Notas iniciais
aeeee, deculpem a demora, obg pelos reviews :D esse cap ficou enorme o.o espero que gostem *:

Percy me puxou pela mão, enquanto corríamos pelo corredor.

–Ártemis não vai descobrir? — Perguntei receosa.

–Annie, não é tão fácil me pegarem. Relaxa. — Sorriu. Isso não me acalmou, realmente. — Ei, tudo bem. Aposto que Ártemis nem prestou atenção no corredor.

Ele deu de ombros e continuou correndo.

– Sabe, — Falei, arfando enquanto corria para acompanhá-lo. — Não sei como você ainda não foi expulso. Você faz tanta besteira.

–Besteira? — Ele arqueou uma sobrancelha.

–É. Fumar na sala do laboratório, por exemplo. Você podia ter nos explodido. — Ele fez uma cara de interrogação, então eu continuei. — Percy, tinha substâncias químicas naquela sala que se entrassem em reação com a fumaça ou com fogo...

–Shiu! — Ele colocou a mão na minha boca e me empurrou contra a parede. — Vem vindo alguém.

Nos encostamos em silêncio nos armários enquanto um funcionário passava na nossa frente, distraído com o dever de algum aluno.

Quando íamos continuar a correr, o homem parou.

–Eu sei que você está aí, Percy. — Ele se virou em nossa direção. Tinha um cabelo preto meio despenteado, já com alguns fios brancos. Rugas nos olhos diziam que ele sorria bastante e ele usava suas roupas de forma bem casual. — O que está fazendo fora da aula?

–Uh... Aula com Ártemis. — Percy explicou. — Ela não vai com a minha cara, pai, você sabe disso.

Espera aí. "Pai"? .

Lancei a ele um olhar confuso.

–Bem. Vamos indo. — Percy continuou correndo, deixando o homem para trás como se mal desse a mínima da presença dele ali. O homem continuou seu caminho como se não ligasse também.

–Hã... Percy. — Chamei. Ele se virou. — Pensei que você tivesse dito que seu pai foi embora.

–E eu disse. — Concordou. Gesticulei para o homem, que agora continuava a ler o dever. — Ah! Ah.. sim. Bom.. Eu...

–Era mentira, não era? — Ergui as sobrancelhas.

Ele colocou a mão na nuca, envergonhado.

–Hã.. Lembra que você perguntou como eu não fui expulso?

–Sim.

–Então.. Meu pai é o diretor.

Ah. Certo. Isso explicava muita coisa.

– E porque você não me contou isso? — Coloquei as mãos na cintura.

–Bom.. Ele é o diretor. — Respondeu, como se isso explicasse tudo. Certo. Deveria realmente ser meio embaraçoso ser filho do diretor da sua escola.

–Você me disse que dividia um apartamento com os amigos.

–E divido. Com Nico e Frank. — Deu de ombros. Eu esperei ele continuar. — Ahn.. Certo. É o seguinte. Eu vivia com a minha mãe, quando ela se separou do meu pai. e.. Quando ela... Quando ela se foi, meu pai veio atrás de mim pela primeira vez em anos, me oferecendo tudo que eu precisava. Eu não aceitei.

–E porquê não?

–Porque... Parte da história que eu te contei era verdade. Ele me abandonou quando eu ainda era criança, e nunca mais deu sinal de vida. Eu não precisava da ajuda dele. — Ele deu uma pausa e suspirou, cansado, como se fosse difícil até tocar nesse assunto. — Mas aí.. eu não ia bem na escola. Fui expulso de várias, na verdade. E um dia ele me ligou, dizendo que eu poderia estudar aqui, a escola que ele gerenciava, e que ele garantiria que eu não seria expulso por nada e assim poderia terminar o colegial.

–Então você veio pra cá. E pode fazer o que quiser. — Resumi.

Ele sorriu.

–Exatamente.

–E você não se dá bem com ele. É o típico filho rebelde de divórcio. E então, mora com um colega e se vira praticamente sozinho. — Adivinhei.

–Exatamente. — Ele repetiu.

–Certo. — Suspirei, tentando absorver a história toda. — Bem, aonde você queria me levar mesmo?

* * *

– Bom.. É aqui. — Percy ergueu os braços como se o lugar fosse uma obra prima.

–Hã.. Sério? — Duvidei.

Estávamos em frente a um portão de ferro prateado bem enferrujado,e atrás dele havia uma floresta com vários materiais de construção. O lugar era sombrio, e eu conseguia sentir a umidade das árvores de longe.

–O que exatamente é isso? — Perguntei. Pensei em várias coisas diferente. Um canteiro. Uma construção de shopping abandonada. Um aterro sanitário. Eram infinitas possibilidades.

–É um parque. — Percy sorriu entusiasticamente.

–Um parque? Certeza?

–É, ainda não está terminado, acho que abandonaram a construção. E... é claro, não tem calçada lá dentro. E à noite é extremamente perigoso. Mas sim. É um parque. -Sinceramente. Porque ele não me levou a um lugar mais normal pra matar aula, tipo um shopping, um café, ou sei lá. Mas não. Tinha que ser um parque abandonado. Quem sabe o próximo fosse uma mansão abandonada e mal assombrada. Super romântico.

Percy começou a escalar o portão.

–Er.. Você tem certeza que isso é seguro? — Perguntei.

–É claro que não. — Ele chegou ao topo do portão e pulou pro outro lado agilmente. — Mas é bem mais divertido. Venha.

Coloquei a mão de leve no portão, e quanto a tirei, estava cheia de ferrugem laranja. Engoli em seco.

–Vamos, Annabeth!

Eu estava começando a duvidar da sanidade daquele garoto, mas escalei o portão. Felizmente, consegui chegar até o topo. Olhei pro outro lado.

Percy me esperava, sorridente, pisando no chão de terra molhada. Só que ele estava quase 3 metros abaixo. Me segurei com força lá em cima.

–Eu.. Eu não consigo. — Falei. Não sou louca de pular dessa altura.

Percy revirou os olhos e estendeu os braços.

–Pode pular, eu te seguro. — Eu ergui uma sobrancelha, desconfiada. — É sério, Annie. Confie em mim.

Eu olhei pro outro lado. Pra voltar eu teria que pular também. Não tinha escolha.

Fechei os olhos com força e me joguei, soltando um grito extremamente exagerado.

Caí em alguma coisa macia com cheiro de tabaco e menta. Abri os olhos. Percy estava me abraçando, mas eu tinha caído bem em cima dele. Estávamos os dois deitados no chão sujo, Percy de olhos fechados.

–Ai. — Resmungou.

–Desculpe. — Falei, me levantando.

Percy se sentou, esfregando as costas.

–Bom, pelo menos você confiou em mim. Até demais. — Ele se levantou lentamente, com a minha ajuda.

Olhei em volta do lugar e me surpreendi.

Era muito mais bonito, sem ter que olhar através aquela cerca enferrujada. Parecia uma reserva natural no meio de nova york!

As árvores eram altas e haviam muitas, deixando o ar fresco e úmido. O chão era de terra marrom, com algumas pedras cobertas de musgo. Em algum lugar eu conseguia ouvir os pássaros piando, alegres. O sol entrava radiante por entre as folhas verdes, e iluminava a terra molhada de orvalho.

–É incrível. — Sussurrei.

–Não é? — Percy se alongou, parecendo um pouco melhor. — Eu acho melhor que o central park. Além de ser mais perto, é claro.

–Qual o tamanho?

–Bom, eu nunca andei por ele inteiro então eu não faço ideia. — Deu de ombros. — Mas podemos tentar, se quiser.

–Bem, dependendo de você, não iremos tão longe. — Observei.

–Ei! Foi você que caiu em cima de mim. — Reclamou. Eu sorri.

–Eu só estava confiando em você.

Percy se aproximou e me puxou pela cintura.

–E gostou de confiar?

Eu dei risada, e me afastei gentilmente.

–Nossa, essa é a cantada mais ridícula que já ouvi, Jackson.

–Ah, certo. Esqueci que com você tem que ser alguma coisa mais elaborada. Você não é uma das líderes de torcida da escola...

–Exatamente.

–Você é alguma das nerds que ficam presas na biblioteca. — continuou. Eu o fuzilei com o olhar. -Ah, desculpe. Continue aquele papo de química que você estava falando. Quero muito saber das reações entre substâncias.

Eu revirei os olhos e mudei de assunto enquanto caminhávamos.

–Certo. Ei, como é sua relação com Nico? Quero dizer, como vocês acabaram morando juntos?

–Bem, nós éramos amigos desde que ele tinha 12 anos. Ele foi a única pessoa naquela escola que teve coragem de se aproximar de mim.

–E quanto à Cally?

–Ah, ela também. — Respondeu. — Cally sempre foi legal com todo mundo, não importava como a pessoa fosse. Veja só, ela fez amizade até com você!

Eu o encarei.

–Desculpe. Enfim, voltando ao Nico. Ele era meu amigo, então sabia o que eu estava passando com meu pai. Ele me ofereceu o apartamento. Mas agora não é mais só ele. Dividimos com Frank, e Bianca, irmã do Nico, aparece lá muitas vezes.

–Por que?

–Bom. ninguém sabe cozinhar lá. Sem ela, viveríamos de macarrão instantâneo e comida chinesa. — Percy riu e deu de ombros. — E quanto a Rachel? Percebi que ela é uma amiga muito leal.

Ele riu novamente, enquanto eu bufava de raiva, me lembrando da atitude daquela cretina.

–Eu sou amiga da Cally. Rachel e Zoe vieram como bônus. Não que eu realmente as queira.

–Sei. Por você, ficava sozinha o ano letivo inteiro?

–Bom, quem sabe eu conhecesse algum adolescente rebelde que não parasse de zoar com a minha cara.. — Eu o encarei. Ele riu novamente, e surpresa, percebi que eu gostava do som de sua risada. Estranho.

Ele parou de andar abruptamente e olhou para cima. Era uma árvore alta, com vários galhos em diferentes níveis de altura.

–Perfeito. — Percy escalou a árvore com uma habilidade que eu encarei, impressionada. Quando ele chegou lá em cima, se sentou calmamente em um galho, e olhou pra mim. — Está esperando o quê?

Eu olhei os galhos, desconfiada. Nunca fui o tipo de criança que escala árvores. Preferia ficar brincando com as minhas barbies debaixo delas.

Eu olhei para Percy. Ele esperava ansioso a cena cômica que estava por vir. Relutante, tentei escalar.

Foi uma dúzia de escorregões, três tombos, e quatro galhos quebrados. Depois da quarta tentativa, finalmente consegui escalar, do jeito mais vergonhoso possível: abraçando a arvore com força enquanto ia subindo os pés.

Percy estava quase engasgando de tanto rir, e secretamente torci pra que ele caísse daquele galho. Quando finalmente o alcancei, o cabelo cheio de folhas secas, e minha roupa completamente marrom de ter dado um abraço de urso na árvore, eu o encarei.

–Você sabia que isso ia acontecer, seu babaca. — Resolvi olhar pra qualquer lugar que não fosse a cara dele. Meu rosto estava fervendo de vergonha.

–É, no fundo eu sabia. — Ele respondeu, entre risos.

Cruzei os braços com a maior força possível, e olhei pra baixo. Estávamos realmente muito alto.

Resolvi deixá-lo desconfortável também. Eu o encarei e disse:

–Porque estou sozinha aqui com você? Não deveria ser a Cally no meu lugar?

Infelizmente, ele pareceu mais confortável do que nunca.

–Cally já conhece esse lugar. Eu já a trouxe aqui milhares de vezes. — Ele colocou os braços na nuca e deitou no galho, balançando perigosamente.

–P-percy, por favor, fique sentado. Você está me dando nos nervos. — Pedi.

–Porque? — Ele se virou e caiu, ficando pendurado no galho por uma só mão. Eu soltei um grito.- Haha.

–Você quer morrer? Percy, sente agora nesse galho! — Eu estendi a mão pra ele, mas de algum jeito impossível ele conseguiu se sentar de novo no galho sem ajuda.

–Já vi que você não é fã de aventuras, não? — Ele sorriu, calmamente. — A moto.. O parque.. A Árvore. Que horror, você é extremamente monótona.

Eu olhei pra baixo, magoada. Se eu era extremamente monótona, porque ele queria algo comigo?

–Eu fico me perguntando... — Comecei. Ele me olhou e esperou eu continuar. — O que você queria testar.

–Hã?

–Na nota de cinquenta dólares que você me devolveu. Você escreveu que "queria testar uma coisa". — Expliquei.

Percy pareceu se lembrar.

–Ah. Bom, você quer realmente saber? — Ele perguntou. Eu acenei com a cabeça. — Eu queria testar se eu conseguiria te mudar.

Ele começou a se aproximar lentamente. Comecei a ficar nervosa,e tentei arranjei algo pra dizer:

–E o que você concluiu?

Percy estava muito perto agora. Nossos narizes quase se encostavam. Eu conseguia ver seus olhos verde-mar tão de perto que perdi totalmente a concentração.

Pude ouvir quando ele sussurrou, num tom divertido:

–Eu conclui que eu posso fazer o que eu quiser.

Então ele me beijou. No galho de uma árvore, a cerca de 10 metros do chão.

E eu não senti medo de cair.

Notas finais
REVIEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEWS ? :DDDD gostaram? odiaram? comentem! u.u nos vemos no próximo *: