Notas iniciais
Sim, eu voltei mesmo... kkk, aí está o ponto da história no qual eu pensava há muito tempo, talvez por isso eu tenha me enrolado um pouco há alguns capítulos. Enfim, esse capítulo para mim foi arrepiante... Encontro vocês nas notas finais (isso é uma ordem, muahahaha).

POV. PERCY

Corremos por alguns metros, eu ficava para trás, e começava a me preocupar se Annabeth estava certa sobre o que dissera, eu me sentia fraco e cansado, minhas panturrilhas doíam com o esforço da corrida, minha respiração se acelerava e meus pés pareciam pesados demais. Uma coluna iria cair deitada bem em cima de mim, mas Clarisse me empurrou para frente com força.

Annabeth corria com velocidade e inteligência, desviava das colunas com facilidade.

— Achei que este lugar fosse invulnerável! — gritou Clarisse.

— É, mas isso pode ser um truque da própria Equídna! — gritou Annabeth, ofegante.

Rachel tropeçou, eu a puxei pelo braço e continuamos correndo, olhei para trás e vi o lugar completamente amarrotado pelas colunas e o teto desabando, eu ainda puxava Rachel pelo braço, quando nos deparamos com uma grande rachadura no piso de mármore, e era bem profunda. Clarisse saltou, segurou a borda da rachadura e jogou o peso do corpo para cima, todos repetiram o mesmo e continuaram correndo, para mim foi mais difícil do que eu esperava, de repente eu caí de joelhos no chão, eu não conseguia respirar direito.

— Percy! — gritou Annabeth, meus amigos se viraram para mim rapidamente. Os sons iam se aproximando, quando Annabeth e Jake se aproximaram, puxando-me pelos braços e arrastando-me com eles.

Corremos mais, uma coluna quase atingiu Clarisse, mas ela rolou pelo chão, com agilidade. Pulei, agarrando-me a uma escada, que havia ali, subi o mais rápido que podia, com meus amigos logo atrás, saí por um alçapão e me atirei no chão de algum lugar que eu nem me apressei a observar. Me atirei no chão mais uma vez naquele dia, sentindo a dor nas panturrilhas e em toda a musculatura.

Eu precisava de água, precisava muito de água. Meus batimentos cardíacos estavam muito acelerados, comecei a pensar no que Annabeth havia me dito.

"Acho que sei para o que esses sarcófagos servem... Ela deixaria os corpos aqui, e acho que essas holografias servem para consumir os poderes e as forças de quem os toca."

Aquela holografia havia me consumido assim?

Minha boca estava entreaberta, em uma tentativa de pegar mais ar, era como se eu tivesse alguma pneumonia asmática, meu nariz não trazia ar o suficiente para mim. Meu corpo estava dolorido, como se uma daquelas colunas tivesse caído sobre mim, minhas panturrilhas contraíam com a dor e o cansaço, meus ombros doíam, como se houvesse ácido em meus ossos. Meus olhos estavam fechados, minhas órbitas estavam doloridas, como se eu tivesse passado muito tempo acordado.

— Percy? — chamou Rachel. Abri os olhos, ela estava ajoelhada na minha frente, ao lado de Annabeth. Tentei falar, mas minha garganta parecia inchada.

Eu de fato precisava de água.

Fechei os olhos novamente, pensei em água. Em água correndo em minhas veias e artérias, depois em água escorrendo pelo meu corpo. Logo senti a suave e tranquilizadora sensação de água subindo por meus braços, pernas e em minhas costas, sorri ao sentir-me revigorado e as feridas desaparecerem. Senti uma mão tocar a minha, abri os olhos, que já não doíam mais, e encontrei os olhos cinzentos que eu mais amava. Sorri.

— Acho que você estava certa sobre os sarcófagos. — falei.

— Meus deuses, Percy... — ela disse, mas sorria — Como você...?

Dei de ombros, ainda deitado no chão.

— Tem água no meu sangue. — murmurei. Ela sorriu.

— Vamos... Levanta daí. — disse ela, empurrando meu ombro levemente.

Me sentei, olhei em volta e percebi que estávamos em um imenso corredor, largo, alto e revestido de madeira escura, era iluminado com algumas tochas de fogo normal, que estavam grudadas nas paredes. Quando me levantei, ouvi o som de nossos passos ecoando no piso, que lembrava ao de uma casa da árvore. Assim que Will deu um passo mais a frente, ouvimos sons altos de zumbidos. Milhares de gafanhotos avançaram em nossa direção. Pelo que eu vi haviam surgido "do nada".

Coloquei a mão no bolso, a procura de Contracorrente, que estava lá, mas lá também havia outro objeto que eu sabia que precisariamos. O tirei do bolso e estendi em minha frente, tudo pareceu ficar mais lento ao meu redor, ao efeito do Amuleto dos Destinos, peguei a mão de Annabeth e a de Rachel, Annabeth pegou a mão de Will, que pegou a de Clarisse que já segurava a mão de Chris, Rachel estendeu a mão para Jake, olhei para frente e pensei no que deveríamos fazer, já que eu já deveria controlar a mão com o amuleto que estava entrelaçada a de Annabeth, perguntei-me se conseguiria usar contracorrente com minha mão entrelaçada a de Rachel. Annabeth olhou para mim, como se compreendesse meu conflito, estendeu a mão que estava com a de Will e pressionou o centro do "olho" do amuleto. Uma luz cintilante e azul circulou nos contornos dos detalhes do amuleto, que achei que fosse entrar em combustão em minha mão, ele brilhou intensamente, olhei para frente e vi os gafanhotos serem lançados a metros de distância de nós.

Começamos a correr, em corrente de mãos dadas. Quando pareceu ser uns vinte metros depois, já não havia nenhum gafanhoto. Logo ouvimos mais um som, que era mais silencioso que o outro eu não havia visto nada, mas ouvi um grito vindo de Annabeth, que olhava fixamente para o chão, seu rosto estava pálido e os olhos cinzas arregalados. Segui seu olhar e vi o que eu mais temia que fosse. Um enxame de aranhas se aproximava rápidamente de nós. Apertei firmemente a mão de Annabeth e apertei o amuleto, o efeito não foi tão forte como da outra vez, algumas aranhas continuavam a se aproximar.

Logo foram devastadas por algo que não soube o que era, até olhar para cima. Vi Perseu em sua forma original parado com um sorriso orgulhoso no rosto. Ergui uma sombrancelha enquanto ele se aproximava. Annabeth continuava sem fala e pálida ao meu lado.

— Por que nos deixou sozinhos lá? — perguntou Clarisse, de modo acusador.

— Forças de deuses não podem atravessar aquele local. — entendi ao que ele se referia, a camada de neblina que quase causara nossa devastação. Clarisse ainda olhava de forma acusadora, mas logo desviou o olhar. Olhei para Annabeth, que continuava pálida, balancei uma mão na frente de seu rosto, mas ela continuava fitando o nada.

— Annabeth! — exclamei, ela se recuperou do transe, mas ainda parecia assustada.

Will abaixou-se e levantou um pouco a barra da calça, franziu o nariz ao ver uma picada provavelmente de aranha pouco acima de seu tendão.

Annabeth abaixou-se ao seu lado.

— Isso foi uma aranha? — perguntei. Annabeth assentiu.

— Locustas não são ofensivas a seres humanos, eles não mordem nem picam, apenas liberam um líquido marrom vindo de seu estômago, conhecido como "suco de tabaco", que só são ofensivos a passaros e alguns insetos. Já as aranhas... — Annabeth franziu o nariz e tampou a boca.

— Tá... mas o que são locustas? — perguntei, Annabeth sorriu, divertida, ao ter que responder minhas perguntas frequentes como de costume.

— São gafanhotos, Percy... Eles são chamados de "locustas" quando estão em enxame.

— Não entendi o porquê do enxame de locustas então... — disse Rachel. — Já que são inofensivos... né?

— Isso eu também não entendi, mas... Will, isso pode ser grave. Aquelas aranhas são chamadas Viúvas Negras... Esse lugar em que estamos é um habitat perfeito para elas... quente, seco e escuro. Acho que você já sabe os sintomas, não é?

Ele assentiu e eu me senti um pouco perdido. Rachel já havia pegado o kit de primeiros-socorros na mochila e o abriu, ajoelhando-se ao lado de Will e Annabeth. Will mantinha a perna imóvel. Rachel limpava o ferimento profundamente, depois pegou uma compressa de gelo (que eu não fazia a mínima ideia de como havia durado até ali) e pressionou contra o machucado. Annabeth pegou um esparadrapo e o amarrou firmemente na perna de Will.

Annabeth se levantou e o ajudou a se levantar. Rachel guardou o kit de volta na mochila e se levantou, colocando sua mochila nas costas.

— Acho que o veneno não vai se espalhar muito com o esparadrapo, mas é bom não mexer muito a perna. — ela disse, Will assentiu.

— Isso vai ser um pouco difícil. — disse ele, e logo que o disse, ouvimos mais um som. Trinquei os dentes. Era um rosnado, e estava muito, muito próximo, meus amigos se viraram para mim, mas fitavam algo que estava acima de mim. Levantei o olhar e vi uma baba de cachorro caindo em mim, me esquivei e começamos a correr mais uma vez. O que nos perseguia era Ortros, o cão que quase arrancara pedaços de meu corpo no Rancho Triplo G, era irmão de Geríon, filho de Equídna. Corremos muito, embora o Ortros não fosse tão veloz, era grande, forte e saltava muito alto.

Corremos pelo que pareceu ser uns cinco minutos, já estávamos muito cansados, Perseu já não se encontrava conosco mais uma vez. Nos deparamos com um portão medieval, atrapalhando a passagem para um salão claro. O pior era que estávamos em um local mais estreito que o de antes, e o que poderia abrir o portão era uma alavanca também medieval, que eu só sabia oque eram por causa do jogo God Of War, era um tipo de portão que protegia reinos e castelos em Esparta.

Começamos todos a puxar a alavanca, rolamos por baixo do portão quando ele já havia levantado e ele caiu de novo, com força. Logo notei que Clarisse havia ficado presa do outro lado, Annabeth se aproximou do portão, logo Chris, Jake, Rachel, Will e eu também. As lágrimas já caíam dos olhos cinzas da loura, escorrendo por suas bochechas.

— Clarisse... — murmurou Chris, algumas lágrimas desciam pelo seu rosto.

— Vão! Vão sem mim, lembrem-se do que Perseu nos disse e destruam o templo!

— Mas... não podemos deixá-la aí! Você vai morrer! — Annabeth soluçou. Clarisse olhou para trás, Ortros já vinha pela ladeira.

— Se não me deixarem, todas as pessoas irão morrer, entende? — exclamou ela, olhava fixamente para Annabeth, mas não do jeito raivoso como costumava lidar com as pessoas. Depois olhou para Chris, que estava agarrado ao portão. Aproximou-se e lhe deu um selinho. Eu jurava ter visto uma lágrima em seu rosto.

Clarisse virou-se e começou a lutar com Ortros, ele abocanhou o ar, pois Clarisse havia se esquivado e espetado-o com sua lança, mas o cão continuava a lutar e era forte. Não havia chances dela vencer aquela luta sozinha. Pensei em algo, peguei o amuleto em meu bolso e o joguei no chão, ao lado de Clarisse.

— Annabeth... temos de correr. — eu disse, mas Annabeth continuava paralisada — Annabeth.

Rachel colocou uma mão no ombro da garota, compreensiva. Annabeth assentiu e corremos, parando no centro de um salão que era a pelo menos um quilômetro de onde Clarisse havia sido deixada. Olhamos para o teto, que era muito alto como o de uma igreja.

— Pensei em uma coisa... — disse Annabeth, todos se voltaram para ela ao mesmo tempo, ela tirou a faca da bota e raspou em uma coluna, e havia funcionado. — O salão... onde estavam os sarcófagos... seu teto desabou. Pode ser que aqui seja invulnerável, também, como lá, esse lugar é exatamente como ele. Deve ter alguma forma de colocarmos fogo nisso aqui.

Jake começou a testar a invulnerabilidade do lugar, usando o machado, e realmente o lugar era invulnerável.

— Acho que tivemos uma ajuda indireta de Perseu para chegarmos aqui... — disse Jake, todos concordaram. Rachel pegou sua mochila e tirou dinamites de dentro. Olhei para ela assustado.

— Não deixaria na mochila de Clarisse... de qualquer forma — disse ela. Jake também começou a tirar dinamites de sua mochila. Perseu apareceu no salão.

— Temos que certificar se teremos uma saída livre daqui... não podemos ficar presos com dinamites aqui. — disse Annabeth.

— O caminho está limpo... Este lugar é conectado a saída do templo... — disse Perseu, estreitei os olhos, me perguntando se deveríamos ou não confiar nele.

— Como iremos saber se podemos confiar em você? — perguntei. Perseu não pareceu ofendido.

— É verdade... — pronunciou Will. — É verdade. Nós nos deparamos com uma passagem assim no caminho para cá... Mas não pudemos entrar, alguma força mágica impedia nossa passagem.

— Como podemos saber se ela está lá ou não ainda? — perguntou Jake.

— Vocês chegaram até aqui... eu disse que era uma saída. — ele deu ênfase a palavra.

Rachel já depositava as dinamites em alguns lugares no centro do salão. Se levantou e segurou as alças da mochila. Annabeth assentiu.

— Não teremos outra chance... — disse ela, limpando algumas lágrimas que insistiam em voltar para seu rosto. Jake tirou um isqueiro do bolso da mochila e acendeu uma chama. Avaliou se todos já estavam decididos. E todos estavam. Acendeu as dinamites e saímos em disparada. Corremos como se aquilo dependesse de nossas vidas e... bom, dependia.

Eu segurava a mão de Annabeth, nós éramos os últimos da fila. Logo pude ouvir o som das explosões começando, eu puxava Annabeth, corríamos com desespero, mas eu não tinha dúvidas quanto a teoria de que não daria tempo de fugirmos, as lágrimas já inundavam meu rosto, e o de Annabeth também. Todos já haviam saído e só sobrava a nós dois.

— Eu te amo, Annie... — solucei.

— Cabeça de Algas... só agora me diz isso? — ela riu, mas pareceu mais um choro — Te amo, Cabeça de Algas.

Então a explosão nos engoliu.

Notas finais
Antes de quererem me matar, quero os reviews, hahaha. Não queiram me matar que a história não acabou e Percabeth também não! Beijinhos! OBS: To correndinho pra escrever o outro.