Percepção Desconhecida
2 A consciência se modula
Abriu os olhos e estava num todo, onde aparentavam ser folhas crescidas. Tudo era da mesma cor, tudo era rígido. Tudo era a mesma cor, inclusive ela. Ouvia o barulho daquilo que era o ´´fim´´, mas fora daquela estrutura rígida.
Tinha coisas em seus pulsos. Resolveu mordê-las. O gosto era o mesmo daquilo que soltava quando ficava com dores. Era, se ela soubesse, de gosto metálico, como o ferro que havia no sangue dela. Mas por qual motivo a descrição está mudando? Pela mudança de ar que era junta do reflexo dela, de uma cor diferente. E isso era muito novo para ela. A cabeça estava mudando por quê? O quê era cabeça?
Ele andava de um lado para o outro, era quase como se batesse naquela estrutura de tão apertada. Grunhia e grunhia de formas diferentes, parecia quente como aquilo que a iluminava nas tardes sem medo, mas também parecia com ela quando ingeria o que achava na floresta, a animação.
Ele encostou nas extremidades de suas pernas e a puxou. Ela estava com medo, freneticamente mudava sua cor. Ele tirou algo não muito parecido com o que ela tinha, no mesmo lugar, do nada. Ele tinha aberto algo em si mesmo e tirado aquilo. Ele estava esfregando aquilo na frente dela, ela se sentia muito quente, como as tardes de quando não haviam medo. Mas como pensar tudo isso, se a cabeça era vazia? E como estava quente, se havia medo? O que era aquilo? Apreensão? De onde vinha aquilo tudo? Ele estava a chacoalhando, mas ela não conseguia sair de sua cabeça. O que era tudo aquilo? A apreensão estava a matando.
Ele parou de sacudi-la com as mãos e mostrou de novo o que tinha. Ele abriu a roupa e colocou seu falo ali, escondendo-o contra a vontade do mesmo. Mas como ela sabia disso? Ela estava exausta, cansada, parcialmente demolida. De novo, o que estava acontecendo? Como essas palavras faziam um pouco de sentido, sem ela entender? Ela não pensava, estava pensando? Era o que ela imaginava, apenas.
Ele esbofeteou-a no rosto, ela ficou da cor das frutinhas que comia. Espere, frutas? O quê? Ah... A raiva com tantas dúvidas estava a consumindo, o medo estava indo embora. Ela ficava cada vez mais rubra, ao invés de arroxeada. As cores tinham nome?
Ela estava interessada em sair de lá o mais rápido possível. As cores eram muito importantes, mas enquanto pensava, só via seu corpo se mexendo para sair o mais rápido que podia, ela pensava não estar prestando atenção, mas prestava. Mas os homens estavam entrando de novo, eram vários deles e apontaram para ela muitos gravetos entrelaçados... seria uma besta? Mas...
Só sentiu-se a flecha, novamente, transpassar-lhe o corpo.
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