Perfect
3 Entenda - parte 2
Notas iniciais
NO CAPÍTULO ANTERIOR...
– Ton... sabe, eu estava vindo pra cá e todos me olhavam... estranho. — comecei — Sabe de algo que eu não sei?
Ele ficou em silêncio.
– Por favor, Ton. Você é meu melhor amigo no Camp.
Anthony me olhou.
– Uma profecia nova.
– E achamos... que é sobre você.
–----------------------------------
– M-mas... Tony, isso... — minhas palavras não saíam, eu não conseguia dizer nada, a não ser o nome do menino — T-tem certeza que é sobre mim? Quer dizer... É impossível!
Ele me olhou com tamanha pena que senti pena de ele estar sentindo pena.
– Você é uma das únicas que se encaixa. — Ele respondeu cabisbaixo.
Eu já estava irritada por causa do Jackson, e agora então! Na verdade, não tinha um único dia sequer que eu não me irritasse muito. Eu já acordava irritada, por conta daquele tipo de sonho que todos os semideuses têm. Eu já estava cansada daquilo. E também, por causa de Hermes. Eu sabia, com todas as forças, que, dali a três dias, ele não me daria presente, não mandaria cartão, nem uma mensagem de Íris de feliz aniversário. Ele parecia gostar disso, de se esconder. Por que raios um deus queria se esconder? Um todo poderoso! Podia fazer o que bem entendesse! E nunca vê-lo me tornou o que sou hoje.
Entretanto, naquele dia foi pior. Saber o porquê de seu pai nunca manter contato. A nova "Grande Profecia" fez isso. Ele estava com medo de mim. E isso é a pior coisa que você pode descobrir de um familiar seu.
Naquele momento, acho que fiquei vermelha. Roxa. Verde. Azul. Tanto faz a cor. Anthony percebeu.
– Hey, se acalma. — ele se levantou e me abraçou — Pode nem ser você, Barbie. Pode ser outra pessoa. Pode nem ser esse ano. Nem nessa década. Talvez nem no milênio. — ele pegou ar — Grandes profecias acontecem, mas nunca sabemos quando.
– Pelo menos me diga.
Ele limpou a garganta.
– A cria de Hermes, trancada ficará
No seu chalé, sozinha, a garota se lamentará
A perda do irmão querido ela sofreu
Sua batalha interna, ela perdeu
Contra o Olimpo, a garota irá ficar
Cronos e o irmão, ela irá ressuscitar.
Ele parecia apreensivo, mas nenhum de nós dois disse nada por um tempo. Claro que era eu, estava na cara.
– Você... Barbie, não faria isso, né?
– Não. — menti de olhos baixos.
– Ótimo — suspirou aliviado — Vou acreditar em você.
Sorri com medo.
– Ah, que isso, Barbie. — ele me abraçou por cima dos ombros — Vem, vamos lá falar com a Eleanor.
Eleanor Rigby ( sim, aquela música dos Beatles ) era uma filha de Apolo. A garota era muito boa em previsões, já que seu pai era deus dos oráculos. Das previsões e profecias. E tal e coisa e coisa e tal.
Tony me guiou até o chalé de Apolo, onde postava-se quem na frente? Sim, sim, a Eleanor. Ela estava com um pedaço de madeira na mão, esculpindo-o com uma faquinha.
– Hey, gente.
– Quero saber sobre a profecia que a mortal fez. – falei quase atropelando a menina.
Ela riu.
– Ou, ou, ou. Nananinanão.
Revirei os olhos.
– Vamos, El, só uma profecia. – tentei, mas não consegui.
– Anthony já deve ter te contado.
– A profecia. – Tony falou. – Não a explicação.
Eleanor soltou a madeira e olhou vidradamente para Anthony e ele baixou os olhos, ele não deveria mesmo ter dito aquilo.
– A questão é – disse ela — que você vai ter que entender por você mesma.
Passei o dia todo pensando no que ela estaria falando.
Fale com o autor