Notas iniciais
Nota 1: I've got that summertime, summertime sadness...

Acenou com a cabeça devagar, ainda atordoada. Foi a única reação que conseguiu ter ao ver Cadu ali, parado diante dela, olhando-a daquele jeito.

A expressão no rosto dele era uma que Clara reconhecia muito bem, era aquela estranha mistura de cautela e euforia que o acometia sempre que se viam. A mesma expressão, todas as vezes, desde aquela noite... Mas havia algo novo em seu olhar agora, sinais silenciosos que Clara temia, não queria decifrar. Porque Cadu não as visitava, nunca. Nem quando o Ivan estava. E quando vinha trazer o filho se limitava a deixá-lo na guarita e dali mesmo se despediam. Para ele ter vindo até Santa Teresa, tocado a campainha da casa de Marina Meirelles e esperado ser atendido, alguma coisa muito, muito fora do comum devia estar acontecendo.

“Cadê o Ivan?”, foi o primeiro pensamento que lhe veio à cabeça.

Quando o ex-marido não a respondeu e o silêncio se prolongou entre eles, sentiu o frio no estômago aumentar inconfortavelmente.

Percebendo a ansiedade crescente da mulher, ele desviou o olhar por um instante antes de falar evasivamente, “Na casa da Helena. Não se preocupe, ele tá bem”.

O rosto de Clara visivelmente relaxou, ainda que só por um momento.

“Entra”, murmurou e deu um passo para o lado, segurando a porta aberta.

Sentia-se desconfortável em sua própria pele quando passou pela soleira daquela porta. Foi entrando e esse desconforto se tornou ainda mais infectante, era quase como se o pudesse respirar no ar. Lembrou-se da última das poucas vezes em que esteve nesse lugar, anos atrás, frente a frente com a dona desta... aparência de lar. Para Cadu, tudo ali era território inexplorado, e por isso mesmo muito perigoso. Seus olhos iam fitando os cantos mais sombreados do ambiente como se esperasse ser atacado a qualquer momento. Pelo quê? Até aquele momento não sabia ao certo, e talvez nunca soubesse. Sentia-se assim e ponto.

Clara encostou a porta, mas não a fechou completamente, então respirou fundo antes de virar. Mais que isso não se atreveria a fazer por enquanto.

E, qualquer coisa, a saída estaria destravada.

De sua distância segura ao lado da porta, ela observava o ex-marido caminhar como quem pisa em gelo fino, ou em brasas, as mãos enfiadas nos bolsos da calça, os ombros tensos. Era estranho, muito estranho vê-lo assim tão perto das câmeras e livros de Marina, olhando para os objetos dela como se quisesse fazê-los dele.

“Liguei várias vezes... Por que não me atendeu?”, disse ao virar para encará-la, a voz estranhamente calma. Seu olhar agora transpirava certa arrogância típica dos homens. Especialmente homens como Cadu: atraentes, e que sabiam disso.

“Primeiro, não estou gostando desse seu tom”, Clara deu um passo pequeno à frente, cruzando os braços antes de concluir secamente, “E segundo, ficamos combinados de você trazer o Ivan hoje, lembra?”

Cadu soltou um riso curto e meneou a cabeça, “Tanto faz. Não foi pra isso que vim, mesmo”.

Os olhos de Clara se estreitaram por um segundo, todo esse ar de superioridade do ex-marido intrigando mais do que incomodando agora.

“O que você quer, Cadu?”

“Quero saber quando você vai parar de fingir que isso aqui”, abriu os braços para demonstrar seu ponto de vista, “... é natural. Quando você vai cair em si e perceber que esse não é o ambiente ideal pro nosso filho crescer?”

Lá estava ele, o ‘bom e velho Cadu’.

Clara gargalhou alto, espalmando uma mão no rosto e balançando a cabeça para as palavras do ex-marido. Algumas coisas, definitivamente, nunca mudariam.

“Meu Deus... Você é inacreditável, sabia? Em que mundo você vive, cara?”

“Não nesse seu mundinho, com toda certeza”

“Escuta aqui, Carlos Eduardo!”, já estava cara a cara com o ex-marido e com um dedo levantado pro seu rosto, que agora exibia um sorrisinho enervante no canto dos lábios, “Pela última vez: essa é a minha vida! Eu não vou admitir que você–”, suas próximas palavras foram engolidas pela boca voraz que pressionava contra a sua, enquanto mãos e braços firmes lhe agarravam pelos ombros e cintura.

Clara se debatia nos braços dele, mas o ex-marido não lhe dava muito espaço, pressionando-se contra ela avidamente. Somente quando passou a golpeá-lo no peito com os punhos cerrados ele a soltou, ofegante e ainda sorrindo com aquele ar de satisfação insuportável.

Havia provado seu ponto, ou assim ele desejava acreditar.

“Que é isso? Tá louco?!”, gritou indignada e logo esfregou as costas da mão direita contra os próprios lábios. Sentia seu estômago revirar e, o pior, não sabia se isso era um bom ou mau sinal.

“Acho que cheguei na hora... errada?”, uma voz grave e aveludada soou pela sala.

Alarmada, Clara virou de uma vez e deparou-se com a dona daquele sotaque ainda mais insuportável adentrando em sua casa sem maiores cerimônias.

A francesa se aproximou devagar, todo tempo a olhando com aquele sorrisinho irônico que falava volumes, e então se dirigiu a terceira pessoa na sala.

“E você, quem é?”, o olhou de cima a baixo, um brilho predatório nos seus olhos azuis claros.

Podia piorar?

Cadu abriu seu melhor sorriso, devolvendo o olhar lascivo da francesa, “Eu que pergunto...”

Diana sorriu.

Depois disso, Clara achava que não podia.

Até que o telefone que mal usavam tocou...

***

“Espera. Volta...”, inclinou um pouco a cabeça para o lado, os olhos estreitando atrás das lentes embaçadas como se procurassem o indecifrável. Até que encontraram. “É essa”.

Essa? Tem certeza?”, a ruiva questionou com uma careta, seu olhar escaneando a imagem refletida no painel a sua frente, “Não gostei. Não tem a sua...”, virou-se para a fotógrafa, que continuava a bebericar seu café despreocupadamente. Ali, relaxando em sua poltrona favorita, pernas cruzadas, as mãos acalentando a xícara próxima a boca, Marina não parecia se importar com a visão que estava proporcionando a outra mulher. “Err, Marina, meu anjo? Você podia, hum, pelo menos vestir uma roupinha mais... aconchegante? Tá ficando frio, muito frio mesmo aqui”, observou vagamente, mas engoliu em seco com o olhar que a fotógrafa lhe deu.

“Ai, Vanessinha, para de ser chata. Vai, me diz, por que você não gostou da foto?”, sua voz era um ronronar baixo, compenetrado. Pelo tom arrastado, Vanessa já imaginava a quantidade de álcool antes daquele café.

E, óbvio, para qualquer outra pessoa aquele comentário soaria como distraído, desinteressado, ou estritamente profissional, mas Vanessa a conhecia muito bem para não distinguir uma intenção da outra.

“Não tem sua marca, sua leitura”, deu um passo na direção da fotógrafa, “Não consigo enxergar sua essência ali”, outro passo e os olhos de Marina finalmente deixaram o screen. Fixaram-se na mulher que se aproximava devagar, um sorriso conhecido acentuando seus lábios.

Marina descruzou as pernas, levantou, os passos a levando preguiçosamente, como quem nada espera e tudo urge. Colocou a xícara vazia sobre a mesa ao parar por ali. Era mesmo uma visão ímpar naquela lingerie branca delicada e escandalosos quinze centímetros de salto que usava.

E, claro, os óculos...

Vanessa sentiu um tremor familiar percorrer todo seu corpo quando Marina encurtou o espaço entre elas para meros centímetros, mas não se deixou intimidar, mesmo que seu sorriso agora vacilasse um pouco.

Marina exalava uma sensualidade tão crua e ao mesmo tempo tão elegante naquele momento, sua pele banhada em tons alaranjados e contornos escuros pelos últimos raios de sol que se filtravam pelas vidraças. O jeito que andava, aquele sorriso safo no canto dos lábios, os olhos encapuzados... Ainda mexia com Vanessa. Mexia muito.

Até mesmo a pretensão do frio desaparecera. Já o arrepio em sua pele? A ruiva não tinha dúvidas do que, ou mais precisamente quem estava causando.

A fotógrafa estava diante dela e apenas a linha tênue da razão as separava ali, mas uma expressão diferente começava a se delinear nos rostos das duas mulheres agora. Marina, como se quisesse falar alguma coisa, mas lhe escapavam as palavras certas. Vanessa, como se as palavras erradas lhe sobrassem, por isso agarrou-se ao silêncio.

Silêncio que durava e tornava aquela linha mais espessa entre elas, quando Vanessa fez menção de retirar-lhe os óculos.

Com um aceno, Marina consentiu o gesto da amiga, seus olhos se fechando por um segundo ou dois quando as pontas dos dedos da ruiva roçaram fugazmente nos lados do seu rosto.

Vanessa colocou os óculos sobre a bancada, em cima de um livro.

O silêncio se estendeu por mais alguns segundos enquanto ambas se olhavam, se examinavam, procurando por respostas que sabiam não possuir, mas insistiam em querer encontrar uma na outra.

Quando a fotógrafa finalmente encontrou sua voz, tudo o que saiu foi um estrangulado “... me abraça?”

E Vanessa a abraçou, emergindo do quase transe em que a presença tão próxima de Marina havia lhe induzido. Abraçou-a com toda a devoção, desejo e medo que sentia por essa mulher. Sim, medo. Porque Vanessa tinha Flávia. E, embora seus sentimentos pela outra mulher só crescessem a cada dia, sempre soubera, e naquele instante essa realização a atingiu com uma força tão esmagadora que sentiu seu corpo estremecer violentamente: não conseguia negar nada, absolutamente nada a Marina Meirelles.

Se isso não era amor, não sabia que nome dar.

Um nó que era um misto de raiva, angústia e empatia formava-se em sua garganta quando notou o choro engasgado da fotógrafa, que agora aninhava seu rosto na curva do pescoço de Vanessa, suas mãos repousando delicadamente nos quadris da ruiva.

“Shh, Shh...”, soprava repetidamente contra os cabelos da fotógrafa enquanto os acariciava, sua outra mão fazendo movimentos circulares longos nas costas nuas e quentes de Marina. “Eu estou aqui, sempre. Pra o que você precisar”.

“Eu sei, obrigada...”, as lágrimas agora eram evidentes na voz da fotógrafa. Por um triz Vanessa não se deixara levar somente pela raiva ali, mas resistiu, porque só poderia haver um motivo para isso estar acontecendo. Um motivo que atendia pelo nome de Clara.

E Clara era intocável para Marina.

Suspirando sua imensa frustração, Vanessa apertou seus braços em volta dos ombros de Marina para não despejar todas as palavras erradas que estavam fervilhando na ponta da sua língua naquele momento.

“Me desculpa, Van...”

“Desculpa? Pelo quê?”, disse, confundida, e se afastou um pouco para capturar o olhar da amiga. Mas o que viu naqueles olhos fez Vanessa enrijecer imediatamente, “Meu Deus, Marina... Olha o que fizeram com você...”, exalou as palavras com pesar, suas mãos agora acariciando o rosto que um dia lhe trouxera tanta paz, tanta inquietação... Era como se, inexplicavelmente, uma espécie de luto a tomasse ali. Luto por todas as coisas que vira murchar e morrer, e pelas coisas que vira florescer na mulher diante dos seus olhos.

Coisas que não eram mais suas para apreciar, talvez nunca tivessem sido...

Percebeu a fotógrafa abrindo a boca uma, duas vezes, mas nenhum som saía. Seu olhar parecia mais perdido do que fixo na luz que vinha de trás do ombro da ruiva.

“Você tá começando a me assustar. Fala comigo, qualquer coisa, mas fala...”, agarrou os braços da fotógrafa e a sacudiu com certa força, fazendo com que a mulher voltasse a encará-la. “Me diz o que posso fazer... pra te ajudar?”

Minutos se passaram enquanto a ruiva aguardava por uma palavra que não veio. Talvez porque Marina não quisesse, talvez nem pudesse lhe oferecer uma, e a demora sempre fazia Vanessa resmungar. Agora para si mesma. Mais uma vez se autocensurando, por mais uma tentativa em vão de trazer algum brilho aos olhos de Marina. Mas então...

“Eu vi”

Seu tom seco fez Vanessa piscar, apreensiva.

“Viu... o quê?”, perguntou devagar.

Marina fechou os olhos por um instante e suspirou pesadamente, parecia tentar exorcizar de sua mente a imagem do que quer que tivesse visto. Então levou as mãos ao rosto e esfregou as palmas contra suas bochechas, num gesto indiferente à umidade que encontrou ali.

Vanessa conhecia aquele movimento de outras datas, sabia que nada de bom poderia vir depois daquilo e prendeu a respiração.

“Clara e Cadu”, disse seus nomes, mas soavam vazios de emoção, “... juntos”.

O baque daquele ‘juntos’ fez a ruiva expulsar todo o ar de seus pulmões de uma só vez.

O que a fotógrafa acabara de lhe dizer a tirou dos trilhos por longos segundos, já Marina parecia só fisicamente naquele espaço, os pensamentos vagando por lugares perigosos, muito longe dali.

Com os olhos arregalados quase que comicamente, Vanessa balbuciou as únicas palavras coerentes que conseguiu articular diante da situação, “Mas... Não, Marina. Você deve ter se enganado, ou sei lá! A Clara te ama. Pensa, ela deixou um casamento de dez anos, largou o marido pra ficar com você, e– e vocês estão casadas agora, pelo amor de Deus! Por que diabos ela iria... Isso é– Não, ela não faria uma coisa dessas! Seria muita... burrice, maldade... Não mesmo, Marina!”

Silêncio. E mais silêncio. Até que Marina meneou a cabeça, voltando a si.

“Ontem a noite, na frente do prédio dele, ela...”, a fotógrafa sibilou e de repente agarrou os lados da cabeça da amiga, a puxando mais perto, tão perto que Vanessa sentiu as próximas palavras de Marina queimando em seus próprios lábios, “Eles se beijaram, Vanessa!”

***

“Vanessa!”, praticamente gritou o nome da namorada, assustando-a fora do seu devaneio.

Já havia perdido as contas de quantas vezes a chamara nos últimos cinco minutos. Vanessa não movera um cílio sequer em nenhuma de suas tentativas desde que retornaram para o carro quinze minutos atrás, quando Flavinha assumiu o volante e tomaram a rota do hospital indicado por uma das paramédicas que atendiam a ocorrência na rodovia.

Não poderia julgá-la por seu estupor, afinal.

Se a imagem horrível de Marina sendo carregada naquela maca às pressas para dentro da ambulância, as portas brancas se fechando sem mais um segundo de explicação, não lhe saía da cabeça por um instante, Flávia só podia imaginar o que se passava na mente da namorada nesse momento. Vanessa era, se não a única, uma das pessoas mais próximas à Marina. Pensando bem, talvez ela tenha sido mesmo a única família que a fotógrafa conheceu durante muito tempo.

Mas quando a viu saltar do carro daquele jeito, correndo para o meio daquela rodovia tomada pelo caos de sirenes, veículos e corpos mutilados, Flávia sentiu como se seu coração fosse parar de bater ali mesmo.

Policiais tiveram que conter Vanessa para que não atravessasse as faixas de isolamento porque seus braços mal conseguiam segurá-la enquanto a agarrava pela cintura.

E no fim daquela visão literal do inferno, quando finalmente conseguiu fazê-la sentar no carro, travando logo o cinto no banco só pra garantir, ela procurou algum resquício daquela mente afiada no olhar da ruiva e não encontrou. Percebeu que já não havia mais o fogo do desespero lá, também. Apagara simplesmente, deixando no lugar as lágrimas secas no rosto pálido e a mudez na voz. Essa mesma mudez que estava sendo direcionada para ela agora.

“A gente tem que avisar... a Clara”, disse, os olhos alternando entre a estrada e os da namorada, "E o Diogo..."

Vanessa fungou baixinho, seu olhar então voltou a se fixar no vidro fosco da janela.

“Minha bateria acabou”, murmurou para o vidro.

“Pega o meu, tá no porta luvas”, mas a ruiva não se moveu ou falou qualquer coisa, obrigando Flavinha a tirar o olhar do tráfego novamente, “Vanessa? O celular tá no porta luvas”, repetiu um tanto impaciente.

Só então, depois de um suspiro exasperado, a ruiva abriu o compartimento e alcançou o aparelho. Olhou para a pequena tela retangular que se iluminava ao seu toque e viu que já se passavam muitos minutos das dezoito horas.

“Como eu vou dar uma notícia dessas por telefone, Flávia?”, disse com uma exalação.

“Pior se eles ficarem sabendo pela mídia, não acha?”, replicou vagamente enquanto trocava a marcha, olhos agora fixos no tráfego.

Tinha que concordar dessa vez. Não ia demorar muito pra isso estar em todos os telejornais e redes sociais.

Com outro suspiro pesado, Vanessa realizou a chamada.

Esperou. Esperou. E esperou.

“O da Clara só dá caixa postal...”

“Tenta o fixo”

Viu de relance a ruiva fazer uma careta. Em quase uma hora, esse foi o primeiro sinal real de que sua psique estava intacta. Até agora, pelo menos.

“Ninguém usa aquele telefone”.

“Liga logo, Vanessa!”, vociferou, enquadrando-a com os olhos por um instante antes de voltar sua atenção pra estrada. Sentia os nós dos dedos doer com o aperto que mantinha no volante.

Essa foi das raras vezes que presenciara Flávia demonstrar qualquer reação mais intensa, e ainda que sua explosão fosse totalmente compreensível por toda a situação, aquele olhar já dissera tudo que Vanessa precisava saber.

Novamente, discou e esperou. Um, dois, três toques, no quarto prendeu a respiração.

“Clara? Err, tá... sozinha?”

Flávia lhe lançou aquele olhar de novo e Vanessa revirou os olhos em aflição.

Vanessa? Oi! Ah, eu... Onde você tá? Tá com a Marina?”, uma pausa, “Se estiver, fala pra ela– Não, não! Passa o celular pra ela, por favor?

Estranhou a agitação na voz da outra mulher. Por um ou dois segundos tensos pensou que talvez Clara já estivesse sabendo do ocorrido, mas não da sua possível gravidade.

“Eu... Não. Não estou. Eu, hum... Flavinha tá aqui comigo, a gente tá...”, sua voz engasgou ali, sumiu.

Deus, como iria falar isso por telefone?

Vanessa?

Respirou fundo e fechou os olhos com força antes que as lágrimas pudessem escapar. Não adiantou.

“É sobre a Marina...”

O que tem a Marina? Onde ela está?

Vanessa só encontrou forças para continuar falando quando olhou nos olhos úmidos que a fitaram naquele instante.

“Aconteceu um... acidente. Estamos a caminho do hospital e... Mas olha, não se preocupa”, acrescentou rápido e fungou, forçando um riso que não soou genuíno, “ainda não dá pra dizer como ela está, mas a paramédica confirmou que ela estava consciente na... ambulância... ela vai ficar bem...” já não conseguia mais conter o choro, sua mão tremia segurando o aparelho contra o ouvido, “Clara? Clara, tá me ouvindo?”

Do outro lado da linha só havia silêncio.

Notas finais
"Dança comigo?" Clara respondeu com um sorriso, "Sempre".