Perdida No Paraíso

34 Capitulo 34- Rosa


Notas iniciais
Espero conseguir escrever bastante antes das ferias acabarem, vocês são demais por esperarem! Boa leitura

Somente ela lhe fazia sorrir e as risadas que soltava lhe davam a única felicidade que lhe restava.

Então ele a pegou nos braços, e ela o encarava com os grandes olhos azuis escuros.

–O que eu faço filha? O que eu faço pra ela se apaixonar por mim outra vez?

A menina tocou o rosto do pai sorrindo.

Sasuke também sorriu.

–É melhor ir te devolver pra sua mãe.

Enquanto ia caminhando até a casa da Yamanaka pensava em tudo que Naruto havia lhe dito. Quando chegou no local de destino bateu na porta e diferente das outras vezes, não foi uma das amigas que atendeu, mas a própria Ino.

–É você...

–Eu a trouxe como você tinha pedido. Sempre que precisar trabalhar a noite sabe que pode deixá-la comigo.

A loira estendeu os braços pegando a menina do colo do Uchiha.

Ele lhe entregou os pertences da mesma e se virou, pronto para partir.

–Sasuke.

Ela o chamou e ele se virou novamente.

–Obrigada.

Ele permaneceu a encarando por alguns segundos, Ino com a filha de ambos nos braços. Tinha vontade de dizer que sentia muito por ela, que nunca foi sua intenção fazê-la infeliz ou sofrer, que ela tinha lhe dado a melhor coisa de sua vida e que era grato, apesar de tudo, mas tudo que o moreno disse foi.

–Por nada.

Ela não tinha que lhe agradecer, Ino nunca teria de lhe agradecer por nada.

Então novamente ele se virou e se pôs a andar. Tinha muita coisa pra fazer naquele dia que apenas começava. Pensava que agora que Inori ficava mais tempo com ele já Ino tinha enfiado a cara no trabalho deveria contratar alguém para cuidar da casa e da comida. Pensava também que teria de selecionar alguém para subchefia da policia já que ele também teria de se dedicar mais a Anbu.

Era muita coisa pra uma pessoa só, mas ele gostava, somente isso e sua filha o faziam se sentir melhor.

Mas então algo fez seus passos apressados cessarem. Pode sentir seu coração falhar uma pequena batida.

Lá estava ela, andando apressada ao lado de Tsunade e... sorrindo.

Então ele também sentiu uma súbita vontade de sorrir também,mas se conteve. Porque o sorriso dela lhe dava esperanças e se ela ainda era capaz daquilo quer dizer que ele não a quebrara por completo, e ele teve a certeza que precisava daquele sorriso.

E das brigas, dos banhos apertados na banheira, do despertar esverdeado dos olhos dela pela manhã, das brincadeiras que o irritavam, da voz esganiçada e de suas fortes mas ao mesmo tempo delicadas mãos o curando.

O curando de tudo, das feridas, de seu passado, de sua vida e por fim lhe dando um futuro.

Mas como reconquistar Sakura Haruno?

Ele nunca fez nada para que ela o amasse, muito pelo contrario.

Não entendia como alguém como ela poderia ama-lo por tantos anos, mas no fundo ele entendia que ela era muito mais evoluída que ele.

Sasuke não sabia ser alguém pra se amar.

Quando avistou as duas entrando no hospital finalmente pode seguir seu caminho e agora com algo certo na cabeça.

Ele deveria ser alguém apaixonante, pra ela...

E somente ela.

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–Tem certeza que isso realmente é uma boa ideia? Não sei o que pode acontecer comigo estando com essa coisa na cabeça...

Tsunade terminou de colocar o jaleco na antiga discípula e a encarou.

–Sakura, eu entregaria minha própria vida em suas mãos.

A rosada sorriu.

–Obrigada Shishou, muito obrigada.

E então ela a abraçou sentindo os braços da antiga mestra retribuindo o gesto.

–Você é como uma filha pra mim, e eu guardei esse jaleco por todos esses anos.

Sakura a soltou e ergueu uma sobrancelha.

–Mesmo pensando em desligar meus aparelhos?

–Como médica eu não via esperanças, e não podia dar esperanças a ninguém...mas como sua mestra eu guardava um pouquinho dela comigo.

A rosada sorriu.

–Na verdade acho que eu pegava um pouco de esperança emprestada do Uchiha.

No mesmo instante aquele sorriso se foi e a Sennin percebeu isso.

–Vamos mudar de assunto. Vem, não temos tempo a perder, estamos com muitos ninjas ferrados pra você consertar.

O cheiro de álcool e éter, a correria de um lado pro outro, os chamados urgentes, a pausa minúscula para o café, os esparadrapos, o sangue e o chakra em suas mãos...tudo, tudo isso fez tanta falta que ela não entendia como conseguiu passar tanto tempo longe daquilo.

Então enquanto levava alguns prontuários para o registro viu alguém realmente inusitado parado no corredor.

Não sabia se devia ir falar com ele...na verdade tinha receio do que ele poderia dizer ou a tratar.

Ela mordeu o lábio inferior e caminhou até ele.

–Shikamaru.

Pela diferença entre a altura dos dois o moreno desceu seu olhar preguiçoso para a rosada.

– Algum problema? Você está bem?

–Sim, vim apenas deixar um companheiro de equipe que se feriu na volta da ultima missão.

–Ah...menos mau.

Ele ainda mantinha aquele olhar sobre ela, e isso a incomodava demais.

–Vejo que voltou pro seu antigo posto.

–Na verdade não, eu apenas estou atendendo alguns casos da Tsunade.

–Hm.

Ela pensou em se despedir e sair voando dali, mas a curiosidade não deixava seus pés se moverem.

–Shikamaru, como ele está?

–Com ele você se refere a quem?

–Sabe de quem eu estou falando.

–Suponho que do Kazekage.

Ela ficou em silencio, o que confirmava o que o moreno havia suposto.

Ele então encostou a cabeça na parede e soltou uma risada lateral.

–Vocês não conseguiam esconder o acontecia entre os dois de ninguém. Achei que Temari ia pirar, ela tinha muito ciúme dele, coisa de irmã mais velha. Mas acho que com você ela entendeu que Gaara precisava daquilo, ele precisava experimentar de verdade como era gostar.

Um nó se formou na garganta da cerejeira.

–Ele deve estar me odiando agora.

–Ele eu não sei, mas ela ficou bem irritada. Tinha medo do irmão se machucar e acabou organizando as pressas aquele casamento arranjado, pelo menos se ele se casasse sem amor não se feriria, mas já era tarde, ele já estava apaixonado por você.

–Shikamaru, eu gosto tanto do Gaara quanto ele gosta de mim, mas eu precisava...

Ele a interrompeu.

–Você não tem que me dizer essas coisas, isso de amor é muito complexo e problemático até pra mim. Por isso eu me considero mais feliz que vocês, já encontrei o meu alguém e estou bem com ela, mesmo com gênios tão diferentes eu gosto dela e ela de mim, simples assim, sem complicações.

–Queria que fosse simples assim pra mim também.

–Bom, eu já vou.

Ele se desencostou da parede e enquanto se afastava terminou de dizer

–Não se preocupe, todo mundo acaba caminhando pra felicidade, se você não é feliz ainda é porque ainda não terminou de caminhar.

Sakura o via se afastando, apoiando as mãos na cabeça relaxadamente.

Ali ela percebeu que Shikamaru não era apenas inteligente, ele também tinha uma grande sabedoria, pena que era preguiçoso demais para compartilha-la com os outros.

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Ficou com aquilo que Shikamaru havia dito na cabeça pelo resto do dia.

Seria tão mais fácil se ela simplesmente não amasse.

Pessoas passavam a vida toda sem saber o que era aquilo, mas ela não, ela teve um grande amor...duas vezes.

Talvez aquilo fosse algum tipo de castigo, sentir amor...sentir um amor tão profundo mas não poder tê-lo.

Voltava pra casa vagarosamente, tinha começado bem o dia, animada com a proposta de Tsunade...mas agora...

Agora seu coração estava mais apertado que nunca.

Quando chegou em casa e abriu a porta, a primeira coisa que fez foi tirar os incômodos sapatos. Mas assim que pôs os pés descalços no chão sentiu algo tocá-los, se apressou em acender a luz e assim que olhou pra baixo pode ver o rastro de pétalas no chão, elas seguiam até a escada, Sakura foi até ela e subiu apressada, as mesmas continuavam até seu quarto , quando a mesma arrastou a porta pode ver a flor sobre a cama, uma rosa.

Ela então se aproximou e a pegou entre os dedos, assim que a tocou pode ver o papel dobrado.

Ela o pegou, abriu e leu.

“Eu esperei muito, muito tempo, mas eu esperaria mais de um milhão de anos por você.

Nada me preparou para aquilo que seria quando eu fui seu.

E hoje eu sei porque eu tenho sobrevivido por todo esse tempo

Por você.”

Ela pegou aquele pequeno pedaço de papel e o apertou contra o peito.

Sentiu o perfume da rosa e a olhou. Era linda...a flor mais linda que já tinha visto.

Mesmo recebendo seu nome, a flor de cerejeira não era a sua favorita, o que praticamente ninguém sabia, sua flor favorita era aquela, a rosa.

Não importava a cor, brancas, amarelas, cor de rosa...ou vermelhas, como aquela em suas mãos.

Era majestosa e não morria com facilidade, podia se despetalar mas continuava firme até não poder mais, e então quando morri, deixava pequenos botões que demonstrava que no fim ela não tinha morrido por completo, ela apenas renascia, várias e várias vezes.

Uma rosa vermelha, quem deixaria aquilo ali?!

Observou a tonalidade daquelas pétalas, tão parecida com os cabelos de...

–Gaara!

Ela se levantou apressada e olhou pela janela. Seria possível ele estar ali, estar em Konoha?

Não, aquilo era impossível, mesmo ele sendo quem era, um kage não passava despercebido assim. Talvez não fosse ele em si mas, alguém.

Sim..Shikamaru, ele havia voltado naquele dia, talvez Gaara houvesse pedido.

A rosada então sorriu e fechou os olhos. Sentiu seu peito se encher de algo que a muito não sentia, uma alegria sem fim.

Então a brisa da noite passou e ela a sentiu, junto com perfume da flor que segurava.

Ao longe, olhando para aquela imagem, ele também sentiu uma pequena alegria o preencher.

–Espero que ela tenha gostado.

E deu meia volta, caminhando pela noite afora.

CONTINUA....

Notas finais
Tifanny Rafael, adorei as palavras, obrigada pela recomendação! Logo deve ter mais um capitulo, então aguardem! Beijos.