Perdida No Paraíso
14 Capítulo 14- Calor e consequências
Notas iniciais
Ninguém se dispôs a ajudá-la com aquele ninja ferido. Ninguém ia contra as ordens do Kazekage. Então, sozinha, ela empurrou a maca para a sala de cirurgia, sozinha ela tirou as radiografias, sozinha ela pensou em diversas maneiras de salvá-lo sem lhe decepar os pés.
Por vezes via algumas pessoas passarem pela sala e olhar pela pequena janela de vidro contida na mesma.
Deviam achar que era louca, mas não se importava.
O paciente continuava desacordado, não devia ter nem 18 anos...
Olhava para o mesmo e para seus pés, teria de pensar rápido ou não haveria opção. Precisaria de chakra para ajudá-lo, mas ela não conseguiria desenvolver o suficiente para curá-lo.
Respirou fundo.
Passaria horas naquele centro cirúrgico misturando técnicas ninjas com as tradicionais.
E assim o fez. Prendeu os cabelos em seu típico rabo, se limpou, colocou a roupa esterilizada e partiu para a cirurgia.
Costurou cada tendão e nervo que pode a mão.
O pouco chakra que tinha utilizava para deixa-la disposta e o cansaço não vencê-la.
Foi a vez dos ossos, muitos foram moídos então ela precisou colocar pinos, muitos pinos.
Quando acabou..cerca de 16 horas depois, estava exausta, sem um pingo de chakra, mas feliz. Havia cumprido sua tarefa.
Ficaria satisfeita se ele ao menos conseguisse colocar os pés no chão novamente.
Terminou de fechá-lo, enfaixou os pés e parte das pernas e se retirou do local.
Agora poderiam levá-lo, o que ela poderia fazer foi feito.
Assim que saiu da sala de cirurgia os ninjas surgiram diante de si.
Ela retirou o avental, a touca dos cabelos, baixou a mascara para respirar melhor...e foi como se tudo girasse.
Sua vista escureceu e ela foi ao chão.
Acordou sem saber quanto tempo depois em sua cama.
Ao seu lado estava Temari, que lia alguns pergaminhos.
A rosada se ergueu, ajeitando-se melhor na cama.
Então a loira a viu.
Temari se levantou da poltrona e se aproximou da cerejeira.
-Você está bem encrencada Sakura.
Disse a Sakabu.
-Eu posso imaginar.
-Não, não pode. Ninguém nunca questiona as ordens de Gaara, ele é o Kage mais justo e poderoso que essa Vila já teve, e ele tem....de dar o exemplo.
Batidas foram ouvidas e Temari suspirou mandando a pessoa, que ela já imaginava quem era, entrar.
-Ela acordou?
Kankuro entrou e foi perguntando a irmã.
-Veja você mesmo.
Ele direcionou o olhar para a cama em que a rosada agora se encontrava sentada.
-Está melhor?
Se aproximou perguntando.
-Sim, só acho que...usei chakra demais.
-Gaara quer vê-la.
A rosada olhou para Temari que deu de ombros. Ela não poderia fazer nada.
Então se pós de pé, ajeitou os cabelos e encarou Kankuro.
-Vamos.
Todo o caminho até a sala do Kazekage foi silencioso, apesar da cerejeira notar o Sabaku direcionar o olhar pra ela varias vezes, e por vezes até tomar ar pra dizer alguma coisa e acabar desistindo de dizer, ignorou, precisava se concentrar no difícil encontro que teria naquele momento.
Chegaram no local e Kankuro bateu na porta.
-Entre.
Ouviram a voz de Gaara abafada por trás da mesma.
Então ele girou a maçaneta e Sakura entrou.
Seu coração podia estar disparado mas não deixaria transparecer, suas pernas podiam ter fraquejado ao olhar para o ruivo que permanecia sentado em sua pose imponente de líder, mas se conteria.
Respirou profundamente para conter as batidas de seu coração.
-Deixe-nos Kankuro.
O Sabaku mais velho encarou o irmão por um instante, por fim recuou e os deixou a sós.
Sabia que Gaara não faria nada com ela, ele não era mais como antes...mas nunca antes haviam contestado suas ordens dentro da vila.
-Sente-se Sakura.
Disse com sua voz grossa e sem demonstrar qualquer raiva ou nervosismo.
A rosada caminhou até a cadeira diante da mesa do ruivo e se sentou.
Tentava manter seu olhar no dele todo o tempo, afinal não tinha feito nada de errado, não de acordo com suas convicções.
-Soube que houve um mal entendido no hospital hoje.
-Pra mim não foi nenhum mal entendido.
-Não?
-Não.
Gaara se inclinou na mesa.
-Então o que foi?
-Um ninja ferido deu entrada no hospital, quando íamos examiná-lo uma equipe das forças especiais chegou e disse que precisava levá-lo.
-E o que aconteceu depois?
Sakura se ajeitou melhor na cadeira, que apesar de macia a sentia completamente desconfortável.
-Eu não deixei.
-Não deixou porque?
As perguntas de Gaara ,que nem sequer piscava ao fazê-las e com os olhos presos em si, a deixavam mais desconfortável ainda.
-Ele estava ferido, podia perder os dois pés se não fosse atendido imediatamente.
-Percebe que contestou uma ordem dada diretamente por mim aos meus ninjas de elite?!
Sua voz era baixa e grossa.
-Sim mas...
Foi interrompida.
-Uma ordem quando é dada é cumprida da melhor ou pior maneira. Eles só não passaram por cima de você porque não é uma cidadã de Suna e é minha convidada, caso contrario nem posso imaginar o que fariam com você.
-Me desculpe Gaara.
-Desculpas não vão mudar a situação, aquele ninja era um espião enviado por alguma Vila que precisamos descobrir qual é. E já saberíamos caso não tivesse se intrometido.
Sakura ouviu tudo e quando ele acabou se levantou, parando diante de sua figura.
-Como eu disse, me desculpe. Mas eu teria feito tudo de novo se fosse preciso.
Pode ver uma leve surpresa no rosto do Kazekage.
-Eu sou médica. Acima de qualquer coisa minha função é salvar vidas, e eu te garanto que se eu não tivesse intervido aquelas feridas teriam inflamado, infeccionado e agora seu prisioneiro estaria em coma, ou morto e você não teria as informações que precisa, nunca. Então eu não me arrependo um minuto sequer do que fiz e estou disposta a arcar com as consequências.
O silencio que se seguiu foi perturbador para a rosada.
-Está dispensada do serviço no hospital.
O baque foi certeiro.
-Pode se retirar.
Juntou todas as forças que pode e se virou, saindo daquele lugar.
Deu graças aos céus não ter toda sua força naquele instante, ou teria sido presa por espancar um Kage.
Tempos depois soube que o prisioneiro foi torturado...e perdeu os pés.
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Talvez não fosse em Suna que acharia aquilo que procurava.Mas então onde seria?
Alguns dias se passaram e a mesma não tinha muito o que fazer ao longo do dia já que não podia mais trabalhar no hospital. Acordava no horário de sempre, cedo. Acabava por tomar café com Amaya e Mai, evitando se encontrar com o ruivo.
Saía pra dar uma volta na Vila, era obvio que todos sabiam o que tinha acontecido, muitos quando ela passava lamentavam o ocorrido, e por vezes a abordavam para pedir ajuda com alguma enfermidade, ou sobre medicamentos. Ela acabava por ajudar a população do mesmo jeito, claro que no hospital poderia fazer infinitamente mais, mas já era alguma coisa.
No horário do almoço começava a treinar e ia até ao entardecer, levava bastante água e frutas para quando a fome ou a sede batessem.
Não soube se era por ainda estar zangada ou irritada, mas começava a notar seu chakra crescer, cada vez mais.
E a cada dia pegava mais pesado nos treinos, sentia que aos poucos voltava a sua velha forma.
Naquele dia mais uma vez não conseguia dormir, era verão, então diferente das outras noites, que geralmente eram frias, aquela estava absurdamente quente. Vestia uma camisola simples mas curta, só não dormia desnuda porque não tinha o costume. Então decidiu se levantar e pegar um saco com gelo na cozinha, talvez apenas desse modo conseguisse dormir.
Vestiu o robe sobre a camisola de qualquer jeito e desceu.
-Ola Chiyo-Baa sama. Sorria ao cumprimentar a pintura sempre que passava pelo corredor.
Entrou na cozinha cantarolando, acendeu as luzes e foi direto para a geladeira, pegou a forma de gelo e ao se virar deu um grito, deixando o gelo cair no chão.
Gaara estava sentado mais uma vez no escuro. Era incrível como podia ser imperceptível.
-Te assustei?!
Questionou o ruivo a encarando.
-É claro!
Estava ofegante, seus pequenos seios subiam e desciam pelo fino tecido da camisola exposta, já que seu robe estava completamente aberto.
Algo que não escapou da visão do Kazekage..
Sakura notou o que o mesmo observava e tratou de fecha-lo com rapidez, se agachando logo em seguida para recolher as pedras de gelo no chão.
-Deixe isso, de manhã alguém limpa.
-Não gosto de dar trabalho, já te disse isso.
Ela recolheu o gelo e deixou dentro da pia, a maioria já havia derretido devido ao calor.
Quando se virou, deu de cara com ele.
-Com calor?
Ele estava perto, muito perto...
-Sim, está muito quente...esses dias.
Sakura recuou sentido suas costas baterem na pia atrás de si.
-Depois de todo esse tempo ainda não se acostumou?!
E ele se aproximava mais.
-Nem a tudo nos acostumamos...
Mais uma vez ele estava perto, bem perto. Tanto que a cerejeira podia sentir o perfume que o mesmo emanava. Seus olhos de um verde profundo olhando dentro dos seus. Levou a mão até a pia, buscando uma das pedras de gelo, de repente sentiu o calor aumentar mais.
-Ainda está com raiva de mim?
-Raiva de você?
-Sim, pelo ocorrido com o prisioneiro no hospital.
Então a rosada se lembrou que ainda estava muito irritava com a decisão de Gaara.
Ela acabou desviando do ruivo e caminhando pra longe dele.
-Você fez o que achava certo como líder, não cabe a mim questionar.
Estava de costas para o mesmo, mas sentiu quando a mão dele tocou na sua.
Eram quentes, muito quentes, diferentes do dia do baile.
Então ela se virou.
Mas Gaara não largou sua mão.
-Você não é assim Sakura, sei que ainda está zangada.
-Isso não importa mais.
-Importa.
A rosada se assustou.
-Importa porque não quero que reprima ou deixe sua obstinação porque está aqui. Não quero que aquela Sakura que teve a coragem de me peitar no meu escritório vá embora.
-Gaara. O ruivo segurou sua outra mão.
-Não quero que vá embora.
Ele se inclinou levemente. Alguns fios do cabelo ruivo lhe caíram perto dos olhos.
Aqueles olhos, não queria perder a visão daqueles olhos.
E foi quando ela retirou uma de suas mãos da dele e a levou até seu rosto para retirar aquela mecha, que aconteceu.
Os lábios finos e macios do Kazekage tocaram os seus.
Foi como se uma corrente elétrica percorresse todo o seu corpo fazendo seu coração disparar. Quando ele a trouxe mais pra perto puxando sua cintura para si, toda sua pele se arrepiou.
O beijo que começou com um toque de lábios se tornou mais urgente e profundo.
Gaara apertava sua cintura enquanto a rosada levava os braços ao redor de seu pescoço.
Se alguém os visse de longe, pensaria que um tentava entrar dentro do outro.
Então a falta de ar os arrebatou e eles foram obrigados a se separar.
Ofegantes, Sakura ainda permanecia de olhos fechados.
Foi quando as mãos dele largaram sua cintura e ouviu sua voz baixa e grossa invadir seus ouvidos que pareceu despertar.
-Boa noite.
E então ele se foi, abriu os olhos e ele já não estava mais lá, apenas ouviu a porta da cozinha se fechando.
Levou a mão aos lábios não acreditando no que tinha acabado de acontecer.
Ela havia beijado o Kazekage.
Na verdade ele havia a beijado, e ela retribuiu.
Ainda meio perturbada pelo acabara de acontecer caminhou até o gelo derretido na pia, agora eles não fariam mais efeito.
Se virou e saiu dali, indo de volta para seu quarto.
Naquele momento um simples saco de gelo não conteria o seu calor. Precisava de uma banheira com água extremamente gelada.
CONTINUA....
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