Percabeth - I Knew You Were Trouble
35 Capítulo 36
Notas iniciais
Ele encarava fixamente o chão de concreto.
Estava com um corte feio na boca e seu punho doía. Tinha arrumado uma briga no refeitório... Com um cara que era três vezes o seu tamanho.
Mas Percy tinha seus motivos. Estava quieto, comendo aquele gororoba que chamavam de comida quando o cara chegou por trás, caçoando da sua aparência, falando que ele deveria ser um playboyzinho que foi pego usando drogas com a namorada riquinha. Percy tinha fechado os olhos, se segurando para não partir pra cima dele. Fechou as mãos em punho em cima da mesa esperando que o cara calasse a boca.
Mas é claro que não. Ele tinha que chamá-lo de filhinho de papai.
Foi aí que tudo saiu do controle e antes que pudesse perceber o que estava acontecendo, os guardas o tinham jogado naquele cubículo de paredes brancas e estreitas.
Ele devia estar lá há uns três dias.
Percy levantou os olhos quando ouviu batidas na porta resistente de metal. Por baixo de uma portinhola jogaram uma bandeja com comida e água e depois a portinhola se fechou novamente. Percy encarou o prato, sentado naquela cama dura e desconfortável e concluiu que, novamente, não estava com fome.
Levantou-se e foi olhar pela minúscula janela com grade, quase no teto da cela. Fazia tempo desde a última vez que tinha visto o sol mas lá estava ele, brilhando em um céu azul com poucas nuvens. Isso o lembrou do primeiro dia de aula quando ele estava no pátio da escola e olhou quando um carro chique passou. Dentro dele estava uma garota loura, rabugenta e de nariz empinado. Ele se lembrava de ter sorrido pra ela e de ter como resposta um olhar azedo. Percy ficara olhando enquanto o carro entrava na escola e já estava se preparando pra ir embora quando a garota saiu do carro para a luz do sol. Ele se lembrava até hoje de como o cabelo louro dela brilhou, ofuscante, cobrindo a pele branca dos ombros nus que podiam ser vistos pela regata branca. Os olhos se estreitaram com a luz como se ela o desafiasse e ficaram ainda mais claros, num tom de tempestade. Quando ela pegou a bolsa de marca e entrou na secretaria, Percy sabia que, por algum motivo, tinha que falar com ela.
Agora a luz do sol não passava de outra coisa que ele perdera, assim como Annabeth. Todas as noites ele sonhava com ela, com momentos que eles tinham vivido ou que poderiam viver. Pensar nela era o único jeito de se deligar daquele lugar.
Também em Nico. Em Bianca. Nos irmãos Stoll. Em Cally e até mesmo em Rachel. Sua antiga vida tinha acabado e tudo que Percy podia fazer era relembrar.
As coisas estavam sendo assim há quatro meses. E iam ser assim por mais 5 anos e 6 meses. Ele sabia porque contava todos os dias. Contava porque sempre aguardava ansiosamente pelas segundas feiras, que eram os dias de visita na prisão.
Mas ela nunca apareceu.
Ele ficava feliz com isso. Não queria Annabeth num lugar como aquele. Talvez ela finalmente tivesse criado juízo e prosseguido sua vida sem ele. Percy torcia por isso. Era isso que era amor não? Fazer de tudo pra que a outra pessoa seja feliz independentemente de você.
Mas é claro que tinha aquela sensação de que fora abandonado por todos. E, meu deus, como ele queria que ela estivesse aqui! Tudo seria mais fácil de suportar.
Ele sacudiu a cabeça, espantando esse pensamento egoísta de sua mente. Foi como nas vezes em que ele pensara em visitá-la. Sempre negava, ele nunca iria abalar sua vida novamente mas ele sabia que assim que saísse iria procurá-la. Nem se fosse pra tomar um café, fingir que estavam se conhecendo pela primeira vez e dessa vez do jeito certo. De um jeito civilizado.
E imaginando esse dia, ele se deitou na cama e fechou os olhos, adormecendo logo em seguida.
~Cinco anos e seis meses depois~
Aquele era finalmente o dia.
Assim que desse meio dia iria sair de lá. Iria sentir o vento no rosto e o calor do sol no corpo novamente. Iria até sair a tempo do quatro de julho, a tempo de ver os fogos de Nova York.
Faltavam quinze minutos. Ele arrumava suas coisas quando Martin, seu colega de cela depois que saiu da solitária, acordou se espreguiçando na cama.
–Cara. — Disse, bocejando. — Já vai?
–Não. Vou ficar mais três horas, sabe, tomar um chá com os guardas. — Percy respondeu, erguendo uma sobrancelha. — É claro que eu vou, Martin. Não aguento mais um segundo aqui.
–Ora, mas eu sou o melhor companheiro de cela que se pode ter, Perce. — Martin sorriu com seus olhos azuis miúdos. Tinha uns 30 anos, era bem mais baixo que Percy, magro, um tanto fracote. Quantas vezes Percy já o protegera dos outros caras... Haviam se tornado o que se pode chamar de colegas. — Não ronco. Não reclamo da droga da comida. Sou decente e sei manter minhas mãos no lugar.
Percy o encarou, um tanto ultrajado.
–Hã. Certo. — Desviou os olhos. — Ótimo colega de cela. Foi preso por um roubo e te colocaram junto com um assassino. Boa sorte quando eu sair daqui.
Martin desviou os olhos arregalado para o teto.
–Tem razão. Mas enfim, qual a primeira coisa que vai fazer quando sair?
–Você sabe o que é. Vou procurá-la.
–Annabelle?
–Annabeth. — Corrigiu.
–Tsc. Boa sorte. — Martin falou com desdém.
–O que quer dizer? — Percy se virou para encará-lo.
–Quero dizer que você acha mesmo que depois de anos ela ainda vai estar no mesmo lugar, sozinha, esperando por você? Não conte com isso, amigo.
–Eu não espero isso. Só quero conversar com ela. Se não conseguir encontrá-la, então vou continuar com a minha vida. — Percy respondeu, incerto. Não acreditava que realmente fosse desistir tão fácil assim. -Agora Martin, pare de se intrometer que você ainda tem mais dois anos pela frente. — Ele fechou a mala com convicção e levantou-a da cama, carregando-a para fora. Parou em frente à porta de metal e virou-se, acenando para o amigo. — Boa sorte.
–Tchau Perce. Vou sentir sua falta, pirralho. — Martin fez um aceno com a mão.
Percy acompanhou um guarda até a saída.
* * *
Ao chegar no upper east side, Percy foi comer algo rápido e depois procurou uma cabine telefônica. Assim que encontrou uma, enfiou-se dentro se atrapalhando com a mala e agarrou a lista telefônica. Depois de várias páginas, encontrou o sobrenome Chase, com três telefones diferentes. Na terceira tentativa, finalmente, atenderam.
–Alô? — Percy batia os dedos no telefone de nervosismo.
–Oi. Quem é? - Uma voz de uma senhora falou. Deve ser a mãe dela, pensou.
–Hã, aqui é o... — Percy ponderou por um segundo se realmente deveria dizer seu nome. Achou melhor não. Talvez Annabeth tivesse contado sobre ele aos pais. — James... Hã , Norrington.
Droga. Por que o nome de um dos personagens de piratas do caribe?
–Oh. Com quem quer falar? – A senhora não pareceu perceber o nome falso.
–Annabeth Chase, por favor.
–Ah. Desculpe, mas...- A mulher pareceu hesitante.
–O que? O que houve? — Percy falou, exaltado. Tentou controlar a respiração. — Quero dizer.. É uma ligação meio urgente.
–Bom, ela não está mais aqui nos Estados Unidos. Foi estudar em Paris, com a filha.
Filha?
Percy deixou cair o telefone.
–Alô? Alô? Sr. Norrington?
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