Notas iniciais
Este capítulo... está mais romântico... mas espero que não tenha ficado muito meloso. Minha sugestão de música para este capítulo: https://www.youtube.com/watch?v=qycqF1CWcXg. Vale a pena ouvir para acompanhar os momentos a seguir! ;) Espero que gostem! :*

Depois de toda cena que visualizei todos os sentimentos em mim se misturaram. E toda pressão que armazenei durante a festa, transbordava de meus olhos em forma de lágrimas. Eu me soltei do aperto terno em meu ombro, e corri o mais rápido que pude para longe daquele lugar. Precisava estar sozinha, não queria que ninguém me visse naquele estado.

Corri sem direção, sem pensar. Sem entender o porquê de estar tão abalada e o porquê de estar fugindo. Quando a razão resolveu voltar a minha mente, eu olhei para o caminho por onde vim e não encontrei viva alma. Ninguém me seguia e eu estava bem longe do local do churrasco, da pista de dança e da fatídica quadra.

Pensei em voltar, mas as lágrimas não cessavam e eu comecei a ter vontade de me sentar e abraçar o próprio corpo até aquela dor estranha e sem sentido sumir. Eu achei que já havia me apaixonado antes. E já havia sim. Afinal, vivi dezoito anos e tive algumas experiências de me sentir atraída por algum garoto e até por um professor de história.

Tentei me lembrar dessas experiências, tentando ver se encontraria uma resposta para pelo menos apaziguar minha dor. Mas nenhuma dessas experiências passou de amor platônico e unilateral. Sempre fui romântica, embora não admitiria nem sob tortura quando mais nova. Eu pensava que mesmo que gostasse de algum garoto, primeiro deveria ser uma boa amiga dele para então, o conhecendo melhor, analisar se um relacionamento mais íntimo seria possível.

Ficava me iludindo me concentrando em suas qualidades, idealizando uma vida que poderia ter ao lado dele, cheia de alegria e felicidade eterna, como em contos de fadas. Apesar de meu lado mais racional apontar todas as incoerências nesses sonhos. Uma delas: o fato de eu nunca revelar ao ‘sujeito’ de minha paixão o que sentia.

Ficava tão encabulada que nem olhares trocava, morria de medo da rejeição, de ser humilhada e magoada. Temia tanto que admirar e amar a distância era muito mais agradável. Sonhar sempre foi mais seguro e estava apegada demais a esta segurança. Ainda mais por essa atitude ter uma ótima vantagem: uma vez que a paixão acabava, não me sentia tola por ações precipitadas.

Mas, igualmente, a desvantagem era que não poderia conhecer nada mais profundo. No final, o peso na balança se igualava; sempre havia perdas e ganhos. E nem sempre os ganhos eram tão importantes para me sentir feliz em não ter me declarado e tomado alguma iniciativa. Vivi nesse ciclo angustiante até terminar o colégio.

E assim que pude ficar mais em casa, tomei a decisão de me cercar de trabalho, estudos. Fui atrás de várias atividades. Tudo o que quis aprender e ainda não havia tido tempo. Antes mesmo que meus pais me impulsionassem a fazer uma faculdade a distância. E como não queria muitas complicações, optei por um curso que tinha mais inclinação e cujas matérias gostasse mais.

Na época cursar letras pareceu uma boa ideia, mas minha mãe me aconselhou a escolher administração que me renderia um currículo mais ampliado, visando também as inúmeras empresas de grande importância em minha região.

No final, acabei optando por administração e não me arrependi. Apesar de estatística ter sido complicada no inicio e ter me tomado noites em claro de tanto estudo. Todo o resto me agradava e cumpria com tranquilidade. Mas ainda havia algumas horas no dia que precisava preencher para não me sentir sozinha.

Uma vez que meus pais trabalham e meu irmão tinha aulas em horário integral. E como era meu sonho tocar algum instrumento, procurei pela internet algum local que ensinasse e fosse próximo a minha casa, além de ter um precinho bacana que pudesse pagar com minha mesada. Foi aí que encontrei as aulas de flauta do instituto ‘Orfeu de Hamelin’ para jovens e crianças, quando estava para completar dezessete – quase não consegui entrar na turma júnior.

(Símbolo da Instituição Orfeu de Hamelin)

A instituição possuía várias classes com aulas gratuitas de instrumentos de sopro e corda. E embora eu achasse tocar piano um requinte e violino a excelência do som, tive de me contentar com a flauta. Além de ser a única turma com vaga, o requisito para frequentar as aulas era já possuir o instrumento, e a alternativa que me sobrou foi ela.

Isso porque meu avô teve uma banda de chorinho em sua juventude e tocava quase tudo que produzisse som. E depois de tocar anos para a família, a igreja; em eventos como casamentos, aniversários, formaturas; deixou muitos de seus instrumentos com as filhas. Para minha mãe, sua primogênita, deixou um violão e uma flauta. E como essa foi à única disciplina disponível; também minha única alternativa.

Embora tenha sido difícil no começo, não perdi a vontade, pois minha professora era tão gentil e tinha tanta paixão ao nos ensinar, que não me permiti desistir. Sem contar que as aulas eram tranquilas e não corria qualquer risco de me apaixonar visto que os demais alunos eram adolescentes muito mais novos e meninas próximas a minha idade.

E mesmo sendo difícil sincronizar as posições dos dedos com o sopro, conforme ganhava mais prática foi ficando mais fácil e depois de dois meses já tocava músicas inteiras com pouquíssimos erros. Também era divertido reproduzir dingos de propagandas e mostrar a família e amigas.

O tempo havia passado e assim, mal percebi que estava ficando distante das minhas amigas. Não por brigarmos, mas por elas se mudarem para outros lugares, estarem fazendo suas faculdades em outras cidades, diminuindo nosso contanto. Além de estarem começando a se envolver com rapazes; ficando, namorando, noivando. Até nos assuntos começamos a ficar um pouco distantes. Já não era sobre tudo que conversávamos e já não se sentiam tão seguras de me confidenciar certas experiências.

Começava a me sentir sozinha e a família já não me completava com a mesma plenitude da infância. Um vazio sem muita explicação se formava em mim, e minha necessidade de atenção estava mais complexa. Queria amigos, um grupo, mas também... queria alguém especial. Que me desse uma atenção especial. E me ocorreu que aquela noite poderia ser uma das poucas oportunidades para encontrar esse alguém.

Mas, mesmo não querendo admitir para mim mesma, desejava o que os meus pais tinham: a fidelidade; a exclusividade; o romantismo; o desejo de constituir família. E não via muita esperança nos exemplares com quem me atrevi a ter uma conversa. Então comecei a refletir se não havia considerado, seriamente, Marcos como o meu partido ideal. Isso fez eu me sentir insensata e estupida, queria encontrar meus pais e sair deste sítio para não voltar mais.

(Senti uma presença! Mas não me importei com meus instintos.)

No entanto, eu andei lentamente até a entrada da chácara dos fundos, subi as escadas da varanda e me sentei no sofá balanço do canto direito da construção. Sentei-me com as pernas dobradas e abracei-as próximas ao meu peito, descansando minha cabeça sobre os joelhos. Deixei as lágrimas se arrastarem sonolentas. Desejando que o vaso de magoa que se encheu em mim derramasse e toda angústia evaporasse.

No estado de um casulo de mim mesma, querendo me consolar de todo aquele sofrimento sem sentido, aquela dor sem motivo que eu carregava, imaginei que teria de ouvir meu celular tocar, para minha mãe, ensandecida de preocupação, me mandar voltar para o ambiente que no momento temia.

De repente ouvi um barulho de passos. Imaginei que poderia ser algum casal procurando um cantinho mais escuro e afastado, ou alguém se retirando para o uso de coisas ilícitas, escondendo-se no breu da chácara mal iluminada. Abaixei a cabeça entre as pernas e até parei de respirar, esperando que quem quer que fosse, não me notasse e seguisse para outro canto.

No entanto fui frustrada. Ouvi uma respiração pesada e um suspiro de alivio; além de passos farfalhando na grama, vindo em direção à varanda. Até esse intruso aparecer como do nada, achava que tudo iria passar depois que as lágrimas cessassem e eu não pudesse mais sentir os pés pela pressão que estava aplicando em minhas pernas.

O intruso estava cada vez mais próximo. O peso sobre a madeira da entrada denunciando a escalada ritmada da escada. E em poucos segundos uma imensa sombra encobriu-me, num instante ganhando peso e pousando ao meu lado no sofá. Ouço outro suspiro, mais profundo e denso — muito familiar — sair do indivíduo.

Retrai-me de imediato quando seu peso caiu sobre o sofá. Podia ouvir seus suspiros e respiração densos e profundos. Muito familiares... Realmente familiar. Pensei no meu pai e olhei de soslaio, levantando levemente minha cabeça para a figura ao meu lado.

E não. Não era meu pai. Tinha os membros muito compridos e era muito esguio, embora seus músculos ampliassem seu quadro. Talvez seja Eduardo ou o rapaz que me chamou a atenção na quadra. Imaginava. Queria levantar a cabeça e terminar o mistério que agora estava a minha esquerda, mas as lágrimas não haviam parado e eu não queria evidencia-las a um estranho, mesmo que o conhecesse de nome.

– Carlos me disse que você correu pra cá...

Não! Não podia ser! Era a voz dele... até o aroma de relva, hortelã e suor masculino era inconfundível. Prendi-me ainda mais em meus braços, enterrando a cabeça com toda força em direção ao busto. Nem prestei a atenção ao fato de como podia me lembrar de seu aroma, em tão pouco tempo exposta a sua presença. Estava ficando envergonhada do nada, e isto acabou por ajudar-me a cessar as lágrimas.

– Ele me disse que você estava muito estranha... assustada. – ele parou e sua voz veio em sussurros, mais baixa do que quando ele começou seu discurso.

– Ele disse que eu sou um idiota por fazê-la chorar... – senti-o se aproximar de mim um pouco mais.

– E ele tem razão. – estava ficando mais próximo – Me desculpe! – falou isso e me apertou em seus braços.

– Me desculpe, Taís! – me deu um beijo rápido no topo da cabeça – Eu fui um idiota e te pressionei.

Eu senti seus braços me soltando, e seu calor se afastando. Num reflexo, mais rápido que meus pensamentos, eu desfiz minha postura fetal e o agarrei com toda força do meu pequeno corpo. A única coisa que desejava era apagar aquela angústia, e o abraço dele lembrava o do meu pai, que tinha o efeito de afastar as magoas. E eu, instintivamente, estava procurando aquele consolo.

Ele ficou paralisado no começo, surpreso com minha reação repentina. Mas alguns minutos depois de seu choque, senti seus braços voltando a me apertar e me trazendo mais próxima a ele. As lágrimas voltaram com força total e ele me ergueu e me depositou em seu colo, com tanta delicadeza, como faria a um bebê. Começou a acariciar meus cabelos e empurrava seus pés contra o chão para o sofá balançar tranquilamente, e nos embalar.

Quando o ritmo atingido ficou constante e calmo, ele me abraçou ainda mais contra ele, se afundou no sofá até suas costas alcançarem a cabeceira para poder dobrar as próprias pernas, na posição de índio, para se envolver mais em mim. E fez tudo com tanta graça, que apesar de algumas vezes me sentir ser movimentada como um objeto, não chegava a ser incomodo.

Depois de se acomodar e sentir que eu estava bem segura, ele redobrou as carícias em meus cabelos e massageava minhas costas. Tive a impressão que se alguém nos visse naquele momento pareceríamos uma bola humana, uma esfera de braços e pernas entrelaçados. Em alguns momentos ele tinha relances do meu rosto e aproveitava para enxugar uma ou outra lágrima que escorria de meus olhos. Eu ainda não podia fita-lo, estava encabulada, pois já tomava mais consciência na posição em que me coloquei e o que poderia estar sugerindo a ele. Mesmo quando ele tentava acariciar minha bochecha, escondia o rosto em seu peitoral.

Ficamos assim até perceber o quanto eu estava molhando seu suéter (que ele devia ter colocado antes de vir atrás de mim). E entendi que se não fosse pela minha corrida e pelo calor que ele me transmitia agora, eu estaria tremendo de frio. O passar das horas vinha diminuindo a temperatura consideravelmente. Então comecei a me preocupar com seu bem estar mais do que com minha tristeza, que parecia estar evaporando com seus carinhos. Levantei a cabeça e vi que Eduardo me olhava diretamente, com uma cumplicidade de quem entende pelo que se está passando sem que uma palavra precise ser dita. Mas também vi culpa em seu olhar.

Eu me movi em seu colo e estava pronta para sair do ninho de seu abraço, quando ele me manteve firme, as duas mãos enlaçando minha cintura com perseverança.

– Desculpe! – eu sussurrei, enxugando ainda mais o rosto – Desculpe-me por seu suéter.

Eduardo moveu os olhos para acompanhar a direção em que os meus levavam e encontrou a enorme mancha escura em seu casaco, onde minhas lágrimas – e minha dor – findaram.

Ele balançou a cabeça levemente e voltou a me fitar.

– Sem problema! – ele ficou sério, estava visivelmente preocupado – Está melhor agora?

Colocou uma mecha do meu cabelo atrás de minha orelha direita. Balancei a cabeça positivamente, sentindo o calor em suas mãos sem nunca desviar de suas orbes escuras – escuras como as penumbras que se estendiam na varanda. Um mar profundo, uma zona abissal onde minha magoa se afogou, e eu senti que ela seria esquecida enquanto continuasse sobre a prisão de seu olhar.

– Desculpe, Taís! – ele ficou com o semblante caído, com uma expressão tão culpada – Desculpe! De verdade! Desculpe ter te pressionado tanto e não ter cumprido minha promessa de não fazer mais do que te abraçar.

Ele parou irritado consigo mesmo, e cuidadosamente me liberou de seu colo, envergonhado. Sua expressão de culpa se agravou e ficou cabisbaixo. Percebi que estava se recriminando.

– Não fo... – eu tentei consola-lo, mas parei sem saber bem o que dizer.

Ele, por sua vez, levantou o olhar, mas como se a simples ação arrancasse partes de si mesmo, dolorosamente. Fui tomada de compaixão e já não me sentia assustada ou aflita perto dele. Um sentimento caloroso de familiaridade e intimidade batia no compassado com meu pulso, agora normalizado pelo desabafar do choro.

– Eu te desculpo, Eduardo! – ele parecia estar mais consolado, mas ainda podia ver a culpa o massacrando – Entendi tudo o que você me disse e não o culpo.

– Mas eu não devia ter forçado você. – ele parecia abatido e estendeu a mão num reflexo para segurar meu rosto, porém parou no meio do caminho – Eu devia ter te respeitado como disse que ia fazer.

Ele se virou para a vista da varanda, ficando de perfil para mim. Notei como seu cabelo era comprido – menor do que o meu, mas para um homem de sua altura; bem longo. Os fios negros e lisos escorriam como um fino rio até o começo de seu torso. Seus cabelos tinham uma leve ondulação e seus fios pareciam bem grossos; muito bonitos. Estava preso em um rabo de cavalo, com um elástico qualquer também escuro, quase invisível na escuridão de seus fios. Subiu-me uma vontade de toca-los. Descobrir se eram macios ou ásperos. Medir seu comprimento e ver o contraste de sua cor com a de meus próprios cabelos. Fiquei perdida nesses pensamentos por um bom tempo, enquanto a temperatura ao meu redor caia. Então, meu corpo começou a dar os primeiros sinais da influência fria da noite.

Embora meus tremores fossem brandos, eu estava a ponto de levar meus braços num auto abraço para amenizar os efeitos da baixa temperatura. Ele foi sensível em notar e rápido em agir. Eduardo segurou meu ombro esquerdo com carinho, tomando cuidado para não encostar em minha pele, tomou um casaco de nylon que estava ao seu lado – que até o momento em não tinha tomado conhecimento – e com um olhar pedindo minha permissão, me cobriu. Assim que estava segurando as laterais do casaco, ele o apertou mais sobre o meu corpo e seus olhos ficaram escuros novamente.

– Melhor? – ele me incendiou com seu olhar, mas era impossível saber ao certo o que estava pensando.

Procurei por qualquer sinal lascivo, qualquer indicação que sua ação passou de cuidado para um convite sensual e... nada. Fiquei contente. Pelo menos ele não vai voltar ao seu comportamento estranho de mais cedo.

Senti-me aliviada com o pensamento, porém algo no mais profundo de meu coração desejava voltar ao nosso contato tão próximo. Ao calor que seus braços me deram em duas oportunidades: uma durante a dança e agora a pouco, ao me consolar enquanto transbordava em lágrimas.

Numa tentativa tola, eu balancei minha a cabeça para os lados a fim de me livrar desses pensamentos, quando o senti segurar meus ombros, me olhar firme, apontando se poderia continuar o que pretendia. E como eu me mantive calada e seguia corando, ele me trouxe contra seu peito e me abraçou novamente. Agora, de frente para ele, e com o rosto na altura de seu pescoço, seu aroma era ainda mais evidente.

Havia algo agradável e fresco ali. Sendo persistente e natural. Um almíscar masculino que era sua marca, sua identidade. E como gostei. Poderiam ser aromas não tão atrativos se analisados separadamente: relva, sabão de coco, hortelã e um leve suor. Mas nele era, simplesmente, uma combinação PERFEITA. Notei o exagero que minha mente lançou em elogiar o aroma que ele emanava, mas a sensação de conforto era inegável quando eu o sorvia. E ainda havia seus fortes e cuidadosos braços ao meu redor, aplicando uma pressão diligente, que me fez sentir segura. Mais do que me recordei sentir quando era uma menina de dentes de leite e depois de um tombo corria para o abraço do meu pai, em busca de consolo.

O conforto, a segurança, o saudosismo, a tranquilidade de estar em seus braços me levou a retribuir seu abraço. Eu o senti me apertar mais e inclinar sua cabeça sobre a minha. Depois suas mãos viciosas voltaram a massagear minhas costas, e foi tão bom que eu acabei por enrolar os dedos no tecido das costas de seu suéter.

Notei por sua respiração que minhas ações também o impactavam. Logo compreendi que todas aquelas sensações e tudo que ele transbordava para mim me faziam ver todas essas maravilhas dele e que talvez, como pensava de mim, ele não se percebesse da mesma forma que eu agora o percebia.

Como eu, ele poderia não encontrar seu aroma tão avassalador quanto estava sendo para mim ou seus braços portos seguros. Ainda assim, seu aroma era persistente em meus sentidos, sua pele, seu calor, sua força, seu modo de ser – e tudo nele me trazia ótimas sensações naquele momento; me sentia tão bem. Foi então que percebi o que ele me dissera na pista de dança. Como tudo se encaixou e eu me senti ainda mais tola por querer fugir dele, mas estava contente de não ter sido mais rude.

Quando notei que meus dedos formigavam pelo forte aperto que apliquei sobre suas costas, tentei solta-lo, e aos poucos fui soltando seu casaco. Ia começar a retrair minhas mãos, quando ele me trouxe sobre si com uma velocidade que me deixou assustadíssima. Arregalei meus olhos e o encarei sem saber o que dizer. Agora havíamos voltado para a posição de “esfera humana”, mesmo que minha cabeça e a dele não estivessem fechando o casulo como anteriormente.

Ficamos estáticos por um bom tempo, minhas águas verdes fluindo para suas profundezas negras; mutuamente cativos. Esperei até que ele dissesse algo. Qualquer coisa. Mas ele só engolia em seco e, discretamente, lambia os lábios em alguns momentos. Ficamos tanto tempo assim, que o coro ritmado de grilos invadia minha mente como uma sinfonia orquestrada.

Notas finais
O que estão achando de Taís? E Eduardo? Estão se assustando com ele? No próximo capítulo tenho muitas surpresas e confissões de ambos. Abraços, meus queridos! PS: O nome da instituição "Orfeu de Hamelin" foi minha invenção, mas se você quiser utilizar para nomear uma escola de música, uma banda ou qualquer questão musical, peço que me mande uma foto/post/link depois, rsrss.