Percy Jackson E Os Jogos Vorazes
52 Apostas, Mellarks e Mil e Uma Desculpas da Autora
Notas iniciais
Pov Katniss
Nada demais aconteceu nos próximos dias a não ser todas as entrevistas, jantares com gente fina e sessões de fotos. Ao andar pelas ruas do Distrito 12 eu percebia um brilho estranho no olhar das pessoas. Percy disse que pode ser por causa da Névoa usada por Hera para cobrir toda a história.
Thalia nunca mais apareceu depois daquela noite em que chegamos, porém suas palavras ainda ficaram na minha memória. Percy tinha criado uma família com Annabeth. A cada vez que me lembrava daquilo sentia um aperto no peito inexplicável. Tristeza? Ciúmes? Não sabia dizer.
De qualquer forma, os sentimentos pelos meninos (Percy e Gale) pareciam cada vez mais misturados, ou até trocados. Percy estava virando meu melhor amigo enquanto Gale parecia se afastar cada vez mais, como se não pertencesse a este lugar.
Depois das últimas câmeras desaparecerem por completo do Distrito 12, eu quase podia me sentir salva novamente. Quase. Acho que todos os vitoriosos sentem isso, aquele sentimento de que suas vidas nunca mais serão as mesmas. Eu sentia que ainda estava sendo observada, contando o fato de que sou um alvo por conta do episódio das amoras.
A cada dia novo que surge, me pego assustada gritando o nome de Percy, com medo de que ele tenha desaparecido. Felizmente ele sempre está lá para me acalmar, confirmando sua presença. Ele não diz coisas como "Nunca vou te deixar" ou algo assim. É inútil pois ambos sabemos que não é verdade. Uma hora ou outra nós vamos nos separar.
Mas pelo bem da minha sanidade, eu espero que essa hora nunca chegue.
-- Katniss? — ouvi meu nome sendo chamado.
Pisquei os olhos algumas vezes antes de voltar à realidade. Percy estava na minha frente, me encarando com um olhar estranho, um misto de irritação e ansiedade. Estávamos na mesa da cozinha da minha casa, conversando sobre um assunto qualquer, que agora eu esqueci completamente.
-- O que? — perguntei tentando disfarçar a minha confusão.
Ele suspirou e cruzou os braços.
-- Está fazendo de novo.
-- Fazendo o que?
-- Divagando. Eu estou tentando falar com você sobre algo sério e você simplesmente não me ouve!
Revirei os olhos mentalmente. Ás vezes ele era tão dramático.
-- Desculpe, Sr. Seriedade. Sobre o que falávamos mesmo?
Ele ficou me fitando em uma expressão séria até finalmente responder:
-- O filho do padeiro te mandou flores, Katniss. — ele falou apontando para um vaso com um lírio em cima da mesinha da sala.
-- Foi só uma flor, Percy. Não é o fim do mundo. E o nome dele é Peeta. — falei levantando da mesa.
-- Não importa o nome dele, o fato é que ele gosta de você. — ele disse ainda sério.
-- E daí, D4? Você que é o meu namorado, não faz diferença se ele gosta de mim ou não, eu vou ficar com você. — falei pegando a chaleira que estava no fogão e dividindo o conteúdo em duas xícaras.
-- Não pense que eu esqueci da nossa conversa de mil anos atrás no trem da Capital, Katniss. Eu sei o que você tem com aquele garoto. Você ainda gosta dele?
A pergunta me pegou de surpresa e acabei me queimando com o chá.
-- Ai! — olhei pra ele incrédula — Que tipo de pergunta é essa, Jackson?
Ele deu de ombros.
-- Apenas uma pergunta simples. Você ainda gosta dele?
Fiquei pensativa por um tempo. Era difícil responder aquilo, eu já estava em um belo conflito interno sobre Gale e Percy, ainda tinha que pensar em Peeta? Era fato de que eu tinha uma dívida que nunca poderia ser paga com ele, mas não sabia se gostava dele.
-- Eu não sei. Ele fez algo muito importante pra mim no passado, algo que eu nunca poderei retribuir. Mas...eu não sei se eu gosto dele. — olhei para Percy um pouco confusa — E por que essa conversa terminou justo nesse tópico?
Ele encolheu os ombros.
-- Só queria saber se você gostava.
Bufei.
-- Então agora eu preciso enfrentar um conflito interno porque você está com ciúmes?
Ele ficou vermelho e fechou a cara.
-- Não estou com ciúmes.
Ri com a cara que ele fez.
--Tá escrito na sua testa, Jackson. — entreguei uma xícara a ele — E é um ciúme sem motivo, porque eu sou sua namorada e não do Peeta. — dei um beijo estalado em sua bochecha e me sentei.
-- Mas nada muda o fato de que ele gosta de você. — ele disse emburrado — Ele olha pra você na escola, olha pra você na rua e até faz questão de te atender na padaria.
Ergui uma sobrancelha.
-- Você está me espionando agora?
-- Não estava te espionando, apenas reparando. Você devia começar a prestar atenção nas coisas ao seu redor. — ele disse e tomou um gole do chá.
Bufei e coloquei uma mecha de cabelo atrás da orelha. Na escola...ele estava certo, Peeta normalmente me observava no almoço à distância, mas eu não dou muita importância; na rua era fato para todas as situações, já que depois que ganhei os Jogos virei uma celebridade; mas na padaria...
-- Ele não me atende na padaria. — — falei com uma careta — Ele trabalha fazendo pães, não atendendo clientes.
-- Quer apostar? — ele falou com um sorriso de lado — Eu vou com você até a padaria, se ele for te atender você me paga balas azuis.
Comecei a rir e cruzei os braços.
-- Então, se ele não for me atender, além de eu ficar te irritando até o final da sua vida, quero que pare de reclamar das minhas roupas.
-- Ora, a culpa é sua de usar roupas tão justas! De cada cinco caras que te vêem na rua, quatro olham pra suas pernas com aquelas roupas. — ele falou com um sorriso torto.
Semicerrei os olhos.
-- Muito bem, gênio. Vamos tirar a prova agora. Vamos à padaria. — falei pegando o casaco no cabideiro e indo até a porta.
Logo estávamos andando pelas ruas do Distrito 12, de mãos dadas, com todos os olhos voltados para nós. Aquilo me deixava desconfortável, parecia que eu era culpada de alguma coisa. E de fato eu era.
-- Sério que tem que segurar a minha mão toda vez que saímos? — perguntei com uma careta — Parece até que eu sou uma criança.
Ele revirou os olhos.
-- Seu romantismo me comove, Catnip. Namorados agem assim, se preocupam um com o outro, gostam de ficar juntos, essas coisas.
-- Não somos namorados normais, eu apenas te suporto porque você é fofo.
-- E eu apenas te suporto porque você é linda demais pra ficar nas mãos de qualquer um.
Ficamos fitando um ao outro por alguns segundos e então começamos a rir. Deus, como podíamos estar falando coisas assim na nossa atual condição?
Continuamos o nosso caminho ainda rindo como crianças, mas sem dizer nada.
Logo estávamos na padaria dos Mellark. O atendente, como eu esperava, era um dos irmãos de Peeta. Estava prestes a fazer o meu pedido quando ele me pediu licença e foi até os fundos da padaria. Em alguns segundos um outro garoto vinha correndo e ofegante. Era Peeta. O cabelo dele estava bagunçado e também tinha um pouco de farinha. Com um sorriso desconcertado ele disse:
--Oi, Katniss.
Com um sorriso mais desconcertado ainda eu falei:
--Oi, Peeta.
Quando ele olhou atrás de mim seu sorriso diminuiu.
--Ah, Oi...Perry?
--Percy na verdade. — falou Jackson com um sorriso de lado. Ele deve estar amando isso. Idiota.
Ficamos em um silêncio constrangedor até Peeta dizer:
--Então, o que procuram?
--Eu quero o bolo da vitrine. — respondi — É aniversário da Prim.
Ele sorriu e disse:
--Mande meus parabéns a ela.
Ele embalou o bolo e então saímos da padaria. Nem dei cinco passos para fora e murmurei de dentes cerrados:
--Eu nunca passei tanta vergonha na minha vida.
Percy gargalhou alto e passou o braço ao redor dos meus ombros.
--Só por que perdeu uma aposta?
--Não! Era o jeito que você olhava dele pra mim. Era pior que um namorado, parecia um irmão mais velho!
Ele deu de ombros.
--Analisando as circunstâncias, acho que ancestral ou tataravô seria mais correto.
Revirei os olhos.
--É um idiota mesmo.
--Ah, deixa de ser chata, Catnip. Vem, você ainda tem que pagar os meus doces. — ele falou me puxando pela rua.
Notas finais
DESCULPA¡!!!!!!
Foram os dois meses mais angustiantes e bagunçados da minha vida! E eu acho que deveria ter avisado vocês com antecedência pois eu já tinha uma vaga ideia de que a coisa ficaria preta pro meu lado. E arrisco dizer que o próximo capítulo possa demorar tanto quanto esse.
Certo, não vou pedir mais desculpas. Vocês devem estar querendo me matar. Ok. Vão em frente. Tenho contatos no Mundo Inferior, posso postar de lá. ~se ajoelha e ergue os braços~ Sejam rápidos.
Bjuzzz!
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