Percabeth - I Knew You Were Trouble
7 Capítulo 6
Notas iniciais
Mantive os olhos fechados, tentando me concentrar novamente no que estava acontecendo.
Percy havia me beijado, sem a menor hesitação. Mesmo sabendo que mal nos conhecíamos, mesmo tendo uma namorada. Eu sabia que, se não me afastasse, seria apenas mais uma. E o pior era que ele não dava a mínima pra isso.
Eu me afastei dele gentilmente e o encarei. Nos seus olhos havia apenas divertimento. Me lembrei do que ele dissera antes do beijo. "Eu posso fazer o que eu quiser". Desviei os olhos dele, envergonhada.
–Percy, eu tenho pena de você.
–Hã? — Perguntou, confuso.
Eu me ajeitei no galho, já pensando em como iria descer daquela maldita árvore. Infelizmente, percebi o quanto estávamos no alto, de novo.
Suspirei.
–Você me pareceu tão esperto da primeira vez que eu o vi. — Comecei.- Mas você é tão lerdo pra perceber que, sim, você pode fazer o que quiser. Mas isso também vai afetar as outras pessoas. E no final, bem... Você não vai mais ter ninguém.
Segurei firme no galho e comecei a escalar pra descer, agora menos envergonhada do que antes e mais com medo de cair. Enquanto isso, Percy tentava digerir minhas palavras, numa expressão que eu não consegui decifrar.
Quando finalmente cheguei ao chão, ofegante, olhei pra cima. Percy me encarava com curiosidade.
–Você já parou pra pensar, — Falou. — Que talvez eu não ligue pra ninguém?
Eu o encarei.
–Então isso é problema seu. — Respondi, seca. Comecei a andar de volta pra saída do parque.
–Annabeth! — Gritou. Eu continuei andando. — Espera!
Ouvi ele descer da árvore e correr em direção à mim. Ele segurou meu braço e me virou de frente pra ele.
–O que foi?! — Explodi. — Por que não em deixa em paz, Jackson?
Ele olhou pro chão,desapontado, ainda segurando o meu braço.
–Eu.. Eu não consigo. — Seus olhos verdes me encararam. — Você.. Não sabe de nada, Annabeth.
Eu o fitei, cética.
–Como é?
Seu olhar tornou-se frio, de repente.
–Você tem o quê, dezesseis? Tem algo que se orgulha de ter feito? Ou algo que se arrepende? Não, você não tem nada. Você é vazia por dentro. Você sabe que em toda a sua vida, você terá essa sensação de que não viveu o suficiente. Como eu já disse, você é extremamente monótona. — Eu mordi o lábio, quieta. Ele continuou, sorrindo, mas ainda com o olhar frio como gelo: — Então, não venha me dizer que sente pena de mim, Annabeth. Eu é que sinto pena de você. Além do mais, você também não liga pra ninguém. Nem para seus pais, nem pros únicos amigos que você fez nessa escola, e muito menos pra mim. Você é tão podre quanto eu.
Eu abri a boca para dizer algo mas não consegui pensar em nada. Assustada, eu percebi que era pura verdade. A única razão de eu me importar de Percy ter uma namorada era a minha ética e não os sentimentos de Cally. Eu não dava a mínima pra ninguém daquela escola, por mim, todos eles iam à merda. Eu só queria conseguir as malditas boas notas pra sair dali. E meus pais... Desde que eles haviam me colocado nessa escola eu praticamente não me comunicava com eles, por vingança. Eu parecia uma criança mimada. E talvez eu fosse.
Nesse momento percebi o quanto fora egoísta de tantas formas.
Meu rosto ficou quente, sinal de que eu iria começar a chorar. Me virei de costas para Percy, e engoli o choro com força, como eu sempre fazia. Ninguém nunca precisou saber o quanto eu estava mal.
Tentei continuar a andar mas Percy mantinha um aperto firme no meu braço.
–Será que dá pra me soltar, Jackson? — Falei, tentando manter a voz firme.
Ele continuou segurando.
–Ah.. Então você é daquelas que tentam parecer fortes o tempo todo. Interessante. — Ele sorriu.
–Percy, você mal me conhece. Não pode deduzir tudo isso, sendo que eu nunca lhe dei nenhuma pista! — Fiz ele largar meu braço. — Você não sabe nada sobre mim!
Ele continuou me avaliando com o olhar.
–Muito pelo contrário. Você acaba de confirmar todas as minhas suspeitas. — Ele jogou a cabeça pra trás, rindo. Eu o encarei, incrédula. Aquele garoto não tinha alma, rindo enquanto eu estava prestes a chorar. Ou será que eu só estava acostumada às pessoas passando a mão na minha cabeça, preocupadas?
Bem, ele não era assim. Ele era exatamente o contrário.
E isso me irritava mais ainda.
Ele me pegou num abraço apertado do qual que não conseguia sair.
–Me solte! — Bati no seu peito, tentando sair. Seu rosto estava perto do meu novamente mas desta vez eu sentia vontade de socá-lo.
–Annie, você pode não ter percebido isso, mas somos muito mais parecidos do que você pensa. Nós dois somos desprezíveis. — Ele deu um sorriso torto.
Eu o encarei e dei um pisão no seu pé. Percy gritou e me soltou, segurando o pé com as duas mãos.
–Agora, se me der licença... — Saí correndo com uma última visão dele, caído no chão, segurando o pé e me olhando com raiva.
* * *
Cheguei em casa tarde, completamente exausta.
Depois de ter saído do parque, eu ficara passeando pelo bairro até achar um starbucks, onde sentei pra tomar um café.
Quando eram cinco horas, alguns alunos da minha escola começaram a passar na frente do café, voltando pra casa. Tentei esconder o rosto com o cardápio, para que nenhum deles me reconhecesse e perguntasse onde eu estivera a tarde toda. Mas é claro, não deu certo.
–Hey.. Annabeth, certo? — Eu ergui os olhos do cardápio. Na minha frente estava um garoto alto, forte e extremamente bonito. Tinha um olhar confiante e cabelos loiros meio bagunçados pelo vento e vestia uma regata preta, uniforme do time de basquete da escola. Ele estendeu a mão pra mim. — Sou Luke. Muito prazer.
–Oi, Luke. — Respondi com uma voz aguda demais, corada, pois ao invés de sacudir minha mão, ele delicadamente a beijou como um cavalheiro.
–Não te vi na escola hoje. — Ele se sentou na cadeira à minha frente.
–Ah, sim... Eu fiquei correndo de uma lado pro outro, tinha muitos deveres pra entregar... — Menti descaradamente.
–É, grande parte do dia é assim. — Ele riu. — Então, o que está achando da escola?
–Ah, é... Ótima. As pessoas são muito amigáveis. — Lembrei de Rachel e Percy. Irônico.
–Jura? — Luke sorriu. Era um sorriso daqueles que te fazia sorrir também. — Annabeth, me conte mais sobre você. Todos andam falando da aluna nova e eu quero saber um pouco da fofoca também.
Ele riu, me fazendo rir junto.
Ficamos conversando pelo que pareceram minutos mas quando eu olhei o céu, já escurecia. No momento que ele me contava sobre o time de basquete, perguntei:
–Que horas são?
–Quase sete. — Luke respondeu, decepcionado. -Desculpe Annie, eu preciso ir. Foi um prazer conhecê-la.
Ele se levantou e me abraçou, gentilmente. "Annie". Eu gostei de como soava na voz dele.
–Quem sabe poderíamos tomar outro café algum dia. — Ele sorriu e beijou a minha mão novamente como um gesto de despedida. Eu corei violentamente, de novo.
–É. Quem sabe.. — Eu me afastei gentilmente e o deixei ir embora.
Cara, ele era tão fácil de conversar. E eu havia me divertido com ele. Gostei de Luke. Era completamente o oposto de Percy.
Chamei um táxi e fui pra casa. Quando abri a porta, meus pais me olharam irritados pelo atraso mas eu simplesmente dei a desculpa de que tivera aula extra.
Subi para o meu quarto e desabei na cama. Céus, aquele tinha sido um dia e tanto.
Coloquei meus pijamas e me afundei no edredom, quase dormindo imediatamente.
Quase. Até meus pensamentos vagarem para Percy Jackson.
E se ele estivesse certo? E se fossemos tão parecidos assim? Eu não conseguia admitir que eu era uma pessoa tão desprezível, mas eu sabia que eu não era uma boa pessoa também.
Bem, deixe pra lá. Pensarei nisso amanhã.
Fechei os olhos e naveguei para o mundo dos sonhos.
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