Perdida No Paraíso
44 Capítulo 44- Eu queria ser ele
Notas iniciais
Naquela noite nenhum deles dormiu.
Sakura se levantou depois das lágrimas secarem e nem soube dizer como subiu as escadas, quando deu por si já estava deitada na cama, olhava para o nada, sentia-se vazia.
Tudo que ele sabia é que sentia uma enorme vontade de estar com a filha, de abraça-la, de sentir seu cheiro, de vê-la sorrir, por que com ela ele sabia realmente o que era amor, com sua criança era puro, era sincero, mas não iria aquela hora da madrugada até a casa de Ino para pegar Inori.
Ele tinha de sentir isso sozinho. Como sempre foi.
–---------------
Chegou cedo ao hospital, o dia mal amanheceu e ela já estava lá.
Mas era como se não estivesse. Sua mente ficava repetindo as palavras do Uchiha. Sentia raiva de si mesma, de se importar com o que ele dizia, do que pensava dela.
Sasuke já estava morto pra ela, tinha plena certeza disso....até aqueles últimos tempos.
E então notou estar mais sorridente nos dias que se passavam, que se pegava imaginando o que mais ele tramaria para tentar estar com ela novamente. Que já não jogava mais as rosas fora.
E ainda tinha Gaara.
Fechou os olhos balançando a cabeça, era uma covarde por não ter coragem de o encarar. Sentia-se tão mal pelo que fez.
–Sakura!
–Hã? O que foi Shizune?
A médica tinha metade do corpo dentro do consultório da rosada.
–Como o que foi, estou a séculos te chamando, em que planeta você está?!Bom, isso não importa, precisam de uma consulta na casa do Hokage hoje depois do plantão no hospital.
–Está tudo bem com Naruto, Hinata?
–Parece que sim, talvez seja algo de rotina. Eu iria mas tenho um compromisso depois do trabalho, e como eu sei que você ...
–Tudo bem Shizune, eu vou.
–Obrigada! A morena pareceu ficar realmente feliz.
–De um olá no Kakashi por mim.
Shizune corou.
–Do que está falando?
–Imagino que seja ele o motivo que te impeça de ir a consulta. Mas não importa, fico feliz por vocês.
–Você tem uma imaginação muito fértil rosada. Mas mesmo assim, obrigada.
Shizune fechou a porta rapidamente e deu um leve sorriso.
–Pelo menos pra alguém a vida parece estar dando certo.
Comentou consigo mesma.
–----------------
O dia foi apático, pensou em pedir uma missão qualquer para Naruto para se distrair, para sair daquela Vila, mas desistiu, já estava difícil se concentrar no trabalho da Polícia, uma missão seria pior. Ficou o dia inteiro ali mas seria o mesmo se não estivesse, não conseguiu fazer praticamente nada o dia todo. Esperou que todos fossem pra casa para ver se assim o trabalho rendia alguma coisa, mas era pior, sentado ali naquela sala, sozinho e no escuro, tudo que fazia era pensar nela. A noite já avançava quando decidiu finalmente ir pra casa, mas antes queria dar um beijo na filha, precisava dela.
A maior parte do comércio já estava fechada, naquela hora só o que era voltado para divertimento se encontrava aberto, as ruas estavam quase desertas.
Sua mente estava distante.
–Sasuke! Ele parou e se virou para quem o chamava.
–Olá Kakashi. Disse apático.
O antigo sensei se desencostou da parede onde estava escorado e o encarou.
–O que foi? Porque está me olhando assim? Sasuke revirou os olhos
–Reparei em você desde que o vi apontar na rua, está distraído, nem notou minha presença. Onde você está com a cabeça?
–São só problemas Kakashi, nada demais.
–Sei, problemas, sim, todos temos problemas, mas qualquer pessoa nessa vila sabe que as únicas coisas que te preocupam são sua filha e a Sa..
Ele o interrompeu.
–Não diga o nome dela!
–Ah, então chegamos ao ponto.
–Não me preocupo com ela, não me importo mais com ela.
–Não é o que parece.
–Queria dizer que foi bom falar com você Kakashi, mas não posso, até mais.
–Alguma coisa me diz que todo esse seu azedume tem haver com a forma como o Kazekage e a Sakura se encararam ontem. Estou errado?
–Então você também notou...
–Bom, eu sou um ninja, percebemos essas coisas.
–Parece que eles tiveram um..caso. O Uchiha torceu o cenho ao dizer.
–E você está com ciúmes.
Foi uma afirmação.
O moreno apertou os olhos ficando nervoso.
–Eu não sinto ciúmes.
–Não sentia pelo visto.
O Uchiha bufou.
–Admita Sasuke, você nunca sentiu ciúmes porque a única mulher que você amou sempre se devotou a você e agora isso mudou, ela descobriu que pode gostar de outras pessoas e você viu isso, o que te faz sofrer. Você nunca foi rejeitado.
–Está dando uma de psicólogo agora?
–Bom, depois de anos lendo aqueles “livros”, a gente aprende alguma coisa.
–Ela não podia ter feito isso, ela sabia que eu a amava, que estava aqui pra ela.
– E não foi exatamente isso o que você fez?!
O Uchiha arregalou os olhos.
–Você não foi e se envolveu com outra pessoa?!
–É completamente diferente Kakashi, ela estava em coma!
–Mas ainda assim estava lá Sasuke.
O Uchiha se calou.
–Pense pelo lado positivo, pelo menos ela não se casou e teve filhos. E pelo que parece, ainda te ama.
–Ela não me ama mais.
–É claro que ama. Depois de todo esse tempo você não aprendeu nada com ela? O amor da Sakura é eterno, tipo aquele amor de filmes, ela aprendeu a te amar de todas as formas, como criança, como um ninja renegado, como assassino, como amante. Estando presente, estando ausente, estando casado ou não. Talvez você também devesse tentar amá-la assim.
O moreno mordeu o lábio inferior, depois de um tempo voltou o olhar para o antigo professor e sorriu com a lateral dos lábios.
–Ainda prefiro você ensinando apenas jutsus.
Kakashi sorriu.
–Preciso ir. Sasuke deu a volta e passou a caminhar rapidamente.
–Não ia para o outro lado? Perguntou vendo o antigo aluno se afastando.
–Decidi mudar de destino.
Kakashi então voltou a se encostar no muro, sorrindo.
–Ei! Demorei? Shizune deu um beijo no rosto dele. –Do que está rindo?
–Nada, vem, vamos entrar. Ele segurou a mão dela e a puxou para a porta ao lado da parede onde antes ele encostava despreocupadamente.
–---------------
Estava cansada, seu trabalho não havia rendido nada naquele dia mas mesmo assim cumpriu o que dissera a Shizune. Quando finalmente terminou de cruzar o distrito Hyuuga, passar pela portaria da mansão e subir os degraus para a porta principal, tocou a campainha.
A serviçal abriu e sorriu pra ela.
–Ah, Senhorita Haruno, entre, fique a vontade.
–Já disse pra me chamar de Sakura, Amaya.
–Desculpe. Vou chamar o Senhor, aguarde só um minuto por favor.
–Claro. A rosada sorriu para a moça.
Enquanto esperava olhava os porta retratos com as fotos sobre um grande parador no hall de entrada. Viu algumas fotos do casamento de Naruto e Hinata, do nascimento de Minato e de seus aniversários. De Hinata com sua irmã e seu pai e até a antiga foto do time 7. Sakura se aproximou desta para olhar melhor.
–Você não pensou realmente que eu iria deixar você partir assim tão fácil, pensou?
Aquela voz...
A rosada se assustou e se virou apressada.
–Gaara...
–Sakura. Ele disse se aproximando.
Como estava lindo...
A rosada sentiu o peito se apertar e o ar fugir de seus pulmões.
–É você que precisa de uma consulta?
–Foi uma desculpa para que você viesse esta noite, Naruto e Hinata saíram com o filho para se divertirem.
O ruivo se aproximou mais e Sakura sentiu seu coração acelerar.
–Está linda.
Ela engoliu em seco e por fim disse
–Achei que estaria com raiva de mim.
–Eu estava, na verdade Temari estava mais, mas isso não vem ao caso. A verdade é que demorei até ter a certeza de vir até aqui, imaginei diversas desculpas para você ter me deixado nu e sozinho durante a noite e voltado pra Konoha.
A rosada corou.
Gaara sorriu e se afastou.
–E também tinha negócios a tratar com Naruto.
–Eu..não sei o que dizer.
–Diga a verdade. Foi pelo Uchiha?
–Não. É claro que não.
–Então porque Sakura?
A cerejeira respirou fundo.
–Eu tenho um problema, um problema que descobri em Suna e que precisa ser tratado aqui. Eu não podia te envolver nisso Gaara, você não merece meus problemas, meus conflitos, não merece nada que possa te fazer sofrer, eu não podia mais interferir na sua vida ou atrasá-la.
–De novo com isso? Você não interferiu na minha vida, mas acrescentou coisas a ela. Se tem um problema vamos resolvê-lo juntos.
Ela sentiu a garganta se apertando.
Ele era tão perfeito...
–Eu preciso fazer isso sozinha, vai muito além da minha vontade.
Ele se aproximou novamente e a rosada travou.
–Tudo bem. Mas saiba que quando eu voltar a Suna, haverá um lugar a mais, caso você deseje.
Foi a vez de Sakura se aproximar dele.
–Porque você é assim?
–Assim como?
–Tão perfeito.
Ele sorriu e se inclinou.
–E olha que eu nem faço esforço.
A rosada riu e Gaara selou os lábios em sua testa.
–-----------------------
Caminhava calmamente de volta pra casa, sorria.
Sentia-se mais leve. Ele não a odiava como pensou, ao contrário...
Mas ao se aproximar de sua casa o sorriu morreu.
–O que faz aqui Sasuke?
O Uchiha saiu de meio as sombras e foi até ela.
–Precisamos conversar.
–Não existe mais nada pra conversarmos.
Ela deu a volta nele e continuou seus passos, subiu os poucos degraus até a porta de casa e pegou a chave na bolsa com pressa.
–Eu vim me desculpar.
Ela parou e se virou.
–Você se desculpando?
–Eu errei, de novo. Não devia ter dito aquelas coisas pra você, você não merece. Eu estava nervoso, estava...com ciúmes.
Sakura baixou a chave em sua mão.
–Pode imaginar o quanto é difícil pra mim admitir isso.
–Posso.
–Não tinha o direito de te fazer sofrer novamente, aliás eu nunca tive esse direito, mas infelizmente é tudo o que eu faço, trago sofrimento a você.
–Sasuke...
Ele a interrompeu.
–Não sabe como me odeio por isso.
Calmamente ele subiu as escadas e parou diante dela.
–Eu queria ser bom em amar as pessoas Sakura, as pessoas na verdade não, mas você. Quando soube que foi de outro, que ele havia a tocado, a sentido como um dia eu senti...eu fiquei louco.
Aos poucos ela deixava a chave escorrer entre seus dedos.
–Eu não posso mais pedir pra você ficar comigo, seria pedir demais e eu não tenho esse direito, eu não mereço isso. Eu só queria te dizer que eu aprendi, finalmente eu aprendi a amar você. Eu não vou pedir que fique, apenas que seja feliz onde quer que esteja ou com quem quer que seja. Não importa, mas por favor Sakura, seja feliz.
A voz do Uchiha ficou embargada.
Ele se aproximou mais
–Só tem uma coisa que eu quero que você saiba. Quando ele te tocar, quando ele te beijar, quando ele disser que te ama, aqueles toques, aqueles beijos...aquelas palavras...são minhas, por que não me importa se você não me amar mais, eu te amo, e amo o suficiente pra não querer que sofra mais ao meu lado.
Os olhos esverdeados brilhavam observando o moreno ali, diante dela, dizendo tudo aquilo de uma forma tão calma.
–Só tem mais uma coisa que eu queria te dizer. Eu sou muito grato a você, a todo amor que dedicou pra mim durante todos esses anos, foi o único amor que eu tive até a chegada da minha filha e eu só tenho que te agradecer por ele. E com toda sinceridade eu espero que um dia, em outra vida talvez, eu possa mostrar o meu verdadeiro amor pra você e te amar como você merece, porque a única certeza que tenho e que vou levar por toda vida e além dela, é que eu vou te amar.
Ele pausou .
–Pra sempre.
Eles simplesmente se olhavam.
Então Sasuke sorriu, não seu sorriso zombeteiro ou sedutor, mas o seu sorriso, o sorriso dedicado a ela, aquele que somente a rosada conhecia.
–Adeus Sakura.
Então ele se virou e desceu as escadas.
Ela ficou lá, parada, com o olhar fixo aonde antes ele estava parado diante dela.
Quando finalmente olhou para o lado, por onde ele saiu, já não havia nada.
Além da luz da lua, as únicas coisas que brilhavam aquela noite eram as chaves que caíram no chão sem que ela ao menos notasse, e as lágrimas que deixava escorrer sem ao menos perceber.
CONTINUA...
Fale com o autor