Percabeth - I Knew You Were Trouble
8 Capítulo 7
Notas iniciais
Sábado.
Não acredito. Finalmente, um pouco de descanso.
Abri os olhos e me espreguicei debaixo dos cobertores, extremamente feliz. O vento soprava suavemente das cortinas vermelhas do meu quarto. Minha mãe deve ter aberto as janelas.
O relógio no criado mudo já indicava que era mais de meio dia. Esfreguei os olhos e sentei na cama.
Céus, ontem foi um dia e tanto. Depois de tudo que acontecera entre mim e Percy, eu não sabia o que esperar quando o encontrasse de novo. O que seria na segunda. Argh. Odeio segundas.
Tirei os pijamas e fui tomar um banho de banheira extremamente relaxante. Coloquei sais de banho com aroma de rosas, prendi o cabelo em um coque e coloquei uma música leve de minha banda favorita pra tocar, e resolvi relaxar um pouco na banheira.
Pelo que pareceram minutos depois, alguém bateu à porta.
–Annabeth, Está tudo bem aí? — A voz da minha mãe perguntou. — Você está aí a mais de uma hora..
–Tudo bem Victoire.. — Uma hora? Cara, eu precisava mesmo relaxar.. — O que foi?
–Porque você não me avisou que ia ter visita? Não preparei nada pra vocês comerem..
Espera aí.
Visita?
Ah, não.
Visita.
Só podia ser ele. Era o único que sabia onde eu morava.
–Você tem razão, eu fui errada em não te avisar... Pode expulsar ele daqui. — Tentei falar casualmente, por mais nervosa que eu estivesse.
–Annabeth Chase, não seja grosseira com o garoto. Vou mandar ele esperar no seu quarto até que você se troque aí. Você tem 5 minutos. — Minha mãe ordenou, severa. Ouvi seus passos saindo do quarto, e afundei completamente na banheira, frustrada.
Será que ele não tinha mais nada pra fazer além de me perseguir? Como ele ousa arruinar o meu sábado?
Levantei da banheira e me enxuguei, desanimada. Parei, em frente ao espelho e me apoiei na pia. Mas afinal, o que é que ele queria?
Olhei em volta do banheiro, procurando minhas roupas.
Droga. Eu tinha deixado no quarto. É claro, não pensei que ninguém ia aparecer na minha casa para me atormentar. Céus, e agora?
Enrolei a toalha branca o mais forte possível no corpo, e saí para o meu quarto. Corri rapidamente atá o guarda-roupa, e estava pegando as primeiras peças que achava, quando o ouvi.
–Oi.
–AAH! — Me virei. Lá estava ele, sentado na minha cama, parecendo confortável, como se fosse a sua própria casa. — O que está fazendo aqui?!
–Te esperando. — Ele deu de ombros. — Seus cinco minutos já passaram, sabia?
É, eu realmente havia enrolado no banheiro. Mas.. Aquele era meu quarto! Não era pra ele ter entrado assim, Eu não havia me trocado ainda, e...
Eu não havia me trocado ainda.
Ah meu deus.
Segurei a toalha com força, só agora percebendo o quanto ela era curta. Percy olhava para minhas pernas, com uma sobrancelha erguida e um sorriso bobo no rosto.
–Vire pra lá! — Gritei, desesperada. — Eu não terminei de me trocar!
Ele se virou, rindo, mas eu percebia que ele ainda me observava pelo canto do olho. Agarrei as minhas roupas e corri para o banheiro.
Quando eu saí, agora mais calma e vestida, minha mãe estava no quarto.
–Percy, desculpe, Annabeth não me avisou que você vinha.. — Ela entregou uma bandeja à ele, com dois pratos. — Bom, fiz alguns sanduíches pra vocês, se você quiser..
–Obrigado senhora Chase. Eu não deveria ter aparecido assim, mil desculpas. — Percy falou, completamente formal, me fazendo arregalar os olhos. — Esse sanduíche parece estar ótimo!
–Ah, que ótimo. Então.. Divirtam-se. — Minha mãe olhou para seu cabelo e suas roupas, depois me lançou um olhar desconfiado enquanto saía do quarto.
–Foi um prazer conhecê-la, Senhora Chase! — Percy falou, antes de ela sair.
Eu o encarei.
–Você é muito cara-de-pau. — Observei, estreitando os olhos.
–É, eu tento. — Ele se deitou na minha cama, folgado. — Bela roupa.
Eu olhei pra baixo. Estava vestindo um chinelo, com calça jeans roxa e regata laranja listrada de azul. Cara. Que horror.
–Foram as primeiras que eu peguei. — Expliquei, amuada.
–Prefiro você de toalha. — Ele me lançou um sorriso. Peguei um bicho de pelúcia do chão e joguei nele, irritada. — Ai!
–O que você quer, Jackson?! — Perguntei.
–No momento, que pare de me chamar de "Jackson". É horrível. Ah... E sanduíches. — Ele se sentou e pegou um prato, comendo o sanduíche como um animal. — Sua mãe é um amor.
–É, ela não pensa o mesmo de você. — Lembrei-me do olhar desconfiado que ela me lançou. — Aliás, não sei nem como você conseguiu entrar aqui em casa.
–A clássica desculpa do "trabalho de escola". — Respondeu, com a boca cheia.
Eu estava tentando não falar muito animadamente com ele. Desde nosso último encontro — o que com certeza foi um péssimo encontro — eu tinha pensado demais nas palavras que ele tinha me dito. E eu não gostei da minha conclusão.
–O que mais você quer? — Perguntei, fria.
–Eu queria dizer que eu salvei a sua pele ontem.
–Como é? — Perguntei, confusa.
–Bom, quando você me abandonou naquele parque, eu voltei a escola. E adivinhe só, pela primeira vez em anos, eu fui pego. — Ele riu. — você me dá má sorte hein, Annie?
Eu revirei os olhos.
–Tá, mas e daí? continue.
Ele se espantou com a minha grosseria e continuou, de um modo mais contido.
–Bom, eles perguntaram aonde nós estávamos. Eu respondi que quando estávamos à caminho da sala da diretoria, você começou a passar terrivelmente mal com o nervosismo de uma suposta detenção. Falei que seus pais vieram te buscar e eu, que nessa hora estava sozinho, achei que não valia a pena eu cumprir a detenção e então eu matei aula. Eu te livrei totalmente da culpa.
Ele parou de falar, me encarou e depois continuou a comer.
–Nossa. — Ergui as sobrancelhas. — Obrigada.
–Não foi nada. — Ele deu de ombros. — Mas eu me pergunto, aonde você foi depois?
Resolvi "testar uma coisa" também.
–Fui tomar café com um cara que eu conheci. — Respondi. Esperei pela sua reação.
–É mesmo, é? — Ele me olhou com desdém.
–É. Ele é super legal, é do time da escola, e tudo mais... — Continuei, falando sonhadoramente de propósito. — Adorei ele.
–Hum. Certo. — Ele continuou a comer, pensativo.
Isso aí. Finalmente, alguma reação diferente de sarcasmo. Vamos ver o quão longe eu posso ir.
–Bom, Percy. E você, o que fez pelo resto do dia?
–Fiquei na detenção. — Respondeu, seco.
Eu fui me sentar na cama ao lado dele. Olhei os sanduíches, que pareciam deliciosamente apetitosos. Peguei um e comecei a comer.
–Esse cara.. — Percy começou. — Que você falou. Qual é o nome dele?
Fiquei quieta por alguns instantes, refletindo se devia ou não falar o nome dele. Achei que não ia ter problema algum, então respondi.
–Luke.
Percy parou de comer e me encarou.
–Eu sabia. — Ele quase amassou o sanduíche em suas mãos.
–Percy, acalme-se. — Falei, surpresa. — Você o conhece?
–Quem não o conhece? — Ele riu, sarcástico. — Afinal, é o Luke.
Curiosa, perguntei:
–O que aconteceu entre vocês?
–Isso não vem ao caso no momento, Annabeth.- Ele se levantou e começou a andar de um lado pro outro no meu quarto, xeretando minhas coisas.
–Ei! Não mexa nisso aí! — Gritei.
–Porque? O que é?
–Meus CD's. — Me levantei e peguei os cd's das mãos dele. Ele leu uma das capas.
–Jason mraz. Chama isso de música? — ele riu.
–É boa música sim! — Corei, enquanto colocava os cd's no lugar.
Percy parecia estranhamente mais grosseiro, agora que eu mencionara Luke.
–Ah, certo. Com certeza, ótima música. — Percy continuou a mexer nas minhas coisas, enquanto eu tentava impedí-lo inutilmente. — O que é isso? um diário? — Ele folheou as páginas e começou a ler. — "Querido diário. Hoje na escola uma garota puxou meu cabelo e me jogou na lama. A mamãe brigou comigo por eu voltar com o vestido sujo pra casa, isso é tão injusto!"
–Percy! — Resmunguei. Tentei pegar da mão dele mas ele o ergueu pra que eu não pudesse alcançar. — Será que dá pra parar?
–Isso é sério? — Perguntou, rindo freneticamente.
–É meu diário da quarta série! — Arranquei da mão dele quando consegui. — Pare de mexer nas minhas coisas!
Com uma última risada vitoriosa, ele ergueu os braços em rendição e voltou a se sentar na cama, me observando.
–Aliás, estou até surpresa de você ter vindo.- Murmurei irritada enquanto colocava as coisas no lugar.
–Por que?
Arregalei os olhos, surpresa de ele não saber.
–É sério? Você meio que me insultou de diversas formas ontem!
–Não, não insultei. — Ele franziu as sobrancelhas.
–Sim, insultou. Vai dizer que não lembra? — Cruzei os braços.
–Eu nunca te insultei. Eu só falei a verdade.. — Ele se deitou na cama.
–Aquilo não era verdade. — Falei.
–Tem certeza? — Ele ergueu uma sobrancelha.
Eu suspirei, derrotada.
–Não.
–Então venha. — Percy me puxou pela mão, me fazendo cair sentada na cama. — No fundo você sabe que eu estava certo. Só não quer admitir.
–É claro que não. Não é uma coisa boa. — murmurei.
–Quem disse que não é? — Eu o encarei, cética. Ele continuou: — Annabeth, eu lhe garanto que não há nada melhor do que não ligar pra ninguém. Não há nada melhor do que ser independente das pessoas, pode acreditar em mim.
–Percy, sabe no que eu acredito? Eu acredito que você já dependeu de alguém, e essa pessoa te decepcionou. Por isso você é um adolescente revoltado e metido que deixou a minha mãe assustada. — Falei, tentando não dar risada, mas ele riu assim que eu terminei.
–É, isso já aconteceu, mas também não vem ao caso agora. — Ele se desviou do assunto discretamente. — Vai fazer algo hoje à noite?
–Vou ficar em casa. Tenho um trabalho da escola pra fazer.
–Ah. "A clássica desculpa do trabalho de escola." — Ele sorriu, e se deitou com os braços atrás da cabeça. — Certo.. Annie, é sábado.
–E...?
–E... Vamos sair. Eu e você. E vamos tentar não discutir, pelo menos por uma noite.
–Você está maluco? Meus pais nunca vão deixar eu sair com um bad boy que nem você. — eu ri.
–Bem, dê um jeito. Vamos às oito. — Ele deu um sorriso torto, que eu percebi que estava começando a gostar.
–Espere! Aonde vamos?
–Vou te mostrar um lugar legal. — Respondeu, distraído.
–Estou começando a ficar com medo de você e desses seus "lugares legais" — Fitei-o desconfiada. Novamente, ele riu.
–Ah, relaxe. É só uma festa.
Uma festa. Certo, isso não parecia tão ruim.
–Okay. E o que fazemos pelo resto da tarde? Minha mãe acredita que estamos fazendo um trabalho. — Observei.
–Bem, que tal um filme, debaixo das cobertas? Eu estou extremamente cansado. — Percy se espreguiçou na cama, depois me abraçou com um braço.
–Por que? Você não veio com a sua moto?
Percy bocejou.
–Não.. Sally está no concerto. Aconteceu um pequeno acidente.
–E você está bem? — Falei, surpresa.
–Na verdade não. Está doendo bem aqui. — Ele apontou pra bochecha. — Será que um beijo ajuda?
Eu ri, e lhe dei um pequeno beijo na bochecha.
–Ah, aqui também.. — Ele apontou pra outra bochecha, e eu a beijei também.
–Pronto?
–Não.. Ainda falta aqui. — Ele apontou para sua boca. Eu ri, e lhe dei um beijo na boca também.
E eu não sentia remorso algum por Cally. Talvez ele tivesse razão. Talvez eu fosse tão ruim como ele. A questão era que eu não me importava agora. Concertaria tudo depois.
Quando finalmente nos separamos, ele me puxou para que eu deitasse na cama ao lado dele. E então, deu aquele sorriso torto que eu finalmente concluí que era meu favorito.
–Bem melhor. — Percy sussurrou.
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