Perchance

10 Paraíso


Notas iniciais
Nota 1: Saudações direto do hell...

DOIS MESES ANTES

Jogou suas chaves e a jaqueta molhada na mesa de centro, chutando os sapatos pra longe no entremeio, aí sentiu aquele arrepio percorrer seu corpo quando se atirou na poltrona mais larga da sala.

Encolheu-se ali num canto, tentando se proteger entre as almofadas. Havia esquecido de como as chuvas de verão podiam ser frias também.

Tinha saído cedo para levar Ivan pra passar o fim de semana com o pai, mas só depois das dez havia conseguido deixar o Leblon pra trás. Nada como um trânsito caótico e um temporal noturno pra tornar sua sexta-feira muito mais interessante...

Ligara pra Marina umas quatro vezes ou mais avisando que se atrasaria, mas o telefone da fotógrafa só dava fora de área ou desligado.

Suspirou tremulamente, agarrando-se a almofada que pressionava contra o peito, recostando o queixo no veludo escuro. Fechou os olhos com força, sentia os dentes baterem, não queria pensar no frio.

Não nesse que sentia por dentro...

Por que Marina não havia atendido? Será que... Não, era só um jantar de negócios e outras pessoas estariam presentes, também.

E talvez a tal reunião nem tivesse acabado ainda, talvez ela nem estivesse em Santa Teresa, talvez o sinal estivesse ruim por causa da tormenta no tempo.

Talvez, talvez, talvez...

Marina não costumava esticar a noite quando saía com Diana – para a eterna frustração da francesa –, mas já era quase meia noite e pelo visto ela ainda não havia retornado já que a casa estava tão silenciosa, as luzes todas apagadas. Podia ter perguntado ao porteiro e... Não. Definitivamente não podia.

Mas também não conseguia parar de pensar naquela mulher a sós com Marina. Não conseguia afugentar de sua cabeça a imagem daqueles dedos longos e delicados passeando pelo corpo da fotógrafa, agarrando-lhe os cabelos, apertando seus seios redondos, arranhando suas costas nuas...

“Marina...”, acordou com um sobressalto, a cabeça ainda girando com os flashes de corpos e intimidades proibidas. Aquele sonho outra vez...

De repente um ruído, os olhos estreitaram na meia luz, um vulto se movia próximo a estante.

Exalou seu alívio quando reconheceu aquela silhueta. Então sentou-se ainda meio zonza, os cotovelos apoiados nos joelhos, mãos esfregando o sono do rosto. Fitou o relógio no pulso, já passavam das três da madrugada.

Clara suspirou outra vez, o rosto agora voltado pra figura que se movia com a sutileza de um felino pela sala, “Faz tempo que chegou?”

“Não muito, mas o suficiente pra perceber que o sonho devia ser bastante... hm, estimulante?”

Soltou um riso curto, nervoso, mais em resignação do que por qualquer outro anseio, “É, talvez...”, murmurou ao vê-la parar pela estante, os dedos deslizando devagar pelos volumes ali até que repousaram sobre a lombada de uma antiga edição encouraçada.

Agora que seus olhos haviam se ajustado a pouca luz no ambiente, Clara podia distinguir os cabelos trançados para um lado do pescoço elegante, a cintura marcada pelo aveludado rubro quase preto do vestido longo que usava, um relance de pernas esculpidas que se insinuavam entre as fendas laterais escandalosas, os saltos um atentado a boa postura...

Ainda assim, os pés pareciam não tocar o tapete da sala, flutuavam fáceis e sedutores como se fosse uma aparição angelical.

Ou demoníaca...

Sim, era um demônio aquela mulher. O mais puro, doce e indevassável deles.

Do seu lugar na poltrona, Clara assistia os passos dela a levarem até a mesa na antessala do estúdio, o calmo folheado do livro nas mãos ritmado pelo chiado da chuva nas vidraças das janelas. Parando por ali, ela virou-se, recostando o quadril na lateral do móvel, uma das mãos alcançando os óculos que repousavam sobre superfície envernizada do seu lado, ajustando-os no rosto em seguida, e então...

“... Tinha-me lembrado a definição que José Dias dera deles...”, começou num tom compenetrado, meio arrastado, “... ‘olhos de cigana oblíqua e dissimulada’. Eu não sabia o que era oblíqua, mas dissimulada sabia...”, seu olhar levantou da página sutilmente, fitando-a de canto antes de retornar para as linhas, “... e queria ver se podiam chamar assim...”, uma pausa, um suspiro, “... Retórica dos namorados, dá-me uma comparação exata e poética para dizer o que foram aqueles olhos de Capitu... ”, podia ouvir o som dos passos que se aproximavam, mas continuou recitando a fala de Bentinho, “Não me acode imagem capaz de dizer, sem quebra da dignidade do estilo, o que eles foram e me fizeram...”, seus olhares então se encontraram encapuzados, e Marina concluiu com um sorriso torto, “Olhos de ressaca? Vá, de ressaca...

“Andou bebendo...”, foi mais afirmação do que pergunta.

A fotógrafa riu, era aquele riso baixo e cínico de quando aprontava alguma coisa, então fechou os olhos com um distraído “Hmhmm” ao colocar o livro, e depois os óculos de lado na mesa.

Quando voltou a abri-los, havia um brilho diferente neles, “Por que? Não posso mais, minha senhora?”, sussurrou-lhe com com sorriso zombeteiro.

Clara respirou fundo uma, duas vezes, os olhos vagando por cada contorno sombreado do rosto a sua frente.

Não sabia dizer se estava mais enlouquecida de raiva ou de tesão naquele momento.

Talvez os dois, e na dúvida...

Um passo e seus corpos estavam colados, bocas em frenesi, dedos que puxavam e desfaziam os pinos nos cabelos, agarravam-se nos ombros, apertando os seios, quadris se movendo num crescendo de excitação incontrolável.

Até que precisou de ar, e só por isso afastou-se um pouco, o suficiente para que suas mãos agarrassem as coxas da fotógrafa para erguê-la sobre a borda da mesa.

“Estava com ela, não estava?”, murmurou antes de morder-lhe o lábio inferior, fazendo Marina gemer na dor prazerosa. A mão esquerda da fotógrafa então se enroscou no cabelo espesso na nuca da companheira, puxando-a para si com força, enquanto os dedos da outra se tropeçavam na fivela do cinto de Clara.

Aquele silêncio, o desespero em seus movimentos, só podia significar uma coisa...

Agarrou o pulso da mulher, mas não o tirou dali. Marina ainda demorou uns segundos pra perceber que Clara havia paralisado entre suas pernas, mas então abriu os olhos, aquele sorriso safo curvando-lhe os lábios morosamente quando provocou, “Se importaria se eu estivesse?”

Sentiu as pontas das orelhas esquentarem ainda mais, o sangue já fervendo nas veias, mas a voz não saiu tão trêmula assim quando ela agarrou os lados da cabeça da fotógrafa para sussurrar-lhe contra os lábios entreabertos, “Cachorra...”, e nessa Marina jogou a cabeça pra trás, aquela risada cínica e baixa ecoando pela sala de novo, até que ela sentiu o roçar de uma língua quente subindo pelo seu pescoço devagar, devagar, devagar, e o riso se tornou um gemido longo, gemido que foi correspondido em seu ouvido, mordido no lóbulo de sua orelha, afogado na saliva em sua pele...

“Sou sua cachorra, sua puta, sua vadia, o que você quiser, mas me tira desse vestido logo...”, pediu com um grunhido manhoso, os dedos repuxando as alças largas para enfatizar sua necessidade.

Clara não pensou duas vezes, os dedos já procurando pelo zíper invisível no lado da fotógrafa, mas então sentiu uma mão no seu peito, empurrando-a de leve, mas afastando-a um passo mesmo assim.

Engoliu em seco ao ver Marina balançar a cabeça devagar com aquela expressão indecifrável no rosto. De repente a névoa do álcool parecia ter sumido, seu olhar agora focado, mais intenso, falava-lhe de coisas impronunciáveis.

“Tira a roupa. E deita...”, disse num tom baixo, descendo da mesa.

Clara ainda hesitou por dois, talvez três segundos, mas por fim obedeceu.

Despiu-se devagar, sob o olhar expectante da fotógrafa, que também se desnudava diante dela no mesmo passo vagaroso.

Abaixou-se para o chão da sala, mas não deitou como a fotógrafa havia instruído. Ficou ali sentada, apoiando-se nas mãos enquanto a assistia se livrar da última peça de roupa.

“Tão teimosa essa minha senhora...”, ironizou, e lá estava aquele olhar de promessa de novo, o sorriso safo no canto da boca quando encurtou a última passada por cima das pernas de Clara, as mãos segurando-lhe os lados da cabeça enquanto descia sobre o colo da esposa, palmas escorregando pelos ombros bronzeados, empurrando, até que ela relaxou contra o tapete.

Fechou os olhos no prazer que sentiu quando o sexo quente e pulsante da fotógrafa deslizou contra seu abdômen, a umidade que escorria entre as coxas dela facilitando os movimentos de seus quadris, para frente, para trás, num contínuo deliciosamente lento, enquanto as mãos dela acariciavam e apertavam os próprios seios.

Com os dedos cravados nos quadris da companheira, Clara só conseguia se concentrar naquela dorzinha gostosa, no latejar molhado entre suas pernas, enquanto Marina continuava seu ritmo despretensioso em cima dela, até que...

“Abre os olhos”

Clara o fez com um suspiro trêmulo. Por um instante, pensou ainda estar sonhando quando aquelas palavras ecoaram nos seus ouvidos, mas a imagem de Marina montando em seu peito, a pele banhada a meia luz e suor, era tão enlouquecedora... Vívida demais pra não estar acontecendo.

Podia gozar naquele instante, só pela visão, pelos sons que Marina fazia, pela sensação úmida e quente na sua pele, na sua língua sendo sugada de dentro da sua boca pelo sexo que se esfregava e pressionava e empurrava contra seu rosto loucamente...

Indevassavelmente...

Se existia um paraíso, esse demônio morava nela.

Na sua Marina.

***

Subiu as escadas ainda um tanto desnorteada. A conversa com Vanessa havia removido uma última barreira em sua mente, refrigerado o espinho doloroso da culpa em sua carne. Sabia que talvez aqueles demônios retornassem para assombrá-la, era quase certo que sim, mas por ora Clara decidiu que iria aproveitar a trégua oferecida por sua consciência.

Abriu a porta, ergueu o olhar, então suas pernas travaram no lugar, o fôlego engasgado na garganta.

Talvez fora o golpe errado de vista, um truque de mau gosto, talvez ilusão de óptica causada pelo jogo de sombras e luz no interior do cômodo.

A imagem mental por si só já lhe roubaria o chão... Não fosse assim tão nauseosa, nítida, real.

Ali, entre o par de pernas longas e torneadas, Marina relaxava suas costas nuas contra o torso de Diana, que estava sentada no lado da cama, recostada na cabeceira.

A mulher cantarolava baixinho o que parecia ser uma canção de ninar em francês, enquanto as pontas de seus dedos desenhavam pequenos círculos nos templos da fotógrafa.

De olhos fechados, mãos entrelaçadas sobre o abdômen, Marina parecia dormir, alheia ao mundo ao seu redor. Estava completamente entregue ao calor daquele toque em sua pele, à melodia familiar que acariciava seus ouvidos.

Quando o choque inicial foi passando, Clara sentiu uma estranha nostalgia no sabor agridoce que tomava conta de sua boca agora. Presa naquele momento suspenso no tempo, não encontrava em si a arrogância necessária para interromper a cena tão íntima que se passava em seu quarto, na sua cama, entre seus lençóis.

Não conseguia sequer pestanejar, apenas ficou ali parada, olhando, a mão que ainda se agarrava ao metal frio da maçaneta sua única âncora na realidade.

“Ela anda tão cansada”, a francesa murmurou baixinho, seus olhos atentos ao subir e descer carregado do peito da fotógrafa, “... tem percebido?”

Que Diana era outra pessoa quando estava assim tão perto de Marina, Clara havia percebido, sim. Que seu tom de voz se tornava mais baixo e íntimo, quase um sussurrar de notas graves e gentis, que o azul gelado de seus olhos suavizava, os gestos ficavam mais comedidos, com aquele toque de cumplicidade que Clara até então não ousara tentar decifrar... Sim, ela percebia tudo isso.

Sabia do passado das duas, da importância que Diana teve e ainda tinha na vida artística de Marina. Mas era essa relevância, essa carga emocional na relação das duas que mais a amargava.

Era notavelmente diferente da relação que a fotógrafa tinha com Vanessa, logo que Clara as conheceu. Na ruiva, Marina havia encontrado uma parceira pra vida, no trabalho, uma confidente. Com Diana, sempre fora essa mistura estranha de cuidado materno e apelo sexual.

Sim, Clara também notava os olhares de Marina para a francesa e não a culpava por isso. Por Deus, a mulher era um chamado aos olhos de qualquer pessoa com o mínimo de libido e apreço pelo feminino.

Mas nunca, nesse quase um ano e meio em que convivera com o fantasma de Diana rondando Marina, ela havia visto as duas assim tão próximas, tão conectadas, nem mesmo durante aquele beijo à beira da piscina.

Esse pensamento a assustava mais, muito mais, e não porque não tivesse esse mesmo tipo de ligação com a fotógrafa, mas pelo fato de Marina não se lembrar disso.

Por que tão pouca memória do tempo delas? Por que Marina lembrava mais da sua relação com Diana, da sua história com Vanessa, e até mesmo com Flávia? Por que só com ela era assim, esse perto tão longe?

Talvez tivesse a ver com o trauma do acidente, a quase cegueira somada aos lapsos de memória, mas talvez fosse o resultado de tudo o que aconteceu depois daquela noite no apartamento de Cadu...

Clara queria acreditar que esse estranhamento passaria, mas vendo as duas mulheres ali, como se bastassem uma a outra e a mais ninguém no mundo...

“Clara? Tá aí?”

Sentiu seu coração parar por um, talvez dois segundos. “Estou...”, murmurou no susto, dando um passo hesitante mais perto.

Marina inspirou profundamente, piscando os olhos devagar, mas não se moveu mais que isso, “Perdi a hora, não foi?”, balbuciou com um bocejinho manhoso.

Clara sorriu. “Não, ainda tá cedo. Vim te chamar pro café”.

“Ah, achei que já tivesse tomado... Será que sonhei?”, disse com um sorriso confuso, franzindo as sobrancelhas.

Diana trocou um olhar preocupado com Clara, então encostou os lábios na coroa de sua cabeça, “Deve ter sonhado, mon chéri”, murmurou contra seus cabelos, antes de beijá-los suavemente.

Clara piscou rápido, fungando baixinho ao virar o rosto pra cena, os olhos queimavam outra vez.

Respirou fundo antes de se dirigir a francesa, “Você pode... ajudá-la a se vestir?”

Viu aqueles dedos pararem instantaneamente nos templos da fotógrafa, vacilando na massagem por alguns segundos antes de retomá-la. Engraçado, a mulher estava na sua cama, com sua mulher seminua deitada entre as pernas, e o mero pedido de Clara fez a francesa olhá-la como se uma segunda cabeça tivesse crescido nela.

Teria mesmo rido da ironia da situação, se não fosse pelo nó que crescia em sua garganta.

Só que nessa a fotógrafa já estava sentando na beirada da cama e retrucou num tom indiferente, “Ainda tenho minhas mãos, Clara. Posso muito bem me vestir sozinha”.

E lá estava de novo, a estranheza súbita, a frieza das palavras, na expressão.

Mas, ainda que fosse dolorosamente frustrante ser tratada dessa maneira pela mulher que amava, a médica havia lhe alertado que essas variações de comportamento poderiam acontecer, principalmente nas primeiras semanas pós-trauma.

Clara só não imaginava que isso a afetaria tanto assim...

Suspirando pesadamente, decidiu deixar pra lá, “Eu sei, Marina. Só queria aju–”, por um triz o termo da discórdia não lhe escapou de novo.

Já frustrada além das palavras, Clara esfregou uma palma na testa com força, os olhos vagueando por qualquer lugar que não fosse o corpo quase nu da fotógrafa que agora tateava seus passos na direção do banheiro, “O café tá na mesa e... Eu vou esperar lá embaixo. Ah, as meninas já chegaram, elas... começaram os trabalhos no set externo”.

A resposta de Marina foi o baque surdo da porta se fechando atrás dela.

Seguiu-se um silêncio pesado, até que a francesa levantou da cama, calçando os saltos e ajeitando de leve o vestido solto que usava, então baixou o olhar enquanto seus passos lentos e calculados a aproximaram da outra mulher.

Quando Diana voltou a olhá-la, o azul nos seus olhos tinha um brilho de simpatia que, pela primeira vez, Clara temia ser genuína.

***

Depois que saíram do consultório, Clara e Marina não trocaram uma palavra.

Vieram o caminho todo assim, em silêncio, um par de olhos embotados perdido nos borrões passando pela janela, o outro atento a estrada e a mão que se agarrava a porta do carro como se intentasse abri-la a qualquer instante.

Incontáveis vezes desde o acidente desejou que tivesse sido ela ali, naquele lugar, naquela mente, naqueles olhos amendoados... Mas esse fardo a vida não a escolheu pra carregar.

E teria aceitado tomá-lo de bom grado, se isso significasse que seu encaixe perfeito continuaria assim, perfeito.

Clara suspirou, lembrando-se das palavras do médico.

Deus, como o destino podia ser tão cruelmente irônico assim?

***

Chovia forte lá fora e as trovoadas anunciavam uma madrugada ainda mais fria por vir.

Vanessa e Flávia haviam dispensado as modelos e passaram a tarde inteira com Marina na área alpendrada da casa, ouvindo a chuva cair entre cobertores e almofadas, jogando conversa fora e rindo dos arroubos da ruiva, enquanto beliscavam um petisco quente e outro preparado pelo casal.

Depois que se despediram, à tardinha, Marina havia tateado seu caminho para o set externo, trancado a porta, e lá permanecera até agora.

Já eram quase três da manhã...

Clara havia assistido a despedida das amigas do seu lugar seguro atrás do vidro da janela do quarto, onde passara a maior parte do tempo fingindo trabalhar e não ao mesmo tempo. A verdade é que já havia finalizado sua parte na organização da exposição, que devido ao acidente de Marina acabou sendo adiada para o final do outono, mas queria tanto, tanto que tudo saísse perfeito para o dia tão esperado...

Marina havia trabalhado duro pra trazer os olhos do mundo pra essa exibição, se dedicara como nunca na concepção da arte, da ambientação, e o que dizer das fotos... Estavam de uma expressividade ímpar, de uma sutileza que superava todos os seus trabalhos anteriores, o que só evidenciava a capacidade natural de Marina para reinventar-se sempre, recriar-se nos mais áridos e inesperados dos cenários.

Mas agora, diante da impossibilidade de apreciar sua própria obra por completo, Clara havia tomado para si a responsabilidade de fazer dessa exposição um marco, o início de uma nova fase na carreira e na vida da fotógrafa.

Porque ela sentia que ia passar, que isso tudo ia acabar um dia.

Mas enquanto essa tempestade ainda durasse, Clara só cultivava uma certeza.

Ia fazer com que a melodia triste que agora dançavam sob a chuva fria de outono se tornasse a lembrança mais que perfeita para sua Marina.

Notas finais
Até a próxima... o/