Notas iniciais
Aproveita e não repara os erros. iniciante.

A insegurança era algo normal no tempo em que vivíamos. Até o vento era motivo de pavor. Quando vim para o acampamento atrás do muro de pedras, eu a noite olhava para as estrelas. Era bonito, mas parecia não fazer mais sentido aquela beleza. Quando você é atacado por um Infectado e não é devorado, se transforma naquilo em vinte e quatro horas. Um aranhão, ou uma mordida, e pronto. Todo o seu corpo é tomado por aquela doença, que mata apenas a sua alma. Seis anos, e tudo no mundo acabou, seis anos de doença, seis anos de perdas, seis anos de sobrevivência. Eu odeio essa vida, então para que preserva-la. De que adianta viver sem sentido, sem um motivo? Seria ruim encontrar Jeredy ou Elliot em pedaços, mas teria que tentar. Talvez estejam escondidos. Talvez o infectado esteja longe o suficiente para voltarmos para o acampamento. Depois de dar as costas para meu irmão e para os outros, eu caminhei na escuridão devagar e olhando para todos os lados. Peguei a flecha, e a pus no arco. Agachei e fechei os olhos para ouvir o grito do infectado, em que direção estava. O grito, é algo que me dá um pavor horripilante. Não só pelo medo que tenho dessas coisas, mas pelo fato de ser algo parecido com um grito de alguém que esta sendo dilacerado ou um grito do inferno. Como se a alma dentro daquele corpo, fosse talvez um demônio. Era algo realmente arrepiante. Olhei para o caminho que Jeredy tinha tomado. Uma trilha de pedras. Comecei a caminhar devagar ouvindo o grito e parecia que estava mais distante. Comecei a correr devagar e olhar para todos os lados. Sempre atenta. Jeredy no mínimo me daria outro tapa por voltar sozinha por eles. Ou ele me mataria na floresta. Não importa. Continuei com a corrida, e então parei. Sussurros. São eles... Comecei a correr novamente, me guiando por um choro baixinho. Elliot! O desespero era grande. Por que ele estava choramingando? E então parei! Me escondi atrás das arvores. Fechei os olhos. Raiva, dor, medo, vontade de chorar, gritar, MATAR... Abri os olhos e mirei no infectado sobre o corpo do menino Elliot. Ele estava sendo devorado por aquilo. Eu iria mata-lo. Eu vou mata-lo! Mirei em sua cabeça! E puxei com toda a força a flecha. Senti a lagrima descer. E quando estava prestes a solta-la. Senti braços fortes segurando minhas mãos, logo que tirou o arco de mim, pôs uma das mãos na minha boca, me imprensando junto a arvore. Olhei os olhos dele. Jeredy!

– Por favor. Fique calma. – Ele olhou para onde estava o infectado. E então olhou para mim. – Vamos sair daqui. – Sussurrou.

Me puxou pela mão, e corremos agachados pela mata. Sem direção talvez. A mão dele pressionava a minha com força. A corrida aumentou e Jeredy olhava para trás com desespero. Continuamos a correr, eu não sabia para onde estava indo, não sabia se estava indo em direção a mais infectados, não sabia de nada. Só sabia que queria matar um daqueles desgraçados. Por Elliot.

Depois de muito correr, ele me fez para me segurando pelos braços. Me empurrou em direção a uma arvore gigante, e me empurrou para dentro das raízes. Ele entrou e colou seu corpo no meu. Depois de respirar por um minuto tirou minha mochila de mim, e olhou para os lados com atenção.

– Vamos morrer? – Ele me olhou nos olhos.

– Por que voltou? – Ele perguntou com a voz tremula.

– Tinha que achar vocês. – Falei secando o rosto.

– Tinha que ir com eles. – Ele ainda me olhava assustado. Um pouco aéreo.

– Vamos morrer? – Perguntei novamente.

– Você não vai. – Ele disse firme. Pegou a faca de caça na minha bolsa.

– Nós dois! – Disse nervosa. Ele pediu para ficar calada.

Silêncio. Era só isso! A morte deveria ser silenciosa. Eu poderia escolher ela a ser devorada. Na verdade as duas formas, se eu me matasse, ou se fosse morta, chegaria a um denominador comum.

– Vamos ficar aqui por enquanto. – Ele sussurrou.

– Pra onde mais nós iriamos? – Fechei os olhos, e a única cena que vinha era a de Elliot choramingando deitado na mata. Chorar! Que dor horrível. Era só um menino.

– Não chore. – Ele pediu com a voz mole. – Por favor. – Me abraçou. Me abraçou! O afastei, ou pelo menos tentei. Em vão! – Por favor! – Escondi meu rosto em seu peito.

O tempo passou. Como se meus olhos tivesse se fechado e quando os abri já era manhã. Ele ainda me abraçava. Eu poderia não admitir aquilo nunca. Mas foi a única vez em seis anos que senti segurança. Eu poderia morrer ali, mas ainda sim, me sentia segura.

– Clair. – Ele sussurrou. Me levantei devagar olhando para os lados. Fechei os olhos. Nada, nenhum grito.

– Como vamos achar o caminho? – Ele me olhava ainda sentado junto as raízes. Ficou em silêncio. Abaixou a cabeça, mexeu na terra. – Jeredy?

– Não sei como achar o caminho. Olha em volta. É mata fechada! – Ele levantou o olhar e me observou novamente. – Vou te tirar daqui. Só preciso pensar.

– Não pensa. Age. Nós dois vamos sair daqui. – Estendi a mão para ele. Ele segurou e levantou. – Mais primeiro vou achar aquela coisa e mata-la! – Comecei a caminhar.

– NÃO! — Gritou e me segurou. Olhei para os lados.

– Grita mesmo imbecil! – Soltei meu braço.

– Você não vai. – Me segurou novamente. – Pensa Clair. Não é possivel que tenha vindo atoa para morrer! Ele Não está sozinho, eles nunca estão sozinhos.

– Mas... – Ele colocou o indicador nos lábios, e olhou para os lados.

– Caminhamos pela manhã. Subimos nas arvores a noite. Vamos tentar chegar em algum lugar, tentar viver. – Ele pegou minha mochila no chão.

– Para que? – perguntei para mim mesma.

– Para viver! Isso já é muita coisa. – Disse me puxando pelo braço. Me devolveu o arco. Eu armei com a flecha.

A caminhada foi lenta, e na verdade nenhum dos dois sabia para onde estava indo. As arvores cobriam o sol.

– Vou tentar subir em uma arvore. Fica aqui embaixo. – Para onde mais eu iria?

Ele escalou a arvore com o tronco gigantesco até certa altura. Depois de observar por alguns instantes desceu rapidamente.

– Termos que ir naquela direção. Sabemos que o acampamento fica para o leste, então temos que seguir para lá. – Apontou para certa direção.

Comecei a caminhar. A imagem de Elliot era algo que não saída da minha cabeça. Como Jeredy conseguiu escapar daquilo? Como Jeredy deixou ele para trás?

– Por que só Elliot foi atacado? – Perguntei.

– Ele... – Suspirou. – Ele se apavorou com o grito, e correu em direção a trilha. O grito estava perto demais de nós dois e ele quis voltar. Saiu correndo sem mim. Quando o alcancei, já estava sendo atacado. Sabe que aquela coisa é muito forte, mataria nós dois se eu o atacasse.

– Eu poderia tê-lo matado. – Disse entredentes.

– E se não conseguisse? E se só acertasse seu braço? – Perguntou.

– Você não tem fé nas minhas habilidades só nas suas. Eu poderia acertar a cabeça dele. – Ele deu meio sorriso.

– Eu sei que é boa. Mas estava escuro, você estava nervosa. Ele iria te matar também. – Disse baixo.

– Eu não perderia muita coisa. – Ficou em silêncio e continuou olhando para frente.

Depois de mais ou menos uma hora de caminhada, senti que tínhamos nos perdido.

– Jeredy. – Parei.

– Eu sei. – Ele colocou as mãos na cabeça. – Esta ouvindo isso?

– Sim. – O barulho de ondas. Ele começou a entrar pelo mato o afastando com as mãos.

Depois de quinze minutos de caminhada, senti o solo mudar. Areia. As ondas batiam na costa com força.

– Estamos muito longe. – Ele afirmou para si mesmo.

– Não imaginava mar por aqui. Estávamos tão perto dele. – eu disse.

– Por isso o vento sempre esta do lado contrario. – Ele olhou para mim.

– O vento esta na nossa direção agora. – Eu afirmei o encarando. – Eles vão sentir nosso cheiro.

– Vamos sair daqui. – Me puxou e quando estávamos prestes a correr, ouvimos os gritos. Eram tantos que eu poderia morrer ali só com o medo me sufocando.

– Vamos morrer aqui. – Olhei para ele e ele me envolveu com os braços. Como se quisesse me proteger. Apenas aceitei aquilo.

– Deixa eu pensar. – Olhou para as arvores. – Vamos subir.

Começamos a escalar as arvores, e subimos o mais alto possível. Ficamos entre os galhos escondidos nas folhas.

– Eles podem subir? – Perguntei.

– Eu acredito que sim. – Disse olhando para todos os lados.

– Porque não menti para mim? – Ele me olhou e sorriu fraco.

Nada apareceu até agora, e os gritos estavam distantes. Eu não sairia daquela arvore nem tão cedo. A medida que o sol ia descendo, os gritos iam ficando cada vez mais distantes. Jeredy estava em silêncio, observando todos os lados.

O vi me olhar estranho. E não tirava os olhos de mim. Então notei o movimento das mãos dele, pegando a faca na cintura. O que ele esta fazendo? Com uma velocidade incrível, ele tentou me acertar com a faca. Fechei os olhos pelo susto. E então nada tinha acontecido. Abri os olhos e olhei para o meu lado. Um esquilo. Ele acertou o animal. Pegou ele com cuidado.

– Pensei que... – Ele me olhou.

– Esta com fome? – Perguntou. Começou a cortar o esquilo retirando sua pele rapidamente.

– Vai comer isso assim? – Perguntei.

– Quer fazer uma fogueira? – Ele perguntou. Eu fiquei em silêncio. Fogueira é pedir para morrer. – Quer? – Cortou um pedaço da carne. – Ainda está quente.

– Não estou com fome. – E então fechei os olhos com nojo.

Não conseguia pensar em como ficaríamos vivos e provavelmente ele também não. Estava com medo. Eu estava meio que esperando a morte. Não quero ver ele morrer, então quero morrer primeiro.

Depois de algumas horas, o sol já tinha sumido, e a escuridão e o frio já tinham tomado conta de tudo. Jeredy estava de olhos fechados. Eu me concentrei na respiração dele, para ocupar o tempo. Ela era tranquila e as vezes descontrolada. Eu poderia ouvir o coração dele se me concentrasse mais um pouco.

– Será que Natan levou Jeny e os outros em segurança? – Perguntou sussurrando.

– Espero que sim. – Eu disse.

– Eu não sei como Natan deixou você vir. – Eu suspirei.

– Ele não tinha que deixar nada. – Disse rancorosa.

– Ele daria a vida por você. – Olhei para ele, e ele ainda estava de olhos fechados.

– Você não sabe de nada. Natan sente obrigação de me proteger. Mas se pudesse não se preocuparia comigo. – Ele abriu os olhos e me encarou na escuridão.

– Quem não sabe de nada é você. – Fiquei em silêncio. Ele Sorriu.

– O que foi? – Perguntei.

– Depois que você fez dezesseis anos, Natan não sabia mais como lidar com sua rebeldia pela vida. Ele me dizia as vezes quando estava nervoso, que não poderia impedir seu gênio de nada. Por que era teimosa como ele. E depois de um tempo pude ver isso com meus próprios olhos. Você tomava decisão sem consultar ninguém, como se todo mundo fosse inimigo. Por vezes nas caçadas você escolheu se destacar do grupo para pegar algo maior. – Ele suspirou. – Pior que sempre era você que pegava a maior caça.

– Eu só queria pegar comida. – Falei baixo.

– Eu sei. Clair... – Olhei para ele.

– O que foi? – Perguntei.

– Silêncio. – Ele sussurrou. – Parecem passos.

Olhamos para o chão e tentamos indentificar o que era aquilo abaixo de nós. E então ouvi o barulho do galho em que Jeredy estava ruir. O segurei pelo braço com tanta força que poderia ter quebrado meu braço. Ele era pesado de mais. O puxei para o meu galho e ele caiu sobre mim. Nossas respirações eram altas demais tínhamos que controlar aquilo. O que estava abaixo de nós correu rápido demais para que a gente pudesse identificar. Depois de se ajeitar no tronco forte ao meu lado, suspirou.

– Obrigado. Seria uma queda feia. – eu olhei em volta.

– Não foi nada. O que devia ser? – Ele me encarou.

– Se fosse um infectado subiria na arvore. – Ele disse.

– Pode ter sido um animal. – Disse me encolhendo por causa do frio.

– Vem. – não pude negar. Me encolhi perto dele sentindo o calor aquecer meu corpo.

Fechei os olhos.

Notas finais
E então?