Perchance

7 Sombras


Notas iniciais
Nota 1: Não tenho conhecimentos de medicina assim tão acurados, então qualquer coisa me corrijam, yo? Nota 2: Apertem o cinto. o/

Sombras. Elas falavam e falavam ao seu redor, estavam por toda parte. Por que não iam embora? Também precisava ir...

Sai! Sai da frente!”

“Temos uma emergência aqui!”

“Ela tá consciente?”

“Meu Deus, tão jovem...”

“E bonita... Caramba! É aquela moça das fotos, não é?!”

Espera, o que foi isso no rosto dela?

O que era isso? Um quebra-cabeça? Gostava de quebra-cabeças? É, gostava. Essa coisa de preencher lacunas, espaços, vãos, frestas, a fascinava desde criança. Engraçado, fascinava sua mãe também. Ah, quanta falta sentia da sua mãe... Ela foi a primeira pessoa a presenteá-la com as tais pecinhas coloridas, centenas e centenas delas que formavam a imagem de uma mulher, muito bonita, num vestido vermelho... Lembrava-se vagamente de também ter presenteado alguém com um desses últimos mistérios lúdicos da vida. Mas quem? Quando?

Precisava encontrar esse alguém e dizer que o amava muito, que nunca ia deixá-lo mesmo que tivesse que ir...

Precisava de uma luz. Mas não dessa que pairava sobre seus olhos agora. Essa não era a luz certa, era muito forte. Fazia seus olhos doerem, fazia tudo doer mais...

“Ivan... preciso... Mamãe?”

Mas as sombras continuavam falando, cercando, sufocando...

Pressão arterial caindo muito rápido...”

Choque anafilático!

Sem tempo! Desfibrilação agora!”

“Afasta! Prontos? Um, dois, três! De novo!

Um lampejo de luz...

Batimentos?

Nada ainda...”

Mais sombras...

Sombras profundas...

“Não desiste agora, moça!

“Estamos perdendo ela...

“Sem reação. Pupilas dilatadas...

Vamos! Outra vez!

***

“Vanessa? Meu Deus, Vanessa!”, vociferou ao avistar a única cabeça ruiva no meio das muitas que se aglomeravam na ampla sala de espera, “Cadê ela? Onde tá– onde tá a Marina?!”, as palavras saíam engasgadas pela mistura forte de cacofonia e álcool no ar ao seu redor.

Reconhecendo aquela voz, Vanessa girou nos calcanhares ao ouvir seu nome ser gritado mais uma vez.

Entre um e outro rosto se via o de algum funcionário do hospital tentando colocar ordem no lugar, afastando as pessoas dos acessos, tentando acalmá-las, mas era praticamente impossível naquele momento. O ciclo interminável de macas, sangue, vozes, lágrimas e campainhas de celulares só evidenciava o odor tétrico no ar e deixava as pessoas ainda mais alarmadas.

O lugar havia se transformado numa verdadeira zona de guerra.

Mas, não muito depois de ouvir seu nome, conseguiu localizar Clara e, o que seus olhos custaram a acreditar, Cadu seguido por Diana, os três tentando abrir caminho no meio da pequena multidão que se acotovelava pelos corredores e alas, todos desesperados por notícias dos parentes e amigos envolvidos na trágica ocorrência da rodovia.

Forçando seu caminho por ali, a ruiva se dirigiu somente a Clara quando a mulher finalmente encurtou o último passo entre elas, já a puxando pelos cotovelos para um canto e fixando-a com um olhar que Vanessa só conseguia descrever como pavor.

“Clara, graças a Deus! Flavinha... Ela foi tentar falar com alguém do hospital tem uns dez minutos já. Ainda não sei como... onde a Marina tá...” disse eufórica, olhos procurando ao redor por um relance da namorada e ignorando deliberadamente a presença dos outros dois que a fitavam por cima dos ombros de Clara.

Quando Clara não soltou o aperto dolorido que matinha em seus braços, ainda olhando-a com aquela expressão empalidecida, Vanessa engoliu em seco e tentou mais uma vez, com mais calma agora.

“Isso aqui tá um caos. Quando chegamos já estava assim, não deu pra ver para onde a levaram”, explicou, sentindo o aperto em seus braços afrouxar um pouco quando Clara piscou uma, duas vezes antes de menear a cabeça, seu olhar agora mais desfocado, perdido na desordem que os cercavam.

Cadu, que até o momento só observara a troca entre as duas mulheres, já estava ciente de que aquele ruído que ouviu antes da ligação ser cortada fazia parte da cena principal de todo o drama se passando ao redor. Já vinha juntando as peças desde antes do telefonema de Vanessa, e com a saída às pressas da casa da fotógrafa tudo se encaixou. Ele só não imaginava que a coisa poderia ter sido assim tão grave... E, ainda que não quisesse admitir, não poderia negar a pontada de ciúmes que sentiu ao presenciar o estado em que Clara havia ficado quando soube do acidente.

Para falar a verdade, nunca tinha visto alguém tão fora de órbita como a ex-mulher depois daquele telefonema. Depois do longo silêncio que se fez na sala, ela conseguiu perguntar o nome do hospital e balbuciava esse endereço como se para não correr o risco de esquecê-lo, e logo em seguida o ‘Marina, Marina, Marina... ’ não lhe saía dos lábios. Durante todo o trajeto a mulher mantivera os olhos fechados, murmurando o nome da fotógrafa entre um fungado baixinho e outro como se fosse um mantra, uma prece, enquanto pressionava suas mãos trêmulas ora contra o peito, ora contra os ouvidos.

A loira de sotaque francês – Diana, ele lembrou –, que havia se prontificado a dirigir já que parecia ser a mais apta a manter a calma naquele momento, alternara-se entre a estrada, olhares discretos e apreensivos para a outra mulher no banco do carona, e relances no espelho retrovisor do seu carro luxuoso, enquanto seguia por uma rota mais longa, porém menos trafegada sugerida por Cadu.

De repente, a figura de uma mulher alta e bonita se aproximando o atraiu fora de sua introspecção. Quando o “Flavinha!” eclodiu da boca de Vanessa, Cadu se viu ansioso. Por mais mágoa que ainda guardasse da fotógrafa, não podia deixar de ser solidário num momento assim.

Flávia vinha acompanhada de uma mulher também alta, parda, que vestia um jaleco branco distinto e um par de óculos discreto.

Clara foi a primeira a correr na direção da dupla, seguida nos calcanhares por Vanessa. Já Diana permaneceu ao seu lado, um pouco para trás, sua expressão agora visivelmente contrita enquanto observava Clara se projetar na frente da médica.

“Quem é a... esposa de Marina...”, olhou pra uma ficha que trazia nas mãos, “Meirelles?”

“Sou eu, doutora, me diz logo como ela tá, pelo amor de Deus... Ela vai ficar bem, não vai?”, despejou as palavras de uma vez, o que fez a ruiva soltar um grunhido aflito do seu lado.

Nessa a médica levantou uma sobrancelha discreta para a ruiva que agora estava sendo amparada por Flávia, então olhou pra Clara com aquela expressão praticada de neutralidade, longos segundos se passando, até que desviou seus olhos escuros para as outras duas pessoas próximas que também pareciam à espera de sua resposta. Por último, fitou o cenário caótico ao seu redor e suspirou.

E essa foi a gota que faltava pra Clara transbordar internamente.

O fio de paciência se quebrara, o de esperança prestes a se partir diante daquele silêncio apavorante.

“Fala!”, praticamente gritou na cara da médica, agarrando-lhe as lapelas do jaleco com mais vigor que o necessário, “Diz que ela tá bem, por favor...”, seus olhos queimavam com as lágrimas que tentava com todas as forças conter. Não queria, não podia cair no choro agora, na frente dessas pessoas desconhecidas e tão desesperadas quanto ela. Não podia fraquejar ali, não na frente do Cadu. Pior ainda, na frente da Diana.

“Considerando um caso de colisão frontal como esse”, a médica começou devagar, enquanto calmamente retirava as mãos de Clara do seu jaleco, “posso dizer que sua companheira teve muita sorte. O traumatismo craniano sofrido não foi severo e...”, fez sinal com a mão para que esperassem quando Clara e Vanessa, alarmadas, abriram a boca pra falar, então concluiu, “... e, embora o quadro dela seja grave se pensarmos nas circunstâncias do impacto, as demais lesões são secundárias, o que não deixa de inspirar os cuidados necessários”.

“Ela está consciente?”, todos viraram ao som daquele sotaque, olhando para a mulher com variados níveis de expectativa e ansiedade.

Pela primeira vez desde que saíram da sua casa em Santa Tereza, Clara cruzou olhares com Diana. Ficou surpresa com o estado de agitação em que a mulher estava agora, notando o jeito como ela mantinha os braços cruzados sobre o peito como se tentasse se proteger de alguma coisa, o baixar dos olhos como se percebesse, sentisse não ser bem vinda ali.

Naquela fração de segundo em que a fitou Clara sentiu uma pontada de simpatia pela francesa. Afinal, ela podia ser a vagabunda descarada que dava em cima da sua mulher sem o menor dos escrúpulos, mas seu coração estava no lugar certo ali, estava com Marina. E Clara não poderia hostilizar alguém que visivelmente se importava com a fotógrafa, sobretudo num momento como esse, e ainda por causa de ciúmes. Seria muito mesquinho de sua parte e por isso, só por isso, tentaria se segurar.

“Ela esteve consciente uma parte do tempo, sim, mas... agora está sedada... e dorme”, a médica pareceu vacilar um instante e Clara percebeu.

“Doutora, seja o que for, pode falar”, disse, tentando disfarçar o súbito mal estar que a acometeu naquela hesitação da médica.

“Marina ainda teve uma reação alérgica forte, um choque anafilático como chamamos, e... tivemos que realizar o procedimento de reanimação”, a médica ajeitou os óculos num gesto nervoso ao notar a expressão horrorizada no rosto de Clara, “... mas conseguimos estabilizá-la sem maiores incidentes. Ela está na Unidade de Terapia Intensiva nesse momento, temos que fazer mais exames e aguardar o período de observação pra esses casos que é de vinte e quatro horas, no mínimo”.

“Eu posso vê-la? Por favor, me deixa entrar. Eu só preciso ver a Marina, ter certeza que ela vai ficar bem...”, suas mãos trêmulas foram parar nos ombros da médica, dessa vez mais em súplica do que qualquer outra coisa.

“Infelizmente, nesse momento, ela não pode receber visitas...” balançou a cabeça, seu olhar empático passando pelos rostos das outras quatro pessoas ali até repousar em Clara novamente.

“Senhora, hum... Como posso chamá-la?”, perguntou com um sorriso pequeno.

“Clara”, suspirou pesadamente, esfregando as mãos nos lados do rosto como se tentasse acordar de um pesadelo.

“Posso ter uma palavra com você, Clara?”, fez sinal com a cabeça para que a outra mulher a seguisse.

Flavinha e Vanessa lhe deram um olhar questionador, mas então acenaram antes de Clara sair no rastro da médica, que já estava uns dois passos à frente num zigue-zague entre as pessoas circulando a esmo pela sala de espera.

Seguiu-a por um corredor largo e menos movimentado, até que a mulher parou num canto mais isolado, virando-se para encará-la. Com um longo suspiro, a médica retirou os óculos e os colocou no bolso do jaleco.

Clara sentiu seus braços arrepiarem naquele instante, uma sensação de que já havia vivido aquela mesma cena, aquela exata situação, tomando-a de súbito. Seu estômago estava em nós, não havia para onde fugir.

“Doutora, o que tiver pra me dizer...” meneou a cabeça, um gesto que foi repetido pela médica.

“Não queria falar na frente dos seus amigos, porque acho que você deveria saber disso antes de qualquer um”.

“Fala...” exalou tremulamente, franzindo o rosto em agonia. Sentiu seus joelhos fraquejarem e ali, sozinha com essa desconhecida amiga, já não havia mais como conter as lágrimas.

A médica, embora de forma mais discreta, demonstrava-se sensibilizada também, seus olhos escuros estavam úmidos quando ela falou.

“Houve uma... complicação no caso da Marina”.

Clara fechou os olhos com força por um instante, quando subitamente lampejos de memória de uma noite ocorrida muito tempo atrás fizeram sua cabeça girar.

Abriu os olhos com um suspiro final, e murmurou, “Que tipo de complicação?”

ANGRA DOS REIS — DEZOITO MESES ANTES

Fazia um tempo bom lá fora, onde, horas atrás, haviam começado sua festa particular regada a muito champanhe francês e música de fundo, deitadas na varanda entre os lençóis e almofadas aveludadas, nuas sob o brilho pálido do luar de Angra.

Isso foi antes de descerem para o quarto...

“Vai, quero saber...”, insistiu com um gemido manhoso, insinuando-se entre suas pernas e lhe arrancando um suspiro trêmulo, “Conta algum sonho ou... desejo que ainda não realizou. Ou vai me dizer que não tem, bandida?”, Marina sussurrou em seu ouvido como quem conspira um segredo, antes de mordiscar aquele lugarzinho abaixo de sua orelha que fazia seu corpo todo arrepiar na antecipação do prazer que a esperava.

“Eu... hm?”, murmurou com os olhos fechados, já perdida na sensação da boca quente que descia por seu pescoço, “Ah, tenho sim... Uma lista!”, acrescentou com um sorriso lânguido, apertando seus braços em volta dos ombros nus da fotógrafa quando sentiu aqueles lábios sugarem com força a pele onde seu pulso saltava.

Curiosa, Marina se ergueu um pouco nos cotovelos, pairando sobre ela com um brilho diferente no olhar, o que fez seu pulso acelerar ainda mais, só que dessa vez em admiração. Como essa mulher conseguia ser o cúmulo da sensualidade e da doçura e ainda demonstrar isso com um único olhar, Clara não sabia.

“Nossa, jura?”, arregalou os olhos fingindo espanto, “E será que, assim...”, beijou-lhe a ponta do nariz, “quem sabe, só por acaso, uma certa fotógrafa não poderia te ajudar a realizar algum desses seus...”, aproximou suas bocas e lhe soprou contra os lábios, “... desejos?” e nessa Clara a surpreendeu, invertendo suas posições na cama com uma facilidade e rapidez de tirar o fôlego.

“Na verdade”, agora que a tinha dominada sob seu corpo, decidiu que ia brincar um pouquinho, “... todos eles”

“Mesmo?”, sussurrou-lhe com um sorriso devasso, os quadris já se movendo por instinto, suas mãos se enroscando nos cabelos da companheira.

Marina a puxou para um beijo longo e molhado, ambas gemendo na boca uma da outra enquanto seus sexos se tocavam, deslizavam, friccionavam, num ritmo cada vez mais intenso e deliciosamente delas.

Quando sentiu sua língua sendo sugada com força de dentro de sua boca, Marina gozou com um longo gemido que Clara prontamente engoliu, sentindo o corpo da fotógrafa arquear contra o seu onda após onda de prazer, até que ela relaxou contra o colchão, arfando e sorrindo para o nada de olhos fechados.

Clara riu da expressão no rosto dela antes de sussurrar-lhe contra os lábios, “Você gosta disso demais, sua safada”, e quando Marina só se dignou a lhe responder com um distraído “Hmhmmm”, Clara atacou seu rosto todo com beijos melosos, até que a fotógrafa grunhiu e tentou se proteger com as mãos.

Mas Clara era incansável nas suas intenções, sempre conseguia o que queria. O que ficou provado quando a fotógrafa finalmente se rendeu ao ataque de fofura da noite e descobriu o rosto com um sorrisinho culpado.

“Começando pelo, hum... décimo da lista?”, disse com um olhar que nada tinha de inocente.

“Décimo?”, Marina demorou uns segundos para recompor suas forças, até que se lembrou do que Clara estava falando, “Ah, você tá inventando isso, né, coisinha?”, disse toda manhosa, suas mãos agora fazendo círculos preguiçosos nas costas da esposa.

“Não, mesmo...”, contestou com aquele sussurro rouco que sempre fazia a fotógrafa morder o canto do lábio inferior, “Meu décimo desejo é que eu seja sempre a única a te beijar assim...”, selou os lábios num beijo suave no canto de sua boca e Marina fechou os olhos com um sorriso trêmulo, “O nono, assim...”, dessa vez Clara sentiu o movimento da garganta da fotógrafa quando ela respirou fundo e engoliu contra os lábios pressionados em sua pele, “O oitavo...”, beijou-lhe o mamilo direito, “... Sétimo...”, Marina estremeceu quando sentiu a pontinha daquela língua provocando seu mamilo esquerdo, “... Sexto...”, sugou um beijo longo de seu abdômen, fazendo Marina arquear na cama, suas mãos agarrando os lados da cabeça de Clara com força, “Ah, o quinto...”, Clara provocou o umbigo perfeito da companheira com um giro de sua língua e riu baixinho do sôfrego ‘Claraaa...’ dela, “... Quarto...”, beijou a pele macia no interior da coxa direita da fotógrafa e a sentiu vibrar sob seu lábios, “... O terceiro...”, repetiu a ação na sua coxa esquerda e sorriu ao ouvir Marina murmurar ‘Hmm, nem pense em pular o segundo...’

Clara nem pensou. Sua boca ávida desceu sobre o sexo molhado da fotógrafa, que gemeu alto na sensação única de ser invadida daquele jeito pela língua de sua companheira. Quando sentiu as unhas de Marina cravando em seu ombro e nuca, seus olhos se fecharam e reviraram no beijo mais íntimo que poderia desejar dar em alguém.

O beijo mais íntimo que era só dela, da sua Marina, que agora gemia e estremecia e rebolava os quadris no seu rosto, perdida para o ritmo da língua quente que pulsava dentro dela, até que atingiu o pico do seu prazer com um grito silencioso, seu corpo suado levantando da cama e pressionando contra a boca que a devorava sem pudor num último espasmo de gozo.

Permaneceram abraçadas na cama por longos minutos depois, Clara com a cabeça recostada no peito de Marina, o único som ouvido no quarto era o da melodia distante tocando na sala misturado ao de suas respirações pesadas. Até que...

“Não tá esquecendo um?”

Clara riu, respondendo sem abrir os olhos, “Esse eu já realizo todos os dias”.

“Ah, é? Me conta, então”, podia ouvir aquele riso safo no tom da fotógrafa.

Suspirou, levantou sua cabeça do peito de Marina e encostou seus lábios brevemente entre os seios dela, então se apoiou nos cotovelos de modo que pudesse fitar aqueles lábios avermelhados por seus beijos, aqueles olhos amendoados que a faziam tremer de tesão, paralisar de medo...

Algum dia deixaria de se maravilhar com a beleza tão crua e ao mesmo tempo tão requintada que era essa mulher? Não, especialmente nesses momentos onde podia enxergar apenas Marina, a mulher, sem facetas ou charadas. Apenas Marina.

Sua Marina.

“Acordo todas as manhãs assim, com você me amando, me devorando sem dizer uma palavra, com seus olhos, suas mãos, sua boca... Como só você consegue fazer...” disse com um sorriso melancólico, enquanto as pontas dos dedos traçavam os contornos do rosto da fotógrafa.

“Só eu faço isso?” Marina a olhava por baixo dos cílios, as pálpebras pesando sobre os olhos. Aquele olhar de promessa que fazia Clara tremer por dentro.

“No jeito que me olha, todas as vezes...”, selou suas palavras com um beijo, sentindo os braços em volta da sua cintura apertar, mas então...

“Escuta...” Marina sorriu e Clara franziu as sobrancelhas, “Adoro essa música! Vem comigo lá fora!”

Subiram até a varanda, Marina completamente nua e Clara usando um robe curto vermelho que apanhou do chão antes de ser praticamente arrastada do quarto ao som dos risos da fotógrafa.

... Kiss me hard before you go, summertime sadness …

Marina parou entre as almofadas e virou devagar, uma expressão que misturava serenidade e êxtase em seu rosto quando estendeu uma mão.

“Dança comigo?”

... I just wanted you to know that baby you’re the best …

Clara respondeu com um sorriso, “Sempre”.

Notas finais
Quando a novela acabar, eu volto. o/