se não tivesse mais lagrimas para demonstrar a sua tristeza, como se as guardasse para o momento de fato de sua passagem. Despedimos-nos e Nico e Percy foram embora, como o apoio do ombro um do outro.
Essa seria minha ultima noite com Leo.
Abri a por do quarto acompanhado pelo olhar curioso de Valdez que sorriu quando me viu. Abaixei-me e desamarrei os sapatos, caminhei lentamente só de meia, tirando a minha camiseta, deitando na cama ao seu lado, com seu corpo morno ao lado do meu, seu cheiro de verão invadia as minhas narinas e me ludibriava.
Era sim o meu Leo Valdez.
– Alguma má noticia? – perguntou com o corpo enlaçado ao meu, com a cabeça na curva do meu pescoço e tive que ter cuidado para não soltar nenhum se seus fios.
– Ela estava com medo de transarmos loucamente na cama do hospital – comentei e ele gargalhou falho, acreditando na minha pequena mentira. Com a mão levantei sua cabeça, deixei que a luz o abajur ao lado da cama iluminasse ele mais uma vez, sua beleza jovem era de longe o que mais me encantava, sua boca sempre muito convidativa.
Era apenas nós outra vez.
Selei nossos lábios, em nosso ultimo beijo, sua língua sempre rápida e carinhosa provocava-me sem piedade os mais profundos desejos e medos de minha alma mortal. Antes que desse por mim, estávamos chorando, calando os soluços da despedida breve e do encontro que tardaria a chegar, simplesmente o beijo mais intenso da minha vida. Ficamos juntos assim trocando caricias, beijos e selinhos, sem luxuria, apenas o amor retraído de anos de separação.
– Eu sempre te amei Jason – murmurou no meu ouvido.
– Eu sempre te amei Leo – respondi.
– Não use mais drogas! Por mim! Seja feliz e nos encontraremos no Elisio meu Herói – disse risonho como se sentisse a minha tristeza.
– Quer dizer “Eu poderia fazer você feliz. Fazer os seus sonhos se tornarem realidade. Não há nada que eu não faria. Iria até o fim da terra por você, para fazer você sentir o meu amor” – murmurei sentindo seus músculos se relaxarem ainda mais, deixando seu abraço menos apertado.
– O que? – ele questionou sem saber do que eu estava falando.
– Aquele dia* na praia de Ogigia, eu te disse algumas palavras em latim... Quer dizer “Eu poderia fazer você feliz. Fazer os seus sonhos se tornarem realidade. Não há nada que eu não faria. Iria até o fim da terra por você, para fazer você sentir o meu amor” – conclui sentindo as lagrimas e o desespero tomar meu corpo. Por um tempo foi assim, apenas silencio, suspiros, beijos e sorrisos curtos até eu eu percebi que ele estava fazendo força para se manter acordado ao meu lado.
– Eu fui muito feliz pelos momentos que passei ao seu lado e por isso não seria mais grato, meu único e verdadeiro amor – ele murmurou pouco antes de cair no sono.
Leo adormeceu pela ultima vez no calor dos meus braços
(...)
*Capítulo 12
Make you feel my love
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