Perdidos.
9 Preferia não me apaixonar
Notas iniciais
Quero agradecer as novas leitoras que estão acompanhando a fic, obrigada!
Não sei quantos capitulos vão ter, mas já são os últimos. Talvez tenha mais dois ou três. ^^
Espero que gostem, beijos :3
Era quase fim da tarde, mais ou menos seis horas. Já tinham chegado no acampamento, iriam partir as oito. Desde que chegaram, Julie e Daniel não se falaram mais. Julie até tentava encontrar Daniel, mas ele dava um jeito de fugir. Estava magoado, sabia que querendo ou não, isso aconteceria: Ela voltaria a ver o Nicolas. Na verdade, a única coisa que ele conseguiu com isso foi uma simples ''amostra grátis'' do amor da garota. No final tudo isso foi apenas uma tortura para ele, afinal, esse tempo todo tentava se afastar da garota, mas todo o seu trabalho foi em vão quando os dois se perderam e ele se apaixonou mais ainda por ela. Foi apenas isso que aconteceu, ao em vez de esquece-lá, se apaixonou mais. E ela acabou voltando para o namorado.
– Está bem inchado.
– Ai, ai... Cuidado senhor, dói muito.
– Ela vai ficar bem? — Perguntava Nicolas enquanto o doutor examinava o tornozelo da garota.
– Vai ficar sem andar por duas semanas... — Disse o médico, jogando um pouco de spray sobre o tornozelo.
Daniel observava eles ao longe, estava invisível para todos, principalmente para ela.
Suspirou tristemente ao ver Nicolas sentado ao lado dela, segurando a mão da garota. Juliana estava um pouco mudada com o namorado, não sorria o tempo todo quando ele estava perto, nem seus olhos brilhavam como antes. Mas mesmo assim, Daniel sentia um grande aperto no coração.
Martim e Félix surgiram ao lado dele, os dois bateram no seu ombro, tentando lhe passar consolo, mas nada adiantava. — Você falou para ela? — Perguntou Félix. — Falou a verdade?
– Não. — Abaixou a cabeça. — Na hora que eu iria falar... Vocês chegaram. — Bufou.
– Não acha que é melhor assim, Daniel? — Martim apontou para Julie. — Ela está sendo tratada, tomou remédios de dores... Até almoçou!
– Por esse lado é bom. Mas por outro não é... — Respondeu encarando Nicolas com frieza, virou as costas e caminhou para longe, até que sumiu.
Estavam todos reunidos em volta da fogueira, Valtinho contava uma história de terror enquanto a noite começava a surgir. — Bia. — Julie a chamou, sussurrando. — Você viu o Daniel?
– Não vi, acho que ele foi dar uma volta.
– E se ele se perdeu? — Estava visivelmente preocupada, Bia de um sorriso torto com o desespero da amiga, sabia que os dois tinham passado todo esse tempo junto.
– Julie, relaxa. Ele não vai se perder.
– Mas ele se perdeu antes. — Se levantou. — Eu vou procura-lo.
– Espere, Julie! — Bia gritou, mas não adiantou. Juliana se levantou, usava moletas que o médico deixou para ela.
Assim conseguia andar com mais facilidade. Saiu pela mata, apenas com uma lanterna. — Daniel! — Olhou para os lados, nada. — Daniel! — Foi entrando mais na trilha, a mesma trilha que entraram antes de tudo começar. — Daniel!
– Oi. — Sua voz fria sussurrou no seu ouvido.
Juliana se virou, não escondendo o susto. — Porque não cansa de me assustar?! — Pausou. — Onde estava?
– Por aí...
– Por aí! O ônibus sai em meia hora, e se... Se perdesse de novo?! Quem ia sentir sua falta?!
– Eu sei que ninguém sentiria, mas estou aqui.
Ela suspirou. — Estou querendo dizer que você é invisível, eu ia pensar que você está dentro do ônibus, indo para casa com a gente. — Explicou.
– Tá, tá... E... Eu não ia me perder. — Assegurou.
– Porque tem tanta certeza?
'' Porque eu nunca me perdi. '' — Pensou. Esse tempo todo, Daniel não estava perdido. Conhecia esse lugar quando tirou férias de um mês com sua família, quando era vivo. No final das contas, ele apenas queria se aproximar mais da garota por quem é apaixonado.
– Julie! — Bia encontrou a amiga e Daniel sozinhos, logo pensou em alguma besteira, mas ignorou seus pensamentos fúteis. — A professora está fazendo a chamada, já vamos embora. Vem!
[...]
– Posso me sentar ao seu lado no ônibus? — Nicolas perguntou para namorada enquanto caminhavam para o ônibus.
Julie bufou. — Não, prometi para Bia que me sentaria com ela. — Respondeu um pouco seca, na verdade, no fundo não queria se sentar Nicolas. Já não se sentia tão bem e tão completa ao seu lado, como antes.
Os alunos foram entrando no ônibus, um por um. Os fantasmas estavam na frente das meninas, eles também entraram. Juliana não disfarçava seu olhar para Daniel, porém, ele não percebeu que a menina o fitava fixamente.
Ela se sentou com Bia mais a frente, enquanto os três fantasmas se sentaram no fundão do ônibus, assim como na ida. — Julie. — Beatriz a cutucou. — Quero que me conte o que aconteceu. — Sorriu.
– Ah, n-não houve nada de mais. — Disse com um sorrisinho fraco no rosto.
– Fala sério, Julie! V-vocês... Brigaram muito?
– Até que não. Ficamos até mais amigos... — Suspirou. — Eu acho.
– E você estava usando a roupa dele não é... — Juliana corou com o comentário maldoso da amiga.
– Isso não tem nada de mais.
– Porque estava usando o terno dele?
– Eu estava com frio, e ele me emprestou. Qual é o problema nisso?
– Hum, o Daniel? Te emprestou o terno? Passou frio para te deixar aquecida? — Estranhava.
– Não Bia. — Julie riu. — Ele não sentiu frio, ele disse que os fantasmas não sentiam frio...
– Hã? Ele disse isso? Não... Mas... Fantasmas sentem frio. — Afirmou. — O Félix estava reclamando do frio o tempo todo, estava até tremendo.
Julie ficou surpresa com a afirmação '' Então ele preferiu passar frio... Por mim. '' — Pensou, chocada. — Porque ele mentiu para mim?
– Ele só queria cuidar de você amiga. — Bia tocou no seu ombro, Juliana ficou pensativa. Mas sorriu com aquilo.
– Sabe Bia? Ele me tratou muito bem. — Balançou a cabeça. — Jamais pensei que o Daniel fosse assim... Tão protetor.
– Com você ele é...
– O que quer dizer com isso? Comigo?! Eu seria a última pessoa que ele protegeria. Ele me odeia, Bia. — Disse fraca.
Beatriz apenas suspirou. '' Será que é cega mesmo ou só não quer enxergar a verdade? '' — Pensou, mas decidiu se calar, não queria abrir os olhos de Juliana e revelar o que ela já deveria saber, afinal, Daniel poderia não gostar da sua intromissão.
Julie também ficou calada, lembrando dos momentos que passaram juntos. As vezes em que ele a carregou, os abraços... Quando dormiram juntos. E os beijos. Ah... Os beijos era algo que ela não conseguia esquecer, mesmo tentando se distrair com qualquer outra coisa para não se lembrar da traição. Não conseguia. Aqueles beijos mexeram profundamente com ela.
'' Como deve ser beijar um fantasma? '' — Lembrou da pergunta que Beatriz fez, a muito tempo, quando as duas estavam conversando no quarto. — É muito bom. — Pensou alto.
– O que? — Bia ouviu.
– Não, nada. — Respondeu se virando para a janela, olhava para a estrada em movimento, lembrando das vezes em que ela estava com o Daniel, não só no acampamento, mas desde que se conheceram. Lembrou das músicas que fizeram juntos e cantaram também. Era tão feliz... Com a banda, os amigos, os fantasmas...
Suspirou quando viu que o ônibus já estava na esquina da sua escola. Todos foram se levantando, Bia ajudou a amiga levando suas malas. — Vem Juh, eu te ajudo. — Nicolas segurou seu braço, ela revirou os olhos mas não hesitou em aceitar, afinal, precisava de ajuda para descer as escadas do ônibus.
Todos já estavam em frente ao colégio. Juliana e Daniel disfarçavam os olhares, Daniel se sentia pior do que da vez em que ela recusou seu beijo no balanço. Sentia que mesmo tentando... Não conseguiria vencer o Nicolas.
Via Nicolas abraçar a cintura de Juliana e ajuda-lá a andar. Mordia seus próprios dentes de raiva e decidiu ficar invisível para Julie. Ela logo notou a ausência do rapaz, ficou desesperada, sabia que o motivo era o Nicolas. Olhou para os lados, e o pior é que ela não poderia perguntar para a Bia se o Daniel estava visível. Precisava ficar calada enquanto Nicolas estava por perto. Mas não conseguia esconder sua angustia, ainda olhava para os lados. Inquieta. — O que foi, Julie? — Seu namorado perguntou.
'' Só agora me dei conta que sua voz me irrita profundamente. '' — Pensou. — Nicolas, pode ir pra casa agora. A Bia me ajuda.
– Tudo bem então. — Disse a encarando. — Me dá um beijo. — Pediu. Julie lhe deu um beijo sem cerimônia, um beijo bem rápido e sem graça, no rosto. Ele olhou desconfiado para ela, achou seu comportamento muito estranho já que Julie sempre foi bem carinhosa com o Nicolas, as vezes o puxava e o beijava, mexia nos seus cabelos e acariciava seu rosto.
Lembrou que antes de se perder os dois estavam conversando e aconteceu algo muito intrigante com ele. Ele perdeu o equilíbrio e caiu do tronco da árvore e depois sentiu uma dor forte na barriga, muito forte.
'' Foi como se eu levasse um chute. '' — Pensou. Extremamente curioso. '' A Julie nem foi me ajudar, ela saiu correndo pela trilha, como se tivesse visto algo... '' — Foi andando, ainda pensando. Lembrou do que os dois conversavam, e sobre a revelação da namorada: Sua banda de fantasmas. '' Daniel. '' — Balançou a cabeça e atravessou a rua.
– Bia, você pode me ajudar?
– Claro Juh. — Ajudou a amiga a andar.
Assim que Nicolas saiu Daniel reapareceu para a garota, mas ficou bem distante dela. Andava com seus dois amigos. Julie percebeu seu jeito, a essa altura já sabia que se tratava de ciúmes. Mas dessa vez não sentiu raiva, na maioria das vezes quando Daniel tratava seu namorado com indiferença, ela detestava, ia até ele e isso sempre acabava em discussão. '' Não percebi o quanto isso era fofo. '' — Pensava a humana, sem tirar os olhos do rapaz que chutava uma lata amassada. Julie observava seus olhos melancólicos, seu jeito emburrado. Continuava achando fofo. '' Se ele sente mesmo ciúmes é sinal de que ele se importa ''. — Sorriu com isso.
Chegando em casa, contou ao seu pai o que tinha acontecido, só ocultou a parte em que se perdeu com um fantasma. Preferiu dizer que se perdeu sozinha, seu pai pediu para que ela descansasse bastante e não se esforçasse tanto para não lhe causar mais dores no tornozelo.
No dia seguinte, ainda no seu quarto. Julie conversava com Beatriz pelo Facebook. — Vai para a escola Juh?
– Não Bia. — Digitou. — Ainda sinto muitas dores. — Sim, mesmo tomando os remédios Juliana ainda sentia muito desconforto no tornozelo, mas esse não era o real motivo. Na verdade ela não queria encontrar Nicolas por lá, não entendia o porque, mas não queria vê-lo hoje.
– Ok então, eu aviso aos professores :)
– Obrigada :3 — Mandou, agora pensativa, queria lhe fazer uma pergunta desde ontem, mas não perguntou pois os fantasmas estavam por perto. — Amiga, como o Nicolas se comportou sem mim? Ele ficou muito preocupado?
– Na verdade não. – Beatriz respondeu, mas se arrependeu. Afinal, achava que Juliana ficaria triste com a resposta. — Bom, não tanto quanto eu, mas ficou sim.
– Sério? Que estranho, não achei ele tão preocupado. Achei que ele estava sendo até um pouco falso quando nos reencontramos.
'' Finalmente está abrindo os olhos Julie. '' — Beatriz pensou, mas seu celular tocou, era o despertador. — Amiga, depois nós terminamos a conversa, preciso ir para o colégio, beijos.
– Ok né. — Fechou o notebook, olhou para os lados. — Daniel? Estava aqui? — Ele escutava tantas vezes as conversas da Julie que ela sempre suspeitava.
Não recebeu resposta, estranhou. '' Sei que ele estava aqui '' — A vigia o tempo todo.
Julie pegou suas muletas e foi andando, desceu as escadas com dificuldade. Até chegar na edicula, abriu a porta e viu que Daniel estava tocando sua guitarra, aquela mesma melodia depressiva de sempre. Julie não encontrou Martim e Félix. Logo pensou que Daniel queria seu tempo para espairecer, já ia se virar de costas para sair. — Agora não adianta mais, você já abriu a porta. — Ele disse levantando o rosto e a encarando.
– D-desculpe. — Disse se aproximando, ainda usando as muletas. — Eu só vim aqui para confirmar que você estava aqui, pensei que estava escutando minha conversa.
– Pra quê escutaria sua conversa com a Bia?
Ela o olhou torto. — Eu não disse que foi com a Bia. Daniel! Estava me seguindo!
– Não, eu não estava. Será que dá para acreditar em mim?
Julie respirou fundo. — Tudo bem. — Sorriu. — Eu acredito. — Daniel gostou de saber que Julie confiava nele, afinal, ele realmente não escutou a conversa das duas. Só deduziu que Julie conversava com a amiga, por isso citou o nome de Bia.
Daniel não escutou porque não queria estar perto dela, sentia seu coração se partir ao meio a cada segundo que encarava os olhos da garota, também chegou a pensar que as duas fofocariam sobre o Nicolas.
Encarou sua guitarra. '' Queria me apaixonar por você. '' — Pensou alisando o instrumento. — '' Acho que não sofreria tanto... '' — Voltou a tocar sem se importar com a presença de Julie, a mesma escutou a melodia, sabia que já havia a escutado antes. Na verdade, de vez em quando escutava esse som sair da edicula.
– Foi você que compôs? — Julie perguntou, porém, Daniel continuou cabisbaixo, ainda tocando. Ela pegou sua mão. — Daniel. — Ele levantou seu rosto. — Foi você que compôs?
Suspirou. — Foi.
– É tão bonita, e tão triste...
– Não preciso das suas criticas. — Rosnou.
– Daniel, mas eu achei bonita. — Sorriu. — Não acha que cairia bem se tivesse uma letra também?
– E tem. — Respondeu. — Mas não... Nunca cantei, aqui... Só... Uma vez.
– É? — Não lembrava. — Eu estava junto?
– Não, v-você estava no colégio.
– Hum, será que pode cantar para mim? — Perguntou, deixando Daniel sem reação.
Notas finais
Que música o Daniel vai tocar para ela? ú-u
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