Perdida No Paraíso

45 Capitulo 45- Sob as brancas luzes


Notas iniciais
É gente, já está me dando aquela dorzinha no peito pelo fim dessa história que amei escrever de todo o coração. Apreciem ler como apreciei escrever.

Deitada na cama, olhando para o teto branco, mas que pela falta e luz permanecia escuro como tudo naquele quarto, havia tomado sua decisão.

Na manhã seguinte decidiria sua vida.

Finalmente tomaria um rumo.

Finalmente se encontraria depois de tanto tempo perdida.

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Não dormiu aquela noite, o que já era de se esperar. Sentia um leve aperto no peito mas era como se tivesse retirado o mundo das costas. Estava aliviado o que não quer dizer que estava satisfeito, só estaria se ela estivesse ali, do seu lado.

Só estaria se simplesmente depois de ter dito tudo aquilo ela se virasse e corresse até ele dizendo que queria estar com ele, que queria amá-lo como ele a amava.

Mas não havia acontecido como desejava, havia libertado ela de si, o que não significava que estava livre dela.

Nunca estaria.

No fundo de seu coração esperava que mais cedo ou mais ela batesse em sua porta e dessa vez pra ficar pra sempre. E o que mais doía nesse pensamento era saber que provavelmente, nunca aconteceria.

Ouviu insistentes batidas na porta, ignorou por um tempo mas devido a persistência desceu as escadas, devia ser alguém bem desesperado para ir a casa do Uchiha antes das 6 da manhã. Ainda estava com a roupa do dia anterior.

Abriu a porta e estranhou a imagem que viu.

–Ino?

–Ela não está bem Sasuke, tem alguma coisa errada com nossa filha!

A loira estava com os olhos vermelhos e trazia a criança entre os braços coberta com uma manta branca.

–O que foi, o que ela tem?

Ele deu espaço e ela entrou na casa, ninava a criança que parecia adormecida.

–Eu não sei, essa maldita febre que não passa, hoje ela não acordou para mamar e eu fui ver o que aconteceu, está acordada mas não reage.

Ele se aproximou e pegou a pequena nos braços.

–Não deu remédios demais?

–É claro que não, somente a dose recomendada pela Shizune.

Sasuke deu um beijo na testa da filha e constatou estar quente.

–Vamos leva-la de novo ao hospital. Vá pra casa e arrume as coisas dela, rápido.

A Yamanaka concordou e saiu apressada porta a fora.

–O que você tem meu bem?! Por favor, o que você tem?

Ele ninava a criança, desesperado, pela sala.

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Assim que chegou ao hospital foi direto a sala dela.

–Shizune. A rosada foi entrando sem nem ao menos bater.

–Sakura? Está muito cedo ainda, o que faz aqui?

–Eu quero operar.

A morena que estava sentada atrás da mesa coberta de papeis desviou os olhos de um deles e olhou para a rosada.

–Operar? Mas...sabe que é impossível.

–Não é impossível, é apenas difícil.

–Sakura, sabe dos riscos.

–Sei que vou enlouquecer se continuar com essa coisa na minha cabeça. Eu quero operar.

–Bom, se é essa a sua decisão. Precisamos então preparar uma equipe, separar os materiais, daqui a alguns dias acho que estaremos prontos.

–Hoje.

–O que?

Shizune se levantou.

–Eu quero hoje.

–Isso é impossível, uma cirurgia desse porte não se faz assim, você deve ser internada, ser acompanhada, precisamos de uma equipe completa para assessorar, fazer exames e...

Sakura a interrompeu.

–Shizune eu sou médica, sei de tudo isso que está falando e sei da sua capacidade, será hoje, senão aqui eu vou pra outro lugar, pra outra vila se for preciso.

A morena permaneceu em silencio por algum tempo.

–Está tão desesperada assim?

A rosada suspirou.

–Não imagina o quanto...

–Preciso da Tsunade aqui comigo.

–Você não precisa da Tsunade pra ser uma ótima médica Shizune.

Ela sorriu e se aproximou da cerejeira.

–Tudo bem, vamos acabar com o seu sofrimento. Mas mesmo assim vou enviar uma mensagem pra ela, você a conhece, ela nunca me perdoaria se não a avisasse sobre essa cirurgia.

–Tudo bem.

–Bom, vou reunir a equipe e você...bem, se prepare, vamos abrir sua cabeça hoje.

Sakura sorriu.

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Enquanto retirava suas roupas ia pensando em tudo que já passou. Sim, tinha uma grande chance daquela cirurgia ser um erro, principalmente assim feita as pressas.

Mas precisava fazer.

Sabia que poderia sair com sequelas caso algo desse errado.

Ter problemas na fala, no sistema nervoso, na memória...

Mas era um risco que tinha de correr, mais cedo ou mais tarde.

Pegou a roupa de paciente sobre o leito e o vestiu, depois apertou o botão para chamar a enfermeira que adentrou no aposento já com a máquina entre as mãos.

–Está pronta?

–Sim.

Então se sentou na poltrona e soltou os cabelos que começavam a passar dos ombros.

Abaixou a cabeça e ouviu a máquina sendo ligava, aos poucos as finas laminas iam cortando seus cabelos rosados que caiam por sobre seu corpo.

–Vamos a parte burocrática..

Shizune adentrou no local, estava com uma prancheta e uma caneta nas mãos.

A morena respirou fundo.

–Sabe que o hospital não se responsabiliza por qualquer dano recorrente a retirada de seu coágulo?

–Sim.

–Sabe dos riscos de infecção?

–Sim.

–Tem consciência dos dias de absoluta recuperação?

–Sim.

–Sabe também que passará todo o tempo da cirurgia acordada e que várias perguntas e gestos serão feitos e que contamos com suas respostas para que possa ser detectado qualquer problema cerebral?

–Sei de tudo isso.

–Algum acompanhante?

–Não.

Shizune abaixou o papel com as perguntas.

–E o Naruto?

–Ele não tem nada a ver com isso. Já tem muito com o que se preocupar.

–Ele vai ficar bem bravo com isso.

–É a minha decisão.

–Nem mesmo o ...Sasu...

–Ninguém Shizune.

–Okay. A médica suspirou. –Assine.

Estendeu a prancheta e a caneta para a rosada que o pegou e assinou de imediato.

–Bom, nos vemos no bloco cirúrgico.

–Shizune. Sakura chamou antes que a médica saísse.

–Não estrague a minha cabeça.

Ela sorriu.

–Vou tentar.

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Desejava a todo custo chegar mais rápido aquele hospital, mas não podia sair em disparada por aí, não com a filha naquele estado.

Quando finalmente cruzou as enormes portas de vidro buscou alguém, qualquer um que pudesse ajuda-los.

–Por favor, precisamos da Doutora Shizune agora mesmo! Ino foi direta com a atendente no balcão.

–Desculpe mas ela está entrando em cirurgia nesse momento.

–E a Doutora Haruno? Sasuke perguntou.

A jovem olhou para a colega do lado.

–Também em cirurgia. Respondeu rapidamente.

–Então traga qualquer um, minha filha está com algum problema. A loira falava apressada.

–Certo, vou contatar algum médico disponível.

Sasuke olhou para a filha e notou que estava imóvel.

–Inori. Ele a sacudiu.

–Meu Deus. Ino tomou a filha dos braços de Sasuke.

–Meu bem, abra os olhos, por favor.

As lágrimas da loira caíam sobre o rosto da pequena.

Naquele instante uma maca foi posta ao lado dos dois e a enfermeira insistia para que a loira colocasse a filha sobre ela.

–Ino, deixem eles levarem nossa filha, ela vai ficar bem, eu tenho certeza.

–Não, eu não vou deixa-la nunca, nunca.

–Por favor senhorita, precisamos cuidar da criança. A enfermeira disse tentando pegar o bebe dos braços da Yamanaka.

–Ino. Ela pode morrer se não soltá-la! Sasuke foi duro e a loira pareceu cair em si. Finalmente ela soltou o bebe deixando a enfermeira pegá-la e colocar na maca.

A loira ficou olhando para seus braços vazios enquanto Sasuke corria atrás da maca com sua filha.

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Deitou-se na maca e sentiu-se ser levada pelo caminho até o bloco cirúrgico. Pelo caminho via apenas as várias luzes brancas que pendiam do teto do hospital, iam passando uma a uma, eram como flashes e nesses flashes ela podia enxergar toda a sua vida, podia até enxergar o que seria dali pra frente, sob as brancas luzes do hospital ela podia enxergar algo novo.

Então pararam de repente.

–O que foi? Perguntou.

–Nada, apenas um louco correndo pelo hospital. Deviam prestar mais atenção nessas coisas... ela falava enquanto Sakura jurava ter sentido um cheiro familiar.

Muito familiar.

Fechou e olhos e se concentrou. Estava mais do que certa em retirar aquele coágulo.

Notou atravessar as portas da sala de cirurgia. Era escura.

Sua vista só se transformou quando o rosto coberto pela touca e pela máscara de Shizune se fez presente.

–Tudo bem?

–Tudo. Sakura respirou fundo. -Vai dar tudo certo.

–É claro que vai, a melhor equipe de Konoha está nessa sala hoje, todos por você.

A rosada sorriu.

–Lhe daremos a anestesia mas você continuará acordada. Se sentir qualquer coisa diga. O anestesista disse.

–Certo.

–Você fará tudo que eu lhe pedir, certo? A enfermeira chefe falou.

–Sim.

–Bom, vamos começar. Shizune disse a equipe dentro da sala.

–Sakura, relaxe e tente aproveitar.

Todos riram. Sakura tentou sorrir, mas estava nervosa.

–Preciso que conte de 10 a 1 calmamente.

A enfeira lhe disse.

–Tudo bem.

E então começou.

–Dez, nove, oito, sete...

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Sasuke avistou a maca com sua filha adentrando em um consultório, ele se apressou até lá quase esbarrando em outra enfermeira que também transportava uma maca com algum paciente.

Quando adentrou no local, não queria acreditar.

Um jovem médico fazia massagem cardíaca em Inori.

Ino chegou e levou as mãos a boca se ajoelhando no chão.

No instante seguinte várias pessoas entravam no local, algumas o empurrando.

A última coisa que viu foi um aparelho sendo colocado no pequeno e frágil corpo de sua criança, fazendo-a quase saltar da maca.

Depois disso a porta foi fechada diante de seus olhos.

Só pareceu despertar quando ouviu o choro de Ino ajoelhada no chão.

Então ele se ajoelhou ao seu lado e a abraçou.

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–Muito bom, agora quero que me diga seu nome completo , sua idade e o lugar onde nasceu.

–Sakura Haruno, 26 anos, Kono...

–Sakura? A enfermeira se aproximou dela.

Shizune olhou para o monitor.

–Os batimentos dela estão caindo.

–Adrenalina, rápido.

–Isso pode afetar a atividade cerebral.

–Deus Sakura , não!

Shizune largou os aparelhos e correu até o peito da rosada, ao lado de outras duas residentes que mantinham os órgãos da rosada funcionando com chakra. Shizune se concentrou no coração.

–Lubrifiquem o cérebro, rápido. Batimentos?

–Ainda caindo. Disse alguém.

–Não, não...vamos ter que abri-la!

–Quer abrir o peito com a cabeça já estando aberta? Perguntou o anestesista.

–O que eu posso fazer, o coração está falhando. Precisamos aplicar o chacra diretamente dentro dela.

No instante seguinte e o sangue começou a escorrer do buraco no crânio aberto.

–O coágulo estourou.

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Momentos depois e a porta foi aberta. Sasuke se levantou e trouxe Ino consigo.

O médico o encarou.

Não conseguiu olhar para a loira.

–Cadê ela, cadê minha filha!

Ino disse aflita mas o medico não lhe deu passagem.

Sasuke apenas olhava para o rosto dele.

Ino o empurrou e passou.

O grito foi ouvido por todo o hospital.

CONTINUA...

Notas finais
Próximo capítulo já é o penúltimo! Beijos e obrigada a todos! ^^