Percy Jackson e os Olimpianos: Dreams or Death
2 Luto com uma vaca até a morte!
Notas iniciais
O Minotauro avançava cada vez mais, furioso devido ao ultimo encontro conosco, no qual eu havia feito ele fracassar em tentar matar a mim e Koichi, porém nem ao menos cheguei a ficar intimidado contra aquela criatura enorme mas burra, apenas não soube oque fazer de imediato, porém Alex tomou a dianteira e começou a lançar flechas na criatura. Seus tiros não eram todos certeiros, mas algumas flechas se encravaram no dorso do monstro e outras rasgaram a pele de seus braços, deixando feridas expostas e uma quantidade de um líquido negro que não parecia sangue.
- O-Oque?! Essas flechas com bronze celestial na ponta deveriam tê-lo matado! — Indagou Koichi, pasmo com a enorme resistência do monstro.
- Você mesmo me disse que alguns monstros, como a Hidra, aguentam o toque do bronze celestial e precisam ser mortos com mais de um simples golpe. — Respondi, atento aos movimentos do Minotauro.
- Sim, eu disse, mas o Minotauro não é uma delas!
Assim que ele disse aquilo eu só pude rolar para o lado, junto de Alex, e Koichi teve de aparar um golpe do Minotauro com o cabo da foice, ele decidira usar um de seus chifres para tentar derrubar-nos e de certa forma havia conseguido, Koichi estava caído no chão agora com seus braços aparentemente roxos pela força do impacto, e Alex imediatamente foi ao chão socorre-lo pegando um certo líquido dourado que eu não pude perceber oque era. Avancei contra o Minotauro, fazendo-o recuar enquanto brandia a espada, cortando o vento, e tentava me aproximar o máximo possível, porém o máximo possível não era suficiente. Ele fechou aqueles punhos enormes e peludos e tentou me socar inúmeras vezes, por sorte consegui esquivar de todas e rolar por baixo de suas pernas, a tempo de conseguir cortar sua coxa e fazê-lo se desequilibrar. Urrando de dor e escorrendo um líquido negro de seus braços e coxa esquerda, o Minotauro se levantou mais uma vez e quando percebi que ele iria atacar Koichi e Alex, que estavam desprotegidos, não havia mais nada oque fazer. Naquele exato momento ouviu-se um CLACK, no começo pensei que fossem todos os ossos deles quebrando enquanto o monstro corria como um trem de carga contra eles, mas quando olhei para cima me deparei com a cena mais impressionante de minha vida.
- Eu posso não gostar de nenhum homem, mas você não vai feri-los! — Bradou Saiuko, com seu chicote dourado envolvendo o braço esquerdo do Minotauro, liberando uma série de pontas douradas que acabaram por arrancar o braço da criatura. Caindo no chão com a mão direita tentando estancar o ferimento que jorrava um liquido negro percebi que Koichi já estava com mais "cor" em seu rosto, por sorte aquele liquido dourado havia salvado a vida dele.
Me aproximei do Minotauro, com este já no chão tentando estancar o ferimento, e levantei minha espada para dar o golpe final, porém neste exato momento ele desistiu daquela tentativa inútil de estancar um ferimento enorme e com seu braço direito varreu tudo a sua frente. Saiuko, Alex e Koichi foram lançados para a rua com força devido ao golpe do monstro e para piorar ele havia sentido meu cheiro logo atrás dele, se virando quase que de imediato e me pegando pelo pescoço. Tentei de tudo para me soltar, mas não conseguia, tudo começou a ficar escuro e então... Apaguei.
Quando acordei eu estava em uma sala escura, com somente um único ponto iluminado onde estava uma mesa e uma cadeira de cada lado da mesma. Me aproximei, hesitando um pouco, e me sentei em uma das cadeiras, olhando em volta até que uma voz que eu nunca ouvira na vida, mas ainda assim me era familiar, disse na escuridão a minha frente.
- Meu filho, porque teve de morrer tão cedo? Não é a sua hora ainda, porque está aqui? — Disse a voz, enquanto um homem emergia das sombras. Ele tinha cabelos tão negros quanto o petróleo, seus olhos eram negros como a noite e sua pele pálida e no lado esquerdo de seu rosto havia uma espécie de cicatriz em formato de uma asa, indo até a ponta de sua orelha. Suas roupas, eram um smoking muito caro a meu ver e seus sapatos mais ainda e apesar de ele ter um olhar sério, como se fosse um pai desaprovando a ação de seu filho, ele tinha um sorriso gentil em seu rosto.
- Quem é você? — Perguntei, intrigado.
- Eu sou tudo, eu sou nada, tenho vários nomes. Alguns me chamam de Vida, alguns me chamam de Morte, alguns me chamam simplesmente de Balança. Eu sou o Deus Gêmeo Thanatos, o deus da morte. Sou eu quem controla a balança desse mundo que esta hiper-populado, mas você meu filho, não deve morrer aqui, saiba disso. Você tem minha benção para acabar com esta fera, a benção de Thanatos.
***
A sala novamente ficou escura, ouvi vários gritos de todos enquanto meu corpo sem vida era atirado no chão pelo Minotauro e estava prestes a ser esmagado, porém quando este levantou seu pé, ele caiu rápida e dolorosamente. Meu corpo começou a emanar uma aura negra, como se as próprias sombras tivessem se juntado a mim, a grama a minha volta começou a amarelar e a água em pequenas fontes e esguichadores começaram a secar. Todos me fitaram, sem saber oque estava acontecendo, até que, em algum momento, uma bainha surgiu de encosto no lado esquerdo de meu corpo, saquei a espada que estava ali e era uma lamina de ferro estígio, quase indestrutível. Avancei contra o Minotauro com um olhar assassino, enquanto todos me observavam pasmo, comecei a desferir diversos cortes na criatura, sem nem ao menos parar, até que finalmente arranquei seu chifre com um único corte vertical e ele caiu no chão, virando pó de imediato. O trio se entreolhou e pude perceber oque eles falavam, era hora de eu partir, mas não antes de me despedir. Coloquei a espada na bainha e corri até a porta da cobertura, batendo três vezes e sendo surpreendido por Edward Morgenstern, que parecia ter acordado com o barulho.
- Ah, Dante, vejo que voltou da viajem escolar. — Disse ele com um sorriso simpático.
- Viajem escolar?
- Sim, foi oque sua mãe me disse.
Não respondi aquilo, ela havia mentido para não preocupa-lo, porque ela sabia que ele iria chamar a policia e mais meio mundo para ficar atrás de nós. Suspirei e olhei sobre seu ombro, lá estava Clarissa Morgenstern, sorrindo pelas costas do marido.
- Desculpe a confusão no jardim, mamãe. Eu irei pagar assim se possível...
- Confusão no jardim? Oque você... - Quando ele saiu de casa em seu roupão foi a gota d'água. O jardim estava todo destruído com marcas de pisões enormes, um chifre de quase 40 cm caído no chão e maior parte da grama estava morta. — Oque diabos aconteceu com o meu jardim?! Oque você fez Dante?!
- Não foi ele papai, fui eu... Alguns vândalos começaram a fazer isso, eu estava com eles, não sabia que iriam fazer isso, Dante só quis impedir. - Indagou Alex, que era um ótimo mentiroso, se aproximando com um corte de leve no braço.
- Ai meu Deus! Você está ferido Alex, e quem são aqueles dois ali atrás? Dois vândalos eu suponho, venham cá, vou lhes dar uma lição! — Bradou Edward com o punho levantado, furioso.
- Não, não, calma pai, eles nos ajudaram, se não fossem eles não estaríamos aqui. — Disse Alex.
- Fale por si próprio. — Retruquei, revirando o olhar, tentando pensar no que havia acontecido. Eu havia morrido e depois voltado à vida? Como isso era possível? - Pai, nós dois vamos viajar para um acampamento próximo a Long Island, se não se importar é claro, mamãe já deixou. - Continuei.
Edward pareceu desconfiado no começou, e com uma troca de olhares com Clary ele assentiu, colocando as mãos nos ombros de Alex.
- Cuide-se então — virando os olhos para mim ele continuou. - e você, tente não destruir o acampamento de lá como fez aqui. - Quando já estávamos prestes a dar meia volta e ir embora, Edward gritou. - E os gastos para o jardim vou descontar da sua mesada!
Ignorei o comentário idiota e segui andando ao lado de Koichi, que me fazia diversas perguntas como oque havia acontecido, porque eu morri e depois voltei dos mortos de uma hora para outra? Nem eu mesmo sabia essas respostas, a única resposta concreta que pude lhe dar foi que havia encontrado Thanatos naquela sala e ele havia me dado sua benção ou coisa parecida.
***
Com quase um dia de viagem finalmente chegamos ao estreito de Long Island em uma van, com todos os campistas ali e mais um homem com milhares de olhos dirigindo a van. Eu de certa forma não queria saber como era ir ao banheiro com todos aqueles olhos, inclusive no seu traseiro e em um órgão mais pessoal, mas tentei me afastar daquele pensamento. Chegando ao acampamento quase às 10 horas da noite e pudemos ouvir gritos, espadas batendo e varias tochas acessas. Logo após nossa chegada um grupo de soldados, aparentemente gregos, vestindo penachos azuis no topo do elmo saíram de umas moitas e começaram a falar.
- Se não são Koichi e Saiuko, dos cavaleiros vermelhos, oque os trás de volta ao acampamento? Mataram meio-sangues de mais em Atlanta? — Disse um dos cavaleiros, que possuía cabelos negros exageradamente grandes, uma pele quase tão branca quanto à de Koichi e olhos vermelhos sérios.
- Calma Matusak, eles são simplesmente máquinas de destruição em massa de semi-deuses, não sabem se controlar. — Disse uma garota que possuía duas esferas rodeando-a, além de ser quase idêntica ao tal Matusak, com exceção de seus olhos que eram roxos e sua pele era bem mais bronzeada que a dele.
- Certo, certo Tsuki, mas não vejo porque não zombar quando eles falham nas missões. - Protestou Matusak, forçando para não rir da cara de quatro campistas, incluindo eu e Alex, que não usavam armadura, apenas uma faixa vermelha amarrada no braço.
- Chega de palhaçada, a captura da bandeira já começou, vocês podem se juntar ao seu grupo ou esperar por ordens na Casa Grande. - Disse um soldado logo atrás dos "gêmeos", que se viraram imediatamente.
- Nós vamos nos juntar, mas e quanto a vocês? — Perguntou Koichi, encarando a mim e a Alex.
Ele no começo hesitou, não gostava de brigas, mesmo na maioria das vezes não podendo evitá-las na escola e quase sempre precisar de mim para protegê-lo. Suspirei e me aproximei de Koichi com o olhar sério de sempre.
- Onde está minha armadura?
- Esse é o espírito! — Disse ele sorrindo, enquanto começava a guiar um grupo de campistas até uma espécie de arsenal dentro dos limites do acampamento. Passamos por coisas que nenhum mortal comum iria distinguir, ninfas, um dragão protegendo uma espécie de pele de carneiro dourada em cima de um pinheiro, sátiros, alguns outros campistas e até um cão negro enorme que parecia até mesmo feliz mordendo um boneco de treinamento com espadas. Chegando no arsenal um dos campistas guiou Alex e os outros dois até um dos treze chalés que formavam um O em um dos cantos do acampamento, enquanto na volta deles existiam vários outros chalés, não tão grandes quanto os outros, mas ainda assim bons para se viver, só de cara pude reconhecer alguns chalés pertencentes a Nemesis, Hypnos, que ficava ao lado direito do chalé de Hades, Thanatos, que ficava ao lado esquerdo, Deimos, Jano, dentre vários outros deuses. A minha concentração foi quebrada quando Koichi chamou minha atenção novamente. — Basta escolher uma armadura e se preparar para a batalha.
Observei tudo ali dentro, porém nada que me chamou muito a atenção, até me deparar com dois braceletes prateados enormes, que seriam perfeitos para aparar qualquer tipo de golpe de espada ou adaga. Peguei-os e coloquei ambos em meus punhos, deixando-os cobrir quase toda a extensão de meus braços, chegando perto do cotovelo e me virando para Koichi. Ele começou a analisar e levantou uma sobrancelha.
- Tem certeza que só quer ir assim? — Perguntou como se fosse a primeira vez que visse aquilo.
- A armadura só dará peso e irá me atrapalhar na locomoção, além do mais, eu me viro melhor sem peso algum me atrapalhando. — Proferi, sacando minha espada de ferro estígio. — Além do mais, eu tenho minha lamina matadora de Minotauros. — Abri um pedaço de minha jaqueta, mostrando para ele o chifre que eu havia guardado ali dentro. Koichi assentiu e então saiu comigo enquanto íamos na direção da batalha.
Este seria meu primeiro dia no Acampamento Meio-Sangue e não havia uma maneira pior de ter começado.
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