Perdida No Paraíso
13 Capítulo 13- Quanto tempo dura o amor
Notas iniciais
Boa leitura.
Caminhava mais devagar aquela manhã, na verdade...estava atrasando o encontro com o Kazekage.
Precisava, necessitava perguntar pra ele o motivo de Konoha não ter sido a escolhida para ajudar Suna com a nova polícia.
Na noite anterior aquilo ficou lhe remoendo por toda a madrugada, com todo o acontecido acabou se esquecendo de falar sobre isso com ele.
Parou, levantou a mão algumas vezes para bater na porta mas desistia....será que não estava sendo muito intrometida? Decidiu dar meia volta e ir logo para o hospital, mas parou novamente, ela realmente precisava saber.
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–Está muito calado essa manhã.
Comentou o ruivo com os olhos presos nos papeis que o irmão mais velho lhe trouxera.
–Ainda estou cansado da festa de ontem.
–Hum... comentou o ruivo sem desviar os olhos do que fazia.
–Na verdade...uma coisa aconteceu e me incomodou um pouco.
–Estou ouvindo.
Kankuro observava o irmão, o mesmo não o olhava de volta, então decidiu continuar.
–Não gostei de você ter interrompido minha dança com Sakura ontem.
–Podia ter a tirado pra dançar novamente.
Continuava com os olhos presos nos papeis.
–Sim mas...não havia mais clima...
Então Gaara finalmente levou sua atenção ao irmão.
–Está interessado nela?
–Por quê? Você se opõe?
–Não. Porque eu me oporia a isso?
–Não sei...achei que talvez também estivesse interessado.
O ruivo desviou os olhos para um ponto qualquer e depois voltou a encarar o irmão.
–É uma ideia a se pensar.
Kankuro franziu o cenho.
–Era só isso?
O Kage estendeu os papeis para o irmão.
–Era. Eles os pegou com brusquidão e se pondo de pé saiu pisando duro.-Até.
Quando ia abrir a porta ouviu sutis batidas. Abriu e deu de cara com a rosada.
–Ah, desculpe, não sabia que estavam ocupados, eu volto depois.
Aquela era a desculpa perfeita pra não precisar falar com Gaara.
–Pode ficar, eu já estava de saída.
Ele sorriu para a cerejeira e encarou o irmão com a lateral dos olhos, se retirando em seguida.
–Vocês brigaram?
Sakura perguntou enquanto entrava no local.
–Somente uma rixa entre irmãos. O que você quer?
–Ah..bem...eu...
Ele se mantinha sentado observando a rosada.
–Eu...queria te perguntar uma coisa.
–Pergunte.
–Eu queria saber porque...porque não fez o acordo sobre a policia de Suna com Konoha?
O ruivo continuava a encarando.
Curvou o corpo sobre a mesa e apoiou o rosto entre as mãos, extremamente parecido com...
–Porque queria estreitar relações com a Nuvem. Um acordo mútuo que ajude as duas vilas pode evitar muitas frustrações futuras.
–Ah sim, entendo.
A rosada ficou levemente sem graça.
–Era só isso?
–Sim. Desculpe te atrapalhar. Com licença.
E saiu sem olhar muito para o Kage.
Estava se sentindo uma idiota. Que ideia mais estúpida chegar a imaginar que Gaara não havia feito o acordo com a Folha por causa ...dela.
–Pare de pensar e vá trabalhar Sakura.
E seguiu para o hospital.
Quanto tempo pode durar um amor?
Alguns instantes, alguns anos, a vida toda....
Todas as vidas?
Talvez o amor aconteça quando se enxerga aquela pessoa em qualquer coisa que faça, na mais simples possível.
É sorrir ao ver uma borboleta passar.
É gostar de sentir mesmo quando aquilo dói.
No fundo ela sabia que nunca ia deixar de amá-lo, então teria de conviver com esse amor...guardando-o tão fundo que não fosse nunca mais capaz de encontrá-lo.
Chegou mais cedo em casa naquele dia, passou pelos corredores de sempre até chegar na sala de jantar para pegar o outro corredor para os quartos.
Se surpreendeu ao constar o que acontecia.
–Amaya, o que está acontecendo? Vai ter alguém especial para o jantar?
A senhora a encarou e sorriu.
–Não. São ordens do Kazegake. A partir de hoje todos devem comer na sala de jantar.
Sakura ficou surpresa.
–E porque isso agora?
–Não sei. Só estou seguindo ordens.
–Hum, tudo bem então.
Seguiu seu caminho lentamente, refletindo sobre aquilo.
Pelo menos agora não precisaria mais comer sozinha.
Sorriu.
Sentiu vontade de se arrumar para o jantar. Então banhou-se, colocou um leve vestido branco, perfumou-se e foi ter com os outros.
Temari estava sentada junto a Shikamaru. Kankuro estava do outro lado.
Se aproximou e cumprimentou a todos.
–Estávamos te esperando. Comentou Kankuro.
–Onde está o Gaara?
–Resolvendo alguns assuntos, nada demais. Respondeu o Sabaku.
–Queria entender essa ideia dele de comermos aqui. Ele nunca gostou dessa sala.
Falou Temari enquanto observava Amaya colocar a mesa.
–Porque somos uma família e devemos comer todos juntos, além do mais, é uma sala muito bonita pra não ser utilizada.
O ruivo se aproximou e sentou na ponta.
–Está bonita essa noite Sakura.
Comentou Shikamaru recebendo um cutucão da noiva logo em seguida.
–Obrigada. Respondeu rindo da forma como o Nara tentava apaziguar os ânimos da loira ao seu lado.
–Está mesmo. Sussurrou o Sabaku a seu lado.
Depois de muito tempo ela estava bonita, se sentia bonita.
Depois de muito tempo ela desejava o frio na barriga, as borboletas, a sensação...
De ser amada.
Olhou para Kankuro e sorriu em agradecimento.
Mas como se lhe pregando uma peça, seus olhos desviaram para outro ponto.
Piscou algumas vezes.
Aquilo não fazia sentido, não poderia fazer.
Depois de conversarem mais pouco após o jantar, ela foi a primeira a se retirar.
Sentou na cama e passou a mão pelos cabelos.
Seria possível? Será mesmo que havia desejado que fosse ele quem a achasse bonita?
Será mesmo que ao olhar pra ele sentiu seu coração falhar uma pequena batida?
Balançou a cabeça.
Não sentiria aquilo por Gaara.
Mas nem sempre o que desejamos acontece, pois quando se trata do coração, a cabeça perde a razão.
Sakura não se reconhecia mais quando a imagem dele vinha a sua mente quando ia dormir e era a primeira aparecer quando acordava.
Quando seus sonhos deixaram de ser por quem amor por quase toda vida...quando a lembrança dele ficava cada vez mais distante.
Sakura não se reconhecia quando seu amor não era de Sasuke.
Levantou apressada e foi fazer sua higiene matinal.
Olhou-se no espelho.
Mas ela não era a mesma.
A Sakura que amava Sasuke acima de qualquer coisa não era aquela refletida no espelho.
Talvez devesse dar uma chance pra isso que sabia que podia estar sentindo.
Com todas as dores e felicidades que poderiam vir.
Ela aguentaria aquilo de novo?
Quem sabe...mas talvez valesse a pena arriscar.
Afinal de contas, quem nunca sofreu por amor que atire a primeira pedra.
O problema agora seria como encara-lo todos os dias?
Como encarar a pessoa que podia fazê-la sentir novamente, que poderia a tirar da escuridão, ou afundá-la mais.
Meteu a cara no trabalho, evitando os cafés da manhã, almoço e jantares, evitando qualquer encontro até saber o que fazer.
Podia mandar-se ter coragem, expor aquilo que podia estar sentindo.
Mas quem não é covarde quando os assuntos são do coração...
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Mais uma tarde no hospital que estava relativamente calmo.
Um ninja ferido chegou sendo trazido em uma maca.
Sakura se apressou em atendê-lo.
Não usava qualquer tipo de identificação.
Examinou tudo que pode. Estava com os pés destruídos.
–Vamos ter de amputar. Comentou um dos médicos.
Se tivesse os pés amputados nunca mais poderia ser um shinobi.
–Mas...
Foi interrompida com a chegada dos ninjas das forças especiais de Suna.
–Este paciente está confiscado, precisamos leva-lo para interrogatório.
–Ele não pode ir pra interrogatório, nem está acordado. Questionou a rosada.
–São ordens superiores.
–Ele está ferido, pode perder os pés, vocês não vão tira-lo daqui!
–Está questionando as ordens do kazegage?
Sakura respirou fundo.
–Estou. Se quiserem tirá-lo daqui , digam para o próprio Kazekage vir tentar!
A rosada estava entre o paciente e a equipe de ninjas.
Pode notar os mesmos discutindo entre si, fazendo esforço para não serem ouvidos.
A fama de discípula de Tsunade ainda podia lhe ajudar como pode notar.
Os ninjas que usavam máscaras olharam pra ela.
Sakura não arredava o pé de onde estava.
As pessoas ao redor já haviam notado a confusão.
–Que assim seja então.
Disse um deles desaparecendo logo em seguida, sendo imitado pelos outros.
Relaxou o corpo e só depois percebeu o que tinha feito.
Em que bela situação havia se metido.
CONTINUA...
Notas finais
BEIJOS
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