Perdidos.
10 Não era a hora certa
Notas iniciais
Daniel não sabia como reagir, não sabia o que fazer. Jamais cantou a música que fez para a Julie, na verdade sempre escondeu essa música dela. É uma música bonita, que se encaixaria muito bem na lista das outras músicas da banda, mas Daniel nunca cantou na frente dela. — É melhor não. — Disse. — Eu... Quero ficar sozinho Julie, me deixe. — Pediu, mas a garota continuou de pé, na sua frente.
- Canta, vai. Você tem uma voz tão linda. Queria ouvir.
Ele suspirou, não sabia dizer não para aquele par de olhos castanhos. Mas... O que iria acontecer se Julie escutasse? Se ela... percebesse que a música tem tudo a ver com os dois e como ele se sente:
Daniel pensava em tudo isso, mas realmente não tinha escolha. Talvez se cantasse na sua frente conseguiria desabafar um pouco suas angustias.
Então ele começou, Julie sorriu ao escutar a linda melodia ainda instrumental. Fechou os olhos até que Daniel começou a cantar. - Como dói, perceber que o fim chegou tão depressa e eu nem tive tempo de provar pra você. — Ela abriu os olhos com o verso. — Que eu poderia ser o seu maior segredo... É o que eu mais desejo. Será que se eu fechar os olhos você vai aparecer aqui? - Olhou para ela e continuou. — Dias passam enquanto eu penso em uma forma de mudar. A quem estou querendo enganar?! — Cantou a última frase com um timbre mais alto e mais profundo. Juliana ainda escutava, completamente encantada. — Quem sou eu pra mudar o que o mundo escolheu. O que o destino escolheu para mim. - Sentia uma grande tristeza nessa parte, não conseguia encara-lá então abaixou a cabeça. — Tenho que aceitar que é melhor assim... Quem sou eu pra mudar o que o destino escolheu, o que o destino escolheu pra nós dois. Se eu partir prometo não te procurar depois. — Se encararam. — Quanto mais chego perto mais não posso suportar... O fato de não poder te tocar.
Julie conseguiu perceber que a música que Daniel fez era na verdade o sentimento escondido dele. Não sabia o que dizer, estava emocionada com a música.
Ela tocou nos seus cabelos. Enroscando os cachos dourados entre seus dedos. — Que música linda. — Sorriu Juliana. Ainda encantada com os versos que ecoavam pela sua mente.
Daniel sorriu fracamente de volta. — Obrigado. — Disse, não sabia que a reação de Juliana seria assim, na verdade ele pensou que ela não iria gostar, por isso e por outros motivos nunca cantou.
- Eu... — O soltou. — Nunca pensei que você era assim. — Disse. — Essa música, tão profunda.
- Sabe, eu também tenho sentimentos. — Respondeu cabisbaixo.
- É que as vezes não parece.
- Sempre demonstrei, você que foi cega de não enxergar a verdade. — Lembrou de todas as vezes que demonstrou o que sentia, com várias atitudes. Até seu jeito cuidadoso e carinhoso com ela quando estavam perdidos era uma demonstração do seu amor.
- Que verdade? — Perguntou.
Ele balançou a cabeça. — Nada Julie, nada.
- Não. — Juliana tocou no seu rosto, fazendo com que Daniel a encarasse. — Você ainda não respondeu minha pergunta. — Pausou. — Antes de nos acharmos, te perguntei o que sentia por mim...
- Não sinto nada por você. — Disse ríspido.
Julie foi retirando sua mão do seu rosto frio, não acreditava nas palavras dele. Sentiu uma grande vontade de chorar, mas conteve as lágrimas. — Tinha dito que sentia algo forte por mim. — Relembrou suas palavras no acampamento. — Que sentimento forte é esse?
Daniel se calou por alguns instantes, até que respondeu. — Inveja. Só inveja.
- Do que está falando? — Perguntou fraca.
'' Não pode ser apenas isso... '' — Pensava.- '' Não pode... ''
- Estou falando a verdade, s-sinto... Inveja de você. Nunca admiti porque... Sou muito orgulhoso, mas essa é a verdade. Sinto inveja porque me... Me roubou o lugar na banda, eu era o vocalista antes de você. — Falou com um tom de indiferença.
A garota ingênua acreditou nas mentiras. Sentiu um aperto forte no coração, era uma tristeza mais profunda do que a vez que ouviu Nicolas dizer para ela que estava apaixonado pela Thalita. O que Julie sentia naquele momento era mais do que uma tristeza, se sentiu deprimida com aquelas palavras.
Seus olhos já estavam marejados. — Pode deixar Daniel, eu... Eu... Não queria roubar o seu lugar e não queria que você sentisse isso... Você... — Fechou os olhos, tentando controlar as lágrimas. — Você tem a voz muito melhor e mais bonita que a minha, merece o seu lugar de volta... Pode ficar com a banda, eu... Estou saindo dos Insólitos. — Foi andando.
Daniel ficou em choque com as palavras da garota, se sentiu culpado pela saída dela da banda, afinal, tudo o que ele disse era uma grande mentira, mentiu apenas para não se machucar mais. '' Não se importava mais com a banda mesmo, acho que ela já queria sair da banda antes, só para ter mais tempo para o namorado. '' — Pensou o fantasma e voltou a tocar.
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