Notas iniciais
Ei, amoras! Hoje eu tô feliz! E sabem por que? Porque é o meu aniversário! Treze anos! Daqui a pouco também faz um ano que eu comecei a fic! Não é demais?
Um obrigada especial à AnninhaChase que fez uma recomendação para a história!
Aproveitem!

Pov Percy

O dia seguinte foi quase como eu esperava. Quase.
Nós víamos a estação do Distrito 12 se aproximando pela janela. Atrás das câmeras e dos repórteres estava a multidão, ansiosa para nos ver.
O trem parou e eu e Katniss já estávamos na porta. Olhei para ela e perguntei:
-- Está pronta?
Ela mordeu o lábio inferior e falou:
-- Acho que sim.
Dei risada e peguei em sua mão.
-- Vai ser mais fácil que antes, você está em casa.
Ela sorriu e disse:
-- Você tem razão. Sendo assim, estou pronta.
Effie passou a nossa frente juntamente com um avox que abriu a porta.
Não precisamos nem dar um passo para fora do trem e já fomos engolios pelas câmaras e perguntas dos repórteres.
-- Como se sentem sendo os primeiros vitoriosos em cinquenta anos? Os rumores de casamento são verdadeiros? Quais são os planos de vocês até a Turnê da Vitória? — eram as perguntas que costumavam ser feitas.
Acho que nem duas delas foram respondidas. Katniss saiu em disparada para ver sua família. De longe vi o mesmo garoto loiro da Colheita a observando.
Estava tentando responder às perguntas quando ouvi alguém chamando o meu nome.
--Percy!
Era uma voz feminina e levemente familiar. Fui abrindo caminho entre a multidão para saber quem era. A próxima coisa que vi foi um vulto de cabelo cabelos negros e olhos azuis se agarrando ao meu pescoço tão rápido que eu acabei caindo no chão.
-- Idiota! Pateta! Estúpido! Se você aparecer dessa forma novamente eu arranco a sua cabeça! — ela falou chorando.
-- Thalia? — o nome veio na minha boca antes que eu pudesse controlá-lo.
Ela levantou a cabeça mostrando os olhos azuis inchados e a maquiagem negra borrada.
-- Não, sou Afrodite no look Outono/Inverno. É claro que sou eu, cabeça de alga!
Ajudei ela a levantar enquanto a mesma limpava as lágrimas.
-- O que você está fazendo aqui? — perguntei.
-- Muito longa história, maninho. — ela frizou a última palavra, mostrando claro que era ela a irmã misteriosa. Thalia observou-me de cima a baixo por um tempo antes de sorrir e murmurar:
-- Quase mil anos de diferença e eu ainda sou mais baixa que você. Percy, eu sei que você tem muitas perguntas. Eu provavelmente tenho muito mais do que você, mas eu preciso saber agora: do que você se lembra? — ela perguntou com um olhar ansioso.
Comprimi os lábios e olhei ao redor. Mesmo com tanta gente, parecia que ninguém olhava para nós.
-- Não lembro de muita coisa, apenas Annabeth. Te reconheci por causa de um sonho.
Ela suspirou e disse:
-- Vou ter que te explicar tanta coisa, Jackson. — ela sorriu de lado e continuou — Então, Annabeth, não é? Isso quer dizer que eu vou ter um motivo para te bater quando toda essa confusão acabar. — ela acenou discretamente para atrás de mim.
Quando olhei vi Katniss junto com Prim, ela me olhava com uma sobrancelha arqueada e com um sorriso nos lábios. Essas duas vão ferrar com a minha vida.
Virei-me com um sorriso sem-graça para Thalia e disse:
--Ah...sobre isso...
-- Deixa que eu te enforco depois, cara de peixe. Você tem que exercer suas tarefas de vitorioso. Acho que já entendeu como Panem funciona, não é? — ela disse rindo — Te vejo depois do jantar. Até mais tarde!
Então desapareceu no meio das pessoas.
Talvez eu tenha ficado lá por tempo demais, pois só fui acordado por uma mão no meu ombro. Virei-me para encontrar Katniss com uma expressão curiosa.
-- Quem era ela? — ela perguntou olhando por cima do meu ombro.
-- Minha irmã. — respondi com um pequeno sorriso.
-- Ela parecia te conhecer.
-- Conhece assim, do meu presente.
Ela ergueu as sobrancelhas, claramente surpresa.
-- Como ela veio parar aqui?
-- Não sei, disse que iria explicar depois do jantar. — fiz uma cara um pouco confusa — Mas que jantar?
-- Depois teremos um jantar na casa do prefeito junto com todos da classe alta do distrito 12, faz parte do roteiro.
Ela puxou o meu braço e disse:
-- Vamos lá, D4. Será um longo dia.
E de fato, foi um longo dia mesmo. Cheio de câmeras, acenos, louvores, olhares mortais de Gale (que eu sei que terei que encarar depois) e entrevistas.
Depois do já falado jantar com o prefeito, tudo que eu queria era cair em uma cama e só acordar uma semana depois. Eu já tinha acesso a nova casa na Vila dos Vitoriosos, então abrigo não seria mais um problema.
Eu me ofereci para levar Kat até a casa dela na Costura, mas ela recusou e me acompanhou até a Vila.
-- Quero conhecer a sua irmã. — ela falou simplesmente.
-- Pra quê? Para me humilharem em dupla? — perguntei.
-- É, seria uma boa ideia. — ela falou sorrindo.
Quando já faltava apenas alguns metros até a casa eu fui surpreendido pelo mesmo vulto de cabelos negros e olhos azuis que me atropelou mais cedo. A única diferença é que agora ela tinha um arco prateado na cabeça (Thalia me disse que é um diadema, para mim não há diferença, tudo se coloca no cabelo).
Ela me deu um abraço e disse:
-- Eu falei que você não iria escapar de mim, cabeça de água.
-- Quem inventou esse apelido ridículo? — perguntei.
Ela pareceu em dúvida entre responder ou não, no final balançou a cabeça e disse:
-- Esqueci agora, mas é um apelido que pega. — ela se virou para Katniss e abriu um sorriso — Oi, sou Thalia Grace, filha de Zeus e prima do Percy. (N/A: Fui a única que achei que rimou?)
As duas apertaram as mãos.
-- Katniss Everdeen, mortal e amiga do Percy nas horas vagas. — ela falou com um pequeno sorriso.
-- Ei!
-- Gostei dessa garota, Jackson. Escuta, você vai abrir logo essa porta ou vai me deixar aqui fora congelando? Eu tenho hora, fofo.
-- Sua delicadeza me comove, Thalia. — falei revirando os olhos enquanto abria a porta da minha casa provisória.
Era provavelmente o imóvel mais luxuoso que eu já vi, tirando os prédios da Capital, é claro. Todos os móveis estavam limpos e organizados. Fico imaginando se eles mantêm as outras casas assim.
Nós nos sentamos nos sofás da sala.
-- Os suprimentos só chegam amanhã, então não posso oferecer muita coisa para você. — falei para Thalia.
-- Tudo bem, só vim para conversar mesmo. — ela disse tirando um par de luvas e deixando ao seu lado — Certo, por onde eu começo?
-- Como me achou já seria uma boa. — eu sugeri.
Ela assentiu e disse:
-- Ok, essa parte é meio que simples. Provavelmente você não se lembra das caçadoras de Ártemis, garotas que trocam a companhia dos homens pela imortalidade e devoção à deusa. Eu sou a líder delas, após a Guerra elas ainda continuaram a existir, mesmo que lady Ártemis tivesse...desaparecido. — essa parte pareceu ser dolorosa para ela. — Continuando, agora eu sou a líder das caçadoras. Estamos em muito menor número já que os semideuses desapareceram assim como tem sido raros os casos de mortais verem através da Névoa. Nós viajamos por Panem tentando conseguir mais aliadas, a maioria aceita para se livrar da Colheita, mas ainda há algumas meninas que entram por causa dos motivos "originais".
Há algumas semanas eu tive um sonho em que Hera falava comigo sobre "ajudar o herói" ou coisa assim. Fiquei intrigada pois eu não tenho sonhos com deuses há pelo menos 900 anos. Estávamos nos arredores do distrito 9 quando descobrimos sobre você. Eu fui a cidade para buscar suprimentos e vi na TV o reprise da Colheita. Deve ter imaginado a minha reação quando ouvi "Perseu Jackson do distrito 12". — ela riu — Sério, eu me belisquei dez vezes para garantir que não era sonho.
Estava feliz em poder ver um amigo da época Pré — Panem, mas também estava assustada pois você estava nos Jogos Vorazes. Quando você ficou no Top 8 eu vim para o distrito 12, sabia que eles precisavam entrevistar os parentes e não estava muito confiante de que Hera iria manipular a Névoa por sua causa, então eu fiz essa parte. Acho que a história de irmãos órfãos e anti sociais colou. Desconsiderando o fato de que meu nome não estava na colheita e que não temos documentos que provem nossa existência em Panem, talvez eles acreditem que somos normais. — ela fez uma pausa para respirar. — E agora você venceu os Jogos e começou uma droga de rebelião em alguns distritos. Acho que contei tudo. — ela me encarou por um tempo. — Agora explique-me porque está aqui.
Falei a ela sobre o plano de Hera de tentar consertar as coisas no passado para não resultarem em um país como Panem. Não falei nada sobre o meu verdadeiro teste, Katniss poderia se sentir ainda mais culpada. Quando eu terminei ela pareceu um pouco perdida, como se tivesse voltado no tempo algumas centenas de anos.
--O nosso erro foi declarar guerra, era exatamente o que Gaia queria. Gregos e romanos destruindo-se aos poucos e quando finalmente acordassem, já estaria tudo acabado. Você tentou evitar isso tudo dizendo que o verdadeiro inimigo era Gaia e não os romanos. Você e Annabeth.
O clima na sala ficou mais estranho de um jeito que eu não pude explicar. Thalia pareceu ignorar isso e continuou:
-- Com os deuses destruídos o mundo virou um verdadeiro caos que durou cerca de dez anos. Eu, você e Nico, nosso outro primo filho de Hades, tivemos que tomar as rédeas provisoriamente. Então de forma básica a harmonia das tempestades, marés e deslocamentos de terras estava na mão de três adolescentes.
Depois disso tudo se acalmou razoavelmente, tirando as guerras e o maldito tirano filho de Gaia que tomou o poder da América do Norte. — ela falou bufando — Você e Annabeth, junto com outros filhos de Poseidon sobreviventes e mais outros semideuses foram para o litoral onde hoje é o distrito 4. Ainda passo lá para visitar seus parentes de vez em quando...
-- Parentes? — perguntei com uma careta.
-- Não é importante no momento. — ela disse balançando a mão em descaso. — A questão é: toda essa história não pode se repetir, ou melhor, não pode acontecer. Isso significa que quando você sair daqui, tem que derrotar Gaia de qualquer forma.
-- E quem garante que os gregos e romanos não vão guerrear novamente? — perguntei com uma sobrancelha arqueada.
-- Não sei, mas eles simplesmente não podem. — ela falou séria.
Ela parecia querer falar algo mais, porém parecia impedida.
-- Percy, tenho que ir para casa. Minha mãe vai começar a se preocupar. — Katniss pronunciou-se pela primeira vez desde que Thalia começou a falar.
-- Deixe que eu te acompanho.
-- Não precisa, vocês dois têm muito o que conversar. — ela disse levantando-se, parecia levemente incomodada — Foi um prazer te conhecer, Thalia. Até amanhã.
E saiu de casa sem mais nenhuma palavra. Voltei meu olhar para Thalia.
-- Mais alguma coisa para me contar?
-- Sobre a história de Panem não, mas eu quero falar sobre você e a garota Everdeen. — ela disse com um leve divertimento no olhar. Lá vem bomba.
Thalia sentou-se ao meu lado e disse:
-- Não é segredo para ninguém em Panem que vocês são o casal de opostos desafortunados do Distrito 12. Mas o senhor — ela colocou um dedo no meu peito — disse que se lembra da Annabeth. Você também se lembra o que ela é para você?
-- Minha namorada. — falei com uma careta. Já sabia o que iria vir a seguir: um bate-papo sobre a minha vida amorosa.
-- Oh, estamos indo bem. Então, Jackson, a pergunta que está me matando por dentro: o que raios você sente pela Katniss?
Respirei fundo. Eu tentava responder essa pergunta todos os dias.
-- Eu sinceramente não sei. Gosto muito dela, mais do que como uma amiga. Mas eu amo Annabeth, mesmo só tendo algumas lembranças. E eu não sei como equilibrar isso tudo, não sei qual amor é maior, se é que dá pra dizer isso. — falei passando a mão pelo meu cabelo.
-- Nossa, e eu achando que estava livre das novelas mexicanas. — ela murmurou se jogando em cima de uma almofada. — Percy, eu vi você ficando adulto, envelhecendo, criando uma família, tudo ao lado da Annie. É difícil aceitar você aos beijos com outra garota, embora eu saiba que está fazendo isso para salvar o seu pescoço. — ela levantou a cabeça e arqueou uma sobrancelha — É só para salvar o seu pescoço, né?
Olhei para ela incrédulo.
-- O que você acha? Que eu fico agarrado com ela porque eu quero? Ela é minha amiga, caramba!
-- Ok, esquentadinho, eu só perguntei! — ela falou rindo — Bom, então Percabeth continua em pé.
-- Que droga é essa?
-- É um ship, bobo. Um nome para um casal. Percabeth é para Percy e Annabeth. — ela falou como se fosse óbvio.
-- Quem inventou isso?
-- Ah, o ship já existe faz tempo. O sistema de ships eu não sei, mas acho que foi uma boa ideia. — ela falou dando de ombros — E mesmo que eu não apoie muito, Perkatniss é muito fofo.
-- Thalia! — chamei a atenção dela mas acabei rindo. — Você é doida.
-- Obrigada, obrigada. Minha seção de autógrafos está sendo marcada. — ela disse jogando o cabelo para o lado. — Já tenho que ir embora, as meninas vão me matar. — ela falou se levantando.
-- Não é você que é a líder?
-- É, mas tem umas loucas lá que são suas fãs e querem saber como é conversar com você. — ela revirou os olhos — Como se eu já não tivesse explicado mil vezes que você é meu primo e que é um idiota.
-- Olha a inveja. — falei rindo. — Vou te ver amanhã?
Ela parou para pensar.
-- Não sei, foi bom você me lembrar disso. — ela abriu a jaqueta e de dentro tirou um saco de pano. — Abra. — ela jogou no meu colo.
Desamarrei o cordão e abri o saco, revelando várias moedas douradas um pouco maiores que o normal.
-- São dracmas, moedas para semideuses. Hoje não tem muita utilidade, apenas mandar mensagens de íris. Elas falham um pouco já que Íris está "fora de área". Mas ainda funcionam.
Ela explicou-me como mandar a mensagem de íris. A mensagem de teste foi para as caçadoras de Thalia. Pelo que eu contei eram cerca de quinze meninas, a maioria em idade para ir à colheita. Quando Thalia me apresentou para algumas delas vi duas desmaiarem, uma gritar de empolgação e outra murmurar "Prefiro o Finnick". É, não se pode agradar todas.
-- Adolescentes. — Thalia revirou os olhos perante a reação delas.
Ela passou a mão na mensagem dissipando a névoa colorida.
-- Quando precisar me mande uma mensagem dessas, vou tentar vir o mais rápido possível. Se der me mande com alguns dias de antecedência. — ela disse me abraçando. — Não me assuste de novo, cabeça de alga. Foram quase mil anos de sustos para essa caçadora aqui.
Sorri de lado.
-- Pode deixar, sei me cuidar.
Ela levantou do sofá e foi andando até a porta.
-- Até breve, Jackson! — e foi embora.
Fiquei observando a sala de estar vazia e luxuosa. Era uma casa feita para um vencedor dos Jogos Vorazes. Para qualquer um que não sentiu na pele tudo que eu passei para chegar até ali, poderia até se passar por um título digno.
Subi as escadas até os quartos, eram no total três ou quatro, já que eu não tive paciência para contá-los. Entrei no segundo quarto, onde havia uma cama de casal, escrivaninha, estante de livros e um guarda-roupa. Ao verificar o último item descobri várias roupas para o meu tamanho todas organizadas em cabides. Bem no fundo de uma gaveta encontrei uma camiseta laranja dobrada. Era a mesma que eu usava quando vim para Panem. Ela estava tão desgastada que quase não se podia ver o que estava escrito, apenas algumas letras desconexas. "ACA","ENT","MEI" e "GUE". Poderia não fazer sentido nenhum, mas eu tinha certeza que elas estavam ligadas ao meu presente, ao lugar a qual eu pertenço de verdade.
Eu voltaria para lá um dia. Não sei quando, mas será em breve. Voltar ao tempo onde existem semideuses como eu, que estão prontos para uma guerra que está para começar.
Observei a camiseta esfarrapada na minha mão.
-- Mas por enquanto eu fico aqui. — murmurei guardando a roupa — Onde eu não passo de um vitorioso mortal que está sendo odiado pela Capital.
Sinceramente, não vejo muita diferença entre minhas duas realidades. Nas duas eu tenho problemas.
Porque Percy Jackson nunca se livra de problemas.

Notas finais
Gostaram, amorzitos? De presente eu quero chegar aos mil reviews U-U
Não vou poder oferecer bolo porque minha família é pão dura até pra isso g-g Mas posso oferecer chocolate! Quem quer?
Bjuzzz