Percabeth - I Knew You Were Trouble
36 Capítulo 37
Filha?
Filha?
Ele não conseguia parar de repetir essas palavras em sua mente. Ouvia Victoire falando no telefone mas parecia apenas um ruído longe, como se ele estivesse em outra dimensão. Piscou os olhos várias vezes, estático, e finalmente arranjou forças para colocar o telefone no gancho, desligando na cara da sra. Chase.
–Ei amigo, vamos logo aí! — Um homem de chapéu e terno bateu na cabine, com pressa. Percy apenas lançou-lhe um olhar desorientado e saiu da cabine, arrastando a mala desajeitadamente consigo.
Andou por algumas esquinas, sem direção. Milhares de imagens aleatórias passavam pela sua cabeça. Annabeth com outra pessoa. Annabeth dormindo com essa pessoa. Annabeth levando a filha pra escola, passando pela torre eiffel. Quando deu por si, sentia o vento no rosto enquanto corria pelas ruas de nova york. Não sabia por que, nem pra onde ia, só tentava fugir de seus pensamentos. Os pensamentos de que Annabeth já havia arranjado outro e construído sua familia. O pensamento de que ela o tivesse esquecido.
Em algum momento, tinha arremessado a mala com suas roupas pra longe, pois quando chegou ao central park estava de mãos vazias. Correu por entre as pessoas até encontrar um banco de concreto vazio, em baixo de uma árvore. Sentou-se lá e apoiou a cabeça nas mãos.
O que eu esperava? Que ela tivesse se lembrado de mim esse tempo todo? sim, respondeu a si mesmo. Bom. Eu já devia imaginar que ela finalmente achou alguém melhor, alguém pra ter uma família. Deveria estar feliz, certo?
Ele levantou a cabeça, olhando as famílias passarem pelo parque. Ficou imaginando quem poderia ter sido que Annabeth encontrou. Jason? Frank? Leo?
Não, improváveis demais. Annabeth deveria ter encontrado algum milionário de wall street.
Aliás, ele nem deveria estar pensando nisso. Não deveria se preocupar com ela. Onde estava com a cabeça quando correu nova york inteira, deixando suas coisas pra trás? Que estúpido.
Ia se preparar pra voltar e procurar sua mala pelo caminho quando começou a chover. Era uma daquelas chuvas surpresas, tanto que várias mulheres que estavam correndo com leggins apertadas começaram a soltar gritinhos e colocar os casacos sobre a cabeça.
Percy apenas ficou lá. Com moleza demais pra se levantar, deixou a chuva encharcá-lo da cabeça aos pés, até começar a sentir frio. Sua mente parecia cheia e vazia ao mesmo tempo. Ele quase conseguiu se colocar num torpor por aqueles breves instantes, até que os questionamentos voltaram
Por que ela tinha ido pra França? Será que andar por nova york a lembrava dele? Será que ela jamais gostaria de ter nenhuma lembrança dele? Era provável. Ou talvez isso fosse encanação e ele só estivesse paranoico mesmo. Talvez ela sequer se lembrasse dele e tivesse ido pra França por que lá era um lugar melhor para se ser feliz.
De qualquer modo, era impossível ele ir à frança.
Não era?
Era. Com certeza. E além do mais, ele se lembrou da promessa que tinha feito ao colega de cela. Se não fosse fácil encontrá-la, ele iria desistir e continuar com a sua vida.
Por mais que ele se negasse a pensar nisso, no entanto, ele sabia que ainda tinha alguma coisa a dizer pra ela. Ele queria pedir desculpas por tudo, queria que ela o perdoasse por todas as besteiras que fez, por todas as encrencas que ele a meteu. Ele precisava dizer isso à ela, senão nunca ficaria em paz.
Mas como?
Podia tentar encontrar o telefone dela. Mas isso não era algo de se falar pelo telefone, tinha que ser pessoalmente. Tinha que arranjar algum jeito de ir à Paris. Tinha que encontrá-la naquela cidade gigantesca. Tinha que convencê-la a tomar um café e conversar. E tinha que conseguir o perdão dela.
Afinal, eu tenho um plano, pensou.
Levantou-se do banco, erguendo o capuz sobre a cabeça para se proteger da chuva.
Agora só falta realizá-lo.
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