Percy Jackson e os Olimpianos A Vingança da Víbora
31 Sarcófagos
Notas iniciais
POV. PERCY
Daí você embarca em uma missão super perigosa, seu tio vira piloto de avião, você pega carona com galinhas, tem uma conversa no topo de uma montanha com seu pai, salva a morte do Johnny Ramone e agora o Axl Rose o guia para sua morte súbita. Pra mim era super normal. Clarisse parecia prestes a arrancar a cabeça de Axl/Perseu quando ele respondia da pior forma alguma de suas perguntas. Eu admito que já cheguei a desejar a existência de um "Manual de Sobrevivência com os Deuses do Olimpo", mas concluí que se existisse estaria em uma caverna de um ciclope faminto, melhor não.
— No que você está pensando tanto, hein, Cabeça de Algas? — perguntou Annabeth, enquanto caminhávamos.
— Nada demais... — eu respondi, preferia não ter de compartilhar com ninguém — muito menos com Annabeth — minhas loucuras internas. Eu já não conseguia compreender nada mais do que Perseu dizia, claro que eu entendia o que queria dizer, mas meu cérebro martelava "Por quê?" "Como?", achei melhor ficar quieto e pintar um ponto de interrogação na testa, o primeiro o fiz, mas mal deu tempo de pensar em mais nada e tombei dentro de um buraco. Cof, cof. — Mas que merda, não dá pra andar em lugar algum aqui dentro sem cair em buracos? — resmunguei, olhei para cima, Annabeth, Will, Clarisse, Chris, Jake e Perseu² me encaravam.
— Você que se atirou daí, mané, que tal prestar atenção por onde anda? — "sugeriu" Clarisse. Annabeth bufou.
— Que tal tirarmos ele de lá antes de as discussões começarem? — disse ela. Clarisse deu de ombros, mas Will já lançava uma corda para mim. Contei um, dois, três, quatro, cinco segundos... Mas que droga de buraco profundo era aquele? Senti um certo nojo ao me questionar isso, certamente eu não iria querer a resposta, de qualquer forma. Quando finalmente a ponta da corda tocou meu nariz, fazendo-me cócegas, meus amigos se posicionaram para me puxar, e eu escalei pela corda. Me atirei no chão terroso, quando finalmente consegui chegar, olhei para as palmas de minhas mãos, que estavam marcadas e roxas com o esforço, por sorte não havia queimado-as. Me levantei com esforço e limpei a terra da roupa, do rosto e dos cabelos, parecia mais que eu tinha sido soterrado por uma pirâmide, e não caído em um buraco terroso, escalado de volta e caindo com tudo de cara no chão no piso de terra. É só aí que a má sorte dá a deixa. Eu comecei a rir, depois os outros me acompanharam.
Rachel tomou a frente e andou um pouco mais rápido, parou na frente de uma porta, Perseu se postou ao seu lado, em sua forma original, Rachel olhou para ele, que assentiu. A ruiva estendeu a mão e tocou a porta, que se abriu, ela entrou no túnel e nós a seguimos. Eu nem havia notado que segurava a mão de Annabeth, mas sorri quando notei. As inscrições nas paredes e no piso pareciam ficar mais densas quanto mais desciamos pela rampa que mais parecia uma caixa retângular gigante.
— Você fez isso? — perguntei a Perseu, franzindo a testa de incredulidade.
— Não tenho certeza, mas tem algo lá embaixo que vão querer ver...
POV. NARRADORA
Desceram por alguns minutos pelo subterrâneo retângular, andaram até uma camada fina de neblina. Sentiram seus olhos arderem mais forte do que se tivessem derramado shampoo sobre eles, ao inalar a neblina, suas narinas ardiam imediatamente. Annabeth logo fechou a boca, ao perceber o que acontecia, mas a tóxica atmosfera era inalada e logo depois dirigia-se a sua garganta, que parecia inchar e sangrar após a passagem da lufada de ar quente e tóxico. Clarisse mantinha seus olhos entreabertos, pois não conseguia nem abrí-los ou fecha-los pelo ardor. Annabeth tateou até encontrar as mãos de Percy e a de Rachel, puxou-os e continuaram a andar. Até que o odor passou. Demoraram alguns segundos para acostumar os olhos e finalmente abrí-los. Clarisse cuspiu uma mistura de saliva e sangue no canto, franziu o nariz e apertou as narinas por três segundos.
— Isso parece um produto químico de cabelo que a Silena usava. — reclamou ela, com um fio de voz. Annabeth olhou em volta e percebeu que Perseu não se encontrava ali. Os jovens estavam parados na entrada de um salão de teto alto e estrutura discreta, como a de um salão funerário ou uma igreja. As colunas jônicas sustentavam um teto que obviamente era muito pesado para todas aquelas colunas, só Annabeth pareceu notar o perigo. Haviam sarcófagos gregos, com tapeçarias, eram três ao todo. O primeiro tinha em sua lateral esquerda uma tapeçaria representando o monstro Cetus, que fora enviado por Poseidon para matar a princesa Andrômeda, na lateral direita havia outra representando Atlântida, na parte frontal e traseira haviam tapeçarias representando o reino de Poseidon. O segundo haviam tapeçarias representando Zeus matando Cronos, Tifão e outra representando Zeus e sua amante, Calísto. O terceiro representava Hades e Perséfone, Hades e Cerbéro e outros fatos do deus.
Poseidon, Zeus e Hades.
Annabeth já imaginava do que se tratava os sarcófagos, mas não tinha certeza se estariam ocupados.
Foi Clarisse quem se precipitou, andou até o sarcófago onde tinha representações de Poseidon e pousou sua mão na tampa. Ouviram um som como o de óleo fritando em uma frigideira, Clarisse sentiu uma enorme dor e retirou sua mão da tampa do sarcófago, rápidamente. Observou a palma da mão, que a pele descamava, vermelha e com um pouco de sangue, cobriu a boca com a outra mão.
Os amigos sentaram-se em um canto um pouco afastado dos sarcófagos, Percy, Annabeth e Jake acenderam uma fogueira, utilizando alguns pedaços de madeira do piso. Rachel mantinha-se atenta a sua volta, como se ficasse de guarda.
— Droga, Will, você quer mesmo arrancar o que sobrou de pele na minha mão? — gritou Clarisse. Will cuidava do machucado na palma da mão de Clarisse, estavam sentados com as costas encostadas na parede, Will utilizava a luz vinda da fogueira e um kit de S.O.S
— Eu só estou tentando ajudar, e sei o que estou fazendo. Se você parasse de puxar a mão ajudaria muito.
Clarisse colocou a mão virada para cima na perna de Will, com relutância. Will já havia estancado o sangue da mão de Clarisse, limpara a ferida e agora enfaixava, deixando somente os dedos a mostra. Chris estava sentado ao lado de Rachel, Annabeth e Percy, comia um enlatado que trouxera do acampamento, observava a fogueira crepitando. Annabeth tomou um longo gole d'água, afim de fazer a garganta parar de arder, depois de alguns segundos teve sucesso. Já haviam passado algumas horas que eles estavam ali, esperando que Jake terminasse de forjar um machado, utilizando o fogo. Ás vezes o garoto sentia vontade de parar e tirar uma longa soneca, ele suava, sentia muito calor e os músculos já fraquejavam, mas Jake sabia que não podia deixar que o metal esfriasse antes de estar pronto. Os dedos já tinham enormes calos, típicos de garotos de Hefesto, as pontas inchadas e com marcas, como se ele passasse todo o tempo tocando baixo sem utilizar palhetas. Já não tinha mais a capacidade se segurar coisas frágeis e delicadas sem quebrá-las.
Rachel alimentava-se de frutas enlatadas que Chris dera a ela, observava Jake forjando o machado. Percy observava o salão, procurando qualquer coisa em que se aventurar, mas decidiu que era melhor manter-se quieto, ou poderia acabar derrubando o teto em cima das cabeças de seus colegas.
Passaram-se algumas horas, todos já estavam adormecidos, exceto por Jake e Chris que ficava na guarda.
— Acabei. — anunciou Jake, Chris agaixou-se ao seu lado.
— Ficou boa, tentamos sem eles? — perguntou ele, olhando para seus amigos adormecidos. Jake deu de ombros. Chris estava prestes a pegar o machado, mas Jake pegou seu braço com firmeza.
— Ainda está meio quente, acho que não vai dar para usarmos agora. — disse ele, Chris puxou o braço de volta e sentou-se de novo no chão.
— Hum, acha que algo tentará nos atacar se dormirmos? — perguntou Jake.
— É improvável, mas acho melhor eu ficar de guarda, você precisa descansar. — Jake não questionou e se ajeitou com sua mochila, de uma forma que ficasse confortável, a fogueira crepitava suas últimas fagulhas quando ele dormiu.
Annabeth acordou com o corpo um pouco dolorido, se alongou para colocar a postura de volta no lugar e olhou em volta. Percy estava atirado no chão, dormia de testa franzida, os outros não pareciam tão diferentes, afinal não era um lugar confortável para dormir, ainda menos quando se sabe que pode morrer a qualquer momento no templo de seu inimigo.
Annabeth pegou uma garrafa de água na mochila e tomou um longo gole, até a própria tinha um gosto ruim, mas Annabeth não se importou, de qualquer forma precisava se hidratar, assim que girou a tampinha, fechando a garrafa, Rachel sentou-se, sorriu fracamente para Annabeth e começou a mexer em sua mochila. Logo depois todos já estavam acordados, com aparências de pessoas que foram soterradas ou foram se aventurar no deserto. Suados, cabelos desgrenhados e cheios de terra, roupas manchadas pela terra e o sangue de alguns ferimentos, pele completamente suja, grudenta e com arranhões e expressões nada contentes em seus rostos.
Comeram alguns enlatados em silêncio, Jake pegou o machado já seco e pronto para ser usado e o deu na mão de Annabeth, todos andaram em direção ao primeiro sarcófago, com a representação de Poseidon, Annabeth posicionou o machado no mínimo espaço entre o sarcófago e a tampa, e empurrou a tampa para cima.
O que viram era muito além do que esperavam, transmissões holográficas começaram a surgir, representando Poseidon e Percy, ele lutando com Ares, lutando contra o ciclope Polifemo, em sua versão porquinho-da-índia, limpando os estábulos do Rancho Triplo G, matando Geríon, algumas "cenas" com Annabeth que os constrangeram um pouco, depois viram o corpo do próprio imóvel dentro do sarcófago, Annabeth olhou para trás, para se certificar de que aquilo continuava sendo apenas a transmissão, Percy olhava para sua imagem no sarcófago, assustado. Ele se aproximou e estendeu o braço, quando Annabeth segurou seu pulso, já era tarde demais, os dedos de Percy tocavam o rosto de sua imagem no sarcófago, que desapareceu, uma luz tremeluzente subia pelo braço de Percy, fazendo sua pele formigar, ele arregalou os olhos e logo sentiu suas veias ferverem e sua respiração dificultar. Ele ofegou, logo seus amigos o encararam assustados, Annabeth colocou as mãos no rosto de Percy, fazendo-o olhar para ela, mas Percy parecia com dificuldades em se concentrar.
— Percy? — chamou Annabeth, mas parecia distante aos ouvidos do garoto, suas pupílas estavam corroídas, como se ele tivesse usado alguma droga, seu coração batia forte contra as costelas, Percy tentava se concentrar nos olhos de Annabeth, mas sentia tontura e fortes náuseas.
Percy sentiu o corpo eletrocutar e logo conseguiu voltar ao normal, Annabeth percebeu que Clarisse havia tocado sua lança elétrica em Percy, e havia funcionado a intenção. O garoto teria caído se não fosse por Annabeth segurando seu rosto, suspirou pesadamente e tocou a mão de Annabeth, olhando para o sarcófago de Zeus. Annabeth engoliu em seco, ao considerar o que acabara de acontecer. Jake abria os de Zeus e Hades. Haviam imagens de Thalia com as caçadoras, na missão em que salvariam Artémis e Annabeth, a cena em que ela morrera e que seu pinheiro fora envenenado, havia algumas dentro da caverna de Equídna e outra dela montada em Blackjack, no de Hades havia Nico no submundo, ele e Percy próximos ao Rio Estige, uma na guerra contra os titãs e outra dele matando o Leão de Nemeia e uma no cemitério de Hollywood, num duelo contra uma dracaenae. Logo que os três estavam abertos, o de Zeus e Hades se misturaram, mostrando algumas cenas de Nico e Thalia, depois se misturaram ao de Poseidon, mostrando algumas cenas de Thalia e Percy, Percy e Nico, depois os três juntos.
— Jake, feche os sarcófagos! — exclamou Annabeth.
— Mas...
— Feche os sarcófagos! — disse Rachel, em concordância.
Jake, Chris, Will e Percy fecharam os sarcófagos.
— O que foi? — perguntou Chris.
— Acho que sei para o que esses sarcófagos servem... Ela deixaria os corpos aqui, e acho que essas holografias servem para consumir os poderes e as forças de quem os toca. — Annabeth disse, olhando fixamente para Percy. — Acho que não necessáriamente de quem os toca, mas se os donos os tocam... Isso é bem estimável.
Percy olhou mais uma vez para o primeiro sarcófago, depois suspirou e se virou para os amigos.
— Acham que esta pode ter sido uma armadilha de Perseu? — perguntou ele.
Os amigos começaram a se questionar.
— Pode ter sido, talvez algum truque para que Equídna o liberasse, mas talvez não... — disse Clarisse.
Os amigos viraram-se, mas em um único passo que deram, ouviram o som como de terremotos, as colunas que sustentavam o teto caíam umas sobre as outras.
— Corre! — gritou Percy.
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