Perdida No Paraíso
35 Capitulo 35- Lavanda
Notas iniciais
Acordou cedo naquele dia. Levantou e se espreguiço, olhou a flor que pusera em um jarro próximo a janela, sorriu.
Naquela noite ela dormiu como a muito tempo não fazia.
Fez sua higiene matinal, comeu alguma coisa e tomou seu remédio. Naquela manhã não teria pacientes então decidiu ir visitar uma velha amiga.
Chegou ao distrito Hyuuga e se impressionou com o fato de que não importava quantos anos se passassem, aquele lugar sempre teria a mesma aparência.
Andou calmamente entre as pessoas, algumas a cumprimentavam, outras apenas a encaravam, caminhou entre as diversas casas e acabou parando diante da maior entre elas.
Bateu levemente na porta e instantes depois uma empregada atendeu.
–Bom dia, eu vim ver a Senhora Uzumaki.
–Ela está acamada, a quem devo anunciar?
–Sa...
–Sakura, é você?
Pode ouvir a voz da amiga que acabou surgindo no alto da escadaria.
–Hinata!
A rosada deu a volta na empregada e subiu as pressas até a morena.
–Kami..está linda.
Então abraçou gentilmente a Hyuuga que retribuiu o gesto.
A enorme barriga de 9 meses ficava entre as duas.
–Sua empregada me disse que estava de cama, então não devia estar de pé.
–Isso é uma bobagem, apenas uma insistência de Naruto e meu pai.
–E onde está o pequeno Minato?
–Ainda dormindo. Depois podemos ir acordá-lo juntas.
A rosada sorriu para a amiga e passou a mão na barriga da mesma.
–Pra quando é?
–Pra qualquer momento.
–Está com medo?
–Já passei por isso antes mas se disser que não, seria uma grande mentira.
Sakura pensou se algum dia chegaria a passar por aquilo também.
A morena notou o olhar distante da rosada.
–Venha, vamos tomar café comigo.
Então Hinata segurou sua mão e a puxou para uma sala adiante.
–Como o bebe pode vir a qualquer momento Naruto deu ordens de me servirem tudo aqui em cima, para evitar que eu fique subindo e descendo esse monte de escadas.
Disse enquanto caminhavam para a tal sala.
Enquanto comiam conversavam sobre algumas banalidades.
Até que Hinata fez a pergunta crucial.
–E então, como foi lá em Suna?
A cerejeira deixou a xícara de chá sobre a mesa em que estavam sentadas uma diante da outra e respirou fundo.
–Acho que se eu não contar isso pra alguém vou explodir.
–O que foi Sakura?
Hinata notou a expressão da rosada.
–Bom, lá em Suna...creio que você sabe que eu fiquei na casa do Kazekage...
–Sim, eu sei, Naruto me disse, mas o que tem isso?
–Tem que...eu e ele...
–Você e ele o que?
Sakura ficou muda encarando a amiga que um segundo depois arregalou os olhos.
–Sakura você ficou com o Kazekage???
A rosada passou a mão no rosto.
–Nós tivemos alguma coisa...
–Você dormiu com ele?
–Hinata!!
A rosada estranhou, onde estava aquela garota doce e tímida?!
–Pelo amor de Deus, eu sou uma mulher casada e estou do tamanho de uma hipopótama, mas pela sua reação eu tenho certeza que sim.
A cerejeira se recostou na cadeira e suspirou.
–O problema não é eu ter dormido com ele, o problema é que logo depois eu fuji e vim pra cá sem dizer nada a ele.
–Você gosta dele?
A rosada a encarou.
–Gosto...muito.
–Então tem medo que ele esteja bravo ou magoado com você.
Deduziu a morena.
–O caso não é esse, é que...bom, ontem a noite eu cheguei em casa e tinha pétalas de rosas espalhadas por toda a parte e quando cheguei no quarto tinha uma rosa vermelha junto com um cartão.
–Não sabia que gostava de rosas.
–Ninguém sabe disso, só o...
“-O que é isso?
–Flores de cerejeira.
A rosada ajeitava as belas flores cor de rosa dentro de um vaso.
–Estou vendo que são flores, quero saber quem te deu.
–Um paciente.
–Então agora seus pacientes te dão flores?
–Foi um agradecimento, só isso.
–Acho que um obrigado seria suficiente.
–Quando sua vida estiver em risco e você for salvo por alguém, vai entender que só um obrigado às vezes não é o bastante.
–Humpf.
–Ele só errou numa coisa.
–No que?
–Minhas flores favoritas são rosas, rosas vermelhas.”
Então sua fixa caiu como uma bomba.
Hinata estranhou o rosto de puro espanto da rosada.
–Sakura? Tudo bem?
–Eu achava que tinha sido o Gaara, que ele tinha mandado alguém deixar aquilo pra mim mas...ele nunca soube do meu gosto por rosas, só quem sabia era...
–Sasuke. Completou a Hyuuga.
Claro, agora tudo fazia sentido.
O caminho até o quarto, a flor e as palavras no bilhete.
“Eu esperei muito, muito tempo, mas eu esperaria mais de um milhão de anos por você.
....E hoje eu sei porque eu tenho sobrevivido por todo esse tempo
Por você.”
Maldito....
Sakura passou a mão pelos olhos secando o que brotava dali.
–Foi o Sasuke, não foi?
–Foi...
–Pelo que parece ele ainda te ama.
–Eu não me importo com o amor dele, eu já disse pra ele que pra mim ele está morto.
Hinata suspirou.
–Sakura, Sasuke já sofreu tanto por você...
–Ele sofreu? E eu Hinata, eu não sofri?
Hinata segurou sua mão sobre a mesa.
–Eu não quero nada que venha dele.
–Eu sei que ainda está zangada mas não pode negar que ele ainda te ama, e muito, acho que bem mais do que você imagina.
–Eu não estou interessada no amor dele.
Sakura tirou sua mão de junto da amiga.
Ficaram caladas por alguns instantes até que a Hyuuga soltou
–Ele se separou, você sabia?
Sakura a olhou surpresa.
–Na verdade aquele casamento deles era mais uma mentira que qualquer coisa, por mais que tentassem eles nunca foram um casal de verdade, eram pais, só isso, pais de uma mesma menina.
Sakura sentiu sua garganta se fechando.
–Ele quis a todo custo ir atrás de você, punha Naruto louco. Disse rindo.
–Foi um custo mantê-lo longe de você.Então se foi ele que te deixou a flor e o bilhete, pode ter certeza que não vai desistir.
–Mamãe...
Um pequeno garoto adentrou no local vestindo um pijama com desenhos de raposas e trazendo uma pelúcia de cachorro muito parecida com Pakkun.
–Oi meu amor.
Ele se direcionou até a mãe e a abraçou. Hinata teve de se esforçar para realizar esse ato.
–Porque ela tá chorando? Perguntou o garoto bem baixo próximo ao ouvido da mãe.
–Porque alguém machucou ela e agora está pedindo desculpas.
–Mas pedir desculpas não é bom? Não faz a gente fazer as pazes?
–Sim meu amor, faz...mas as vezes o machucado é tão grande que só pedir desculpas é pouco.
O menino então saiu de perto da mãe e parou diante da cerejeira.
–Tia Sakura...
Ela o olhou.
Ele se lembrava dela? O questionamento ficou explicito no rosto dela, então logo Hinata sussurrou.
–Naruto...
Claro, o amigo devia viver enchendo a cabecinha do menino com os antigos feitos do time 7.
–Eu sei que meu pai, minha mãe e a vovó Tsunade gostam muito de você, e eu também gosto, então não fica triste porque se alguém te machucar de novo eu destruo ele com um Rasengan!
Ela se inclinou e o pegou nos braços pondo-o sentado em seu colo e o abraçando com força.
–Obrigada Minato.
Olhou então para a amiga
–Obrigada...
Foi a vez dela sussurrar para Hinata.
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Passou mais um tempo com a amiga e seu filho, viu o quarto e as coisas da bebe junto a Hinata e mais tarde percebeu que já era hora de ir para o hospital.
Enquanto caminhava pensava em tudo que a amiga dissera e que agora mais que nunca estava com a cabeça cheia.
Quando chegou em sua sala jogou-se de qualquer jeito na cadeira deixando sua bolsa escorrer para o chão.
Apoiou o rosto nas mãos e respirou fundo.
Então um aroma bastante peculiar adentrou em suas narinas.
Olhou sobre a mesa e encontrou algo.
Era um ramo de lavanda amarrado com um laço, e na ponta havia outro bilhete.
“Obrigado por salvar a minha vida.”
Sim, aquilo poderia ser de qualquer um, mas ela sabia que não era.
“Estavam os dois apertados naquela banheira, ele encostado na borda e ela entre suas pernas, apoiando as costas em seu peito.
–Não sei por que gosta tanto de trazer isso pro banho.
–É lavanda. Uma boa limpeza não é uma limpeza de verdade sem lavanda.
Sasuke riu, de onde ela tirava aquelas coisas?!”
Ela leu o bilhete enquanto segurava o ramo, depois jogou-se sobre o encosto da cadeira olhando para o teto.
Fechou os olhos e mordeu os lábios.
Ele realmente sabia jogar pesado.
CONTINUA....
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