Perdidos.
6 Desmoronando
Notas iniciais
Obrigada juliel paulicia por ter recomendado, amei! Beijos, e espero que curtam o capitulo.
Daniel andava pela mata, estava atordoado, não sabia para onde ir, para onde estava indo, só pensava no que aconteceu com eles lá dentro. Pensava naquele beijo. Foi seu primeiro beijo depois de virar um fantasma, e para ele foi o melhor beijo que já deu. Não conseguia disfarçar o sorriso nos lábios. Dentro de si começava a surgir uma esperança de que algum dia Julie possa retribuir seu sentimento. Estava escuro, ele espantava os mosquitos que viam irrita-lo. Olhava para as árvores, tentava encontrar alguma fruta.
O que ele não sabia é que Martim e Félix procuravam Juliana, os dois não se importaram com o sumiço de Daniel, já que ele tem a mania de fugir para espairecer.
'' Nos beijamos... '' — Pensava. '' O que isso significou para ela? '' — Estava distraído com pensamentos, até que esbarrou em alguém.
Era seu amigo, Félix. — Daniel! — Martim também estava junto.
– M-mas... O que fazem aqui? — Ele perguntou para os dois.
– Estamos procurando a Julie, ela sumiu cara! Todos estão desesperados! — Disse Félix, afobado.
Daniel ficou calado, não acreditava que aquilo estava acontecendo: Os dois não poderiam encontrar a Julie, iam estragar tudo! Essa era sua grande chance de conseguir conquista-lá e para isso ela precisava passar pelo menos algumas horas sem ver o cretino do Nicolas. — Eu sei que você não se importa com isso, mas... Você viu a Julie? — Martim perguntou olhando para os lados, os dois fantasmas estavam agoniados com o sumiço da morena.
– Não, e-eu não vi. — Respondeu, notando algo nas costas de Martim. — É a mochila da Julie?
– É. — Ele respondeu confuso, não entendeu o interesse do amigo. — Porque?
– Tem comida?
– Tem.
– Eu preciso. — Esticou o braço, mas Martim se afastou. Félix o encarou desconfiado.
– Fantasmas não sentem fome. — Disse o moreno cruzando os braços. — Porque iria precisar?
Daniel suspirou, não sabia qual mentira inventar para conseguir a mochila. Sabia que se contasse a verdade os dois ficariam mais despreocupados. — A Julie está comigo. — Respondeu.
– Com você? — Os dois estavam surpresos. — O que fez com ela?! — Perguntou Félix.
– Espere. — Olhou para seus amigos. — O que estão pensando? Pensam que vou machuca-lá?
– Eu penso que você vai fazer outra coisa... — Martim sussurrou.
– Quer calar a boca ?!
– Calma Daniel. — Félix tocou no ombro de Martim. — Vamos... — Tentou passar, mas Daniel se colocou na frente deles.
– Onde vão?
– Levar a Julie.
– NÃO! — Os barrou. — Por favor... Será que não entendem? — Seu olhar triste deixaram seus dois amigos calados. — Eu quero ficar com ela.
– Você não pode deixar ela dormir na mata enquanto no acampamento tem uma barraca quentinha, fogueira e até música.
– Mas lá tem o Nicolas. — Sussurrou, os dois começaram a entender.
– Daniel. — Félix o chamou. — As coisas não são assim, amanhã de manhã todos vão sair para procura-lá. Todos. Você não vai conseguir impedi-lá de ver o Nicolas para sempre.
Ele suspirou, sabia que Félix estava certo. — Ela está com fome, será que pode me dar a mochila? — Perguntou para Martim, mudando o assunto.
Martim entregou a mochila. Os três se entreolharam. — Flores. — Disse Martim. Quebrando o silêncio. — Dê flores para ela, as garotas gostam. — Sorriu e piscou. Martim sabia muito bem como conquistar qualquer menina. Sendo ela fantasma ou não.
Daniel não disse nada, não ia admitir que queria conquista-lá, mesmo sabendo que esse era seu único objetivo. Apenas sumiu.
Re-apareceu na caverna, Julie estava sentadinha de olhos fechados. Ele olhou para a humana. '' Amanhã tudo vai voltar ao normal... '' — Pensou, sabendo que o pessoal iria procura-lá e ela encontraria seu namorado novamente. Todos voltariam para casa e ele teria que fingir que nada aconteceu. Teria que agir como estava agindo, a tratando com frieza e tentando esquecer o que sentia por ela.
Ou então... Engolia seu orgulho e tentava conquista-lá. Ainda dava tempo, nem que fosse por poucas horas. Tinha chances de conseguir.
– Julie. — A chamou, ela abriu seus olhos pouco a pouco, estava mais do que fraca. Sua visão estava embaçada, não conseguia nem falar direito. Ele se abaixou, mostrando a mochila. Juliana queria perguntar onde a encontrou, mas não tinha forças. Ele abriu e lhe deu água e comida.
Ela sorriu, queria água. Bebeu bastante, quase esvaziando sua garrafa. — N-não. — Disse. — Não posso beber muito, n-não sei quanto tempo vou ficar aqui. — Tampou a garrafa, precisava economizar água.
– Beba. — Daniel disse. '' Não ficaremos aqui por muito tempo...''
Ela bebeu mais um pouco e comeu bastante. Comeu duas maçãs, e três sanduíches naturais. Já se sentia melhor e mais forte, olhou para o rapaz. Jamais pensara que ele cuidaria dela assim. Afinal, os dois não se suportavam, brigavam o tempo todo. Por qualquer coisa. — Obrigada. — O abraçou com força, Daniel retribuiu na mesma hora, desejando que esse abraço fosse eterno. — Onde achou minha mochila?
– Ah, encontrei com o Martim e o Félix. E-eles... Foram embora para buscar ajuda.
– A tá. — Sorriu. — E a Bia? Você viu ela?
– N-não.
– Hum, ela deve estar preocupada comigo... E-estou com saudades dela. — Torceu os lábios.
– Não sente saudades de mais alguém não? — Daniel se referia à Nicolas.
Mas seu nome nem passou pela cabeça de Juliana. — Quem? — Realmente não se lembrava.
– Ninguém, esqueça.
– Não. — Segurou seu braço. — Fala. — Sorriu. — Quem mais eu deveria sentir saudades?
Daniel suspirou, não queria lembra-lá do Nicolas. — Seu namorado.
– A tá. — Respondeu um pouco sem graça, Juliana não sentia saudades dele, por incrível que pareça, não sentia. Queria mudar de assunto, lembrou que... Acabou traindo o Nicolas com aquele selinho e sentiu um peso na sua consciência. '' Mas não me arrependo ''. — Pensou.
– Preciso de repelente. — Disse abrindo a mochila, procurou mas lembrou que acabou esquecendo na cama do seu quarto. — Droga de mosquitos. — Reclamou coçando seu braço. — Olha só! — Mostrou o braço totalmente vermelho para Daniel.
– Não. — Ele segurou o braço de Juliana. — Não coça para não piorar. — Julie gostava do jeito como Daniel se preocupava com ela, Juliana jamais pensou que ele seria assim.
Ele sorriu torto, ainda segurando o braço avermelhado da humana. Beijou carinhosamente sua mão. Ela riu com aquilo. Foi subindo os beijos, chegando no braço, beijava lentamente, causando cocegas na sua barriga. — Para Dan. — Disse risonha. Ele continuou subindo os beijos até que chegou no pescoço. Julie parou de rir E ficou séria, quase fechando os olhos com os beijos. Sentiu um frio passar pelo seu corpo como uma corrente elétrica. Levantou mais a cabeça, se recostando na parede do abrigo, Daniel beijava seu pescoço com vontade. Ele até tentou parar, sabia que não deveria mostrar tanto carinho assim pois sentia que acabaria se magoando. Mas não conseguia, beijava sua pele, ele queria isso à muito tempo.
Apesar de tudo, Juliana estava gostando daquilo. Segurou os cabelos cacheados do rapaz, ele parou de beijar seu pescoço e se encararam. Ele queria sentir seus lábios novamente. Ela sorriu e desceu a mão de seus cabelos para o seu rosto, onde alisou sua bochecha pálida. Daniel sorriu torto, sem tirar os olhos dos lábios carnudos da garota. Se aproximou, encostando seus narizes, na hora a respiração de Juliana pesou. Sentia adrenalina e tensão ao mesmo tempo.
Sim, ela queria beija-lo novamente.
Ele foi se aproximando mais... E mais.
Até que a consciência da humana pesou, lembrou de Nicolas e virou seu rosto. Suas bochechas estavam mais do que coradas. — E-e-eu... — Não conseguia falar, estava nervosa, a garganta estava seca e seu corpo trêmulo, nunca se sentiu assim perto de Daniel antes, nunca se sentiu assim nem mesmo perto do Nicolas. — Eu não posso trair o meu namorado, ele não merece. — Falou logo tudo de uma vez, sentia seu coração acelerado. Sabia que Daniel não queria saber do Nicolas, e logo pensou que os dois iriam discutir.
Mas para a surpresa dela ele só se calou, se sentou ao seu lado.
Lembrou de todas as coisas que aconteceu desde que se conheceram. Quando Juliana quebrou o disco de vinil e ele ficou extremamente irritado, e então aconteceu a primeira briga. Lembrou também das vezes em que a ajudou também, ajudou várias vezes, ajudou na primeira vez em que ela foi cantar em público, ajudou quando Bia e Julie estavam brigadas, as duas fizeram as pazes porque ele deu forças... Ajudou até nas provas bimestrais.
Se virou para ela, viu então que Juliana já o encarava a alguns minutos, admirava secretamente a beleza do rapaz. — Porque se apaixonou pelo Nicolas? — Daniel perguntou, realmente não entendia porque. Seu namorado nem a enxergava... Para o Nicolas, Juliana era como o Daniel é para ela, invisível. — O que ele fez para você se apaixonar por ele? — Estava irritado, achava aquilo uma grande injustiça. — Responde!
– Eu... — Penteou seus cabelos com os dedos, para trás. — Eu... Não sei...
– Como não sabe? — A encarou. — Foi... Foi o que? Amor a primeira vista?! Foi isso?
Ela nunca parou para se fazer essas perguntas, nunca parou para pensar: Porque me apaixonei pelo Nicolas? Achava que era amor a primeira vista, desde que viu seus olhos azuis pela primeira vez. Mas... As coisas que aconteceram hoje a deixou completamente confusa. — Você... Acho... Que você tem razão, Daniel. — Admitiu, ainda muito confusa. — Não sei o motivo... De ter me apaixonado por ele.
– É difícil sabe... O cara não viu sua primeira apresentação, disse coisas horríveis sobre você, tentou estragar nosso show tirando nossas máscaras, e ainda jogou o CD que você fez com tanto amor e carinho no lixo.
– Espera. — O encarou. — Que coisas horríveis ele disse de mim?
Ele olhou para o chão. Não queria contar a verdade, mas se via sem escolhas. — No dia que eu vim te pedir desculpas por ter dito que você não prestava para ser cantora de rock, você... Me pediu para seguir o Nicolas, para ver se ele falava algo sobre você e então eu fui. — Fez uma cara feia. — Foi uma tortura para mim, o cara só falava de RPG! — Suspirou. — Aí, sussurrei o seu nome e ele e os seus amigos entraram nesse assunto, e ele disse que achava você muito sem sal, e não fazia o tipo dele.
– Não. — Ela respondeu, intrigada. — Ele disse que os meus olhos eram...
– Eu inventei isso. — Interrompeu.
– I-inventou? — Estava surpresa. Aquelas palavras eram as mais lindas que já havia escutado, e até o dia de hoje pensava que seu namorado achava isso, pensava que o Nicolas achava que os seus olhos eram os mais bonitos que já viu... — Porque me iludiu assim, Daniel? — Deixou uma lágrima escapar, se sentiu desmoronada.
– Acha que eu não queria jogar na sua cara o que o Nicolas realmente disse? — Pausou. — É claro que eu queria, eu queria chegar e falar que ele te achou tudo isso. M-mas... Eu não disse...
– E porque não?
– Por causa da banda, só por causa da banda eu inventei aquilo. — Olhou para frente, pensativo. A verdade é que ele não conseguiria magoa-lá.
Notas finais
Agora a Julie percebeu que a coisa mais linda que o Nicolas disse era uma grande mentira! O que será que vai acontecer?
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